30/10/2010

A HILARIANTE HISTÓRIA DO HALLOWEEN

 

Amanhã é dia 31 de Outubro, data em que se comemora em diversos países e mais recentemente no Brasil, o Halloween. Alguns dizem que não existe motivo para celebrar o Halloween no Brasil, porque afinal de contas, temos o Curupira, a Mula-sem-cabeça e o ilustríssimo Saci-Pererê. Mas quem diz isso provavelmente não compreendem as causas históricas por trás da data e porque ela é importante até hoje. Portanto, para a curiosidade e entretenimento de todos, ofereço agora a verdadeira história por trás do Halloween.
Tudo começou com a queda de Constantinopla em 1453, quando os gananciosos e bárbaros invasores turcos conquistaram a capital cristã do oriente e com ela todos os vastos campos de cana de açúcar e cacau controladas pelo império bizantino. Com a Espanha ainda sendo reconquistada pelos cristãos e as terras produtivas da Itália todas sendo escavadas numa busca desesperada por mármore para com qual construir monumentos, uma escassez de doces e chocolates assolou a cristandade por décadas. Foi deste período, aliás, que surgiu o infame adoçante de Michelangelo — um líquido viscoso à base de beterrabas e esterco de cavalo que era usado pelos pobres. Os ricos, entretanto, exigiam que seus doces fossem feitos apenas com o mais puro açúcar. O papa Alexandre VI, notoriamente, comprava tortas de chocolate por seu peso em ouro.
Essa busca desesperada pelo açúcar foi uma das causas da era da exploração, com Cristóvão Colombo descobrindo o novo mundo, e navegantes portugueses e espanhóis conquistando estas novas terras na esperança de, um dia, também não terem que comer doces feitos à base de beterrabas e esterco. A Igreja, por outro lado, descobriu sua própria forma de suprir a vasta demanda por éclairs e quindins da corte papal: explorando os fiéis. A Igreja deu ao frade dominicano Johann Tetzel a missão de vender indulgências em troca de açúcar e numa jogada de marketing brilhante instruiu Tetzel e os que o acompanhavam a se vestirem como almas que penavam no purgatório,  e como demônios e monstros, para assim estimularem a compaixão dos camponeses por seus parentes que no purgatório padeciam.
Assim vestidos, Tetzel e seus capangas viajaram por toda a Europa, indo de porta em porta pedindo por grãos de cacau, sacos de açúcar, pirulitos, chicletes, jujubas e pastilhas de menta. Em troca dessas guloseimas, Tetzel oferecia uma garantia de que as almas daqueles que compravam indulgências iriam direto para o paraíso e que as almas de seus parentes já estavam no paraíso tomando Ovomaltine com nosso Senhor Jesus Cristo. E todos se alegravam com essa situação, exceto as pobres almas que não podiam pagar por sua salvação com balas ou as que se recusavam a entregar seus doces ao Papa. E foi no dia 31 de Outubro, o primeiro Halloween, que Martim Lutero, o mais corajoso desses dissidentes, protestou contra a campanha de Tetzel.
Martim Lutero era um homem complexo, rasgado entre sua vontade de ir para o céu e sua paixão por bombas de chocolate. Incapaz de entregar às mãos gulosas da Igreja suas amadas bombas de chocolate, naquele fatídico primeiro Halloween, Lutero pregou suas 95 Teses na porta da Igreja em Wittenberg. Estas teses são compostas por uma série de acusações contra a Igreja, Tetzel, a venda de indulgências, o reino dos papas diabéticos, e terminam com uma longa condenação (28 das teses no total) da “repugnante abominação, mais amarga que o próprio rabo de Lúcifer, o adoçante daquele pederasta Michelangelo.” Cansados de entregarem seus doces, o povo da Alemanha se aliou a Lutero e nas décadas seguintes uma verdadeira reação em cadeia de rebeliões e revoluções quebrou o controle da Igreja Católica pelo continente e deu início às igrejas protestantes.
Como celebração daquela data, tornou-se costume nos países protestantes zombar da figura de Tetzel. Assim, todo dia 31 de Outubro os jovens saíam na rua vestidos como demônios, monstros e almas penadas, indo de porta em porta pedindo por chocolates e doces, e os camponeses protestantes riam e jogavam lixo e imundície neles. Esse costume continuou por quatro séculos até que no começo do século 20 comerciantes americanos de doces perceberam que poderiam lucrar com isso e popularizaram o costume de, ao invés de lixo e sujeira, oferecer doces e baunilhas às crianças fantasiadas. Este logo se tornou o costume principal, mas de vez em quando crianças que gritam “Travessuras ou gostosuras!” na casa de velhos ainda recebem o conteúdo de um penico despejado sobre suas cabeças. As imagens de assombrações foram desassociadas do purgatório, mas ainda hoje existem católicos que oferecem cocadas e barras de Chokito aos santos, esperando com isso garantir uma vaga no paraíso.
E agora vocês conhecem a verdadeira história do Halloween e podem dormir em paz.

Hiperatividade Cerebral!

26/10/2010

O Discurso de Martin Luther King.


Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro...
Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.
Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.

Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.

Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem fundo; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: “saldo insuficiente”. Porém nós recusamo-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.

Por isso viemos aqui cobrar este cheque – um cheque que nos dará quando o recebermos as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxuria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.

Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.

Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça. Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.

Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.
Esta maravilhosa nova militancia que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.

Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: “Quando é que ficarão satisfeitos?” Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.

Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.

Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.

Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais”.

Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.

Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caractér.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de … e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: “O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade”.

E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!

Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!

Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!

Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!

Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!

Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.

Que de cada localidade, a liberdade ressoe.

Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: “Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!”

14/10/2010

Projeto Natureza Limpa!


Brasil tem iniciativas que transformam lixo em insumo energético
Veja onde usinas de biomassa a partir dos resíduos sólidos estão dando certo.
A recém-aprovada Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê a incineração do lixo para a geração de energia no Brasil. Mas é preciso buscar as melhores tecnologias que minimizem os riscos ambientais. Um dos maiores especialistas do mundo em térmicas a lixo mostra onde as usinas de biomassa a partir dos resíduos sólidos estão dando certo. E em Unaí, no noroeste de Minas Gerais, uma tecnologia brasileira de carbonização dos resíduos promete acabar com o antigo lixão da cidade, gerando emprego e renda.

Saiba mais:

- No site do WTERT Brasil – o Conselho de Pesquisa em Tecnologia de Geração de Energia a Partir de Resíduos – você encontra notícias e publicações de pesquisadores brasileiros e de todo o mundo sobre o aproveitamento energético dos resíduos sólidos

- Saiba mais sobre o Projeto Natureza Limpa, a primeira usina brasileira de carbonização dos resíduos sólidos para a produção de carvão, instalada na cidade de Unaí (MG). http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1622890-17665-304,00.html

HAARP


High Frequency Active Auroral Research Program
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Ir para: navegação, pesquisa
Nota: Se procura o álbum de Muse, veja HAARP (álbum).
Coordenadas: 62° 23' 30" N, 145° 09' W

Vista das instalações do HAARP, nas imediações do monte Sanford (Alasca)O projeto High Frequency Active Auroral Research Program (Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência)) (em português: Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência) é uma investigação financiada pela Força Aérea dos Estados Unidos, a Marinha e a Universidade do Alaska com o propósito oficial de "entender, simular e controlar os processos ionosféricos que poderiam mudar o funcionamento das comunicações e sistemas de vigilância".
Iniciou-se em 1993 para uma série de experimentos durante vinte anos. É similar a numerosos aquecedores ionosféricos existentes em todo mundo, e tem um grande número de instrumentos de diagnóstico com o objetivo de aperfeiçoar o conhecimento científico da dinâmica ionosférica.

Existem especulações de que o projeto HAARP seria uma arma dos Estados Unidos, capaz de controlar o clima provocando inundações e outras catástrofes. Em 1999, o Parlamento Europeu emitiu uma resolução onde afirmava que o Projeto HAARP manipulava o meio ambiente com fins militares, pleiteando uma avaliação do projeto por parte da Science and Technology Options Assessment (STOA), o órgão da União Européia responsável por estudo e avaliação de novas tecnologias.[1] Em 2002, o Parlamento Russo apresentou ao presidente Vladimir Putin um relatório assinado por 90 deputados dos comitês de Relações Internacionais e de Defesa, onde alega que o Projeto HAARP é uma nova "arma geofísica", capaz de manipular a baixa atmosfera terrestre.[2]

Índice [esconder]
1 O enclave
2 Controvérsias
2.1 Suposto potencial para uso como arma
2.2 Alegações de uso e teorias conspiratórias
3 Referências
4 Ligações externas

[editar] O enclave
O lugar onde se situa HAARP fica próximo à Gakona, Alasca (lat. 62°23'36" N, long 145°08'03" W), ao oeste do Parque Nacional Wrangell-San Elias. Depois de realizar um relatório sobre o impacto ambiental, permitiu-se estabelecer ali uma rede de 180 antenas. O HAARP foi construído no mesmo lugar onde se encontravam algumas instalações de radares, as quais abrigam agora o centro do controle do HAARP, uma cozinha e vários escritórios. Outras estruturas menores abrigam diversos instrumentos. O principal componente de HAARP é o Instrumento de Investigação Ionosférica (IRI), um aquecedor ionosférico. Trata-se de um sistema transmissor de alta frequência (HF) utilizado para modificar temporariamente a ionosfera. O estudo destes dados contribui com informações importantes para entender os processos naturais que se produzem nela.

Durante o processo de investigação ionosférica, o sinal gerado pelo transmissor envia-se ao campo de antenas, as quais a transmitem para o céu. A uma altitude entre 100 e 350 km, o sinal absorve-se parcialmente, concentrando-se numa massa a centenas de metros de altura e várias dezenas de quilômetros de diâmetro sobre o lugar. A intensidade do sinal de alta frequência na ionosfera é de menos de 3 µW/cm2, dezenas de milhares de vezes menor que a radiação eletromagnética natural que chega à Terra procedente do Sol, e centenas de vezes menor que as alterações aleatórias da energia ultravioleta (UV) que mantém a ionosfera. No entanto, os efeitos produzidos pelo HAARP podem ser observados com os instrumentos científicos das instalações mencionadas, e a informação que se obtém é útil para entender a dinâmica do plasma e os processos de interacção entre a Terra e o Sol.

O local onde se encontra HAARP foi construído em três fases. O protótipo tinha 18 antenas, organizadas em três filas de seis antenas cada. Esta instalação inicial demandava 360 kW de potência, e transmitia a energia suficiente para os testes ionosféricos mais básicos.

