31/10/2009

PARABÉNS! 492 ANOS DE REFORMA PROTESTANTE!

 

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero, afixou, na porta do Castelo de Wittemberg, na Saxônia, as suas 95 teses que revolucionariam o mundo religioso de sua época. Estas teses tiveram tamanha repercurssão que levaram Lutero a ser excomungado da Igreja Católica Romana, sofrendo ameaças de ser morto em uma fogueira por heresias. Por estas teses Lutero viveu grande pressão em seus dias, e até hoje, na historiografia Católica Romana é representado por um monge louco, psicótico, um endemoninhado derrubando os pilares da igreja mãe, também pudera, Lutero por meio de seu protesto arrebentou com os pilares mentirosos da doutrina idólatra Romana.

Lutero foi um grande reformador, um homem que fez muitas coisas em prol da igreja de Cristo, que protestou contra um sistema corrupto que encaminhava, e até hoje encaminha, pessoas ao inferno, sem dúvidas, ele foi um instrumento de Deus para abençoar e libertar a igreja das mentiras de satanás.

Já fazem 492 anos que tudo aconteceu, e olhando ao redor vemos que apesar de toda a obra da reforma protestante, parece que para muitos ela nem sequer ocorreu, muitas denominações estão pregando mentiras e heresias, movimentos e unções fora da Bíblia, negam os pilares fundamentais da reforma e seguem um caminho de engano, a figura acima é bem propicia, afinal, é necessário que se afixem novamente as teses de Lutero em certas portas de templos por aí, quem sabe não retornam a Palavra?

Mas para ajudar os esquecidos, tenho o prazer de relembra-los dos 5 pilares fundamentais do protestantismo:

1. Sola Gratia (somente a Graça)

Boas obras não ajudam na salvação do homem, somente a Graça nos salva, através da obra regeneradora do Espírito Santo de Deus em nossas vidas em conjunto com a obra redentora de Cristo, não temos méritos alguns e somos naturalmente pecadores.

2. Sola Fide (somente a Fé)

Sem fé na obra redentora do Calvário não há salvação, somente pela fé no sacrifício de Cristo somos jutificados das transgressões da Lei de Deus, livres da punição pela graça, passando a ter aplicado em nós a retidão de Cristo.

3. Sola Scriptura (somente a Escritura)

A Bíblia tem a primazia, a Escritura interpreta a própria Escritura, a Escritura é suficiente como única fonte de doutrinas e prática cristãs, nunca iremos além do que está escrito.

4. Solus Crhistus (somente Cristo)

Cremos nas doutrinas fundamentais do Cristianismo, somente Cristo é o único Mediador entre Deus e homens, o Papa não é o chefe da igreja e nem representande de Cristo na terra.

5. Soli Deo Gloria (Glória somente a Deus)

A Deus devemos atribuir toda a Glória que lhe é devida, nem o Papa, nem os santos canonizados, nem pastores, cantores, pregadores, apóstolos, bispos e etc. merecem a Glória que lhes é atribuída atualmente, esta glória pertence somente a Deus!
É tempo de olharmos para a Palavra de Deus e voltarmos a praticar e pregar o que Deus manda.
Que Deus vos abençoe!

Publicada por Júnior Rubira

FONTE: BLOG ESPADA DO ESPÍRITO

Um novo mundo além do seu tempo

 

"É justo falar sobre grandes mantos brancos em algum lugar, com todo o seu simbolismo; mas, em última estância, as pessoas aqui (na terra) querem alguns ternos, vestidos e sapatos. Tudo bem se falarmos sobre ruas cobertas de leite e mel, mas Deus nos ordenou (como sacerdotes) para nos preocuparmos com os miseráveis e seus filhos, que não podem comer três refeições por dia. Tudo bem se falarmos sobre a nova Jerusalém, mas um dia os pregadores de Deus terão de falar sobre a nova Nova York, sobre a nova Atlanta, sobre a nova Filadélfia, sobre a nova Los Angeles, sobre a nova Memphis, no Tennessee. Eis o que precisamos fazer...
Não precisamos discutir com ninguém. Não precisamos praguejar e sair por ai agredindo as pessoas com as nossas palavras. Não precisamos de pedras ou garrafas. Precisamos simplesmente circular por aí (...) e dizer: Deus nos enviou aqui para lhes dizer que vocês não tratam bem os Seus filhos. E viemos aqui lhe pedir que o primeiro item de sua agenda seja o tratamento justo dos filhos de Deus.
Bem não sei o que acontecerá agora. Dias difíceis virão. Mas não me importo. Pois eu estive no topo da montanha. E não me importo. Como qualquer pessoa, gostaria de viver uma vida longa. A longevidade tem seu lugar. Mas não me preocupo com isso agora. Apenas desejo obedecer os desígnios de Deus. E Ele me levou ao topo da montanha, olhei ao redor e contemplei a Terra Prometida. Posso não alcançá-la, mas quero que saibam, que nós, como povo (de Deus), chegaremos à Terra Prometida. Estou tão feliz. Não me preocupo com nada; não temo homem algum. Meus olhos viram a Glória da Presença do Senhor."
Reverendo Martim Luther King
3 de Abril de 1968, Templo Mason, Memphis, Tennessee. Pouca horas antes de ser assassinado.

Postado por Hermes C. Fernandes

FONTE: Hermes C. Fernandes

Ex-paquito é missionário ‘pior lugar do mundo’

 

Ex-paquito faz trabalho humanitário no ‘pior lugar do mundo’

Alexandre Canhoni, que foi o paquito Xand, vive há oito anos no Níger.
País com o pior IDH do planeta 'não tem nada', contou em entrevista ao G1.

Daniel Buarque Do G1, em São Paulo

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Foto: Reprodução/Arquivo pessoal Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Alexandre Canhoni, o ex-paquito Xand, e crianças que ajuda em trabalho humanitário no Níger (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

O objetivo de Alexandre Canhoni era ajudar as pessoas que vivem no pior lugar do mundo. Depois de ter atuado na TV como paquito do "Xou da Xuxa" e de ter deixado a carreira musical de lado para se tornar evangélico, ele tinha se decidido a viajar para algum lugar como Iraque, Paquistão, Serra Leoa, países em conflito em que a população sofria, e fazer trabalho humanitário. Foi quando ouviu falar do Níger, último colocado do ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, pela primeira vez. “Perguntei o que tinha por lá, e me disseram que ‘nada’”, contou, em entrevista ao G1, por telefone. Então, ele decidiu se mudar para Niamey, capital do país africano com a pior qualidade de vida do mundo, onde vive há oito anos.
“O país não tinha realmente nada”, contou. “Só agora chegaram detectores de metais no aeroporto, a previsão é de que chegue cartão de crédito daqui a cinco anos, há apenas três restaurantes e a cultura muçulmana é bem radical. Não tem cinema, são pouquíssimas as televisões, que normalmente têm uso comunitário e o que mais passa são programas religiosos islâmicos”, disse. Na capital, segundo ele, que hoje tem 38 anos, há algumas avenidas de asfalto e dois lugares com internet, como lan houses. A energia elétrica vem da Nigéria e muitas vezes falta. “Uma vez ficamos dois dias sem energia elétrica e perdemos muita comida que tínhamos em nossa geladeira.”

Leia também: Melhor país do mundo, Noruega é ‘desafio’, diz brasileiro

Ampliar Foto Foto: Ilustração/G1 Foto: Ilustração/G1

Mapa mostra a localização do Níger, no oeste africano (Foto: Ilustração/G1)

Localizado no oeste africano, logo abaixo do deserto do Saara (parte do território fica no deserto), o Níger ficou em 182º lugar no ranking de qualidade de vida, com IDH de 0,34, pior que o do Afeganistão, palco de uma ação militar comandada pelos Estados Unidos. A população de 15,3 milhões de nigerinos tem uma expectativa de vida de apenas 52 anos, e apenas 28% deles são alfabetizados. Trata-se de um dos países mais pobres do mundo, com Produto Interno Bruto per capita anual de apenas US$ 700 (cerca de R$ 1.200) (o do Brasil é de US$ 10.200, quase R$ 17.500, segundo a mesma fonte, a CIA).
Apesar da pobreza, segundo Canhoni, há também pessoas muito ricas no país, que vivem da exploração de urânio e petróleo e que chegam a serviço de multinacionais que, segundo Canhoni, não ajudam no desenvolvimento local. O problema é que há um abismo entre os ricos e os pobres, sem uma classe média, e o preço das coisas à venda é muito alto. “Um litro de leite nos dois únicos mercados custa o equivalente a R$ 6, um quilo de tomate pode chegar a R$ 25. Quanto mais pobre é o país, mais caras são as coisas. Não adianta levar dinheiro e a gente leva do Brasil o máximo de coisa que a gente pode. As pessoas são ou muito pobres ou muito ricas. Vivemos em um dos melhores bairros, mas em frente a nossa casa há barracos em que vivem muitas pessoas que ajudamos. É um contraste muito pior de que o tradicional de prédio de luxo e favela, que se vê no Brasil”, disse.
Segundo ele, os empregos são raríssimos. As pessoas normalmente trabalham como guardas na frente da casa de estrangeiros e ganhando muito pouco, que dá no máximo para comer. Alguns oferecem serviços de turismo, também, levando as pessoas para conhecer o deserto do Saara. “Gostaríamos de incentivar a formação de emprego atraindo empresas para lá, e com algo como uma central de reciclagem de lixo.”

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Alexandre Canhoni e crianças nigerinas que recebem apoio no país de pior qualidade de vida do mundo (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Brasileiros e ajuda

Canhoni é um dos criadores do grupo Ministério Guerreiros de Deus, que diz ser uma ONG aberta à participação de todos que queiram ajudar a população em dificuldade, não apenas uma instituição religiosa. No apoio que oferece à população carente, ele trabalha a nutrição e a formação de crianças e mulheres, sempre com trabalho religioso e leitura de mensagens bíblicas, contou. Esse tipo de ação em um país majoritariamente muçulmano (80%, segundo a CIA), faz com que sejam alvo de ataques e ameaças. “Chegaram a apedrejar nossa casa”, contou.

Visite o site do grupo Guerreiros de Deus

O grupo mora na capital, em uma casa alugada. Comprar imóvel por lá é muito caro, segundo ele. A casa é usada como moradia e abriga projetos de nutrição, aulas de músicas, marcenaria, cultos e atividades esportivas. O grupo também ensina mulheres a costurar, pintar e fazer artesanato. Canhoni disse que há também uma série de grupos internacionais que fazem projetos humanitários também. “Alguns só distribuem comidas, outras traduzem a Bíblia, mas somos pioneiros em dar uma apoio total de alimentação, lazer e formação de crianças carentes”, disse.

Entre as pessoas que atuam no trabalho humanitário, ele disse haver nove brasileiros. O país não tem uma representação oficial do Itamaraty, e a embaixada que cuida das relações com o Níger fica localizada na Nigéria – a região tem registro de 270 brasileiros entre os dois países, além de Burkina Faso. “Temos um conselho brasileiro de missionários no Níger. Sentimos falta de uma representação do Brasil, que está se tornando conhecido pelo nosso trabalho. Eles têm visto nossa bandeira, nossa cultura, mas falta representação oficial", disse.

Coisas boas no pior lugar

Em um país sem “nada”, Canhoni disse ver o lado positivo nas pessoas, os nigerinos, que são receptivos e buscam melhorar um pouco sua vida. “Elas são pobres, não têm muita expectativa, mas são boas, se aproximam dos estrangeiros, buscam sair dessa situação horrível em que se encontram.” Pela pobreza, a corrupção é evidente, e maior de que no Brasil, segundo ele. “Mas não tem problemas de roubo como no Brasil. A lei islâmica é muito rigorosa, então é raro ver as pessoas fazerem isso. Elas têm uma consciência de não pegar o que não é delas, mesmo com toda a pobreza. As pessoas param para rezar, deixam o dinheiro de lado, mas não ocorre roubo.”
Canhoni conta que quem está no Níger para trabalhar com ajuda humanitária acaba não tendo tempo livre para lazer, então não sente falta disso. “Desde as 7h da manhã estamos ajudando eles, e trabalhamos até a noite.” Depois de oito anos vivendo assim, ele diz que sua expectativa é ficar lá até que o país saia da lista dos dez últimos países do mundo. “Ainda queremos montar escolas, centros esportivos, continuar desenvolvendo este trabalho para ajudar na vida difícil deles.”

Fonte: Brasileiros no Exterior - NOTÍCIAS - Ex-paquito faz trabalho humanitário no ‘pior lugar do mundo’

Via Pavablog

30/10/2009

Igreja Emergente

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Uma amiga que congrega conosco pediu minha opiniãosobre igrejas emergentes e 10 motivos para se reunir em uma delas para um trabalho de faculdade. O texto deveria ser curto e confesso que apesar de nos reunirmos em uma igreja nos lares e ser considerados por muitos como uma comunidade emergente, nunca tinha pensado nesse assunto. Descobri que nunca me considerei parte de uma igreja emergente; sempre penso em ser parte da igreja, só e ponto. Sem sobrenomes, rótulos, títulos, expectativas, mas simplesmente viver o evangelho. De toda forma escrevi o seguinte:

"Dar minha opinião sobre a igreja emergente é tão complexo como tentar definir o que é uma igreja emergente. Dentro desse contexto vejo claramente comunidades que tendo em vista alcançar pessoas da geração pós-moderna mudam apenas a forma de se reunirem, agregando em seus cultos elementos atraentes às novas gerações como músicas, grafites, sofás, etc... criando um ambiente informal. Quando a mudança ocorre apenas na maquiagem, ou seja, uma mudança estética, minha opinião é que o resultado é superficial e não agrega ganhos reais ao cristianismo. As pessoas se apegam ao visual e criam novas castas sacerdotais que muitas vezes são mais fracas no conhecimento da Palavra e na graça de Deus do que seus antecessores chamados de tradicionais.

Quando o contexto emergente sai da superficialidade e busca os valores do Reino de Deus, independente do visual, tendo liberdade de aceitar a diversidade de nossa geração sem abrir mão da verdade do evangelho e da prática da Palavra, então minha opinião é que essa igreja está emergindo para ser modelo e iniciar um novo avivamento onde viveremos mais próximos do que viveu Jesus e nossos irmãos no primeiro século. Isso sim é vida de Deus capaz de transformar toda uma geração e emergir para restaurar vidas.

