06/11/2009

SOB A CRUZ

 

É muito difícil continuar a olhar para a vida do alto, do ponto de vista de Deus. Recentemente, o meu amigo Jonas me telefonou. Com uma voz apagada, disse-me que a sua filha, Rebeca, tinha morrido quatro horas depois do nascimento. Jonas, a sua mulher Margareth e o seu filhinho Samuel tinham esperado com tanta ansiedade por esta nova criatura. Ela nascera prematuramente, mas ainda com possibilidade de vida. Todavia, depressa se chegou à conclusão que não viveria muito. Jonas batizou a pequena Rebeca. Ele e Margareth seguraram-na uns momentos e depois... tudo tinha terminado.
Jonas disse: "Enquanto deixava o hospital, não cessei de dizer a Deus: 'Meu Deus, tu me deste a Rebeca; agora eu a dou a ti de volta'. Mas é uma dor tão grande, é um corte tão doloroso de um futuro brilhante, uma sensação de vazio!".
"Rebeca é tua filha", disse-lhe, "e continuará sendo sempre sua filha; e de Margareth. Foi dada a vocês só por algumas horas, mas essas poucas horas não foram em vão. Tenham a certeza de que Samuel tem uma irmã e que você e Margareth têm uma filha vivendo no abraço eterno de Deus. Ela foi assinalada com o sinal de cruz de Jesus com o qual Samuel, Margareth e você também foram assinalados, e sob esse sinal o seu amor crescerá mais profundamente, mesmo que o vosso coração esteja desfeito".
Falamos durante bastante tempo ao telefone. Como gostaria que nos tivéssemos abraçado e chorado juntos! Como gostaria que tivéssemos estado lado a lado e encontrado alguma consolação na amizade que temos um ao outro!
Por que é que isto acontece? Para que a glória de Deus se possa revelar? É muito difícil dizer "sim" nestes casos em que tudo parece tão escuro.
Eu olho para Maria segurando o corpo morto de Jesus. E penso em Margareth e Jonas segurando a sua pequena Rebeca nos braços. E oro.
Henri Nouwen