Na segunda fase foram instaladas mais 48 antenas, ordenadas em seis filas de oito antenas, com uma potência de 960 kW. Com esta potência, já era comparável a outros aquecedores ionosféricos. Esta fase foi utilizada para vários experimentos científicos que deram seus frutos, e várias campanhas de exploração ionosférica durante vários anos.

O desenho final de HAARP consta de 180 antenas, organizadas em 15 colunas de 12 unidades a cada uma. Provém um ganho máximo estimado em 31 dB. Requer uma alimentação total de 3,6 MW. A energia irradiada é de 3981 MW (96 dBW). Em verão de 2005, todas as antenas estavam já instaladas, mas ainda não se tinha transmitido à máxima potência.

Cada antena consta de um dipolo cruzado que pode ser polarizado para efetuar transmissões e recepções em modo linear ordinário (modo Ou) ou em modo extraordinário (modo X). A cada parte de cada um dos dipolos cruzados está alimentada individualmente por um transmissor integrado, desenhado especialmente para reduzir ao máximo a distorção. A potência efetiva irradiada pelo aquecedor está limitada por um fator maior de 10 à mínima frequência operativa. Isto se deve às grandes perdas que produzem as antenas e um comportamento pouco efetivo.

O HAARP pode transmitir numa onda de freqüências entre 2,8 e 10 MHz. Esta intensidade está acima das emissões de rádio AM e por embaixo das freqüências livres. Não obstante, HAARP tem permissões para transmitir unicamente em certas frequências. Quando o aquecedor está transmitindo, a largura de banda do sinal transmitido é de 100 kHz ou menos. Pode transmitir de forma contínua ou em pulsos de 100 microssegundos. A transmissão contínua é útil para a modificação ionosférica, enquanto a de pulsos serve para usar as instalações como um radar. Os cientistas podem fazer experimentos utilizando ambos métodos, modificando a ionosfera durante um tempo predeterminado e depois medindo a atenuação dos efeitos com as transmissões de pulsos.

[editar] Controvérsias
[editar] Suposto potencial para uso como arma
O Projeto HAARP tem sido objeto de controvérsias desde meados da década de 1990, após alegações de que as antenas poderiam ser utilizadas como uma arma. Em agosto de 2002, o Parlamento Russo apresentou formalmente uma menção crítica. O Parlamento emitiu um comunicado de imprensa a respeito do HAARP escrito pelas comissões de Relações Internacionais e de Defesa, assinado por 90 deputados e apresentado ao presidente Vladimir Putin. Segundo o comunicado:

Os Estados Unidos estão criando novas armas geofísicas que podem influenciar a baixa atmosfera terrestre [...] A significação deste salto qualitativo pode ser comparada à transição de armas brancas para armas de fogo, ou de armas convencionais para armas nucleares. Este novo tipo de armas difere dos tipos anteriores à medida que a baixa atmosfera terrestre torna-se objeto direto de influência e um de seus componentes.[2]

Por sua vez, o Parlamento Europeu, em resolução de 28 de janeiro de 1999 versando sobre meio-ambiente, segurança e política externa, assinalava que o Projeto HAARP manipulava o meio-ambiente com fins militares e solicitava que o mesmo fosse objeto de avaliação por parte da Science and Technology Options Assessment (STOA) sobre as possíveis consequências de seu uso para o meio-ambiente regional, mundial e para a saúde pública em geral. A mesma resolução do Parlamento Europeu pedia a organização de uma convenção internacional com vistas à proibição em escala global do desenvolvimento ou utilização de quaisquer armas que possam permitir a manipulação de seres-humanos.[1]

[editar] Alegações de uso e teorias conspiratórias
O HAARP é o protagonista de diversas teorias conspiratórias, nas quais são atribuídos motivos ocultos e capacidades ao projeto. Algumas destas capacidades incluem controle climático e geológico, mapeamento de imagens subterrâneas e controle mental. O jornalista Sharon Weinberger chamou o projeto HAARP de "a Moby Dick das teorias da conspiração" e disse que a popularidade das teorias da conspiração muitas vezes ofusca os benefícios que o projeto HAARP pode trazer para a comunidade científica.[3][4]

Em janeiro de 2010, setores da imprensa venezuelana afirmaram que o terremoto de 2010 no Haiti poderia ter sido causado por armas produzidas pelo projeto HAARP.[5] O site "Venezuelanalysis" afirmou que Chavez nunca fez tais proposições, e que na verdade a proposta teria surgido em uma coluna de opinião do site da internet de uma emissora de televisão governamental.[6]

10/10/2010

A MATEMÁTICA DO MILAGRE!


A MATEMÁTICA DO MILAGRE!
Mateus 14.13-21
Propósito Geral: Consagratório.

Tema Específico: O milagre da multiplicação.

Idéia Central do Sermão:

JESUS CONTINUA FAZENDO O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO

Frase de Efeito: APLIQUE EM SUA VIDA A MATEMÁTICA DO MILAGRE.

Pergunta de Ligação: - Como podemos fazer isso? Observando as OPERAÇÕES DA MATEMÁTICA DO MILAGRE relatadas neste texto:

PRIMEIRA OPERAÇÃO DA MATEMÁTICA DO MILAGRE: DIMINUIR A HIPOCRISIA (até acabar com ela) - vs 15.
Tema do Meio: Hipocrisia.
Explicação: Os discípulos não estavam preocupados com a multidão, como pode parecer à primeira vista. Lendo o contexto imediatamente anterior, vemos que João Batista havia sido morto pelo rei. Os discípulos estavam, naturalmente, assustados e com medo que algo ruim também acontesse a eles e a Jesus. Apesar do seu discurso tão piedoso, eles, na verdade, queriam apenas se livrar daquela gente, pois uma multidão com fome sempre é um grande problema e um tumulto facilmente poderia se desencadear com eles no centro das atenções, e com grandes chances de serem responsabilizados pelo desastre. Em outras palavras, eles estavam sendo hipócritas. Mas Jesus não "engoliu" sua farsa ("A multidão não precisa ir embora" - disse-lhes o Mestre), pois o Nosso Senhor não fará milagres enquanto houver hipocrisia em nossos lábios e em nossos corações.
Ilustração: Um jovem vivia se negando à obra de Deus, alegando para o seu pastor que não tinha tempo, pois trabalhava de dia e estudava à noite. Mas sua máscara caiu no dia em que ele arranjou uma namorada. A partir daquele momento ele arranjava tempo de sobra para namorar, todos os dias e aos finais de semana.
Fundamentação: Isaías 29.13: "Este povo... com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim..."
Opinião Contrária: _____________________________________________
Ponto-Cruz: _____________________________________________
Glorificação: _____________________________________________
Aplicação: Hipócrita é aquele pecador que antigamente fazia tanto pelo pecado e agora faz tão pouco por Jesus:
- Antes, ele andava a distância que fosse para satisfazer seus desejos. Agora acha que a igreja é longe.
- Enfrentava qualquer tempo. Agora qualquer chuvinha o faz faltar aos cultos.
- Gastava grande parte do seu salário para sustentar seus vícios. Agora acha o dízimo pesado.
- Gastava horas com bares, festas, jogos etc. Agora acha que um culto de 2 horas é inadimissível.
- Dava tudo de si para as coisas do mundo. Agora nega seu tempo, recursos e talentos para Jesus.
Apelo do Meio: _____________________________________________


SEGUNDA OPERAÇÃO DA MATEMÁTICA DO MILAGRE: SOMAR RESPONSABILIDADE - vs 16.
Tema do Meio: Responsabilidade
Explicação: Jesus foi bem enfático: "Dai-lhe vós de comer". O problema da fome das multidões É NOSSO! É nossa responsabilidade. Jesus não fará nenhum milagre de multiplicação enquanto não assumirmos a nossa responsabilidade. Ele vai multiplicar, mas não para mim, para eu satisfazer meus desejos e caprichos, mas para que NÓS tenhamos condições de dar conta das nossas responsabilidades.
Ilustração: _____________________________________________
Fundamentação: Mateus 10.
Opinião Contrária: _____________________________________________
Ponto-Cruz: _____________________________________________
Glorificação: _____________________________________________
Aplicação: O problema dos jovens não é problema do pastor, É PROBLEMA NOSSO.
O problema das crianças não é problema do governo, É PROBLEMA NOSSO, etc.
Apelo do Meio: _____________________________________________


TERCEIRA OPERAÇÃO DA MATEMÁTICA DO MILAGRE: DIVIDIR OS RECURSOS - vs 17-19.
Tema do Meio: Dedicação.
Explicação: Antes de ver a multiplicação, os discípulos tiveram que colocar seus escassos recursos nas mãos de Jesus e vê-lo partindo (dividindo) o pão. Antes de vermos o milagre da multiplicação em nossas vidas, temos que fazer o mesmo. Temos que colocar todos os nossos recursos em suas mãos e deixá-lo dividir à vontade.
Ilustração: _____________________________________________
Fundamentação: Mateus 16.25: "Quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á".
Opinião Contrária: _____________________________________________
Ponto-Cruz: _____________________________________________
Glorificação: _____________________________________________
Aplicação: Provavelmente Jesus vai ordenar que você divida seu tempo, bens e talentos, antes de multiplicá-los.
Apelo do Meio: _____________________________________________


QUARTA OPERAÇÃO DA MATEMÁTICA DO MILAGRE: MULTIPLICAR - vs 20-21.
Esta operação da Matemática do Milagre não é o homem quem faz. É Jesus. Aleluia!
Quando o homem, de todo o seu coração e sem reservas, faz as três primeiras Operações, Jesus, sem pestanejar, faz a última: A tão esperada e maravilhosa multiplicação!
Não vai faltar, nem para você nem para ninguém. Os escassos recursos dos discípulos era insuficientes até para eles mesmos, mas, nas mãos de Jesus, eles se multiplicaram e todo mundo se fartou e ainda sobraram 12 cestos.


CONCLUSÃO
- Diminua a hipocrisia (até acabar com ela).
- Some as responsabilidade (o problema é nosso).
- Divida seus escassos recursos (tempo, bens e talentos).

E creia nesta palavra: Não vai faltar, nem para você nem para ninguém ao seu redor, pois Jesus vai multiplicar.


Deus seja louvado!

Autor: Pr Ronaldo Alves Franco.

09/10/2010

DEUS ENTRA COM PROVIDÊNCIA


DEUS ENTRA COM PROVIDÊNCIA
II Reis 6.1-7

Propósito Geral: Consagratório.