Meus 10 motivos para participar de uma igreja emergente:

1º) Construir odres novos para o novo vinho derramado pelo Senhor

2º) Alcançar pessoas excluídas pelas comunidades tradicionais

3º) Deixar um legado para as próximas gerações

4º) Viver o evangelho com simplicidade

5º) Responder ao chamado de Jesus para fazer discípulos

6º) Criar uma cultura de respeito a diversidade

7º) Formar líderes prontos para os novos desafios

8º) Servir aos excluídos sem proselitismo

9º) Edificar a geração de meus filhos

10º) Responder ao chamado do Espírito"

PS.: Depois de pensar um pouco mais no assunto e tentando esclarecer melhor um dos meus temores: o meu medo é que na busca de fugir da hipocrisia as igrejas ditas emergentes esqueçam que devemos andar como Jesus andou. A hipocrisia finge uma santidade inexistente, permitindo o pecado desde que ele não apareça ou não manche a reputação da instituição. Triste! Mas, tenho visto congregações novas, na busca de fugir dessa hipocrisia, não tratar com amor os pecadores, permitindo que eles continuem nas garras do pecado, negando a graça e a eficácia do evangelho em dar nova vida e capacitar os discípulos a não serem escravos do pecado, mas sim escravos do Senhor.

Com isso muitas comunidades emergentes mostram força e vitalidade no evangelismo, na comunhão por meio de festas e eventos contextualizados, mas não conseguem promover uma mudança de vida naqueles que se agregam e como odeiam a hipocrisia, e isso é bom, tendem a fazer vista grossa ou mesmo relativizar o pecado. Isso é falta de amor e visão da pessoa de Deus [1]. Não existe evangelho sem renúncia, sem cruz, sem perder a vida [2] e sem resistir ao pecado [3] e tanto a hipocrisia como a relativização causam danos irreparáveis. Se me perguntarem qual eu prefiro, hipocrisia ou relativismo, a resposta é nenhum deles, prefiro crer no evangelho como ele é.[4]

[1] "E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu." IJo.3:5-6

[2] "E, chamando {a si} a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se {a si} mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida {ou alma} perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará." Mc.8:34-35

[3] "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar." ICo.10:12-13
[4] "Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.

Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça." Rm.6:8-14 

Excelente análise e opinião do brother Marcos Siqueira no Filho Imperfeito

FONTE: Tomei a pílula vermelha: Igreja Emergente

47% dos pastores evangélicos sofrem de transtornos mentais

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Pastores à beira de um ataque de nervos", este é o título de um excelente artigo publicado na Revista Eclésia, edição 118, assinado por Uilian Uilson Santos. Seu texto se refere ao aparecimento cada vez mais freqüente, de doenças emocionais em pastores e líderes evangélicos.
Entre as principais causas do fenômeno, destacam-se:
-O descuido com a saúde mental
-A solidão
-A falta de conselheiros para compartilhar seus problemas
-O ativismo ministerial
-A falta de repouso adequado (férias e folgas)
-A pressão institucional por resultados em termos de número de membros e ofertas
Baseado numa tese de psiquiatria e religião, intitulada "a prevalência de transtornos mentais entre ministros religiosos", o artigo revela os seguintes índices:
47% dos pastores evangélicos sofrem de transtornos mentais
16% têm depressão
13% Não conseguem dormir normalmente
Conheço alguns companheiros que apesar de manifestar os sintomas dos distúrbios mentais e emocionais, teimam em manter o mesmo padrão de vida (desgraçadamente vivida).
Quem acaba no final sendo penalizada com isso, é a família do pastor ou líder, que por ser transformada em escape de suas neuroses, psicoses e demais distúrbios, sofre constantemente com seus ataques de nervos, mal humor crônico, maltratos e outros descarregos emocionais.
Fonte: http://www.altairgermano.com/2007/08/transtornos-mentais-aumentam-entre.html
Os assinantes da Revista Eclésia

FONTE: Pastor Vieira Rocha - Notícias: 47% dos pastores evangélicos sofrem de transtornos mentais

29/10/2009

Salmo 121

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Deus é guarda fiel de seu povo

Cântico dos degraus
1. ELEVO os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro?
2.O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
3. Não deixará vacilar o teu pé: aquele que te guarda não tosquenejará.
4. Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel.
5. O Senhor é quem te guarda: o Senhor é a tua sombra à tua direita.
6. O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.
7. O Senhor te guardará de todo o mal: ele guardará a tua alma.
8. O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.

SADU SUNDAR SINGH - O apóstolo dos pés sangrentos

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No decorrer dos últimos cinqüenta anos, devo ter lido umas quatro ou cinco vezes (ou mais) o livro ‘O Apóstolo dos Pés Sangrentos’, que conta a vida do sadu Sundar Sing. Acabo de lê-lo uma vez mais.

O motivo é o que ele sempre representou para mim, em termos de edificação pessoal e de exemplo de cristão. Quando estou me sentindo fraco e desprotegido, apelo para várias coisas, entre elas a leitura da Bíblia (sempre) e ‘este livro’.

Para me fazer entender melhor, tenho que dizer quem foi esse sadu e quem é o autor do livro.

Primeiramente, o autor. O Reverendo Boanerges Ribeiro começou o seu pastorado na Igreja Presbiteriana no início da década de cinqüenta. Considerado um dos expoentes do presbiterianismo no Brasil e no mundo, ocupou por muitos anos a presidência do Supremo Concílio da Igreja e, também, do Mackenzie (conjunto educacional doado aos brasileiros por cristãos americanos). Sua pena sempre foi segura e fiel, atingindo profundamente os leitores, assim como sua palavra sábia.

O fato de o autor ter sido sempre presbiteriano, ou seja, de um ramo evangélico ortodoxo, emociona-me ainda mais pois, sabidamente, a Igreja Presbiteriana não anda por aí atrás de milagres e milagreiros.

Bem, mas o assunto principal é dizer a você que sadu é um termo indiano que significa santo ou separado. E tudo o que vai abaixo você poderá ler no mencionado livro.

Sundar Sing era filho de pessoa rica e proeminente da Índia, onde imperava e ainda impera uma discriminação e racismo brutais, estando o país dividido em castas que praticamente não se comunicam entre si. Conheceu Jesus através da leitura de um Novo Testamento. Essa guinada em sua vida custou-lhe o ódio e a discriminação por parte de todos – inclusive da família, levando-o a viver nos campos e matas, em extrema penúria e também, muitas vezes, em grandes cidades do mundo fazendo conferências.

Sua alegria interior compensava tudo que tinha perdido. Ele próprio dizia que queria viver, tanto quanto possível, uma vida semelhante à de Jesus.

O milagre era uma constante em sua vida. Imagine alguém que não tem onde dormir, nem o que comer ou vestir, andando por selvas, montes, desertos, montanhas geladas e que pudesse sobreviver se não fosse pelo milagre. Imagine, também, as perseguições, prisões, espancamentos de alguém que, qual Daniel, não contasse com um Deus para livrá-lo.

Pois bem, assim era a vida do sadu Sundar Sing: entre visões da glória, transportes, meditações profundas, estados de êxtase.

Certa feita, foi atirado pelos seus algozes dentro de um poço cheio de pessoas condenadas – mortas ou moribundas. Um poço de onde ninguém sairia. A despedida da vida. Quando chegou ao fundo, sentiu o contato morno de algo que nada mais era do que carne humana fétida, em decomposição. Logo em seguida fecharam a chave a boca do poço.

´Não sabia que três dias se tinham passado. Inerte, sentado entre os ossos e os cadáveres, aguardava a morte, quando a boca do poço se abriu. Um vulto irreconhecível surgiu, negro contra o céu da noite. A voz, ampliada, era como o trovão. Ordenava-lhe que agarrasse a corda. E pouco depois, tateando fracamente, encontrou-a. Tinha um nó na extremidade. Firmou ali o pé e segurou-a como pôde. Sentiu que era erguido. Seu corpo oscilou pesadamente de uma parede à outra, até que atingiu a superfície. Fortes mãos o agarraram e o colocaram em terra. O ar fresco invadiu-lhe os pulmões como a água da represa invade o vale, os diques. Tossindo, atordoado, ouviu como em sonhos o ranger da tampa, o som da chave na fechadura. Olhou em torno para conhecer o seu amigo desconhecido, mas viu que estava só na escuridão noturna. Caiu de joelhos e deu graças a Deus. Quem o visse dormindo entre o bulício da faina diária que começava não imaginaria que era o mesmo que estivera no fundo do poço por três dias´.

No final de sua vida tentou várias vezes a travessia do Himalaia, rumo ao Tibet, onde pretendia pregar o evangelho. Da última vez, na primavera, não se conteve. Pretendia atingir o seu destino pela 'Estrada do Peregrino'. Contra tudo e contra todos, foi e desapareceu — por mais que o procurassem, sumiu sem deixar vestígio algum.

O importante é salientar o papel que Jesus representa e pode representar nas vidas daqueles que buscam algo surpreendente, superior e eterno e que não têm medo de confiar n’Aquele que é poderoso para resolver.

FONTE: O apóstolo dos pés sangrentos

10 COISAS QUE AMO EM VOCÊ

Depois de 10 COISAS QUE ODEIO EM VOCÊ, IGREJA,  apresentamos a  parte ideal:

 


NOTA: Quando me refiro à igreja na lista abaixo, estou pensando na igreja orgânica, invisível aos olhos humanos, aquela que só Deus conhece como Seu único e exclusivo remanescente fiel, a noiva de Cristo, composta dos filhos e súditos do Reino. É essa igreja que amo e sou membro.

Que mais amo em ti?
1. AMO TUA VOCAÇÃO PROFÉTICA. Quando exerces teu papel profético de denunciar o mal e delatar a injustiça e quando desmascaras corajosamente o rosto imundo da corrupção e serves tu mesma de espelho, para o mundo ver Jesus refletido em teu semblante.
2. AMO TUA CORAGEM DESTEMIDA. Quando desfazes os altares da vaidade, desbancas os postes ídolos do abuso de poder, detonas os totens dos falsos profetas e pastores fingidos, esses que amam a popularidade, a fama e o dinheiro e arrastam milhares de incautos à decepção e à tristeza irreversíveis, até que tu venhas e a ser alento e ponto de apoio para voltarem a caminhar, Para depois correrem livres e voarem em direção a uma vida pujante de alegria e liberdade em Cristo, nunca dantes experimentada.
3. AMO TEU AMOR DESMEDIDO. Quando te identificas com as pessoas às quais tu proclamas a verdade do Evangelho, amando-as incondicionalmente, vendo sempre o bem no outro, e incluindo-o como teu semelhante e irmão de caminhada. Se acontecer algum processo de seleção no final, cabe a Deus fazê-lo, como prerrogativa exclusiva Dele.
4. AMO TEU TESTEMUNHO IMPOLUTO. Quando, em alguns pontos luminosos de tua história, e ainda hoje se vê rasgos nítidos de tua original missão de servir de ponte de retorno entre o mundo perdido e o seio do Pai, de ser farol de referência, lucidez e honradez aos que estão à deriva na correnteza do mar da corrupção, e ser rocha firme aos que afundam na areia movediça das certezas relativizadas.
5. AMO TUA HUMILDADE, À SEMELHANÇA DE TEU MESTRE. quando te conscientizas que teu lugar é servir no vale escuro da dor e da rejeição e não no topo do mundo, debaixo dos holofotes e flashes da fácil aceitação.
6. AMO QUANDO TE MOSTRAS MADURA EM TUA PROPOSTA DE SANTIDADE. Quando descobres que o caminho da maturidade rumo à santidade é o da experiência do andar vivencial com Jesus, e não a freqüência compulsória a um culto, e a liberdade consciente como a melhor forma de amadurecimento em direção ao céu.
7. AMO TUA ESTRATÉGIA INTELIGENTE DE CONQUISTAR O MUNDO. Quando adotas a teologia encarnacional da identificação participativa e te imiscuis no meio do mundo de forma sutil, subversiva, sem alarde e autopromoção, e através de recursos didáticos criativos se utilizando da cultura e das artes, consegues mudar os rumos da história.
8. AMO TUA OBJETIVIDADE FULMINANTE. Quando não fazes “cavalo de batalha” com coisas inúteis e irrelevantes para a vida como defender doutrinas humanas, dogmas e tradições de usos e costumes, e por outro lado, enfatizas o que é essencial para a vida aqui e o porvir, como incorporar o Evangelho Simples, amar a Jesus, vivenciar o amor entre os irmãos, reunir com os amigos para conversar, assistir o necessitado, abrigar o sem casa, dar alimento ao faminto e prover uma base sólida de educação aos que não teria nenhum futuro consistente e a chance de poder sobreviver nessa sociedade de lobos vorazes que dilaceram o ânimo doa fracos e despedaçam a esperança dos pequeninos. Mas aguarde com paciência o terrível julgamento que recaíra sobre sobre toda a alcatéia desses predadores insaciávais, por tocarem nesses amados pequeninos do Senhor...
9. AMO TEU SENSO AGUÇADO DE JUSTIÇA E MISERICÓRIDIA. Quando usas sabiamente a disciplina bíblica como elemento de cura e inclusão dos que entre ti fraquejam e tropeçam, levando-os invariavelmente ao retorno feliz, e curados, se levantam para ser referencial de vida a tantos outros que caem e tropeçam na caminhada.
10. AMO TUA MISSÃO BASEADA NA COMUNHÃO VIVENCIAL COM O MUNDO. Quando compreendes claramente que o “ide” não é um imperativo, mas “indo”, um gerúndio de convivência relacional no dia-a-dia, dando idéia de “enquanto vão, preguem”. Isso envolve a necessidade da saída do reduto quentinho e confortável do templo para a convivência despretensiosa lá fora, e sem segundas intenções, encontrar as pessoas em seus habitats, áreas de convivência, trabalho e lazer, e se tornando uma delas, fazer o Evangelho conhecido pelo servir sem nenhuma pretenção, a não ser aquela de gerar grandes amizades com os que compartilham conosco a mesma jornada de vida. Tal qual Jesus faria...
QUANDO AGES ASSIM, VIVES O QUE É SER IGREJA NO MUNDO E ENTENDES QUE SER IGREJA É MUITO MAIS DO QUE VEMOS POR AÍ... APESAR DE SER IMPRESSIONANTE O NÚMERO DOS QUE SE JACTAM PERTENCEREM AS TUAS FILEIRAS.
***
MANOEL SILVA FILHO é CONSPIRADOR DO REINO, LÍDER DA COMUNIDADE ABRIGO R15