fonte: Vineyard Café | Mogi das Cruzes - SP: SOB A CRUZ

UM SONHO DE IGREJA

Jorge Camargo

Em 2001 passei aproximadamente um mês na África, especificamente em Angola, na cidade do Lubango.
Na época o país ainda estava em guerra (que terminou em abril de 2002). A cidade, como o restante da nação, sofria as mais variadas consequências do conflito que se iniciara: primeiro em busca da independência de Portugal, depois descambou num confronto fratricida.
Em meio a tantas dificuldades, observei que havia muitas igrejas de origem protestante na cidade representando várias denominações. Na comunidade onde o grupo que eu liderava trabalhou, muitas eram as atividades desenvolvidas em prol da comunidade como um todo. E em uma cidade sem qualquer tipo de opção de lazer e de cultura, a igreja se tornara um ponto de encontro, um pólo produtor de atividades culturais em suas mais variadas formas: música, dança, teatro, artesanato etc. Um autêntico oásis num deserto de opções e de carências.
No meio daquele caos social, tive um vislumbre do que entendo ser a contribuição da igreja ao mundo. Sonhei uma igreja. O que seria de nós sem a possibilidade de sonhar?
Vamos ao sonho:
Uma igreja cujo templo está localizado no centro da cidade, de fácil acesso e muita visibilidade.
Suas portas estão abertas diariamente (ao contrário de muitos edifícios religiosos que funcionam somente nos dias de culto e que no restante do tempo permanecem trancafiados). Além dos cursos profissionalizantes, do atendimento aos necessitados, das parcerias com a prefeitura, o estado, o governo federal e a iniciativa privada, a igreja também possui um intenso calendário cultural que, diferente de outras que utilizam somente as datas cristãs para promover seus musicais, abre o espaço de seu imenso palco a uma programação intensa que contempla todos os estilos de música. Às quintas, por exemplo, uma camerata se apresenta no templo com repertório barroco e entrada franca, de modo que os moradores da cidade que apreciam música erudita têm oportunidade de assistir um concerto gratuito, além de apreciar os vitrais da velha catedral protestante, e tomar um delicioso café no salão, servido pelos membros da comunidade, que usam esse tempo como oportunidade para servir e estabelecer amizades. Sem proselitismo. Sem forçar a barra. Amizade genuína e desinteressada.
Às sextas as noites são de rock pesado. Os adolescentes e jovens da igreja, instruídos que são a cultivarem amizades fora dos muros de seu templo, veem na programação mensal, que inclui o concerto de rock, uma oportunidade de convidar seus amigos a conhecer o espaço e ouvir a música que ambos apreciam. E assim estarem mais perto. Curtirem a oportunidade de ser gente no meio de gente. Bem ao estilo de Jesus, que amava as festas e a possibilidade de estar cercado de pessoas.
No rodízio de programação incluem-se shows de MPB, música alternativa, música instrumental de estilos variados, palestras sobre música e cultura, musicoterapia etc.
Algumas manhãs e tardes são reservadas às exposições: pintura, escultura, gravura, fotografia.
Há também as mini-temporadas teatrais, os saraus, com leitura de poemas, os lançamentos de livros.
Quantas opções de difusão de arte e cultura forem concebidas e viabilizadas no espaço singelo de um templo! No espaço do coração e da mente arejada de uma comunidade que existe para servir o mundo e contagiá-lo com boas obras, serviço abnegado e amor sem limites.
Estou perto de despertar de meu sonho quando alguém toca em meu ombro e diz: “Quero agradecer ao pastor da igreja por abrir as portas do templo e do coração para me receber. Não imaginei que esse espaço pudesse servir a tantas possibilidades. Qual é mesmo o horário dos cultos aqui?”.
Acordo acreditando que a igreja ainda possa ser lugar de encontro, de acolhimento, de sorriso, de mentes e corações desarmados.
Mas tudo isso ainda é apenas um sonho.
• Jorge Camargo, mestre em ciências da religião, é intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor. www.jorgecamargo.com.br

FONTE: Editora Ultimato - formação e informação

RECEITAS INFALÍVEIS PARA O FRACASSO DE QUALQUER COMUNIDADE

 

1. Não frequente a Igreja, mas quando for lá, procure algo para reclamar.
2. Se comparecer a qualquer atividade, encontre falhas no trabalho de quem está lutando pela obra de Deus, entretanto, sem indicar o caminho para corrigir as mesmas.
3. Nunca aceite incumbência, lembre-se de que é mais fácil criticar do que realizar.
4. Se os líderes pedirem a sua opinião sobre o assunto, responda que não tem nada a dizer. Depois, espalhe como deveriam ser as coisas.
5. Não faça mais do que somente o necessário. Porém, quando os líderes estiverem trabalhando com boa vontade e com interesse para que tudo corra bem, afirme que sua Igreja está dominada por um grupinho.
6. Não leia os cartazes no mural da Igreja e muito menos ouça os avisos. Afirme que ambos não trazem nada de interessante, e, melhor ainda, diga que não os recebe regularmente.
7. Se for convidado para um departamento qualquer, recuse alegando falta de tempo e depois critique com afirmações do tipo: "Essa turma quer é ficar sempre nos mesmos cargos...".
8. Quando tiver divergência com um líder, procure com toda intensidade impor-se.
9. Coloque-se sempre na posição defensiva ou de ataque.
10. Sugira, insista e cobre a realização de cursos, palestras e novas programações. No entanto, quando a Igreja realizá-los, não se inscreva nem compareça.
11. Se tiver oportunidade de dar sugestões, não o faça. Se a liderança não adivinhar as suas idéias e pontos de vistas, critique e espalhe a todos que é sistematicamente ignorado.
12. Após toda essa colaboração espontânea, quando cessarem as publicações, as reuniões e todas as demais atividades, enfim, quando a Igreja morrer, estufe o peito e afirme com orgulho: Eu não disse?
Fonte: Igreja da Aliança Hamamatsu : Japão
via Genizah-http://www.genizahvirtual.com/

VIA: ráxis Cristã