Tema Específico: Crescimento Espiritual

Idéia Central do Sermão:

QUANDO BUSCAMOS CRESCIMENTO ESPIRITUAL,
DEUS ENTRA COM PROVIDÊNCIAS.


Com quais PROVIDÊNCIAS Deus entrou nesta história?


1. QUANDO BUSCAMOS CRESCIMENTO ESPIRITUAL, ELE NOS FAZ VER QUE É PRECISO EXPANDIR - vs. 1.

O cristão e a igreja que estão buscando crescimento espiritual sentem que não devem nem podem se acomodar, pois o nosso espaço sempre será pequeno.
A Bíblia nos ensina em Isaías 54.2-3: "Amplia o lugar da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não o impeças; alonga as tuas cordas, e fixa bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e para a esquerda".

2. QUANDO BUSCAMOS CRESCIMENTO ESPIRITUAL, ELE DÁ A DIREÇÃO - v. 2.

Alguns cristãos pensam que hoje em dia Deus não mais dá a direção particular às igrejas ou aos cristãos; que Ele não mais nos diz o que deve ser feito.
Quantos não estão enganados achando que devem trilhar caminhos próprios sem depender exclusivamente de Deus. Tornam-se auto-suficientes profissionais e acabam se esquecendo o que a Bíblia diz em João 3.27 e Tiago 1.17 (por exemplo).

3. QUANDO BUSCAMOS CRESCIMENTO, ELE PREPARA UM INSTRUTOR - vs. 3.

Moisés instruiu Josué; Elias instruiu Eliseu; Paulo instruiu Timóteo; Jesus instruiu os discípulos.

4. QUANDO BUSCAMOS CRESCIMENTO ESPIRITUAL, ELE NOS LEVA À DIMENSÃO DOS MILAGRES - v. 6.

Para o aprendiz de profeta que derrubou o ferro do machado na água, ali era o fim de seu ministério profético, entretanto, para Deus ali começava uma vida de milagre. O ponto final do homem é o ponto de partida de Deus.

CONCLUSÃO:
Se buscarmos crescimento espiritual, Deus mostrará que é preciso expandir (pois o espaço pequeno); Ele nos dará a direção do que deve ser feito e, se isso não bastasse, Ele nos preparará um instrutor e nos levará a uma vida onde milagres acontecem.


Aleluia. Deus seja louvado!

Autoria: Etiêne Pacífico Teixeira

08/10/2010

O SHOFAR, INSTRUMENTO FALADO NA BIBLIA SAGRADA




O Shofar



"… então façam soar a trombeta no décimo dia do sétimo mês, no DIA DA EXPIAÇÃO façam soar a trombeta por toda a terra de voces; consagrem o quinquagésimo ano e proclamem a libertação por toda a terra a todos os moradores. Este lhes será um ano de Jubileu, quando cada um de voces voltarão para a propriedade de sua familia e de seu proprio clã…" (Lv.25:9-10 NVI)



O SHOFAR um simbolo muito conhecido do ROSH HASHANÁH (celebração do ano novo de Israel), é um dos instrumentos mais primitivos usados na musica Judia. Geralmente era feito de chifres de carneiros, um shofar tambem pode ser feito de chifres de outros animais, o mais conhecido no Brasil por exemplo o chamamos de "berrante", este instrumento é um dos que não sofreram mudanças ao longo de mais de 5000 anos.



Nos tempos bíblicos o shofar era tocado para anunciar um evento importante, como um alarme para a guerra, ou ainda para a paz esperada. O GRANDE SHOFAR, segundo a historia, foi tocado durante o evento mais importante do povo de Israel, a entrega dos dez mandamentos lá no monte Sinai, dai a importancia da festa de SHAVUOT.



O toque do Shofar é um dos mandamentos específicos para o ROSH HASHANAH, assim como os trombetistas anunciavam a presença dos reis mortais, o shofar é usado pelos judeus para anunciar a coroação do Rei dos Reis.



O chifre de carneiro é tocado cem vezes. É um simbolo apropriado enquanto traz a lembrança do povo de Israel a disposição de Abraão em sacrificar ao seu filho Isaque, para assim cumprir o mandamento de Deus. No último momento Deus ordenou a Abraão a trocar o filho Isaque pelo cordeiro providenciado.



Tocando o Shofar:

O shofar é um dos instrumentos musicais conhecidos por toda a humanidade, foi desenvolvido pelos hebreus primitivos, e, como dissemos anteriormente é feito de chifres de animais, geralmente de carneiro.



O shofar é tocado em muitas e diferentes ocasiões: no ano do Jubileu, no Rosh Hashanah, tambem conhecido como Yom Kippur ou Yom Teruah, em rituais religiosos, ou ainda para a convocação de uma guerra. Nos ultimos tempos tem sido utilizado para a convocação de dias santos.



Os toques do Shofar:



O Tekiah:chamado de "O SOM", um largo toque com um tom claro.

O Shevarim: "QUEBRANTAMENTO", som alentador de tres toques curtos.

O Teruah: "ALARME" uma série rapida de nove ou mais toques bem curtos.

O Tekiah Gedolah: "O GRANDE TEKIAH" um som sem parar sustentado o maximo que os pulmões puder aguentar.



De fato não se tem uma certeza de como se soa o TEKIAH, pode ser um Shevarim, um Teruah, ou uma combinação de ambas. No Rosh Hashanah, varias combinações são usadas para acomodar as varias opiniões.



Por que o Shofar é tão importante para o povo de Israel?

O mandamento de tocar o Shofar é dado na Torah, sem explicação, porem os Rabis providenciaram diversas explicações e interpretações sobre o significado do Shofar. Maimondes um filosofo e físico Judeu nascido na Espanha no seculo XII, escreveu o seguinte pensamento:



"…desperte dormentes do vosso sono! Levantem-se sonolentos do vosso sono! Esquadrinhai vossos atos e regressai ao arrependimento e recordai do vosso Criador! Aqueles esquecidos da verdade alertas das vaidades do tempo e aqueles que mal-gastam todo o seu ano em vaidade e ociosidade que não podem nem te ajudar e muito menos te salvar. Olhem as vossas almas, melhorem os vossos caminhos e atos. Cada um abandone seus maus caminhos e seus pensamentos que não são bons…" HILKHOT TESHUVAH capitulo 3.



O Shofar então simboliza o tema principal dos dias de arrependimento, durante o qual comemoramos o inicio do mundo. Tratamos de fazer um novo inicio dentro de nos mesmos, e regressarmos ao começo do ciclo. O Shofar, com suas chamadas poderosas e profundas, remove os obstaculos diante de nós e nos ajuda a alcançar este novo início
Ouçamos pois, o Shofar soar nestes últimos dias e nos arrependamos de todo nosso coração para que haja em nós tempos de refrigérios, que ao soar da trombeta, possamos estar dispostos a um novo começo cheio de paz e de graça..


Deus os abençoe ricamente


Pr.Dr. Wagner Teruel

07/10/2010

O verdadeiro foco da bíblia sobre o dinheiro!


Próspero e Fiel.

Conselhos bíblicos para administração de finanças pessoais.


APRESENTAÇÃO
Próspero e Fiel é um livro sobre administração de finanças pessoais com base em textos da bíblia, parábolas da cultura judaica e orientações de economistas da atualidade. Além dos textos bíblicos, o livro aborda assuntos como: Em todo trabalho há proveito, dívidas (Evitar e sair), cartão de crédito, cheque especial, como as pessoas de sucesso financeiro fazem para aumentar seu patrimônio, o tempo, por que definir uma meta já é meio caminho andado, vontade, motivação, determinação, parábolas judaicas sobre o dinheiro e muito mais. Você trabalha somente para alimentar o sistema financeiro? Pagando dívidas e mais dívidas? As empresas obrigam e o mercado também exige que o trabalhador tenha uma graduação e por conta disso muitos estão cada vez mais se endividando. O que realmente você deseja para sua vida financeira? Saiba que muitos aspectos e projetos da sua vida dependem das suas finanças. Se você deseja ter uma vida financeira equilibrada certamente precisará conferir esta obra.



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06/10/2010

A dinâmica de Jesus (Mateus 9:35-38)


Faltava ao povo consolo e confiança, fé, amor e esperança. Entretanto, isso a maioria não via. O imitador de Cristo, contudo, precisa ter esse feeling. Não se trata de sentir dó ou pena das pessoas ao seu redor, mas sim compaixão, o que é bem diferente.
Geralmente as reflexões que ouvimos fundamentadas neste texto estão relacionadas com missões. O pedido de Jesus para que mais pessoas possam botar a mão na massa e sair anunciando as boas novas da salvação em Cristo. Pretendo, com essa meditação, ressaltar esta necessidade também, porém gostaria de me aprofundar um pouco mais no primeiro versículo. Nele vemos, por exemplo, quatro verbos (que em algumas traduções eles estão no gerúndio) que nitidamente mostram as ações de Jesus, ou seja, a sua dinâmica, o seu movimento.

Olhando para o texto sob essa perspectiva, gostaria de considerar as ações que fazem parte da dinâmica do Mestre.

1. O movimento (v.35)
"Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças."

a) caminhava pela região
"Jesus ia passando por todas as cidades e povoados..."

Ele procurava as pessoas lá onde estavam em casa. Em todas as cidades e aldeias há pessoas em casa. Jesus não espera que as pessoas venham a ele (como era o casal de João Batista), contudo vai até elas e as procura, por mais estranhos e escondidos que possam ser em seus hábitos . Ele realiza "visitas domiciliares", como diríamos hoje. Samuel Keller afirmou certa vez: "A chave para as almas das pessoas está pendurada em sua casa. Por isso é necessário ir até elas, procurá-las em sua vida cotidiana em suas aflições, em suas doenças, em sua solidão."

Guando adentramos a casa de alguém, estamos explorando, ainda que de forma pequena, a intimidade do indivíduo. Estamos passando a conhecer o seu espaço. Muitas vezes o local onde ela faz as suas refeições, a cama onde ela se deita, o banheiro onde ela faz a sua higiene etc. Era isso que Jesus fazia; ele adentrava a casa das pessoas e posteriormente, com seus ensinamentos , penetrava seus corações. Uma estratégia razoavelmente simples.

b) ensinava
"...ensinando nas sinagogas..."

Ensinar refere-se à instrução dada ao povo (exploração da Palavra de Deus), e também a uma controvérsia aos ensinamentos proclamados pelos fariseus e escribas. O objetivo é que o povo seja ensinado a partir da autoridade, e não dos "estatutos humanos". A Palavra poderosa do Bom Pastor é quem iria ressoar nos ouvidos das pessoas. Aliás, de que outra maneira este alcançaria seu rebanho, senão fazendo ressoar a sua voz mansa e serena?

c) evangelizava
"...as boas novas do Reino..."