Fonte: Manuel DC

Via: PavaBlog

A ALMA E A MATÉRIA

Miguel Del Castillo
Para o filósofo Martin Heidegger (1889-1976), a maior necessidade do ser humano era o habitar, que vinha antes mesmo do construir. No ensaio “Construir, Habitar, Pensar”, ele mostra que o homem habita, por essência, a quadratura, um “polígono” cujas quatro pontas são céu, terra, divino e mortal. O ser humano habita o “entre”, é a própria fronteira.
Está com os pés na terra e a cabeça no céu. O habitar se finca na poesia, no poetar-pensante. A existência é vista como um todo indivisível. Ao habitar, o homem pensa e constrói seus espaços, suas arquiteturas, seus relacionamentos, sua vida.
Parece-me que, ao nos separarmos de Deus no Jardim, perdemos esse estado de “fronteira”. Estar ligado apenas à terra e ao que é mortal, sem possibilidade de transcendência, é um indício disso. O extremo oposto – uma vida nas alturas somente – não é, no entanto, a essência do ser. Ela talvez esteja arraigada numa mistura entre céu e terra, divino e humano, como uma dança entre os dois.
Vemos no Gênesis o homem sendo criado por Deus a partir do pó da terra. Ele é feito de chão, de barro. Deus então sopra o seu Espírito e ele se torna “alma vivente” – uma união entre terra e céu.
Marisa Monte canta algo parecido na música “A alma e a matéria”: “Vem pra esse mundo, Deus quer nascer. E a alma aproveita pra ser a matéria e viver”. Clarice Lispector, no livro “Um Sopro de Vida” – que trata da relação de um escritor com o personagem criado por ele –, escreve: “Aspiro a uma fusão de corpo e alma”. Eu também aspiro.
Os rituais do templo descritos no Antigo Testamento são belos e cheios de significados. Deus vinha e se manifestava concretamente no altar, com fogo, ou através de símbolos, como a imposição de mãos do sacerdote no animal, transferindo figuradamente o pecado do povo para o animal a ser sacrificado. O altar do templo era o principal local onde o divino entrava em contato com o mortal.
Nietzsche disse certa vez que “somente acreditaria em um Deus que soubesse dançar”. Jesus foi e é essa dança: Deus e homem coexistindo sem conflitos, numa existência que transforma tudo. Ele é a materialização da própria quadratura. Quando diz “isto é o meu corpo” (e não quero aqui discutir a transubstanciação) ele está falando sobre algo muito palpável. Jesus amava a vida, não no sentido que condena em uma parábola, mas a vivia com intensidade. Marx estava certo ao dizer que a religião, caso vivamos somente “nas alturas”, é o ópio do povo. Contudo a espiritualidade encarnada proposta por Jesus é diferente. Nela a religião deixa de ser uma droga para se tornar o mecanismo pelo qual podemos viver e experimentar Deus aqui, nessa dança celestial e terrena, onde ele nos convida a habitarmos seguros e construirmos nossa vida pensando, sem esquecer da poesia que a permeia.
• Miguel Del Castillo é estudante de arquitetura e letras e editor da revista Noz.

fonte: ditora Ultimato - formação e informação

28/10/2009

A ORAÇÃO SIMPLES

 

Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.
O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão "coisa alguma" inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center quanto o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa quanto a enfermidade de uma pessoa querida.
Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar "é legítimo pedir isso a Deus?" ou "será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?". Simplesmente orar.
A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.
O maior fruto da oração não o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.
O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.

© 2008 Ed René Kivitz

FONTE : Igreja Batista de Água Branca

27/10/2009

DIA DE SOL - Gerson Rufino

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EM BUSCA DE LÁGRIMAS ABSOLUTAS

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Ricardo Gondim

Minhas antigas amizades se dissolvem como bolhas de sabão. Esqueci nomes. Mal consigo lembrar os olhos de quem já passou por minha vida. O passado diluiu momentos que poderiam torná-los familiares. Fiz-me irmão, e doei-me inteiramente a companheiros, mas hoje hesito. Desconfiado, reparto pedaços do coração. Não suporto imaginar a dor de outras separações, de mais decepções.

Tenho medo de abrir os porões da alma. A desarrumação de minha casa faz sentido para mim. O que os outros consideram bagunça, tem uma sincronicidade própria, que me deixa em paz. Vacilo em rasgar os envelopes selados, onde escondo segredos. Sei detectar os traumas que me deixaram chorão, os complexos que me deram olhos melosos, as circunstâncias que me fizeram viver à beira do pranto, as fragilidades que me transformaram em tímido. Mas não pretendo explicar nada a ninguém.

Tornei-me cauteloso quando brinco e rio. Fujo dos que procuram analisar a minha felicidade; ela não carece de julgamentos. O riso que meus lábios desenham não tem que ser explicado. Introjeto a alegria para que não seja pisoteada como a pérola da parábola. Prezo em não deixar vazar frágeis contentamentos; a pouca riqueza que amealhei merece ser guardada debaixo de mil segredos.

Olho para colegas e antecipo navalhadas. Resguardo as costas dos estiletes da inveja. Assusto-me. As maldades que já sofri são parecidas com as que eu próprio já acalentei no peito. Se não sei explicar o porquê de atitudes mesquinhas em mim, também não justifico a estreiteza que observo no próximo. Não sou pior nem melhor que os demais. Por isso, cerco o quintal de  casa contra lobos ferozes. Sempre espero alguém ávido para destruir o pedacinho da dignidade que me resta.

Meus desalentos não serão rasos. Desço às regiões abissais da angústia. Envolvo-me na absoluta escuridão da casmurrice; que o lençol do desgosto me isole. Quero ficar na quarentena dos tristes. E provar a verdade de que “são bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.

Soli Deo Gloria

FONTE: www.ricardogondim.com.br

IMPÉRIO ROMANO DE NEW YORK

 

Durante alguns séculos Roma governou o mundo de modo aparentemente justo, estabelecendo o que ficou conhecido por “pax romana”. Vivemos hoje tempos muito semelhantes. A similitude entre a cultura e modo de vida do império romano e dos nossos dias é assustadora e deve nos dar que pensar. Alguns dos aspectos em comum são flagrantes e preocupantes:
Casamento
No império romano a centralidade do casamento foi desaparecendo. A certa altura casar e divorciar-se era algo que levava apenas alguns meses. Há relatos de nobres romanos que tiveram mais de 10 casamentos, todos eles legítimos e todos eles acabados em divórcio. A banalidade da instituição minou toda a sociedade romana, deixando gerações inteiras sem pais que os criassem. As crianças eram entregues à escolas, amas e mestres desde muito cedo. Cresciam sem amor, sem disciplina e sem bases. Revivemos hoje em nossas cidades essa realidade com metade dos casamentos acabando em divórcio e crianças sendo criadas por creches e amas porque os pais não têm tempo para seus filhos.

Sexualidade

O Sexo tomou lugar central na vida romana e as orgias passaram a ser algo comum e desejável. A prostituição foi exaltada a ponto de algumas dessas mulheres freqüentarem o senado, sentarem-se nos banquetes reais e até no trono de Roma. O homossexualismo era banal, depravado e aberrante bem como o sexo com animais. A exaltação da pornografia e do corpo nu é vista nas esculturas que chegam até nós e nos afrescos que sobreviveram ao tempo. Revivemos hoje essa realidade com a TV e Internet cheios de pornografia, o sexo idolatrado como centro e objetivo da vida e a prostituição e homossexualismo invadindo a sociedade e se impondo como algo normal, e até mesmo obrigatório.

Violência
O Império Romano foi possuído de extrema violência que se notava nas cidades e nas guerras de conquista. A violência urbana estava fora de controle em muitas cidades grandes como Roma, Alexandria e Éfeso. Gangues dominavam ruas e bairros controlando o comércio local e impondo regras. As guerras alimentavam a máquina de estado empregando muita gente e trazendo muito despojo à capital do império. Revivemos hoje o mesmo cenário. Nossas cidades estão nas mãos de malfeitores, traficantes e chefes de gangues. As guerras se multiplicam por interesses nacionais como petróleo, gás e pedras preciosas. O mundo é do mais forte e o governo americano, por exemplo, depende dos esforços de guerra para manter boa parte de sua economia de pé.


Corrupção

Roma se tornou com o tempo sinônimo de corrupção e suborno. As estórias de governantes ladrões que enriqueciam ilicitamente se multiplicavam. No senado os cargos eram comprados e as votações marcadas. Designações de posições políticas de governadores e prefeitos eram feitas por amizade e interesse e não por capacidade. Vários imperadores ocuparam o trono depois de distribuir dinheiro entre as legiões, guarda pretoriana e senado. Parece até que estamos falando da ultima campanha política ou das ultimas eleições que assistimos. Hoje nos orgulhamos da nossa democracia mas a verdade por trás dela é a podridão da corrupção que a cada dia chega aos jornais. Já nos acostumamos com o mal cheiro nem notamos mais os subornos, desvios de verbas e simonia e reelegemos aqueles que meses antes deveriam ter sido presos por roubo.

Comércio
Tirando suas legiões, o poderio de Roma se estabeleceu pelo comércio que passou a dominar em todo o mundo mediterrânico. A força do materialismo cresceu no império e as pessoas se dedicavam à produção e troca de produtos os mais variados.  Os romanos propriamente ditos se regalavam de todo tipo de novidades. Cidades como Pompéia revelam em seus escombros a superficialidade e futilidade da vida dos patrícios que investiam no luxo e no lazer. Exatamente como hoje em nosso mundo.  Compramos e acumulamos todo tipo de coisas independentemente de nossa real necessidade. O comércio é de tal modo importante em nosso mundo que uma crise ameaça toda a nossa forma de vida.

Entretenimento

Para os romanos o entretenimento se tornou uma industria. Era muito mais que algo para matar o tempo ou gastar horas vagas. Tornou-se uma forma de vida, um alvo da existência. A fórmula da governação passou a ser “pão e circo” exatamente porque se o povo tivesse isso estava feliz. As produções romanas do coliseu em nada ficariam a dever a Hollywood.  Eram empregues milhares de trabalhadores, centenas de gladiadores e animais. Os lutadores mais famosos foram imortalizados em canções e pôsteres que chegaram até nós.  Eram ídolos do povo.  Os jogos eram muito mais que divertimento, se tornaram a vida.  E hoje revivemos tudo isso.  A indústria do entretenimento consome milhões e lucra bilhões porque o homem moderno quer anestesia para sua vida sem propósito.  Os atores, atrizes e jogadores famosos, qual gladiadores do passado, são famosos, idolatrados e suas vidas são ambicionadas.  Somos romanos outra vez, apenas temos o circo em casa, numa caixa em cima do móvel da sala.

Natureza
A natureza era deificada na cultura romana.  Havia deuses para todos os aspectos da natureza e ela era adorada em várias formas.  Os animais de estimação recebiam cuidado extra, havendo relatos de senhores romanos com verdadeiros zoológicos particulares. As senhoras de rama apreciavam vários tipos de animais de estimação que eram tratados com requinte tendo escravos só para tratar de suas necessidades.  Na mesma Roma que tinha centenas de “pets”,  milhares de escravos tentavam sobreviver. Voltamos ao endeusamento da natureza em nosso dias, com a conservação da mesma à cabeça das agendas políticas. Tratamos certos tipos de plantas e animais em extinção bem melhor que a maioria dos seres humanos e muitíssimo melhor que os milhões que morrem de fome. Animais de estimação em nossa cultura tem novamente lugar de honra.  Há lojas, boutiques, clinicas, salões de beleza e hospitais para eles. Na mesma cidade em que milhares de cães e gatos vivem no ócio e na obesidade, crianças e idosos dormem nas ruas procurando no lixo algo para matar a fome.

Religião

Roma era o paraíso das religiões exóticas.  Todo tipo de culto florescia nela. Qualquer charlatão com algum carisma conseguia arrecadar dinheiro e seguidores.  As religiões de mistério do oriente como o culto de Isis e de Mitra tinham milhares de fiéis. Organizações secretas proliferavam dentro e fora das legiões.  Os romanos amavam a magia, o ocultismo e as coisas da espiritualidade.  Nossa cultura adotou tudo isso.  As religiões estranhas florescem hoje.  Os ritos orientais invadem o ocidente e recebem grande aprovação. Religiões e seitas de mistério estão em alta bem como o renascer de cultos antigos como os cultos celtas.
A magia, bruxaria e espiritualismo tem grande aceitação. O homem moderno (como o romano) valoriza a espiritualidade e as organizações secretas (maçonaria e companhia) ganham adeptos e até publicidade (inclusive no cinema).

Tolerância
O governo romano sempre se orgulhou de sua tolerância. Dentro do império romano havia lugar para tudo e todos. Praticamente qualquer tipo de culto, prática, crença ou hábito era tolerado e aí residia, pelo menos em teoria, a grandeza de Roma. O império só não pode tolerar a nova fé cristã com sua afirmação de senhorio de Cristo. A exclusividade da salvação pela fé em Jesus foi ofensiva demais para a tolerância romana e o império respondeu aos cristãos co tortura e morte em massa.
Revivemos hoje essa experiência. A nova era é tolerante com tudo e todos. As “escolhas” individuais tem que ser protegidas e a privacidade tem que ser respeitada. As religiões, modos de vida, opções de sexualidade, etc, são consideradas terreno intocável. A única exceção parece ser o cristianismo bíblico. Todos tem direito ao seu lugar menos o crente que afirma a sua fé em Jesus. Tudo é tolerado menos o cristão que declara sua crença num Deus criador e salvador da humanidade. Mesmo as religiões mais “tolerantes” como o hinduísmo e budismo (tão fortes na Índia) atacam os cristãos massacrando crentes e destruindo igrejas. Parece mesmo que Roma renasceu.