Ao lado do ensino acontece, como segunda característica o "anúncio", a proclamação da alegria proveniente do Reino. Quem ouviu esse chamado do arauto, essa proclamação que conduz a uma nova vida, deve saber que está convocado a se tornar cidadão desse Reino, o qual existirá de eternidade a eternidade. Você consegue ouvir a mensagem de boas notícias proferida por Jesus? Se sim, quero incentivá-lo a render-se a ela. Se não, atente para aquilo que o Mestre está falando.

d) curava
"...todas as enfermidades e doenças."

Doenças e sofrimentos de todos os tipos, empobrecimento econômico e domínio estrangeiro nem sequer eram os males piores. O mais terrível era que o povo estava enfermo da alma. Ensino e proclamação são acompanhados da ação simultânea. Pois o reino está em "vigor". Quando o Senhor diz a sua palavra, caem as amarras do pecado, os castelos de mâmon, as fortalezas da doença, os laços da morte; a alma é curada, o coração é transformado e o caráter mudado.

Jesus nos proíbe deixar de lado a grande miséria física, social, e econômica das multidões, como se não tivéssemos nada a ver com ela, como se fosse possível ouvir e aceitar o evangelho do Reino de modo desligado dela. Cristo não nos permite considerar essa miséria como algo sancionado por Deus. Pelo contrário, ela faz parte da realidade sem Deus (não que aqueles que entregam suas vidas a Jesus não passam por situações adversas) à qual fomos incumbidos de penetrar como sal e luz (Mateus 5:13,14).

2. O sentimento (v.36)
"Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor."

Do versículo 35 ao 36 acontece uma mudança na nar ração de Mateus. Numa comovente figura sobre seus sentimentos, Jesus nos mostra sua sincera compaixão para com o povo. Ele viu o povo, mais que isso, ele o enxergou. Nem todos veem. Outros veem, mas não enxergam. O poeta romano Horácio dizia: "Odeio o povo simples e mantenho-me longe dele." Os fariseus afirmavam: "...essa ralé (se referindo ao povo) que nada entende da lei é maldita." (João 7:49). Jesus, no entanto, viu o povo e tinha compaixão dele. Essa compaixão profunda fazia com que o seu coração se retorcesse em seu corpo, tal como acontece na parábola do filho pródigo no evangelho de Lucas 15:20 (conforme afirma Fritz Rienecker no livro Evangelho de Mateus).

Faltava ao povo consolo e confiança, fé, amor e esperança. Entretanto, isso a maioria não via. O imitador de Cristo, contudo, precisa ter esse feeling. Não se trata de sentir dó ou pena das pessoas ao seu redor, mas sim compaixão, o que é bem diferente. Ao sentir dó ou pena, nos colocamos acima do indivíduo e olhamos para ele de cima para baixo, isto é, com desprezo. Todavia, ao sentir compaixão tomamos o seu lugar. Percebemos que o que acontece com ele poderia também ocorrer conosco.

3. A percepção (v.37)
"Então disse aos seus discípulos: ‘A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos.’"

É de uma certa esperança que fala o versículo 37. O tempo de angústia é na verdade é na verdade o período anterior à colheita. Justamente por ser tão grande a miséria, o campo está maduro para a safra. O olhar do Salvador constata: "A colheita é grande..." Cristo o diz para o seu povo e para todos os povos. Afirma-o naquele tempo e hoje. É tempo de colheita porque a promessa de Deus se cumpriu e o Messias veio.

"A própria safra é figura recorrente para o juízo vindouro. Inversamente, porém quando a Palavra de Deus é poderosamente anunciada, já agora são feitas decisões do juízo final. Na posição diante de Jesus, de fato já agora se decidem vida e morte, salvação e condenação", comenta Fritz.

O pensamento de Jesus exterioriza-se numa emoção forte e profunda, num contraste impactante. Ao erguer os olhos para o Deus o Pai, profere a sentença: A colheita é grande e está madura. Ao olhar em profundidade para a humanidade, surge o lamento sobre o rebanho exausto e prostrado e a falta de operários para a safra. Daí, então, é que vem:

4. O clamor (v.38)
‘Peçam, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita’".

A tensão e a profunda emoção do coração é solucionada pela oração; a oração séria e persistente: "Roguem ao Senhor da colheita que lance para fora operários na sua colheita", como diz o texto no original.

No tempo de safra o proprietário procura, além dos seus auxiliares permanentes, ainda trabalhadores especiais, para jogá-los na sua colheita, assim como um general lança suas forcas de reserva na batalha decisiva. Há grande necessidade de discípulos de Jesus, impelidos pelo espírito de Deus, plenos de uma fé firme, animados por um amor sagrado, dotados do olhar de Jesus, a saber, o olhar da compaixão e da esperança, que queiram ajudar na construção do reino de Deus. Precisam saber-se vocacionados pelo próprio Deus. Somente ele pode dar essas pessoas. Ele as dá quando se ora por elas. São frutos de muitas orações. É maravilhoso, e ao mesmo tempo assustador, o quanto Deus coloca em nossas mãos as responsabilidades! Até o emprego de seus colaboradores - "Roguem , pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores..." - a intercessão autêntica realiza obras grandes no reino de Deus. Abre corações, bocas e mãos para a gratidão e o serviço. Impulsiona-nos para a missão e o serviço em geral. Ela, ainda, nos dá a palavra certa e a ação correta (conforme Munchmeyer).

Clame ao Senhor, ele jamais fará ouvidos moucos para o seu clamor.

Deus abençoe a todos.

Pr.Elias Marinho

01/09/2010

Efeitos Imediatos do Avivamento

 

O aspecto mais importante de um avivamento não é a duração do fenômeno de um avivamento em si: é o impacto que gera na igreja e na sociedade e a permanência dessas mudanças.

Nos primeiros seis meses do avivamento ocorrido entre 1904 e 1905, estima-se que mais de 100.000 pessoas foram convertidas. Algumas já eram membros de igreja, mas nunca tiveram uma experiência viva com Deus. Outras eram mais facilmente identificadas como ‘pecadoras’, gente que antes não queria saber de Deus ou da igreja.

O efeito nas vilas, aldeias e locais de trabalho em todo o País de Gales era muito marcante. O ambiente nas minas de carvão, onde grande parte dos homens da região trabalhava mudou completamente. Os mineiros que já tinham de se levantar muito cedo para começar o trabalho, chegavam meia hora antes para a reunião de oração.

O grande vício do povo na época era a bebida alcoólica. Os bares foram esvaziados. Muitos faliram e foram obrigados a fechar as portas. Com a queda no consumo da bebida, houve queda marcante nos índices de criminalidade. A vida nas famílias foi transformada, porque os homens ficavam em casa e davam mais atenção para esposas e filhos.

No avivamento de Gales, pelo que sabemos, não houve curas ou milagres. Não aconteceu nenhuma transformação de água em vinho, mas houve uma outra transformação, mais sutil, porém tremendamente sobrenatural: a transformação de cerveja em roupas e alimentos para as famílias carentes que antes passavam necessidade por causa do vício da bebida.

Um médico foi entrevistado por um jornalista durante o avivamento. “O que o senhor está achando do avivamento?” “Estou achando maravilhoso”, ele respondeu. “As pessoas estão acertando todas as suas dívidas antigas. Contas que achei que nunca mais receberia estão sendo pagas.”

Um batismo de honestidade, um batismo de perdão, um batismo de reconciliação. Nos tribunais de justiça, às vezes não havia casos para serem julgados. A polícia ficava ociosa e, em um lugar, passou a formar quartetos para cantar nas igrejas, para ocupar o tempo.

Autor: Nancy Leigh DeMoss e Maurice Smith

fonte: Efeitos Imediatos do Avivamento

31/08/2010

Uma Triste Confissão

 CHARLES SPURGEON

Sermão 3530 - Vol 62

Pregado Por Charles Haddon Spurgeon - Publicado em 1916


... e dele não fizemos caso (Is 53.3)

Para alguns de nos não será fácil recordar a primeira vez em que ouvimos o nome de Jesus. Na tenra infância esse doce som era-nos tão familiar aos ouvidos quanto suaves as canções de ninar. Nossas recordações mais remotas associam-se à casa de Deus, ao altar da família, à Bíblia Sagrada, aos hinos sacros e à oração fervorosa.
Como pequenos Samuéis, éramos iluminados em nosso repouso pelas lâmpadas do santuário e despertados pelo som de um hino matinal. Muitas vezes um homem de Deus, recebido pela hospitalidade dos nossos pais, implorou uma bênção sobre nossas cabeças, desejando com toda sinceridade que pudéssemos cedo chamar o Redentor de bendito; e a essa petição ouvia-se um ardente "amém" de uma mãe. A nós pertencia uma feliz porção e uma herança boa; mesmo assim, "nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe", e esses privilégios não foram suficientes para nos dar o amor Jesus e o perdão pelo seu sangue.

Freqüentemente somos levados a lamentar por pecados agravados pela luz clara como a do meio-dia — ordenanças subestimadas por sua própria freqüência — avisos desprezados, embora acompanhados de lágrimas paternais, e aversões sentidas no coração, se não expressas pelos lábios, para com as ricas bênçãos celestiais. Somos testemunhas, em pessoa, do fato de haver uma depravação inata, a praga de nascença deixada ao homem; e po demos testificar a doutrina de que a graça, e tão somente ela, pode mudar o coração. São nossas as palavras de Isaías com ênfase, apesar das influências santificadas que nos cercam; ao proferirmos a confissão: "...e dele não fizemos caso", os esconderijos de nossa infância, as companhias de nossa juventude e os pecados de nossa vida adulta unanimemente confirmam que falamos a verdade.

Iniciando, pois, com nossa própria experiência, somos levados a deduzir que aqueles a quem foram negadas nossas van tagens certamente serão compelidos a adotar a mesma linguagem humilde. Se o filho de pais consagrados, que pelo poder divino foi levado a conhecer o Senhor na juventude, se sente constrangido a reconhecer que houve um tempo em que não fez caso do Salva dor, será que o homem que teve uma educação irreligiosa, uma infância tumultuada, uma juventude permissiva e uma maturidade criminosa poderá adotar uma linguagem menos humilhante? Não; acreditamos que todo homem nessas condições, que agora se encontra redimido das mãos do inimigo, reconhece prontamente que outrora negligenciou cegamente as belezas do nosso glorioso Emanuel. E mais: nos aventuramos a desafiar a "igreja do primogênito" a apresentar um único santo que não tenha passadodiante da cruz com indiferença, ou até com desdém.

Não importa se revistamos o "nobre exército de mártires", "a devota comunhão dos profetas", "o glorioso grupo dos apóstolos", ou "a santa igreja espalhada pelo mundo", não descobriremos sequer um amante do adorável Redentor que não participe da confissão coletiva: "...e dele não fizemos caso."

A você eu peço que faça uma pausa para se perguntar se você faz caso dele agora; pois pode suceder que até o presente você não tenha visto nele "nenhuma beleza que o agradasse", ou não tenha tomado para si a exclamação da esposa: "Sim, ele é totalmente desejável." Se você se encontra neste estado infeliz, uma meditação sobre isso, sob a influência do Espírito Santo, será de grande valia; e rogo-lhe que, enquanto revelamos os segredos do que outrora era nossa prisão, você anseie intensamente a libertação da escravidão que o priva de viver alegremente aqui e o afasta da felicidade no futuro.

Primeiramente, proponho que nos esforcemos por tra zer vividamente diante de nossos olhos o fato de termos outrora feito pouco caso da pessoa de Jesus; em segundo lugar, veremos as causas dessa insensatez; e em terceiro, tentaremos despertar emoções próprias a essa contemplação contrita.

I. Vamos à casa do oleiro ver como éramos antes barro sem forma; lembremo-nos da "rocha de que fomos cortados" e da "caverna do poço de que fomos cavados", para repetirmos com profundo pesar as palavras do profeta: "... e dele não fizemos caso." Examinemos seriamente o diário da memória, pois nele estão fielmente registrados os nomes das testemunhas da nossa culpa.

Façamos uma pausa para considerar primeiro nossos atos pecaminosos visíveis, pois são como imensas voçorocas margeando a montanha da vida, comprovando a existência da rocha por baixo.

Poucos homens se arriscariam a ler sua própria biogra fia, se todos os seus feitos estivessem ali registrados. Poucos po dem olhar seu passado sem corar de vergonha. "Todos pecamos e carecemos da glória de Deus." Nenhum de nós pode alegar per feição. E verdade que, muitas vezes, uma descuidada auto-complacência nos faz exultar na virtude das nossas vidas, mas assim que a fiel memória desperta, instantaneamente ela dissipa essa ilusão! A memória agita sua varinha mágica e centenas de sapos surgem no palácio do rei; os rios límpidos tornam-se em sangue ao seu olhar; toda a terra fervilha de coisas nojentas. Onde imagi návamos pureza, surge a imperfeição. A grinalda de neve da satis­fação derrete diante do sol da verdade; a tigela açucarada dos aplausos torna-se amarga com lembranças tristes; sob a lupa da honestidade, as deformidades e irregularidades de uma vida apa rentemente correta tornam-se desgraçadamente visíveis.

Deixemos que o cristão cujos cabelos estão branqueados pela luz do céu conte a história da sua vida. Ele pode ter sido uma das pessoas mais corretas e moralistas, mas haverá uma mancha escura em sua história, pela qual ele derramará lágrimas de arre pendimento, pois naquela época ele não conhecia o temor do Senhor. Ou chamemos um heróico guerreiro de Jesus para relatar seus feitos; até ele também apresentará cicatrizes profundas, se qüelas dos ferimentos recebidos a serviço do Inimigo. Alguns entre os escolhidos, antes de sua regeneração, eram notórios pela culpa e poderiam escrever com Bunyan (em Grace abounding [Graça abundante]): "A minha vida natural, no tempo em que eu estava sem Deus no mundo, em verdade era segundo o curso deste mundo e o espírito que agora atua nos filhos da desobediên cia. Era meu prazer estar cativo nos laços de Satanás, cheio de injustiça, que operava tão intensamente, tanto em meu coração quanto em minha vida, que havia poucos que amaldiçoavam, pra­guejavam, mentiam e blasfemavam contra o santo nome de Deus tão bem como eu." E suficiente, porém, dizer que cada um de nós cometeu pecados que provam que "dele não fizemos caso".

Será que teríamos nos rebelado contra o Pai com tanta ousadia, se o seu Filho fosse o objeto do nosso amor? Será que teríamos passado por cima dos mandamentos de um Jesus vene rado? Seríamos capazes de desrespeitar sua autoridade se nossos corações estivessem ligados à sua adorável pessoa? Teríamos pe cado tão terrivelmente se o Calvário nos fosse precioso? Não, sem dúvida nossas nuvens de transgressões testificam nossa anterior falta de amor por ele. Se fizéssemos caso do Deus-Homem, será que teríamos negligenciado tão completamente suas reivindica ções? Esquecido totalmente suas palavras amáveis de comando? Será possível insultar a quem se admira; trair um rei amado; des respeitar a quem se estima ou zombar intencionalmente de quem se venera? Todavia, fizemos tudo isso e mais um pouco; pelo que a menor palavra de lisonja alegando amor natural por Cristo fica evidente aos nossos corações, agora honestos, como sendo tão odiosa quanto o silvo da serpente. Essas iniqüidades não constitui riam uma prova tão séria de que desprezamos nosso Senhor, caso fossem seguidas de pequenos serviços para ele. Mesmo agora, quando amamos seu nome, muitas vezes somos infiéis, só queagora nossa afeição nos ajuda a "nos arrastarmos em serviço para onde não podemos andar". Antes, porém, entre nossos atos pas sados não havia nenhum que fosse temperado com o sal do amor sincero; eram todos embebidos no fel da amargura. Ó amado, não nos esquivemos do peso dessa evidência, mas reconheçamos que nosso gracioso Senhor tem muito de que nos acusar, já que esco lhemos obedecer a Satanás em vez de ao Capitão da salvação e preferimos o pecado à santidade.

Deixemos o fariseu presunçoso gabar-se por ter nascido livre — nós vemos em nossos pulsos as marcas vermelhas dos ferros; que ele se glorie nunca ter sido cego — nossos olhos ainda conseguem lembrar a escuridão do Egito, em que não conseguíamos ver a estrela da manhã. Outros podem almejar a honra de uma salvação merecida — nós sabemos que nossa maior ambição pode ser apenas desejar o perdão e a aceitação tão-somente pela graça; lembramos bem o tempo em que o único canal da graça foi desprezado ou negligenciado por nós.

O Livro da Verdade ainda tem mais para testemunhar contra nós. Ainda não se apagou da memória a época em que não bebíamos desta sagrada fonte de água viva, nossos vis corações tinham colocado uma pedra sobre a boca do poço que nem a consciência podia remover. A poeira acumulada na Bíblia sujava os dedos; o abençoado volume era o menos procurado de todos os livros da biblioteca.

Embora hoje possamos dizer que a Palavra de Deus é "um templo incomparável onde temos prazer em estar, para con templar a beleza, a simetria e a magnificência da estrutura, para aumentar nossa reverência e estimular nossa adoração à Divinda de ali pregada e venerada" (Boyle), houve um período triste em nossas vidas em que recusamos pisar o chão precioso do templo, ou quando apenas por costume entrávamos nele, com passos apressados, inconscientes de sua santidade, desapercebidos de sua beleza, ignorantes de suas glórias e não reverentes à sua majestade.

Agora podemos apreciar a afeição em êxtase de Herbert expressa em seu poema:

O livro infinitamente doce! Que eu coma cada letra, como mel; E bom para curar que quer que fosse, Aliviar a dor, tirar o fel.

Naquele tempo um poema efêmero ou romance fútil podia comover nossos corações milhares de vezes mais facilmente do que este "livro de estrelas", este "deus dos livros". Ah, essa Bíblia negligenciada prova muito bem que estimamos Cristo muito pouco. Na verdade, se estivéssemos cheios de afeto por ele, teríamos procurado por ele em sua Palavra. Nela, ele se despe, mostrando íntimo de seu coração. Nela, cada página está manchada com gotas do seu sangue ou ornada com raios da sua glória. A cada momento o vemos, divino e humano, morrendo e mesmo assim vivo, sepultado e agora ressurreto, Vítima e Sacerdote, Príncipe e Salvador, e todos esses diferentes papéis, relações e condições o tornam valioso para seu povo e precioso para seus santos. Ah, ajoelhemo-nos diante do Senhor e reconheçamos que"dele não fizemos caso", ou teríamos andado com ele nos campos das Escrituras e tido comunhão com ele nos canteiros da inspiração.

O Trono da Graça, que por tanto tempo não visitamos, igualmente proclama nossa culpa anterior. Raramente nossas sú plicas eram ouvidas no céu; nossas petições eram formais e sem vida e morriam nos lábios desatentos que as pronunciavam. Ah, que crime quando não nos consagrávamos à adoração, o incensário do louvor não levava um aroma aceitável ao Senhor, nem os frascos da oração exalavam um perfume precioso!

Sem serem branqueados pela devoção, os dias do calendário ficavam sujos pelo pecado; não sendo impedido por nossas súplicas, o anjo do julgamento acelerava sua vinda para a nossa destruição. A lembrança daqueles dias de silêncio pecaminoso nossas mentes humilham-se no pó; não podemos nos achegar ao trono de misericórdia sem adorar a graça que recebe com boas-vindas aqueles que o desprezaram.

Todavia, por que "nosso coração não esteve em peregrinação"? Por que não cantamos a "melodia que todos ouvem e temem"? Por que não nos alimentamos do "banquete da igreja", do "maná precioso"? Que resposta podemos dar mais completa e plena do que esta: "dele não fizemos caso"? Nossa pouca consideração de Jesus afastou-nos de seu trono. A afeição verdadeira teria conseguido o pronto acesso que a oração dá ao aposento secreto de Jesus recebendo abundância de amor. Podemos abandonar agora o trono? Não; nossos momentos mais felizes são quando nos ajoelhamos, pois assim é que Jesus se manifesta a nós. Apreciamos a companhia deste que é o melhor amigo, pois sua presença divina "traz tal beleza interior para a casa onde ele habita, que os palácios mais suntuosos invejam seu esplendor". Com prazer procuramos o lugar secreto, pois ali nosso Salvador nos permite desabafar nossas alegrias e tristezas, passando-as para ele.

Ó, Cordeiro de Deus! Nossa negligência na oração nos leva a confessar que houve um tempo em que não víamos em ti aparência nem formosura.