Diante de um panorama como esse de que serve o paralelo?  Qual a utilidade de verificarmos a semelhança entre o mundo greco-romano e o nosso?  Muita!  Sabemos o que aconteceu com o mundo romano e podemos aprender com a história.  Tiramos três conclusões maiores dessa reflexão:
1) O Império Romano caiu.
Apodreceu na base porque destruiu o casamento e permitiu a proliferação da corrupção, da violência, da depravação moral e da superficialidade da vida humana. O grande império foi derrotado pelos desprezados bárbaros do norte que levaram o mundo para uma era de trevas. Nosso mundo está a caminho da queda. Não podemos continuar minando as bases sem sofrer as consequências devidas. Nossas bases estão também apodrecendo e a queda é só uma questão de tempo. Já vimos um pouco do que uma crise econômica mundial pode fazer quando ameaça o consumismo, nosso modo de vida. As crises voltarão e a queda será inevitável.
2) O Império perseguiu furiosa e cruelmente os cristãos e o cristianismo.
O mesmo sucederá conosco. Não nos enganemos. As leis se tornarão cada vez mais restritivas e a liberdade crescerá para todos menos os cristãos. A tolerância se tornará lei e será imposta. A nossa firmeza nos pontos básicos da fé cristã será cada vez mais interpretada como teimosia e intolerância e isso será punido severamente. A igreja que deseja permanecer fiel à palavra e o crente que quiser viver de acordo com a vontade do pi devem se preparar para tempos difíceis.
3) O Novo Testamento foi escrito no contexto do mundo greco-romano e para crentes que viviam nessa realidade.

A nossa proximidade a esse contexto sócio cultural deveria nos levar a entender a atualidade e relevância das escrituras. O que Jesus ensinou e os apóstolos reiteraram foi para uma cultura idêntica à nossa. Paulo, se fosse trazido hoje ao século XXI estranharia a tecnologia, mas se identificaria plenamente com nossas dificuldades culturais.
O texto sagrado que temos é atual, útil e relevante para a vida no século XXI. Louvemos a Deus por isso e dediquemos tempo à palavra. Aquilo que Paulo escreveu aos romanos a 2 mil anos continuam perfeitamente atual: “não vos conformeis a este mundo mas transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Fonte: Joed Venturini Missão e Fé Cristã

26/10/2009

VIM E VENCI…um lindo testemunho

 Salmo 25 - por que Deus permite a depressão?

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João Cruzué

"Faze-me saber os teus caminhos Senhor; ensina-me as tuas veredas.
Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação;
por ti estou esperando todo dia" Salmo 25: 4-5.

Um fato é inegável. Nós cristãos não estamos livres da crise nem da depressão. Elas podem atingir a todos. Crentes e descrentes, sem distinções. Já tenho escrevido algumas vezes sobre isso, porque eu estive lá. Foram 11 longos anos de desemprego, onde o pão de cada dia para minha casa foi diminuindo, diminuindo, até quase secar. Apesar ser graduado, falar duas línguas, ter trabalhado com estrangeiros por mais de dez anos, quando a porta se fechou, alguém jogou a chave fora. Eu fiquei sozinho. Então, o conteúdo deste texto não vai ser técnico. Não vou dissertar sobre "n" passos para vencer a depressão. Vou dar meu testemunho de como passei por ela, e que lição tirei dessa experiência muito difícil, para compartilhar com você - que está lendo isso agora e precisa de uma palavra de Deus.
Sem rodeios. Deus permite que passemos alguns dias (ou anos) no vale da depressão porque tem um propósito especial em nossa vida. Para encontrar este caminho e conhecer este propósito nós temos um problema: nós mesmos. Somos por demais vaidosos. Nossa vontade costuma prevalecer sobre a vontade de Deus. Nossa oração é pouca. Nosso conforto, esplêndido. Nossos planos, humanos. Com tantos cuidados desta vida, perdemos o caminho da vontade de Deus - o SENHOR.
E de repente, eu comecei a enviar currículos....

LEIA O TESTEMUNHO INTEIRO AQUI: Olhar Cristao

Os modernos adoradores de Baal

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O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol (Eclesiastes 1:9 NVI)

Os liberais de hoje — ou “progressistas”, nome mais discreto pelo qual preferem ser chamados — atuam movidos por uma idéia errada e estranha. Em outras palavras, não há nada nem de longe “progressista” nos dogmas fundamentais de sua cega religião humanista e secular. Aliás, o liberalismo moderno é em grande parte a versão recauchutada e esterilizada de uma mitologia antiquada — uma mitologia que existe antes do único movimento que realmente traz progresso: o Cristianismo bíblico.

Enquanto eu estava visitando a Igreja Evangélica Presbiteriana Rivermont em Lynchburg, Va., poucas semanas atrás, ouvi uma pregação preocupante, mas que me levou a pensar muitas coisas. O Pr. John Maybray falou sobre o antigo costume cananita da adoração a Baal e, embora não tenha revelado por nome, ele fez uma ligação com seu descendente moderno: o esquerdismo e o liberalismo. Baal, o deus da fertilidade que era meio touro e meio homem, era o ponto central da idolatria pagã no Israel semítico antes de Deus ter revelado Sua natureza monoteísta para os precursores do Judaísmo.

Em seu sermão, o Pr. Maybray ilustrou que, embora tenham adquirido um aroma mais moderno, os princípios fundamentais da adoração a Baal permanecem vivos e muito bem hoje. As principais colunas do baalismo eram o sacrifício de crianças, a imoralidade sexual (tanto heterossexual quanto homossexual) e o panteísmo (adoração da criação acima do Criador).

A adoração ritualística a Baal, em resumo, parecia um pouco deste jeito: Os adultos costumavam se reunir em volta do altar de Baal. Recém-nascidos eram então queimados vivos como oferta sacrificial ao deus Baal. Em meio a gritos horríveis e ao cheiro de carne humana queimada, os adoradores — homens e mulheres, sem distinção — se engajariam em orgias bissexuais. O ritual da conveniência tinha como propósito produzir prosperidade econômica estimulando Baal a mandar chuvas para que a “mãe terra” experimentasse fertilidade.

As conseqüências naturais de tal conduta — gravidez e parto — e os pesos financeiras associados às “gravidezes não planejadas” eram facilmente resolvidos. O adorador poderia escolher se engajar em relações homossexuais ou poderia simplesmente — com a disponibilização legal do sacrifício de crianças — participar de outra cerimônia de fertilidade para eliminar o bebê indesejado.

O liberalismo moderno é pouca coisa diferente de seu antigo antecessor. Embora seus rituais macabros tenham sido modificados e maquiados com termos floridos e eufemistas de arte, seus principais dogmas e práticas permanecem assustadoramente semelhantes. A adoração da “fertilidade” foi substituída pela adoração da “liberdade reprodutiva” ou “liberdade de escolha”. Os sacrifícios de crianças por meio de oferendas de fogo foram atualizados, ainda que levemente, para se tornarem sacrifícios de crianças por meio de abortos cirúrgicos ou químicos. A promoção, prática e celebração ritualista da imoralidade e promiscuidade heterossexual e homossexual foram cuidadosamente camufladas — e adotadas com entusiasmo — pelas religiões do feminismo radical, do movimento homossexual militante e do movimento que quer implantar abrangente educação sexual nas escolas. E a adoração panteísta da “mãe terra” foi substituída — apenas no nome — pelo ambientalismo radical.

Entretanto, não são somente aqueles que se intitulam “progressistas” ou humanistas seculares que adotaram as colunas fundamentais do baalismo. Nestes tempos pós-modernos, estamos lamentavelmente vendo o advento do “Cristianismo emergente”, que é contrário à Bíblia, ou como prefiro chamá-lo, “semi-Cristianismo”.

Essa tendência é meramente um liberalismo todo embonecado e imerecidamente carimbado como “cristão”. É um jeito de ideólogos esquerdistas terem seu “cristianismo” e o praticarem. Sob o pretexto da “justiça social”, seus seguidores muitas vezes apóiam — ou pelo menos desculpam — as mesmas políticas pró-homossexualismo, pró-aborto e pró-ambientalismo radical promovidas pelos modernos adoradores de Baal.

Embora a “esquerda cristã” represente uma minoria insignificante dentro do Cristianismo maior, apesar disso os meios de comunicação liberais abraçaram a causa deles e adotaram a popularidade deles entre as elites como prova de que a tão chamada “direita cristã” (leia-se: Cristianismo bíblico) está perdendo influência — que o Cristianismo está, de certo modo, “acompanhando a evolução dos tempos”.

Pelo fato de que o Cristianismo emergente não consegue passar pelo teste de autenticidade toda vez que é sujeito ao exame bíblico mais leve, suspeito que com o tempo ele acabará em grande parte se extinguindo. Mas isso não absolve os líderes evangélicos de sua obrigação de cobrar explicações acerca dessa heresia de outros líderes envolvidos nessa revolução contrária aos princípios bíblicos. Não é uma questão de direita versus esquerda; é uma questão de certo e errado — de princípios bíblicos versus princípios não bíblicos.

Apesar disso, as colunas acima mencionadas do baalismo pós-moderno — aborto, relativismo sexual e ambientalismo radical — quase que certamente farão rápido progresso nos próximos quatro a cinco anos, com ou sem a ajuda da esquerda cristã. Os deuses do liberalismo têm um novo sacerdote supremo na pessoa de Barack Obama, e desfrutam muitos seguidores devotos nos meios de comunicação liberais, nas instituições de ensino e no Congresso controlado pelos liberais democratas.

Tanto a agenda social de Obama quanto a agenda do 111º Congresso americano abundam de desenfreados objetivos de aborto, liberdade sem ética, homossexualismo e ambientalismo radical. O mesmo tipo de “esperança, ação e mudança”, suponho eu, que os cananitas de Baal do passado engoliram.

Portanto, o liberalismo de hoje é realmente apenas um velho livro com uma lustrosa capa nova. Uma filosofia enraizada nas antigas tradições pagãs, das quais nada há para se orgulhar.

É verdade: “não há nada novo debaixo do sol”.

fonte: Os modernos adoradores de Baal www.ibbetania.com

25/10/2009

EU NUNCA…

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‘Eu nunca vou me cansar de água de coco, nascer do sol, pôr do sol, canto de passarinho, cheiro de mato molhado de chuva em dia quente, café recém coado, banana com queijo, água de moringa, dar risada, cachoeira, ler, ler, ler, ler, escrever, ler, ouvir Mozart, ouvir Bach, ouvir Chopin, correr com tênis macio, espirrar de manhã.
Nunca vou me cansar de falar do meu pai, do meu avô, da minha professora predileta, da máquina de escrever dourada do meu antigo pediatra, dos amigos que amo, dos meus filhos. Nunca vou me cansar de fazer cafuné. Nunca vou me cansar de receber cafuné, de massagem no pé, de ouvir histórias à luz do abajur de noite até dormir. Não vou me cansar de ver desenho animado bonitinho, de ir a museu, do cheiro de pãozinho assado, de guaraná, de biscoito maizena.
Nunca vou me cansar do cheiro de sabonete que fica depois do banho, do barulho da chuva e do trovão, do choro meio miado de um bebê recém nascido. Eu nunca vou me cansar de Deus, porque Ele nunca se cansa de mim. Eu nunca vou me cansar da vida, e só irei embora quando Deus estiver com uma saudade louca e sentir ciúmes de mim. Aí eu nunca mais vou sair dos braços d’Ele.’
Helena Beatriz Pacitti

FONTE: PavaBlog

Pisoteando o sangue dos mártires

 

A igreja cristã sempre despertou sentimentos negativos nas pessoas. Desde o seu surgimento, no livro de Atos dos Apóstolos, tem sempre alguém se levanta contra ela. No episódio da conversão de Paulo vemos que aqueles que perseguem a igreja perseguem o próprio Jesus (At 9.4). O próprio Paulo lembra isso ao Coríntios em 1 Co 12:27. Os livros de história da Igreja mostram claramente que perseguições aos que servem a Cristo de verdade sempre existiram e infelizmente sempre vão existir. Aliás, 2 Timóteo 3:12 declara: “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. Ser perseguido faz parte de ser cristão.

Mas essa perseguição tem várias maneiras de acontecer. Quem está familiarizado com os ministérios que trabalham com a chamada “igreja perseguida”, como Portas Abertashttp://www.portasabertas.org.br/ ou A voz do mártireshttp://www.vozdosmartires.com.br/ conhece o assunto mais de perto. Em grande parte do mundo nos dias de hoje a perseguição aos cristãos é algo real e cotidiano. Seja por motivos étnicos, políticos, teológicos ou simplesmente ódio ao nome de Cristo, pessoas são presas e mortas diariamente por causa da sua fé em Jesus. Por que isso ocorre? Porque o mundo não pode suportar a mensagem do evangelho.

Para a maioria das pessoas no Brasil, no entanto, essa questão é pouco relevante ou mesmo irrelevante. Na minha experiência dentro da igreja evangélica brasileira a maioria das pessoas acha que essas coisas não existem mais, que são experiências do passado. Muitos ainda criticam quando se fala sobre esses irmãos que sofrem por Jesus, alegando que lhes falta fé. Já ouvi alguns absurdos de pessoas que não tem noção do que realmente acontece no mundo. Parte desse desconhecimento e das críticas infundadas é por causa da teologia que parece predominar nos dias de hoje.

Com as mentiras sobre prosperidade e bênçãos constantes para todo aquele que seguir a Jesus se espalhando cada vez mais na TV e nos púlpitos, não é difícil entender porque falar de mártires é algo raro ou estranho para nós. Não é segredo que a Brasil vive um período de falta de exemplos, ausência de um herói nacional ou alguém que inspire sentimentos mais nobres no povo em geral. Isso já foi inclusive matéria de alguns jornais de revistas nos últimos anos. Seja no esporte ou na política, a impressão vigente é que não se fazem mais heróis como antigamente.

Isso também se reflete na igreja, ainda mais em uma cultura acostuma a procurar messias e esperar soluções imediatas de alguém de fora para os problemas que enfrentamos. A dura verdade é que a perseguição por causa de Cristo continua existindo e é crescente em alguns lugares do mundo. Inclusive no Brasil. No século 20, por exemplo foi registrado provavelmente o maior número de martírios da história. Esse é o argumento do livro By Their Blood: Christian Martyrs of the Twentieth Century de James C. Hefley e Marti Hefley(http://www.amazon.com/Their-Blood-Christian-Martyrs-Twentieth/dp/0801043956). Segundo esses autores dessa obra de 672 páginas a perseguição não está diminuindo, mas tende a aumentar. Usando noticias de jornais, levantamentos históricos e relatórios de agencias especializadas eles desenham um quadro em nada animador do presente e do futuro daqueles que decidiram seguir a Cristo de verdade.