Ademais, o fato de evitarmos o povo de Deus, confirma a verdade humilhante. Nós que agora fazemos parte do "exército sagrado dos eleitos de Deus, nos alegrando na amizade dos justos, éramos outrora "estrangeiros e peregrinos". A língua de Canaã era aos nossos ouvidos um gaguejar sem significado, do qual escarnecíamos, uma gíria grosseira que não tentávamos imitar, ou uma "língua estranha" além da nossa capacidade de interpreta ção. Os herdeiros da vida eram ou desprezados por nós como "objetos de barro, obra das mãos de oleiro", ou nos retirávamos da companhia deles cientes de que não éramos companheiros dignos dos "nobres filhos de Sião, comparáveis a ouro puro." Muitas vezes olhamos cansados para o relógio quando, em companhia de alguém, o tema era espiritual demais para nossa compreensão fraca; tantas vezes preferimos a amizade de mundanos risonhos à de crentes mais sérios.

Será preciso indagar qual a origem desta antipatia? O rio amargo não se compara ao rio do Egito, silencioso quanto à sua nascente: ele proclama sua origem abertamente, e o ouvido da auto-preferência não pode ser surdo à voz da verdade — "Não amastes os servos, porque não fizestes caso de seu mestre; nem convivestes entre os irmãos, pois não estabelecestes amizade com o primogênito da família."

Uma das evidências mais claras da alienação de Deus é a falta de vínculo com seu povo. Num grau maior ou menor cada um de nós já passou por isso. E verdade que há certos cristãos com quem gostávamos de estar; contudo, havemos de convir que esse prazer em sua companhia devia-se mais à amabilidade de suas maneiras ou ao estilo cativante de falarem, do que à sua exce lência intrínseca. Avaliamos a jóia pelo seu engaste, mas um seixo comum no mesmo anel teria igualmente nos chamado à atenção. Os santos, como santos, não eram nossos amigos diletos, nem podíamos dizer: "Sou amigo de todos os que temem a Deus."

Tais sentimentos são produto da mais elevada estima peloRedentor, e sua ausência anterior constitui uma prova conclusiva de que nesse tempo "dele não fizemos caso". Não temos mais necessidade de ajuda nesta auto-condenação.

Domingos profanados partem como guerreiros de um clã selvagem da mata fechada do tempo desperdiçado; eles investem contra osantuário deserto, ameaçando-o com uma vingança ter rível, se o escudo de Jesus não nos protegesse; as cordas de seus arcos são ordenanças negligenciadas, e suas flechas são mensagens de misericórdia desprezadas.

Todavia, para que esses acusadores? A consciência, guarda da alma, já viu o suficiente. Ela afirmará que viu nossos ouvidos fechados para a voz convidativa do amigo dos pecadores; e que por diversas vezes desviamos os olhos da cruz, quando Jesus estava bem visível.

II. Iniciaremos agora um exame das causas ocultas deste pecado. Uma vez curada a doença, pode ser útil saber sua origem, para servir a outros e beneficiar a si mesmo.

Nossa frieza em relação ao Salvador resultou primeiramente do mal natural de nossos corações. Podemos discernir claramente por que o dissoluto e o perverso têm pouco apreço por pureza e excelência: a mesma razão pode ser dada do nosso desprezo pela encarnação da virtude na pessoa de nosso Senhor Jesus. O pecado é loucura que desqualifica a mente para o julgamento sóbrio, cegueira que torna a alma incapaz de apreciar a beleza moral; é de fato uma perversão de todas as capacidades em tal escala que, sob sua terrível influência, os homens "ao mal chamam bem e ao bem, mal; fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce por amargo." Para nós, em nossa condição caída, demônios muitas vezes parecem ser mais justos do que anjos; confundimos os portões do inferno com os portais da glória e preferimos as mentiras camufladas de Satanás às verdades eternas do Altíssimo. Vingança, luxúria, ambição, orgulho e vontade-própria são mui freqüentemente exaltados como os deuses da idolatria dos homens, enquanto san tidade, paz, contentamento e humildade são vistos como indignos de uma consideração mais séria. Ah, pecado, o que foi que fizeste! ou melhor, o que desfizeste! Não te contentaste em roubar à humanidade a coroa, desviá-la de seu reino feliz, estragar suas vestes reais e saquear seu tesouro; tens feito muito mais do que isto! Não basta degradar e desonrar; feres tuas vítimas, cegas-lhes os olhos, fechas seus ouvidos, confundes seu julgamento e amordaças sua consciência; sim, o veneno de tua flecha malévola contamina a fonte com morte. Tua malícia penetrou o coração da humanidade e, por conseguinte, encheu suas artérias com corrupção e seus ossos com depravação. Sim, monstro, te tornaste um assassino, pois nos deixaste mortos em transgressões e pecados!

Este último termo desvenda todo o mistério, pois se estamos espiritualmente mortos, naturalmente é impossível conhecer e reverenciar o Príncipe da glória. Acaso um morto pode ser levado ao êxtase ou pode seu corpo ser motivado a contemplação sublime? Tente estimular um corpo sem vida, enquanto ele ainda não virou banquete para os vermes e a moldura ainda está completa, embora sem vida. Traga para perto dele o alaúde e a harpa, deixe que melodias suaves e harmonias lindas tentem induzir esse homem ao prazer: ele não vai sorrir com a melodia harmoniosa, nem se comoverá com a cadência melancólica; sim, ainda que a orquestra do redentor extravasasse com fulgor sua música, ele se manteria surdo ao encanto celestial.

Você quer assaltar a cidade por outro portão? Então, coloque perante os olhos desse ser as mais lindas flores colhidas desde que as plantas do Éden foram criadas. Será que ele atentará para a delicadeza da rosa ou a brancura do lírio? Não, esse homem não reconhece a ternura delas mais do que as águas do Nilo percebem a flor-de-lótus que sustenta em seu leito. Venham, ainda, as tâmaras da Arábia e os ventos impregnados de odores aromáticos do Ceilão, e que o incenso de substâncias fragrantes, de o olíbano e mirra, exale diante dele; eis que suas narinas permanecem tão imóveis quanto uma estátua, e seus lábios não manifestam nenhum prazer. Sim, você pode trazer auxílios mais poderosos, como o estrondo de uma avalanche, o bramido de cataratas, a fúria do oceano, o uivo dos ventos, o ribombar de um terremoto e o rebôo de um trovão: ainda que todos esses sons unidos de uma só vez ressoassem, não levantariam o dormente de seu diva fatal. Está morto, e este fato desvenda todo o mistério. Assim tambémnós, agora avivados pelo Espírito Santo, estivemos um dia mortos no pecado e "dele não fizemos caso". Eis aí a raiz de todos os nossos delitos, a origem de toda a nossa iniqüidade.

As causas secundárias da loucura que cometemos estão logo abaixo da superfície e requerem apenas um momento de observação. O amor próprio contribuiu em muito para que maltratássemos o "amigo dos pecadores". A presunção com nossos méritos próprios fez-nos indiferentes às reivindicações daquele que buscava para nós uma justiça perfeita. "Os sãos não precisam de médico": nos sentíamos insultados pela linguagem de um evangelho que nos falava como se fôssemos seres indignos. A cruz pode exercer pouco poder onde o orgulho oculta a necessidade de perdão; um sacrifício é pouco valorizado quando não estamos conscientes de que precisamos dele. Em nossa opinião, éramos as criaturas mais nobres; a oração do fariseu poderia sinceramente provir de nós. Ganhamos algumas ninharias aqui e ali desonestamente mas, no geral, pensávamos que estávamos nos tornando "ricos e abastados"; e mesmo quando sob a poderosa voz da lei éramos defrontados com nossa pobreza, ainda esperávamos, através da obediência futura, reverter a sentença, e estávamos totalmenterelutantes em aceitar a salvação que exigia uma renúncia de todos os méritos e uma confiança simples no Redentor crucificado. Jamais deixaríamos a nossa lida nem abandonaríamos a "teia de aranha" do esforço próprio, até que todo o trabalho nos fosse tirado das mãos e nossos dedos se tornassem incapazes; somente então nos vestiríamos com a justificação pela graça. Ninguém pode pensar muito de Cristo até que pense pouco de si mesmo. Quanto mais baixa for a visão de nós mesmos, tanto mais elevados serão os pensamentos sobre Jesus; somente quando o aniquilamento próprio for completo, o Filho de Deus poderá ser "tudo em to dos".

A vangloria e o amor-próprio são férteis progenitores do mal. Crisóstomo chama o amor-próprio de uma das três grandes armadilhas do maligno; e Bernardo o denomina "uma flecha que perfura a alma e a mata; um inimigo insensível e astuto, não percebido". Sob a má influência deste poder nós comumente amamos mais quem nos causa mais danos, pois o adulador que ali menta nossa vaidade com clamores agradáveis de "paz, paz", é muito mais considerado do que o bendito Jesus, que com seriedade nos adverte de nosso estado doentio. Mas, quando a autoconfiança é retirada — quando a alma é despida pela convicção de pecado, quando a luz do espírito revela o estado repugnante do coração, quando o poder da criatura fracassa, quão precioso é Jesus! Como o marujo prestes a naufragar agarra-se à tábua flutuante, o moribundo olha para o médico, e o criminoso valoriza a clemência — assim estimamos o libertador das nossas almas como Príncipe dos reis da terra. A repugnância de si mesmo proporciona uma paixão ardente pelo "amante de nossas almas" cheio de graça; a auto-complacência esconde de nós sua glória.

O amor ao mundo também tem sua participação no mau uso deste querido amigo. Quando ele bateu na porta, nós lhe recusamos a entrada porque outro já havia entrado. Já tínhamos escolhido outro esposo a quem basicamente entregamos o coração. "Dá-me riquezas", diz alguém. Jesus responde: "Eis-me aqui; eu sou melhor que as riquezas do Egito, e vale mais a pena passar vergonha por mim do que desejar tesouros escondidos." Mas o outro replica: "Tu não és a riqueza que procuro; não busco uma riqueza assim sem substância, ó Jesus! Não me importa uma riqueza para o futuro — desejo uma riqueza para o presente; quero um tesouro em que posso pôr a mão agora; quero ouro para comprar uma casa, uma fazenda, bens; anseio por jóias brilhantes que adornem meus dedos; não te peço aquilo que está por vir; pensarei nisto depois que os anos passarem."

Um outro de nós suplica: "Eu peço por saúde, pois estou doente." O melhor dos médicos aparece e gentilmente promete: "Vou curar a sua alma, tirarei a lepra e o tornarei são." "Não, não", respondemos, "não foi isso o que pedi, ó Jesus! Peço um corpo forte, para que eu possa correr como Asael ou lutar como Hércules; quero me livrar da dor física, mas não te peço saúde espiritual, porque não é isso que quero." Um terceiro implora por felicidade. "Ouve-me", disse Jesus, "meus caminhos são agradáveis e minhas veredas, tranqüilas." "Não é essa alegria que procuro", replicamos precipitadamente. "Quero um cálice transbordante, para saboreá-lo deliciosamente; tenho paixão por noitadas fes tivas e dias alegres; quero danças, festanças e outros prazeres co muns deste mundo; reserve o seu porvir para os fanáticos — que eles vivam de esperança; eu prefiro este mundo e o presente."

Assim cada um de nós, a seu modo, dirigiu seu amor para coisas terrenas e desprezou as do alto. Certamente não foi um pintor malvado que rascunhou nossas vidas com seu lápis de desenho: "O intérprete levou-os novamente, e os colocou numa sala onde havia um homem que não podia olhar para outro lado senão para baixo e segurava na mão um escovão; acima dele ha via outro com uma coroa celestial na mão; este lhe ofereceu a coroa em troca do escovão; o homem, porém, sem olhar para cima nem prestar a menor atenção, varreu para junto de si a palhae o pó

Enquanto amamos o mundo, "o amor do Pai não está em nós," nem o do Filho Jesus. Não se pode servir a dois senho res. O mundo e Jesus jamais estarão de acordo. Precisamos poder cantar a primeira parte da estrofe de Madame Guion, antes de podermos concordar com sinceridade com a segunda:

Adeus! prazeres vãos daqui, Esportes e alegrias mil, Pra mim não têm sabor. Felicidade, só na cruz, O resto, vi com meu Jesus, É lixo sem valor.

Seria uma grande omissão não observarmos que nossa ignorância sobre Cristo foi a principal causa de nossa falta de amor por ele. Agora compreendemos que conhecer a Cristo significa amá-lo. É impossível ter uma visão de sua face, contemplar sua pessoa ou entender sua missão, sem sentir nossas almas aquecidas por ele. Tal é a beleza de nosso bendito Senhor, que todo homem, exceto o espiritualmente cego, presta uma pronta homenagem a ele.

Não é preciso eloqüência para apresentar Cristo àqueles que o vêem pela fé, porque ele é seu próprio Orador. Sua glória fala, sua boa vontade fala, sua vida fala e, acima de tudo, sua morte fala. O que estes falam sem emitir sons o coração aceita com boa disposição.

Jesus "está oculto da visão do mundo em geral" pela incredulidade intencional da humanidade; sem isso, a visão dele teria causado profunda veneração. A humanidade desconhece a jazida de ouro escondida na mina de Jesus Cristo, do contrário certamente a explorariam dia e noite. Tampouco descobriram a pérola de grande valor, de outra forma teriam vendido tudo o que possuem para comprar o campo onde ela se encontra. A pessoa de Cristo cala toda eloqüência que quer descrevê-lo; as mãos do artista ficam paralisadas ao escolher as cores adequadas para pintá-lo; e o escultor não saberia por onde começar a talhar a imagem dele nem que fosse possível em uma pedra maciça de diamante. Nada existe na natureza comparável a ele. Diante de seu resplendor o brilho do sol escurece; sim, nada pode competir com ele, e o próprio céu enrubesce com a simplicidade do seu semblante, ao contemplar este "totalmente desejável". Ah, vocês que passam por ele sem considerá-lo, bem disse Rutherford: "Se o conhecêssemos e víssemos sua beleza, nosso amor, nosso coração, nossos desejos convergiriam nele. O amor, por natureza, lança sobre o objeto amado seu espírito e força, bem como tudo o que é bom e digno de amor; e o que existe mais belo do que Cristo?" O mundo judeu crucificou-o porque não reconheceram seu rei, e nós o rejeitamos porque não tínhamos visto que ele preenche nossos anseios nem acreditávamos no seu amor por nossas almas. Todos podemos proferir este monólogo de Agostinho: "Existia uma grande nuvem escura de vaidade diante dos meus olhos, de modo que eu não podia ver o sol da justiça e a luz da verdade; sendo filho das trevas, eu estava envolto em escuridão; eu amava as minhas trevas por que não conhecia a tua luz; eu era cego e amava minha cegueira, e andava de escuridão em escuridão; mas tu, Senhor és meu Deus, que me tiraste das trevas e da sombra da morte; tu me chamaste para essa gloriosa luz, e eis que agora vejo!"

III. Chegamos agora à parte prática desta meditação e consideraremos as emoções despertadas por dela.

Primeiro, vemos que a profunda tristeza penitente nos fica bem. Tal qual a lágrima é a melhor rega para o túmulo, e as cinzas são a coroa certa para a cabeça de luto, assim os sentimen tos de penitência são a maneira certa de lembrar uma conduta que abandonamos agora e repugnamos. Não conseguimos entender o cristianismo daqueles que são capazes de narrar a história de seu passado com satisfação. Já vimos pessoas recontarem seus crimes com tanto prazer quanto um velho soldado descreve suas faça nhas na guerra. Tais pessoas chegam a exagerar seu mal para tornar seus casos mais dignos de admiração, e a gloriar-se de seus pecados do passado como se fossem ornamentos de sua nova vida. Para estes, repetimos as palavras de Paulo aos romanos: "Agora vos envergonhais." Há ocasiões em que é próprio, bené fico e louvável que o convertido descreva a triste história de suavida anterior; assim a graça é glorificada e o poder divino exaltado, e a história de sua experiência pode servir para despertar fé em outras pessoas que se julgam abomináveis demais; é necessário, porém, que isto seja feito num espírito correto, que expresse um sincero arrependimento e pesar. Não objetamos a que se narre os feitos do estado anterior à regeneração mas, sim, o modo como isso geralmente ocorre. Se o pecado tem o seu monumen to, que seja num monte de pedras arremeçadas pelas mãos da excomunhão — não um mausoléu erigido por mãos de ternura. Vamos dar-lhe o enterro de Absalão — não permitindo que descanse no sepulcro real.

A libação de lágrimas não deve ser a única oferta no santuário de Jesus; vamos também exultar com alegria indlzível. Se temos de lamentar pelos pecados cometidos, quanto mais havemos de nos alegrar pelo seu perdão! Se o nosso estado anterior enche-nos os olhos de lágrimas, será que o novo estado em que nos encontramos não fará nossos corações pularem de alegria? Sim, precisamos e iremos louvar o Senhor pela sua graça soberana e incomparável. A nós cabe entoar-lhe um canto eterno pela mudança de nosso estado; ele nos deu discernimento, e fê-lo por mera e imerecida misericórdia, uma vez que, assim como outros, "dele não fizemos caso." Certamente Jesus não nos elegeu para a alta honra de sermos um com ele por causa de nosso amor por ele, pois de fato confessamos exatamente o oposto. Dizem que, ao perguntarem ao santificado antepassado deste escritor, o Dr.Rippon, por que Deus escolheu seu povo, ele respondeu: "Porque o escolheu", e quando repetiu-se a pergunta, ele novamente res pondeu: "Porque o escolheu, e se me perguntarem isso mais cem vezes, não poderei dar-lhes outra razão." "Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado." Que a nossa gratidão pela graça divina redunde em louvores; que todo o nosso ser entoe honras a ele, o qual nos elegeu de modo soberano, nos redimiu por sangue e nos chamou pela graça.

Não haveríamos também de prostrarmos profundamente o espírito com a lembrança da nossa culpa? O objeto da pre sente contemplação não deveria ser uma punhalada no coração do orgulho? Chegue mais perto, cristão, embora agora revestido da armadura da salvação, e veja como andava outrora nu. Não se gabe de suas riquezas, lembre-se de como era um simples mendigo; nem se glorie em suas virtudes, elas são estranhas ao seu coração; lembre-se das plantas mortíferas — a vegetação nativa da quele solo mau. Incline-se com o rosto no chão e, apesar de não poder ocultar-se sob as asas como os anjos, permita que o arrependimento e auto-repugnância cubram-no. Não pense que hu­mildade é fraqueza; ela prove o tutano que é a força dos ossos. Incline-se para vencer; prostre-se e torne-se invencível.

Se tivéssemos uma visão correta de nós mesmos, a ninguém julgaríamos vil demais para ser regenerado e não consideraríamos uma desonra carregar nos ombros o mais errante do rebanho. Entre nós há muito do espírito: "Espere-me passar, porque sou mais santo do que você." Aqueles que Jesus teria de agarrar pela mão nós não arrastaríamos nem com uma tenaz; tal o orgu lho de certos professores, que deveriam ser reconhecidos como legítimos sucessores dos antigos fariseus. Se fôssemos mais parecidos com Cristo, estaríamos mais prontos a ter esperança pelos desesperados, valorizar os indignos e amar os que estão atolados em pecado.

A seguinte história, que o autor ouviu de um estimado ministro da Igreja da Inglaterra, talvez possa, como um fato, ser mais eficaz que as palavras. Certo pastor de uma paróquia na Irlanda havia visitado todas as pessoas abrangidas por seu rebanho, exceto uma. Tratava-se de uma mulher com uma vida depravada; ele temia que o fato de entrar na casa dela desse motivo de ofensa aos maldizentes, trazendo desonra para o seu ofício. Num domingo, percebeu a mulher entre os presentes ao culto, e durante semanas notou como ela dava atenção à Palavra da Vida..Pensou, também, ouvir, entre o som das respostas, uma voz doce e sincera, confessando solenemente seu pecado e implorando misericórdia. Compadeceu-se daquela filha de Eva decaída; ele ansiavapor perguntar-lhe se de fato seu coração havia sido quebrantado e desejava intensamente falar-lhe sobre a graça abundante, na espe rança de que ela tivesse sido salva do fogo. Mesmo assim, a mesma atitude sensível o impediu de entrar na casa; vez após vez ele passou por sua porta com um olhar compassivo, ansioso pela salvação dela, porém zeloso de sua própria honra. Isso durou um bom tempo, mas um dia ela o chamou e, em prantos que revela vam um coração quebrantado, disse-lhe: "Ah, senhor! Se o seu Mestre tivesse estado nesta aldeia metade do tempo do senhor, ele já teria vindo falar comigo há muito, pois sou a pior das pecadoras e preciso mais do que ninguém da sua misericórdia." Podemos até imaginar o coração daquele pastor derretendo ao ver sua atitude ser condenada de modo tão cuidadoso na comparação com seu Mestre amoroso. A partir desse dia, ele decidiu não negligenciar ninguém, mas sim reunir todos os "marginalizados em Israel". Meditando nisso, que possamos, para nosso próprio proveito, ser constrangidos a fazer o mesmo, possibilitando que alguma alma tenha motivo para bendizer o nome de Deus porque os nossos pensamentos foram dirigidos para ela. Que o Espírito da graça, que prometeu nos "guiar a toda a verdade" por meio de sua santa influência, santifique para o nosso bem essa visita à casa onde nascemos, despertando em nós todas as emoções conveni entes e guiando-nos para ações compatíveis com este grato retrospecto.