Mas o mais impressionante disso é saber que essa perseguição pode ser revelada de muitas formas. Percebo que em muitos países vem surgindo há algum tempo um sentimento diferente. Basta ler o que se escreve sobre cristianismo hoje em dia, as constantes lutas declaradas entre setores da igreja que aceitam e os que rejeitam por exemplo, a homossexualidade como normal ou natural. Grandes contendas em denominações históricas vem acontecendo e tendem a continuar acontecendo. No Brasil, em especial nos blogs, podemos perceber um outro aspecto dessa divisão interna do cristianismo. Graças aos excessos, heresias e simples bobagens que são ditos em nome de Jesus, hoje em dia é fácil criticar a igreja, o corpo de Cristo. E assim as pessoas acabem confundindo o que significa realmente ser cristão e quem realmente se preocupa com a mensagem da salvação. E pior, muitas vezes as criticas surgem dentre os próprios cristãos pelo simples motivo de não se pensar da mesma maneira. Para alguns “cristãos” hoje em dia tudo aquilo que leva o nome de evangélico merece desprezo, todos os pastores são lançados na vala comum dos pilantras, aproveitadores e vigaristas e todo local que usa o nome de igreja deveria ser fechado. Alegam que está tudo errado e que deveríamos ir para outros locais louvar a Deus e acabar com a evangelização.

Embora haja muitos argumentos sólidos e motivos reais de preocupação pelo que uma minoria tem feito, essa perseguição ideológica não se sustenta. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento da realidade da vida que os cristãos de países como China, Coréia do Norte e Sudão deveria sentir-se mal pelo que é dito em terras brasileiras por esses “cristãos”. Enquanto lá e em muitos outros países anseia-se pela liberdade de culto, aqui essa minoria reclama da existência das igrejas. Enquanto lá se deseja ardentemente ter acesso a literatura evangélica e material para a edificação da fé, aqui se reclama do excesso de material e se despreza tudo o que pode parecer “lavagem cerebral”. Enquanto lá seguir a Cristo ou anunciar sua vinda pode custar a vida, aqui falar sobre isso é fanatismo ou ignorância.

Não estou exagerando, tenho vivido isso. Por exemplo, dias desses fui abertamente criticado por uma pessoa de minha própria denominação porque contei que estava pregando o evangelho num local de minha cidade parecido com a antiga FEBEM, que visa a recuperação de menores infratores. Essa pessoa iniciou um discurso sobre liberdade de culto e separação entre Igreja e Estado, mas no fim apenas disse que não gostava da idéia de ver o evangelho ser “imposto”. Considerando que ela nunca esteve na prisão nem conhece a realidade dos menores que atendo posso dar um desconto. Eu sei e muitos deles admitem que precisam muito do perdão e da graça de Deus, que seus crimes e vícios tem um preço alto aos olhos da sociedade e que tudo o que mais desejam é recomeçarem suas vidas, literalmente um novo nascimento. E quem conhece a Bíblia sabe que somente o evangelho de Jesus pode oferecer isso a eles. Acabo concluindo que muitas vezes o mundo está mais preparado para ouvir o evangelho do que a igreja está pronta para anunciá-lo.

A questão toda é que a mensagem que chega na mídia quase sempre envolve um outro evangelho. Um evangelho que despreza os princípios mais básicos do cristianismo e associa igreja, pastores e evangélicos a trapaças, intolerância, desonestidade, ganância e manipulação. Fazer isso é pisotear no sangue dos mártires, pessoas em todo o mundo que ao longo da historia derramaram seu sangue por causa da mensagem de Cristo.

Enquanto em muitos países fé não pode ser dissociada da vida, aqui muitos insistem para não se misturar o “sagrado” e o “profano”. E infelizmente o sentimento crescente é o de cristãos que se voltam contra cristãos, é de um outro evangelho sendo pregado no lugar do evangelho de Cristo, é de ver aquilo que a Bíblia ensino ser substituído por experiências e opiniões pessoais. Não me iludo a própria Bíblia disse em 2 Timóteo 4:3-5 “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.

Sim, o sangue dos mártires está sendo desprezado e pisoteado toda vez que o evangelho é usado para beneficiar alguém, para enriquecer algum homem ou igreja, para se anunciar algo além da salvação em Cristo. Mas o mesmo ocorre toda vez que as mesmas pessoas que deveriam estar preocupadas com isso preocupam-se apenas em criticar a liberdade que temos e aqueles que anunciam as boas novas de salvação.

FONTE: Pr Julio Soder: Pisoteando o sangue dos mártires

24/10/2009

SOBRE CASAMENTO E AMOR

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Não é bom que o homem esteja só.
Far-lhe-ei uma companheira
que lhe seja suficiente.
Gênesis 2.18

Venho me perguntando o que faz as pessoas optarem pelo casamento se contam com outras alternativas para a vida a dois. A justificativa mais comum para o casamento é o amor. Mas devemos considerar que amor é uma experiência cuja definição está em xeque não apenas pela quantidade enorme de casais que "já não se amam mais", como também pelo número de pessoas que se amam, mas não conseguem viver juntas.
Talvez por estas duas razões - o amor eterno enquanto dura e o amor incompetente para a convivência - nossa sociedade providenciou uma alternativa para suprir a necessidade afetiva das pessoas: relacionamentos temporários em detrimento do modelo indissolúvel. Mas, mesmo assim, o número de pessoas que optam pelo casamento em sua forma tradicional, do tipo "até que a morte vos separe" cresce a cada dia.
Acredito que existe uma peça do quebra cabeça que pode dar sentido ao quadro. Trata-se da urgente necessidade de desmistificar este conceito de amor que serve de base para a vida a dois. Afinal de contas, o que é o amor conjugal? Para muitas pessoas, o amor conjugal é confundido com a paixão. Paixão é aquela sensação arrebatadora que nos faz girar por algum tempo ao redor de uma pessoa como se ela fosse o centro do universo e a única razão pela qual vale a pena viver. Esta paixão geralmente vem acompanhada de uma atração quase irresistível para o sexo, e não raras vezes se confunde com ela. Assim, palavras como amor, paixão e tesão acabam se fundindo e tornando-se quase sinônimas.
Este conceito de amor justifica afirmações do tipo "sem amor nenhum casamento sobrevive", "sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena", "é o sexo apaixonado que dá o tempero para o casamento".
Minha impressão é que todas estas são premissas absolutamente irreais e falsas. Deus justificou a vida entre homem e mulher afirmando que não é bom estar só. Nesse sentido, casamento tem muito pouco a ver com paixão arrebatadora e sexo alucinante. Casamento tem a ver com parceria, amizade, companheirismo, e não com experiências de êxtase. Casamento tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, uma força no dia da adversidade, um encorajamento no caminho das dificuldades, um colo para descansar, um alguém com celebrar a vida, a alegria e as vitórias do dia-a-dia. Casamento tem a ver com a certeza da presença no dia do fracasso, e a mão estendida na noite de fraqueza e necessidade. Casamento tem a ver com ânimo, esperança, estímulo, valorização, dedicação desinteressada, solidariedade, soma de forças para construir um futuro satisfatório. Casamento tem a ver com a certeza de que existe alguém com quem podemos contar apesar de tudo e todos ... a certeza de que, na pior das hipóteses e quaisquer que sejam as peças que a vida possa nos pregar, sempre teremos alguém ao lado.
Nesse sentido, não é certo dizer que sem amor nenhum casamento sobrevive, mas sim que sem casamento nenhum amor sobrevive. Não é certo dizer que sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena, mas sim que sem relacionamento nenhuma paixão vale a pena. Não é o sexo apaixonado que dá o tempero para a vida a dois, mas a vida a dois que dá o tempero para o sexo apaixonado. Uma coisa é transar com um corpo, outra é transar com uma pessoa. Quão mais valiosa a pessoa, mais prazeroso e intenso o sexo. Quão menos valorizada a pessoa, mais banal a transa.
Assim, creio que podemos resumir a vida a dois, entre homem e mulher, conforme idealizada por Deus, em três palavras que descrevem um casal bem sucedido...
Um casal bem sucedido é um par de amantes.
Um casal bem sucedido é um par de amigos.
Um casal bem sucedido é um par de aliados.
São três letras A que fornecem a base de uma relação duradoura. Amante se escreve com A. Amigo se escreve com A. Aliado se escreve com A. E não creio ser mera coincidência o fato de que todas as três, amante, amigo e aliado, se escrevem com A... A de AMOR.

© 2008 Ed René Kivitz

FONTE:Igreja Batista de Água Branca

Princípio Zancul: devemos dar esmolas?

 

 

José Zancul foi presbítero na igreja de São Carlos quando lá pastoreei. Aposentado do Banco do Brasil, era e é uma homem singular, de uma simplicidade ímpar e de uma obediência invejável à Palavra. A sua generosidade não vi ainda em outra pessoa.
Certa feita estava conversando com ele na garagem da sua casa no cair da tarde, já anoitecendo. Um conhecido pedinte alcoólatra do bairro se aproximou de nós e nos saudou pelo nome, pois nos conhecia e nós a ele. Eu sabia que vinha, uma vez mais, pedir dinheiro e eu já havia decidido que não daria dinheiro a ele para que não gastasse em bebida, pois assim, entendia eu, estaria contribuindo ara o seu vício.
Dito e feito. Ele se virou para o seu Zancul e pediu um dinheiro para comer um sanduíche. Eu estava certo de que o pedinte teria a mesma resposta que eu lhe daria se a mim pedisse. Para surpresa minha, o seu Zancul colocou a mão no bolso e tirou o dinheiro e perguntou se aquilo era suficiente para comprar um sanduíche. O bêbado disse que sim e se foi, agradecendo e pedindo a benção de Deus sobre o doador.
Fiquei surpreso e, ao mesmo tempo, irritado. Do alto de minha convicção e como pastor dele, coloquei minha posição e minha recusa em dar dinheiro àquele homem. Mais surpreso fiquei ao ver a resposta do seu Zancul: "Ele me pediu dinheiro para comer e eu dei dinheiro para comer. Não me cabe julgar se ele vai comer ou não, cabe dar a quem está com fome e a mim assim declara. Se eu não der, estou julgando. Se eu julgar, fico com o juízo. Se eu dou, fico com a benção. Se ele comer o sanduíche, a minha benção se estenderá a ele. Se ele gastar em bebida, ele fica com o juízo de Deus por ter mentido, mas ainda assim a benção é minha. Não esqueça, pastor, que Jesus ensinou que Ele esteve com fome e não lhe demos de comer, teve sede e não lhe demos de beber, esteve preso e não o visitamos, nu e não o vestimos. Não sei como e nem por que, mas cada vez que vejo uma pessoa assim na minha frente, vem a mim a pergunta: será que é Jesus Cristo me pedindo?"
Saí dali de cabeça baixa, entendendo haver muita sabedoria naquela simplicidade generosa. Aprendi ainda que nem sempre a coloquei em prática, para demérito meu. Nas vezes em que o "princípio Zancul" foi aplicado por mim, meus filhos e minha esposa, tivemos a certeza de que ele tinha razão: a benção foi nossa em ajudar.
Marcos Roberto Inhauser
fonte: Genizah
A sabedoria mora com gente simples já dizia Salomão em Provérbios 11:2

Postado por Eliézer

fonte: Blog do Eli Sanches: Princípio Zancul: devemos dar esmolas?

23/10/2009

CREDO DA MULHER

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(Rachel C.Wahlberg)
CREIO em Deus, que criou a mulher e o homem a sua imagem, que criou o mundo e recomendou aos dois sexos o cuidado da terra.

CREIO em Jesus, filho de Deus, eleito de Deus, nascido de uma mulher, Maria, que escutava as mulheres e as apreciava; que morava em suas casas e falava com elas sobre o Reino; que tinha mulheres discípulas, que o seguiam e o ajudavam com seus bens.
CREIO em Jesus, que falou de teologia com uma mulher, junto a um poço, e lhe revelou, pela primeira vez, que ele era o Messias, que a motivou a ir e contar as grandes novas na cidade.
CREIO em Jesus, sobre quem uma mulher derramou perfume, em casa de Simão; que repreendeu aos homens convidados que a criticavam.
CREIO em Jesus, que disse que essa mulher seria lembrada pelo que havia feito: servir a Jesus.
CREIO em Jesus, que curou a uma mulher, no sábado, e lhe restabeleceu a saúde porque era um ser humano.
CREIO em Jesus, que comparou Deus com uma mulher que procurava uma moeda perdida, como uma mulher que varria, procurando a sua moeda.
CREIO em Jesus, que considerava a gravidez e o nascimento com veneração, não como um castigo, mas como um acontecimento desgarrador, uma metáfora de transformação, um novo nascer da angústia para a alegria.
CREIO em Jesus, que se comparou a galinha que abriga os seus pintinhos debaixo das suas asas.
CREIO em Jesus, que apareceu primeiro à Maria Madalena, e a enviou a transmitir a assombrosa mensagem "Ide e contai...".
CREIO na universalidade do Salvador, em quem não há judeu nem grego, escravo nem homem livre, homem nem mulher, porque todos somos um na salvação.
CREIO no Espírito Santo, que se move sobre as águas da criação e sobre a terra.
CREIO no Espírito Santo, o espirito feminino de Deus, que nos criou, e nos fez nascer, e qual uma galinha nos cobre com suas asas.

FONTE:   Blog da Pastora Zenilda

A IGREJA DOS DEDOS GORDOS

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Por Josué Adam Lazier
O escritor Rubem Alves, entre tantas histórias que criou para motivar nossa reflexão, inseriu uma bem inusitada: O País dos Dedos Gordos [*]. A história é mais ou menos assim: Trata-se de um Reino onde tudo era alegria. Todos no reino viviam felizes. Ao nascer a princesa, o rei e a rainha tomaram todas as providências para que nada afetasse a vida da criança.
Assim, convidaram para madrinhas e padrinhos todas as fadas e os magos. Eles, como presente de batizado, protegeram a menina por inteiro. A bruxa malvada, sabendo do ocorrido, enviou seus mensageiros, os corvos, para descobrirem alguma brecha no corpo da menina. Tanto procuraram que descobriram que um dos dedos da mão esquerda ficou sem proteção. A bruxa não teve dúvidas: mandou uma praga para o dedo da criança, de tal forma que o dedo engordava enquanto a menina crescia.
A princesa, com esta diferença, não tinha amigos e nem namorados. O rei e a rainha preocupados com isto consultaram todos os conselheiros para saber o que fazer. Um deles disse ao rei: se o dedo da princesa não pode ser igual ao dos outros, faça o dedo dos outros serem iguais ao dedo da princesa. O rei decretou que nos bailes anuais no castelo só entrariam aqueles que tivessem o dedo mais grosso. Assim, começaram a surgir academias de halterofilismo para fazer o dedo engordar, cursos de treinamento, as escolas inseriram no currículo como tornar o dedo mais gordo e assim por diante.
A alegria descontraída deste país acabou, pois agora havia uma nova filosofia de educação. Os anos se passaram e a princesa continuava triste e não encontrava um rapaz para se casar. O rei quis saber por que a princesa disse que preferia o reino como era antes, onde todos eram alegres e felizes, pois agora todos só se preocupavam em ter o dedo mais gordo. Então o rei decretou que todos voltassem à condição anterior.
Esta história nos faz pensar em muitas coisas. Pensar em nós mesmos, em nossas famílias, em nossos grupos de convivência e em nossas igrejas. Ela nos faz pensar que a tentação para termos uma "Igreja-dos-Dedos-Gordos", onde todos devem ser iguais, está presente em nossos dias. Pensando nisto, numa perspectiva reflexiva e meditativa, e tão somente isto, poderíamos elencar algumas possíveis evidências de uma Igreja que caminharia nesta direção. Senão vejamos:
(1) Uma espiritualidade fundamentada no louvor e na intercessão intimista, individualista e escapista, em detrimento de uma espiritualidade equilibrada e vivenciada com a vitalidade e a força do Espírito Santo para a renovação da mente e transformação da vida;
(2) Um crescimento como fim em si mesmo e sem o devido acompanhamento e instrução doutrinária e capacitadora para a vivência dos valores do Evangelho e para o exercício dos diversos ministérios;
(3) Uma ética que virou estética, perfumaria e apetrechos da vaidade humana, sem a preocupação com os valores do Evangelho que orientam os diversos relacionamentos;
(4) Um ministério de corte profissionalizante que gira em torno da pessoa e não das pessoas que são sujeitos e não objetos da ação pastoral;
(5) Um carisma que virou crisma, que criou cisma e que se transformou em fábrica de estereótipos;
(6) Uma deformação do “pelos frutos os conhecereis” para julgamentos precipitados, juízos pré-concebidos e padronização dos frutos e das experiências;
(7) Uma exacerbação do agora, do presente, do já, do possuir, do fazer, do conquistar, em detrimento do kairós de Deus, do tempo oportuno, do já, mas ainda não, do ser que deve caracterizar a vivência missionária e eclesial da Igreja;
(8) Uma perda do sentido da integralidade do ser povo de Deus e não conformação com as exigências da justiça do Seu Reino em função de projetos mesquinhos, populistas e massificantes;
(9) Uma diluição e diminuição da espiritualidade do amor e da ternura por atitudes de intimidação, de massificação e de constrangimentos;
(10) Uma minimização de conceitos e princípios bíblicos e teológicos, tais como obediência, fidelidade, santidade, integridade e pureza, por definições pejorativas e estigmatizadoras;
(11) Uma atitude de desconsideração da herança de fé e das vivências já consolidadas em prol de um "doutrinamento" relativizado e sem fundamentação na doutrina dos apóstolos;
(12) Uma utilização dos diversos níveis de autoridade e de liderança como brinquedo e joguete, onde as pessoas são objetos e não sujeitos;
(13) Uma perda da convivência afetiva, inclusiva, empática e pastoral em prol de uma comunhão forjada, institucional e de forma policialesca;
(14) Uma busca de santificação sem o arrependimento, sem confissão, sem os frutos do arrependimento, sem as evidências da nova vida em Cristo Jesus e sem ruptura com as práticas do “velho homem”;
(15) A valorização e legitimação de movimentos homogêneos que preconizam uma unidade eclesial, nos limites da denominação, sem afetividade e sem respeito para com o pensamento divergente, não refletem, definitivamente, a pertença ao Reino de Deus;
(16) A minimização da presença da Igreja na sociedade através da promoção da auto-ajuda no lugar da reflexão bíblica, teológica e pastoral, do culto destituído de atos de arrependimento, confissão e dedicação a Deus e transformado em shows cultos, ou da falta de ética, do individualismo, da discriminação e da exclusão;
(17) A busca por uma vida em discipulado sem a transformação do caráter humano, sem a disposição para a renúncia e para o “morrer em Cristo”, sem tolerância e solidariedade e sem a intenção de andar como Cristo andou;
(18) Uma educação bancária e, portanto, castradora da capacidade de reflexão, em desobediência ao Plano para a Vida e Missão que preconiza uma educação libertadora, transformadora e capacitadora;
(19) Uma Igreja que anda pelo caminho dos justos, mas que de vez em quando chega às raias da impiedade e da injustiça;
(20) A Missão dissolvida em atos de missionar.
Seriam estes itens, ou outros, ou ainda a tese deste texto evidências de uma Igreja do tipo Reino dos Dedos Gordos? Parece que as pessoas estão numa arquibancada esperando o jogo começar ou aguardando o que vai acontecer durante o jogo. Alguns começaram a partida antes do apito. Outros querem ter o apito em suas mãos, para ditar ar normas e as regras. Mas os que “esperam no Senhor” também esperam que os árbitros não sejam adeptos deste País dos Dedos Gordos e que a partida comece com alegria e esperança do serviço, pois, afinal, somos chamados para sermos servos/as de Deus e da Igreja e fazermos a Sua Vontade e não as que os “dedos gordos” nos intimidam a fazer.

Afinal vivemos na perspectiva do Reino de Deus que está presente e que nos projeta para a vida eterna. Um Reino de paz, de justiça, de fraternidade, de solidariedade, de afetividade, de benevolência, de humanidade, de beleza, de grandeza de coração, de amor e de caridade, mas um Reino que não termina aqui, pois ele se estende para o futuro, futuro na perspectiva de um Deus que ama e que se revela como Pai, Pastor, Educador, Perdoador, Justo Juiz, Poderoso e Sustentador da vida.
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[*] Alves, Rubem. O País dos Dedos Gordos. São Paulo. Edições Loyola. 1986.

Josué Adam Lazier é Bispo Metodista (Fonte: Blog de Luís Wesley)

VIA  Hermes C. Fernandes

22/10/2009

VIDA E MORTE DE UM MÁRTIR MODERNO

 

Dr. Geffrey B. Kelly


Nascido na riqueza, Dietrich Bonhoeffer, seguia para uma carreira brilhante como teólogo, até passar a ver a vida ‘sob a perspectiva daqueles que sofrem’, na Alemanha nazista, o que lhe custou a vida.
Em 1942, o pastor luterano Dietrich Bonhoeffer enviou um presente de Natal à sua família e amigos que estiveram envolvidos num plano para matar Hitler. Era um ensaio intitulado After Ten Years (Depois de dez anos). Nele, Bonhoeffer lembrou a seus companheiros de conspiração dos ideais pelos quais eles estavam dispostos a dar suas vidas. Em suas palavras: “Nós aprendemos, de uma vez por todas, a ver os grandes eventos da história do mundo de baixo para cima, das perspectivas dos proscritos, suspeitos, maltratados, impotentes, oprimidos e injuriados – em resumo, da perspectiva daqueles que sofrem”.
Conforme ele analisava as várias razões pelas quais eles tinham que matar Hitler e derrubar o governo nazista, Bonhoeffer lhes falava do exemplo de Cristo. Jesus, de boa vontade, arriscou sua vida defendendo os pobres e proscritos de sua sociedade – mesmo ao custo de uma violenta morte.
Na época de sua prisão, a vida de Bonhoeffer tinha se tornado uma jornada de entrelaçamento, na qual ele tinha entrado por causa desta “visão de baixo para cima”. Sua vida lhe tirou de uma confortável posição de professor universitário à liderança isolada de uma oposição minoritária dentro de sua igreja contra seu governo. Ele saiu da segurança de um refúgio fora do país para a vida perigosa de um conspirador. Ele desceu dos privilégios do ministério eclesiástico e o respeito dado a uma família nobre, para sua dura prisão e mais tarde sua morte como traidor de seu país.
Determinação de aço - Poucas pessoas teriam predito que o jovem Bonhoeffer terminaria como um conspirador político. Nascido em Breslau, em 1906, Dietrich era o quarto filho homem e sexto filho dentre todos (sua irmã gêmea, Sabine, nasceu momentos depois). Sua mãe, Paula von Hase, era filha de um pregador da corte do Kaiser Wilhelm II. O pai de Dietrich, Karl Bonhoeffer, era um famoso médico psiquiatra e professor na universidade.
Quando era um rapazinho de 14 anos, Dietrich surpreendeu sua família declarando que não queria nada mais do que ser um ministro da igreja. Este anúncio provocou uma pequena consternação entre seus irmãos homens. Um estava destinado a ser físico, o outro, advogado; ambos eram pessoas de sucesso, para quem o serviço na igreja parecia um trabalho que não obriga ao trabalho ou responsabilidade para a burguesia, algo inferior a eles. Seu pai sentiu-se da mesma forma, mas ficou em silêncio, preferindo conceder a seu filho a liberdade de cometer seus próprios erros. Quando sua família criticou a igreja como egoísta e covarde, um lampejo da determinação de aço de Dietrich surgiu: “Neste caso, eu a reformarei!”.
Um “milagre teológico” – Seguindo um costume de família, o jovem Dietrich estudou na Universidade de Tübingen por um ano antes de mudar para a Universidade de Berlim, onde morava a família. Na universidade, ele veio a estar sob a influência do conhecido historiador da igreja Adolf von Harnack e o estudioso sobre Lutero Karl Holl.
Von Harnack considerou Bonhoeffer como um grande historiador da igreja em potencial, capaz de um dia subir no seu próprio pódio.
Para tristeza de von Harnack, Bonhoeffer dirigiu suas energias do mundo acadêmico para o dogmático. Seu maior interesse ficava nos campos associados da Cristologia e da igreja. Sua dissertação, The Communion of Saints (A comunhão dos santos), foi completada em 1927, quando ele tinha apenas 21 anos. Karl Barth o celebrou com um “milagre teológico”.
Nesta dissertação, Bonhoeffer declara numa sonora frase que a igreja é “Cristo existindo em comunidade”. A igreja para ele não é nem uma sociedade ideal, sem necessidade de reforma, nem o ajuntamento de uma elite cheia de dons. Pelo contrário, ela é tanto uma comunhão de pecadores capazes de seres infiéis ao evangelho, quando é uma comunhão de santos para quem servir um ao outro deve ser uma alegria.
Triste encontro com a pobreza – Como ainda não estava na idade mínima para ordenação e precisava de experiência prática, Bonhoeffer interrompeu sua carreira acadêmica. Ele aceitou uma indicação como pastor-assistente numa igreja em Barcelona que tendia para as necessidades espirituais da comunidade de negócios alemã.
Seus meses na Espanha (1928–29) coincidiram com as primeiras repercussões da Grande Depressão, dessa forma a vida de pastor em Barcelona deu a Bonhoeffer seu primeiro triste encontro com a pobreza. Ele ajudou a organizar um programa que sua igreja estendeu aos desempregados. Em desespero, ele até mesmo implorou por dinheiro à sua família para este propósito. Num sermão memorável, ele lembrou ao seu povo que “Deus caminha entre nós em forma humana, falando a nós naqueles que cruzam nosso caminho, sejam eles estranhos, mendigos, doentes, ou mesmo naqueles mais perto de nós em nosso dia a dia, tornando-se a ordem de Cristo em nossa fé nele”.
De volta à Alemanha, Bonhoeffer voltou sua atenção para sua “segunda dissertação” – exigida para conseguir uma designação na universidade. Publicada como um livro em 1931, Act and Being (Ser e Agir) externamente parece ser um rápido tour de filosofias e teologias de revelação. Se a revelação é “agir”, então a Palavra eterna de Deus interrompe a vida da pessoa de um modo direto, intervindo muitas vezes quando menos se espera. Se a revelação é “ser”, então é a presença contínua de Cristo na igreja. Através de todas as análises cruzadas deste livro, nós também detectamos a luta profunda de Bonhoeffer entre o conforto do status acadêmico e o perturbador chamado de Cristo para ser um cristão genuíno.
Primeira visita à América – Tendo assegurada sua indicação para a universidade, Bonhoeffer decidiu então aceitar uma bolsa de pesquisa Sloane. Esta lhe ofereceu um ano de estudos adicionais no Seminário de Teologia União (Union Theological Seminary), em Nova York. Mais tarde ele descreveu este ano acadêmico de 1930–31 como “uma grande liberação”.
A princípio, Bonhoeffer olhou severamente para o Seminário de Teologia União, julgando que ele fosse tão permeado de humanismo liberal que tivesse perdido suas amarras teológicas. Mas cursos com Reinhold Niebuhr e longas conversas com seu amigo mais próximo, o americano Paul Lehmann, trouxeram sensibilidade aos problemas sociais.
As amizades de Bonhoeffer no Union Seminary influenciaram-no profundamente. Elas alimentaram sua crescente paixão pelas preocupações do Sermão do Monte. Através de um aluno negro do Alabama, o reverendo Frank Fisher, Bonhoeffer experimentou em primeira mão o racismo opressivo sofrido pela comunidade negra do Harlem.
Admirando os serviços desta igreja, que valorizavam a vida, ele levou gravações dos spirituals para a Alemanha para tocar para seus alunos e seminaristas. Ele falou aos alunos freqüentemente sobre a injustiça racial na América, prevendo que o racismo se tornaria “um dos problemas futuros mais críticos para a igreja branca”.
Outro amigo, o pacifista francês Jean Lasserre, levou Bonhoeffer a transcender sua ligação natural à Alemanha para assumir um compromisso maior com a causa da paz mundial. Bonhoeffer tornou-se devoto da resistência pacífica ao mal, e mais tarde ele defendeu com veemência a paz em encontros ecumênicos. Para Bonhoeffer, a guerra claramente negava o evangelho; nela os cristãos matavam uns aos outros para ideais alardeados que só mascaravam objetivos políticos mais sinistros.
As pessoas perceberam as mudanças na perspectiva de Bonhoeffer em sua volta à Universidade de Berlim. Seus alunos o descreveram como diferente de seus colegas, estes mais enfadonhos e desinteressados. Tentando explicar o que houve com ele, Bonhoeffer disse simplesmente que tinha se tornado cristão. Como ele mesmo disse, ele esteve pela primeira vez na sua vida “no trilho certo”, dizendo ainda: “Eu sei que por dentro serei realmente claro e honesto somente quando eu tiver começado a levar a sério o Sermão do Monte”.
Palestrante universitário eletrizante – Retornando da América, Bonhoeffer fez uma pausa na Universidade de Bonn, onde ele finalmente conheceu o teólogo Karl Barth. Os escritos de Barth tinham eletrizado o mundo teológico e cativado Bonhoeffer durante seus anos de estudante em Berlim. Os dois ficaram amigos, então. Barth apreciava os avisos incisivos de Bonhoeffer sobre a acomodação das ideologias políticas na religião organizada. Bonhoeffer começou a usar Barth como um meio de divulgação de suas opiniões, confiando nas avaliações maduras de Barth sobre como contra-atacar as concessões da igreja ao nazismo.
Sendo o professor mais jovem da faculdade, Bonhoeffer ficou conhecido pelo seu jeito de ir até o fundo de uma questão e abordar os assuntos na sua revelância atual. Um aluno escreveu sob a direção de Bonhoeffer “cada frase encontrava seu lugar; havia uma preocupação pelo que me perturbava, e de fato, todos nós jovens, o que perguntávamos e o que queríamos saber”. Mas a carreira de ensino de Bonhoeffer foi ofuscada pela ascensão de Hitler ao poder. Os alunos atraídos pelo nazismo o evitavam.
Alguns dos cursos de Bonhoeffer na universidade durante este período têm sido publicados como livros desde então. Em The Nature of the Church, (A natureza da igreja), Bonhoeffer observou que a igreja ficou à deriva; ela, com muita freqüência, buscou o conforto dos privilegiados. A igreja, ele disse aos seus alunos, tinha que confessar a fé em Jesus com coragem incomum e rejeitar sem hesitação toda idolatria secular.
Em suas palestras sobre Cristologia, publicada como Christ the Center (Cristo o centro), Bonhoeffer insistiu com seus alunos a responder perguntas perturbadoras: Quem é Jesus, no mundo de 1933? Onde Ele pode ser achado? Para ele, o Cristo de 1933 era o judeu perseguido e o dissidente na luta da igreja.
Durante os anos na universidade, Bonhoeffer também achou tempo para ensinar a turma de confirmação numa favela de Berlin. Para ser mais envolvido na vida destes alunos, ele se mudou para a sua vizinhança, visitou suas famílias e os convidou a passar finais de semana num chalé alugado na montanha. Depois da guerra, um destes alunos lembrou que “a turma dificilmente ficava agitada”.
Crescente luta da igreja – Durante este período, muitos cristãos dentro da Alemanha adotaram o Socialismo Nacional de Hitler como parte de seu credo. Conhecidos como “cristãos alemães”, seu porta-voz Hermann Grüner, deixou claro o que eles defendiam:
“O tempo se completou em Hitler para as pessoas na Alemanha. É por causa de Hitler que Cristo, Deus, o ajudador e remidor, tornou-se eficaz entre nós. Portanto, o Socialismo Nacional é cristianismo positivo em ação… Hitler é o modo do Espírito e da vontade de Deus para o povo alemão entrar na igreja de Cristo”.
Ordenado em 15 de novembro de 1931, Bonhoeffer, com seu grupo de “Jovens Reformadores”, tentou persuadir delegados nos sínodos da igreja a não votar em candidatos pró-Hitler. Num sermão memorável, logo antes das eleições na igreja em julho de 1933, Bonhoeffer apelou: “Igreja, permaneça uma igreja! Confesse, confesse, confesse!” Apesar dos seus esforços, os cristãos alemães elegeram como Bispo Nacional um simpatizante do nazismo, Ludwig Müller. Numa carta à sua avó, em agosto daquele ano, Bonhoeffer afirmou com franqueza: “O conflito é realmente ser Alemão ou ser Cristão e o quanto antes este conflito ficar às claras, melhor”.
Em setembro de 1933, o conflito ficou às claras. No “Sínodo Marrom” naquele mês (chamado assim porque muitos dos religiosos usavam uniformes nazistas marrons e faziam a saudação nazista), a igreja adotou a “Frase Ariana”, que negava o púlpito a ministros ordenados que tivessem sangue judeu. O amigo mais próximo de Bonhoeffer, Franz Hildebrandt, foi afetado pela legislação (junto com muitos outros). A Frase Ariana dividiu a Igreja Protestante alemã.
Defesa aberta dos judeus – A primeira reação pública de Bonhoeffer à legislação anti-semita chegou logo. Em abril de 1933, ele falou a um grupo de pastores sobre “A Igreja a questão judaica”. Neste sermão, ele pediu as igrejas para, em primeiro lugar, desafiar com ousadia o governo que justifica tais leis, obviamente imorais. Segundo, ele exigiu que a igreja viesse em socorro das vítimas – batizadas ou não. Finalmente, ele declarou que a igreja devia “travar as rodas” do governo se a perseguição aos judeus continuasse. Muitos dos que ali estavam saíram correndo, convencidos de que tinham ouvido a incitação para um motim.
Logo após o Sínodo Marrom, Bonhoeffer e um herói da Primeira Guerra Mundial, o pastor Martin Niemöller, formaram a “Liga de Emergência dos Pastores”. Eles defendiam a luta para repelir a Frase Ariana, e no fim de setembro, tinham obtido 2.000 assinaturas. Mas, para decepção de Bonhoeffer, mais uma vez os bispos da igreja continuaram em silêncio.
No Sínodo de Barmen, de 29 a 31 de maio de 1934, entretanto, a nova “Igreja Confessante” (aqueles pastores que se opuseram à Frase Ariana e outras políticas nazistas) afirmaram a agora famosa Confissão de Fé de Barmen. Concebida em grande parte por Karl Barth, sua associação do Hitlerismo com idolatria fez muitos dos simpatizantes homens marcados pela Gestapo: “Nós repudiamos o falso ensino de que há áreas em nossa vida que não pertencem a Jesus Cristo, mas a outros senhores…”
Abandonando uma carreira promissora – Uma vez que os cristãos alemães estavam agora entrincheirados em posições de liderança na igreja, Bonhoeffer foi rejeitado para um pastorado. Os comentários contra ele apontaram sua posição radical e intempestiva às políticas governamentais. E ele foi considerado muito ligado ao seu amigo cristão-judeu, Franz Hildebrandt. A assustadora “nazificação” das igrejas deixou Bonhoeffer sentindo-se isolado e incapaz de esboçar uma oposição destemida a Hitler dentre os pastores.
Em sua posição de ensino, ele sentiu que a universidade tinha se ligado indesculpavelmente ao sentimento popular que exaltava Hitler como salvador político. Ele ficou perturbado também pela falta de protesto diante do afastamento de professores judeus. Estas frustrações facilitaram a decisão de deixar a Alemanha. No outono de 1933, ele assumiu o pastorado de duas igrejas de língua alemã em Londres.
Por causa desta atitude Bonhoeffer foi severamente repreendido por Karl Barth, que achou que ele estivesse fugindo de cena quando ele era mais necessário. Barth acusou Bonhoeffer de privar a luta da igreja de seu “esplêndido arsenal teológico” e de sua “correta figura alemã”.
Mas Bonhoeffer ainda não estava abandonando a luta contra o nazismo. De Londres, ele pretendia trazer pressão externa sobre a igreja do Reich Alemão. Numa carta ao líder do Ministério Eclesiástico Estrangeiro, Bonhoeffer recusou a se abster de criticar o governo alemão.
Dietrich Bonhoeffer e outros delegados foram a uma conferência ecumênica em Fano, na Dinamarca, em 1934. Na conferência, Bonhoeffer pregou um sermão aos líderes cristãos de mais de 15 nações. “O mundo está sufocando com armas”, ele disse, “e a desconfiança que salta dos olhos de cada ser humano é assustadora. As trombetas da guerra podem tocar amanhã”. Nesta ocasião, ele insistiu para que os cristãos falassem contra a guerra e ousassem pelo “grande empreendimento” da paz.
Buscando para o mundo o apoio da igreja – Era no nível ecumênico que Bonhoeffer esperava continuar mais efetivamente na luta da igreja. Ele tinha sido indicado secretário da juventude para a Aliança Mundial para Promover a Amizade Internacional através das Igrejas (um precursor do Conselho Mundial das Igrejas). Neste papel, ele ajuntou as igrejas internacionais para fazer um forte protesto anti-nazismo, para apoiar a Igreja Confessante e para expulsar a igreja do Reich do movimento ecumênico.
Suas atividades levaram a uma amizade duradoura com o bispo inglês George Bell. Bell era presidente do Conselho Universal Cristão para a Vida e Trabalho, que trabalhava de perto com a Aliança Mundial. Ele apoiava a luta de Bonhoeffer para que a Igreja Confessante fosse reconhecida como a única representante da igreja protestante na Alemanha.
Os esforços de Bonhoeffer alcançaram um clímax na conferência de 1934 em Fano, na Dinamarca. A Comissão Ecumênica de Jovens de Bonhoeffer surpreendeu os delegados por sua recusa em expressar resoluções em uma polida linguagem diplomática. Além disso, Bonhoeffer queria que as igrejas declarassem não-cristã qualquer igreja que tivesse se tornado meramente uma audiência neutra nas questões políticas. Todos os delegados sabiam que a Igreja do Reich era o alvo de tais resoluções.
A contribuição mais duradoura de Bonhoeffer para esta conferência, entretanto, foi um sermão matinal inesquecível sobre a paz, chamado “A Igreja e os Povos do Mundo”. Seu aluno, Otto Dudzus relatou que as palavras de Bonhoeffer deixaram os delegados “prendendo a respiração de tanta tensão”. Como poderiam as igrejas justificar sua existência, ele perguntou, se elas não tomavam medidas para impedir a marcha em direção a outra guerra? Ele exigiu que o conselho ecumênico se levantasse “para que o mundo, embora esteja rangendo os dentes, tenha que ouvir, para que as pessoas se alegrem por que a igreja de Cristo, no nome de Cristo, tomou as armas das mãos dos seus filhos, proibiu a guerra, proclamou a paz de Cristo contra o mundo irado”. Uma frase deste sermão ficou para sempre marcada nas memórias dos alunos de Bonhoeffer: “Temos que nos atrever pela paz. Este é o grande empreendimento!”. Até mesmo Dudzus lembrou que “Bonhoeffer tinha seguido tanto à frente que a conferência não podia segui-lo”.
Bravo novo seminário – Em 1935, os líderes da Igreja Confessante pediram a Bonhoeffer para dirigir um seminário ilegal perto do mar Báltico. Para a Igreja Confessante, estabelecer seus próprios seminários era um passo ousado. Eles simplesmente contornavam o treinamento típico dos candidatos nas universidades contaminadas pelo nazismo. Com seus próprios seminários, eles podiam ignorar as exigências para que os candidatos provassem seu sangue puro ariano e lealdade ao nazismo como condições para a ordenação. Estes seminários eram apoiados não por ajuda do governo, mas por ofertas de boa vontade.
Os jovens candidatos, que se juntavam primeiro em Zingst, no mar Báltico e mais tarde numa escola particular abandonada, em Finkenwalde, lembram-se do seminário como um oásis de liberdade e paz. Bonhoeffer estruturava o dia ao redor da oração em comum, meditação, leituras bíblicas e reflexão, serviço fraternal, e suas próprias palestras. Cada dia era aliviado pela recreação, incluindo cantar os spirituals que Bonhoeffer trouxera da América.
Mas o ponto alto de seu treinamento, eram as palestras de Bonhoeffer sobre discipulado. Elas deram origem ao mais conhecido de seus livros O discipulado. Nele, Bonhoeffer acusou os cristãos de buscarem “graça barata”, que garantia uma salvação na base da barganha, mas não fazia exigências reais às pessoas, envenenando, dessa forma, “a vida de seguir a Cristo”. Ele desafia os leitores a seguir a Cristo até a cruz, a aceitar “a graça de alto preço”, da fé que vive em solidariedade com as vítimas de sociedades sem coração.
A Gestapo fechou o seminário em outubro de 1937. Bonhoeffer tentou então conduzir um “seminário secreto em atividade”. Mas não houve sucesso. O espírito de Finkenwalde sobreviveu, entretanto, no Vida em comunhão. Publicado em 1939, o livro registra as “experiências em comunidade” dos alunos. A igreja, Bonhoeffer acreditava, precisava promover um senso genuíno de comunidade cristã. Sem isso, não poderia testemunhar com eficácia contra a ideologia nacionalista na qual a Alemanha havia sucumbido. A congregação de uma igreja não era para ser fechada em si mesma, mas ser um ponto de apoio para os esgotados espiritualmente e um refúgio para os perseguidos. Através da oração e serviço a igreja podia tornar-se novamente “Cristo existindo como comunidade”.
A falha na coragem da igreja – Os anos de 1937 a 1939 foram particularmente problemáticos para Bonhoeffer e seu papel na luta da igreja. Os líderes da Igreja Confessante pareciam não ter firmeza na questão de fazer o pacto civil a Hitler. Ele ofereceu aos ministros da Igreja Confessante legitimidade para retomar seu apoio silencioso aos seus planos expansionistas, incluindo a anexação da Áustria. A paz, a respeitabilidade e o patriotismo eram a isca. Bonhoeffer queria que os bispos defendessem o direito dos pastores de se recusarem a fazer o pacto de fidelidade a Adolf Hitler.
Bonhoeffer foi bloqueado, também, em seus esforços para agitar uma oposição mais forte na igreja contra a cruel perseguição aos judeus. Para ele, os sínodos (assembléias) da igreja olhavam apenas os seus próprios interesses. Faltava-lhes o sentimento para assuntos mais urgentes: como contra-atacar o abuso e negação dos direitos civis na Alemanha. Ele censurou publicamente a falta de sensibilidade para com a situação difícil dos pastores aprisionados por suas dissidências.
Se os líderes da igreja levantassem suas vozes em favor dos judeus, Bonhoeffer teria como avaliar o sucesso ou o fracasso do sínodo. “Onde está seu irmão Abel?” – ele perguntava. Os ensaios e palestras de Bonhoeffer deste período exibiam sua indignação contra a covardia dos bispos. Ele freqüentemente citava Provérbios 31:8 – “Erga a voz em favor dos que não podem se defender”, para explicar o motivo de ser a voz de defesa dos judeus na Alemanha nazista.
Em junho de 1938, o Sexto Sínodo da Igreja Confessante reuniu-se para resolver a última crise da igreja. O Dr. Friedrich Werner, comissário do governo, responsável pela Igreja da Prússia, havia ameaçado expulsar qualquer pastor que se recusasse a fazer, como um “presente de aniversário” a Hitler, o juramento de lealdade civil. Ao invés de lutar pela liberdade da igreja, o sínodo transferiu o peso da decisão para cada pastor individualmente. Este resultado caiu nas mãos da Gestapo, que pôde facilmente identificar os poucos desleais que ousaram recusar-se a fazer o juramento. Enfurecido com os bispos, Bonhoeffer questionava, “Será que a Igreja Confessante nunca irá aprender que, em questões de consciência, a decisão majoritária mata o espírito?”
Viagem por engano à América – No outono de 1938, Bonhoeffer sentia que era um homem sem igreja. Ele não conseguia influenciar a Igreja Confessante a tomar coragem e resistir a um governo civil que ele considerava como o mal inerente. Na frente ecumênica, ele havia se mostrado inapto em persuadir a Aliança Mundial das Igrejas a não aceitar a delegação do Terceiro Reich em sua conferência. Como forma de protesto, em 1937, Bonhoeffer renunciou ao cargo de secretário da Aliança Mundial.
Na chamada “Noite de Cristal” (Kristallnacht), em 9 de novembro de 1938, o frenesi do nazismo anti-semita é permitido contra os cidadãos judeus. A polícia observava passivamente as hordas de alemães quebrar as vidraças das casas e das lojas judias e queimar as sinagogas, brutalizando os judeus. Bonhoeffer estava fora de Berlim naquela noite, mas voltou rapidamente para aquele cenário. Ele se recusou a acreditar nas tentativas de atribuir tal violência a tão falada maldição divina sobre os judeus por causa da morte de Cristo. Em sua Bíblia, ele sublinhou Salmo 74:8 – “Disseram em seus corações: ‘Vamos acabar com eles! E queimaram todos os santuários do país’”. – e colocou ao lado a data da Noite de Cristal.
Bonhoeffer sentiu um enorme desapontamento com o vergonhoso silêncio que se seguiu por parte da igreja, sobre aquela noite de selvageria. Este foi um dos fatores que o levou a cogitar uma segunda viagem à América. Ele desejava repensar seu compromisso com a Igreja Confessante, o ponto principal de sua oposição a Hitler.
Outra razão para deixar a Alemanha era a iminente convocação às forças armadas para os de sua faixa etária. Bonhoeffer compreendeu que sua recusa a ingressar no exército traria a ira nazista sobre seus colegas da Igreja Confessante. Bonhoeffer também havia entrado em contato com seu cunhado, Hans Von Dohnanyi, almirante Wilhelm Canaris, e o coronel Hans Oster (todos da unidade de inteligência militar ou Abwehr), que estavam preparando um golpe de estado. Ele temia, inconscientemente, atrair a atenção da Gestapo para este plano.
Por todos estes motivos, Bonhoeffer considerava a possibilidade de deixar a Alemanha, desta vez via um tour de palestras pelos Estados Unidos, no verão de 1939. O americano Paul Lehmann, seu amigo íntimo e o seu primeiro professor Reinhold Niebuhr, estavam ansiosos por resgatar Bonhoeffer do destino reservado aos dissidentes na Alemanha Nazista. Por isso arranjaram o tour com a intenção implícita de que, uma vez iniciada a guerra, ele pudesse permanecer na América. Bonhoeffer embarcou para os Estados Unidos em 2 de junho de 1939.
Entretanto, a tranqüilidade desta viagem era perturbada pela lembrança da perseguição que os pastores dissidentes estavam enfrentando. A Godesberg Declaration, de 04 de abril de 1939, impunha a todos os pastores o dever de devotarem-se completamente a “política nacional de trabalho construtivo do Führer”. Tornava-se cada vez mais perigoso ser enumerado como um dos inimigos do Terceiro Reich. Neste período o diário de Bonhoeffer é repleto de expressões de ansiedade. Porque ele havia ido para a América quando era necessário aos cristãos da Alemanha?
Rapidamente Bonhoeffer mudou de idéia e resolveu voltar. Partiu em 08 de julho de 1939, pouco mais de um mês de sua chegada. “Cometi um engano ao vir para a América”, ele escreveu para Reinhold Niebuhr. “Eu tenho que viver este período da história nacional com os cristãos da Alemanha. Eu não terei direito de participar da reconstrução da vida cristã na Alemanha depois da guerra, se não compartilhar das aflições deste tempo com o meu povo”.
Atividades de espionagem – Quando retornou ao seu país, Bonhoeffer foi proibido de ensinar, pregar ou de publicar qualquer coisa sem submeter uma cópia do material para aprovação prévia. Ele também recebeu ordens para se apresentar regularmente à polícia.
A liberdade para continuar a escrever veio inesperadamente através do seu recrutamento para uma conspiração. Hans von Dohnanyi e o coronel Hans Oster, figuras de prestígio na inteligência militar alemã, arranjaram para tê-lo figurando como indispensável para as atividades de espionagem que desenvolviam. Como Bonhoeffer estava designado para o escritório em Munique, isto o livrou da prisão e o deixou longe da vigilância da Gestapo em Berlim.
Sua missão ostensiva era espionar para a inteligência através de suas “visitas pastorais” e seus contatos ecumênicos. Todavia, sob esta aparência, Bonhoeffer estava envolvido em reais atividades de espionagem. Sua verdadeira e principal missão era conseguir com os Aliados os termos da rendição, caso o plano contra Hitler fosse bem-sucedido. O ponto alto dessas negociações foi em uma reunião secreta com o Bispo Bell, em Sigtuna – Suíça, em maio de 1942. Bonhoeffer convenceu Bell de que ele poderia acreditar que os conspiradores venceriam o governo nazista, restaurariam a democracia na Alemanha e fariam reparações de guerra. Bell levou estas informações ao Secretário Britânico para Assuntos Exteriores, Anthony Eden, mas os aliados responderam que para a Alemanha só havia a condição para uma “rendição incondicional”.
Quando não estava desperdiçando seu tempo no escritório de Munique, Bonhoeffer ficava em seu quartel-general, localizado nas vizinhanças de um mosteiro beneditino. Lá, ele continuava a escrever o que uma vez declarou ser o principal trabalho de sua vida: Ética – obra póstuma reconstruída por Eberhard Bethge, mas que dificilmente seria “Ética” completa. Na verdade, eram os últimos quatro fragmentos dos métodos de construção da ética cristã em meio à crise nacional da Alemanha. Neles, Bonhoeffer criticava a igreja duramente por “não ter levantado sua voz em defesa das vítimas ou… encontrado meios de sair em socorro a elas”. Em uma frase contundente ele declarou a igreja “culpada da morte dos mais fracos e dos mais indefesos irmãos e irmãs de Jesus Cristo”.
Cartas e papéis da prisão – Enquanto trabalhava para a Abwehr, Bonhoeffer se envolveu na chamada “Operação 7”: um ousado plano de contrabandear judeus para fora da Alemanha. Isto atraiu suspeitas da Gestapo, e em 05 de abril de 1943, após o fracasso de três atentados contra a vida de Hitler – Bonhoeffer foi preso e encarcerado na prisão militar de Tegel, em Berlim. A princípio, os nazistas tinham apenas acusações vagas contra ele: sua evasão do serviço militar, sua participação na “Operação 7” e suas deslealdades anteriores.
Durante o tempo que passou na prisão, Bonhoeffer escreveu cartas inspirativas e poemas que hoje são considerados como clássicos cristãos. Após a publicação póstuma de Resistência e submissão, por Eberhard Bethge; pessoas de todo o mundo começaram a apreciar a criatividade incansável de Bonhoeffer em busca do significado da fé cristã. Estruturas religiosas sem significado e linguagem teológica abstrata eram respostas insípidas aos clamores das pessoas perdidas em meio ao caos e às mortes nos campos de batalha e campos de concentração.
Nestas cartas, Bonhoeffer também levantava questões perturbadoras que iriam irritar os líderes da igreja. Na carta de 30 de abril de 1944, ele confidencia que “o que mais me preocupa é a questão do que o cristianismo realmente é; ou de fato quem Cristo realmente é, hoje, para cada um de nós”.
Em resposta a esta questão, Bonhoeffer observava que a igreja, ansiosa por manter os privilégios clericais e sobreviver aos anos de guerra com seu status intacto, oferecia apenas, uma religião que servia a interesses próprios, tornando-se um refúgio da responsabilidade pessoal. A igreja falhara em demonstrar qualquer tipo de credibilidade moral em uma “época em que o mundo precisava dela”. A igreja tem que repudiar aqueles “adereços religiosos” que são muitas vezes confundidos erroneamente com a fé autêntica. Para ele, se Jesus é “o homem para os outros”, então a igreja somente poderá ser uma igreja de verdade quando existir para corajosamente servir às pessoas.
Bonhoeffer escreveu, também, cartas à sua noiva, Maria von Wedemeyer. Ele se apaixonara por Maria em 1942, quando conheceu a família dela durante as viagens a serviço da Abwehr. Ele foi atraído por sua beleza, vivacidade e seu espírito independente. Inicialmente, a família dela foi contra a um compromisso entre eles, por ela ser muito mais jovem – ela estava com 18 anos e ele com 37. Ele também estava envolvido em ações secretas que poderiam ser perigosas para ela. Mas após sua prisão, eles anunciaram o noivado publicamente como uma forma de apoio a ele. As visitas de Maria a Bonhoeffer tornaram-se o principal sustento dele durante os primeiros dias sombrios do seu encarceramento.
Uma das cartas que escreveu a Maria, fala do amor dos dois como “um sinal da graça de Deus, e de sua bondade; que nos encoraja a ter fé”. Ele acrescenta ainda, “e eu não falo de uma fé que foge do mundo, mas de algo que faz com que ele sobreviva, e cujo amor e verdade permanecem para o mundo apesar de todo o sofrimento que ele nos traz”.
Campo da morte em Flossenburg – Em 20 de julho de 1944, outro plano para assassinar Hitler falhou. A Gestapo, como resultado de sua rede de investigação, fechou o cerco contra os principais conspiradores, incluindo Bonhoeffer. Ele foi transferido para a prisão da Gestapo em Berlim, em outubro de 1944. Maria e Dietrich Bonhoeffer estavam completamente separados um do outro. Em fevereiro de 1945, Bonhoeffer foi mandado para o campo de concentração de Buchenwald.
Em meio ao caos reinante, por causa do assalto final das tropas aliadas à Alemanha, Maria viajou por todos os campos de concentração entre Berlim e Munique, geralmente a pé, em infrutíferas tentativas de ver Bonhoeffer novamente.
O que sabemos sobre aqueles últimos dias está reunido no livro The Venlo Incident (O incidente de Venlo), escrito por um companheiro de prisão de Bonhoeffer, o oficial da inteligência britânica Payne Best. Bonhoeffer e Payne Best estavam entre os “prisioneiros importantes” levados para Buchenwald. Best escreveu mais tarde sobre Bonhoeffer: “Ele foi um dos poucos homens que conheci para quem o seu Deus era real, e estava sempre junto com ele…”.
No dia 3 de abril, Bonhoeffer e outros presos foram colocados em um vagão de trem e levados para serem exterminados no campo de Flossenbürg. Para transportarem prisioneiros desta maneira, a sentença de morte já havia sido decretada em Berlim. Os guardas da SS cumpririam as formalidades de uma corte marcial, executariam estes inimigos do Terceiro Reich e depois destruiriam seus corpos.
Em 08 de abril, eles alcançaram Schönberg, uma pequenina vila da Bavária, onde os prisioneiros eram amontoados em uma pequena escola usada temporariamente como prisão. Era o primeiro domingo depois da Páscoa, e muitos prisioneiros pediram a Bonhoeffer para liderá-los em culto e orações. Ele aceitou e meditou no livro de Isaías “E por suas chagas fomos curados”. Em seu livro, Best relembra aquele momento: “Ele tocou o coração de cada um, encontrando as palavras certas para expressar o espírito do nosso aprisionamento, os pensamentos e resoluções que isto tinha trazido”.
A quietude foi interrompida assim que a porta foi aberta por dois homens, membros da Gestapo, em trajes civis. Eles ordenaram que Bonhoeffer os seguisse. Para os prisioneiros, isto só podia significar uma única coisa: que ele seria executado em breve. Bonhoeffer arrumou tempo para se despedir de cada um. Puxando Best de lado, ele falou as últimas palavras das quais se têm registro, uma mensagem para seu amigo inglês, o Bispo Bell: “Este é o fim – mas para mim, o início da vida”.
Bem cedo, na manhã de 9 de abril, Bonhoeffer, Wilhelm Canaris, Hans Oster, e mais quatro outros conspiradores foram enforcados no campo de extermínio de Flossenbürg. O médico do campo, que testemunhou as execuções, se lembra de ter visto Bonhoeffer ajoelhar-se e orar antes de ser levado à forca. “Eu fiquei profundamente comovido pela maneira com a qual aquele homem amável orava: tão devotado e tão certo que Deus ouviria sua oração”, ele escreveu. “Naquele lugar de execução, ele novamente fez uma pequena oração e então subiu os degraus para a forca; corajoso e sereno… Nos quase cinqüenta anos em que trabalhei como médico, creio que jamais vi um homem morrer tão completamente submisso à vontade de Deus”.
À distância, soavam os canhões do exército norte-americano do general George Patton. Três semanas depois Hitler cometeria suicídio e, em 7 de maio, a guerra na Europa estaria terminada.
O nazismo contra o qual Bonhoeffer lutou sobrevive no mundo moderno sob outras formas de um mal sistemático. Mas o seu testemunho de Jesus Cristo ainda vive. Bonhoeffer continua a desafiar os cristãos a seguir Jesus até a cruz do genuíno discipulado e a ouvir o clamor dos oprimidos.
Dr. Geffrey B. Kelly é professor de teologia sistemática na La Salle University, na Filadélfia, e autor de “Liberating Faith: Bonhoeffer’s Message for Today” (Augsburg, 1984 – Liberando a fé: a mensagem de Bonhoeffer para hoje)
Fonte: Cristianismo Hoje

Via: Descanso da Alma: A vida e a morte de um mártir moderno