FONTE E TRADUÇÂO: Charleshaddonspurgeon.com

          VIA: Uma Triste Confissão | Projeto Spurgeon

30/08/2010

Não tente evitar a Guerra – M. Lloyd-Jones

 

É um grande perigo evitar-se a guerra. Isso é diferente. O homem que evita uma guerra reconhece que há um combate, mas o evita.

Ora, há muitas maneiras de se fazer isso. Uma, é, naturalmente, retirar-se para uma espécie de pietismo. Foi o que muitos evangélicos fizeram na última quarta parte do século passado. Eles diziam, Ora, não vamos tocar nesse novo ensino; não vamos ler aos seus livros; não vamos fazer coisa alguma acerca deles. Se havemos de preservar a nossa fé, temos que dar as costas a tudo isso, e temos que cultivar a nossa vida religiosa. E assim eles descreviam e liam livros para a vida de devoção, e dessa maneira devota procuravam edificar-se. Não tinham contato nenhum com o grande combate que se travava fora.

Há muitos que ainda adotam a mesma atitude. Esta às vezes toma hoje a forma de dizer-se que sempre devemos ser positivos. Essas pessoas têm forte aversão pelo negativo. Não gostam dos que lhes apontam o que está errado e o que não deve ser feito. Sempre seja positivo, dizem elas. Por que você não nos dá somente a mensagem positiva? Por que você precisa estar sempre expondo o erro e demonstrando que isso está errado?

Ou tais pessoas deleitam-se no fato de que não são polemistas. São, na verdade, gente excelente, que nunca ofende ninguém, e a quem todos elogiam! Mas as Escrituras nos dizem que o homem a quem todos louvam está numa condição muito perigosa. "Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem" (Lucas 6:26). Não devemos desejar que certas pessoas falem bem de nós. Elas não falaram bem do nosso Senhor, e há algo de seriamente errado com os Seus seguidores, se elas falam bem deles.

Outro perigo em conexão com a fuga da guerra e com o evitá-la é o perigo de refugiar-se numa espécie de escolasticismo ortodoxo. Que é que eu quero dizer com isso? É o perigo de dizer--se: não posso me incomodar com tudo o que essas pessoas estão dizendo. Está tudo errado. Posso ler os grandes escritores antigos, e vou dedicar todo o meu tempo a isso. E assim vocês se tornam um conventículo girando em torno do seu próprio círculo e não fazendo contato com o homem da rua, com o homem do mundo e com as multidões deste país que se acham fora da Igreja Cristã. E uma vida muito cômoda. Não há vida mais feliz do que a do pesquisador eru¬dito, do homem que passa o tempo lendo e depois discutindo o assunto da leitura feita com amigos que pensam do mesmo modo.

Todavia, enquanto vocês podem estar fazendo isso, o mundo marcha para inferno! Aí está esse terrível perigo de evitar-se a guerra.

fonte:  Martyn Lloyd-Jones: Não tente evitar a Guerra – M. Lloyd-Jones

29/08/2010

Débora, Uma Mãe em Israel

 

Débora, Uma Mãe em Israel

Algumas pessoas são líderes improváveis. Superficialmente, elas parecem não ter as características que geralmente associamos com grandeza e poder. Davi, por exemplo, era um jovem pastor de ovelhas, um sonhador que escrevia cânticos e tocava harpa – qualidades geralmente não procuradas quando você escolhe alguém para derrotar inimigos. No entanto, Deus o chamou não apenas para ser um homem de guerra mas também rei de todo o Israel. Por quê? Porque Davi tinha algo mais importante do que habilidade militar ou sangue real. Ele tinha fé em Deus.

Na época dos juízes, uma mulher chamada Débora tornou-se líder de Israel. Pelos nossos padrões, ela também era uma candidata improvável para essa tarefa tão relevante. A Bíblia fala pouco sobre suas credenciais, a não ser que era esposa e mãe (Jz 4.4; Jz 5.7), o que não a qualificava para dirigir um país. Porém, Débora tinha a mesma vantagem que Davi: ela tinha fé em Deus.

Numa época em que Israel andava aos tropeços e cada homem fazia aquilo que parecia certo aos seus próprios olhos (veja Jz 17.6; Jz 21.25), Deus escolheu uma mulher de grande fé que estava disposta a segui-lO em obediência.

As Escrituras dizem que Débora era uma profetisa, significando que Deus lhe falava e ela transmitia Sua Palavra ao povo. Ela era uma juíza, portanto, julgava as pessoas que vinham até ela para resolver suas contendas. Naturalmente, ela também era esposa e mãe.

Seu feito mais conhecido ocorreu quando os israelitas clamaram a Deus por libertação depois de vinte anos de opressão sob o jugo de Jabim, rei de Canaã. O poderoso Jabim tinha 900 carros de ferro e governava a partir de Hazor, no Norte de Israel. Débora, que vivia no Sul, fora de Jerusalém, nas regiões montanhosas de Efraim, convocou Baraque, da tribo de Naftali, da região de Hazor. Quando Baraque chegou, Débora corajosamente transmitiu-lhe o plano de Deus: “Porventura, o Senhor, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e leva gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera, comandante do exército de Jabim, com os seus carros e as suas tropas; e o darei nas tuas mãos” (Jz 4.6-7).

Hoje, vivendo em um mundo dirigido pelo sucesso e pelas realizações materiais, é fácil esquecer que Deus não deseja tanto as nossas habilidades, mas sim a nossa vontade, o nosso querer que vem da fé.

Baraque estava disposto a obedecer, mas insistiu que Débora fosse com ele. Ela concordou, porém disse a Baraque que assim ele cederia a uma mulher a honra de capturar Sísera.

Naquele dia Deus sustentou Israel, como Débora sabia que Ele faria. O Senhor enviou uma chuva torrencial que inundou o ribeiro Quisom e fez com que a armada aparentemente invencível de Sísera atolasse na lama. Este fugiu e foi engodado por Jael, outra mulher, que cravou uma estaca de tenda em sua cabeça e o matou. Dessa maneira, Deus libertou Israel.

Mais tarde, Débora escreveu um belo cântico (Jz 5) que exalta a Deus e revela muito sobre sua própria pessoa. Ela era uma mulher de profunda fé e grande discernimento espiritual. Havia avaliado a sombria situação de seu país com perspicácia (Jz 5.6-7), compreendeu o motivo da decadência (idolatria, v.8) e assumiu a responsabilidade pela nação (vv. 7,12). Ela tinha tanta autoridade que, quando convocou Baraque, ele veio imediatamente sem questionar sua autoridade ou suas instruções. Débora é a única mulher na Bíblia que não apenas governou Israel como também deu ordens militares a um homem, e isso com a bênção de Deus.

Quando ela mandava reunir as tropas, esperava que elas se apresentassem. Aos que ignoravam o chamado, ela amaldiçoava: “Amaldiçoai a Meroz, ...amaldiçoai duramente os seus moradores, porque não vieram em socorro do Senhor” (Jz 5.23). Débora provavelmente não conseguia entender por que esses combatentes de Israel tinham tão pouca fé em Deus.

Por um lado, Débora aparentava ser uma mulher “dura” no confronto, mas também parecia extremamente maternal. Somente uma mãe que se importa com seus filhos pensaria em descrever a mãe de Sísera aguardando ansiosamente que seu filho voltasse para casa, preocupada com sua demora em voltar da batalha (v.28).

É interessante observar que não há evidência bíblica de que Débora tenha usurpado a autoridade masculina. É triste dizer que, provavelmente, existia pouca autoridade masculina fiel a Deus naqueles dias. Israel estava em condição espiritual tão lamentável que Deus envergonhou a nação daqueles dias depositando o mais alto cargo de liderança nas mãos de uma mulher.

Hoje, vivendo em um mundo dirigido pelo sucesso e pelas realizações materiais, é fácil esquecer que Deus não deseja tanto as nossas habilidades, mas sim a nossa vontade, o nosso querer que vem da fé.

Podemos lembrar que a história das missões modernas está igualmente repleta de mulheres de grande fé a quem Deus colocou em posições de enorme responsabilidade. Nas selvas da Colômbia e da Venezuela, por mais de 50 anos, Sophie Müller implantou centenas de igrejas, até que o Senhor finalmente a levou em outubro de 1995. A sua autobiografia, publicada pela Missão Novas Tribos, é intitulada His Voice Shakes the Wilderness (A Voz de Deus Faz a Selva Estremecer).

Depois que Jim Elliot, Nate Saint e três outros missionários foram mortos no Equador pelas flechas dos índios Huaorani (Aucas) em 1956, duas mulheres os substituíram: Elisabeth Elliot, viúva de Jim, e Raquel Saint, irmã de Nate. A senhorita Saint ficou no Equador até sua morte em 1994, conduzindo os índios a Cristo, ensinando-os e ministrando-lhes a Palavra de Deus.

Baraque, sem dúvida, foi um ótimo militar, e seu nome está registrado em Hebreus 11 como homem de fé. Porém, ele mesmo teria capturado Sísera se tivesse confiado um pouco mais em Deus. Débora, por outro lado, era uma simples esposa e mãe, mas sua fé a tornou um vaso muito mais útil para o Senhor do que alguém poderia imaginar.

A Bíblia ensina que nosso tempo na terra é curto: “Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tg 4.14). Muitas pessoas podem abalar montanhas com suas credenciais e construir reinos com suas aptidões. Mas, no final, o que contará para a eternidade não será aquilo que realizamos com nossas habilidades, mas o que Deus fez através de nós por meio de nossa fé. (Lorna Simcox, Israel My Glory - http://www.chamada.com.br)

Lorna Simcox é redatora-sênior de The Friends of Israel.

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, Fevereiro de 2007

fonte: Débora, Uma Mãe em Israel | Artigos | Chamada

28/08/2010

O Espírito Santo Ministra aos crentes

 

“Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.” Jo 16.13,14

Antes da paixão de Jesus. Ele prometeu que o Pai e Ele enviariam a seus discípulos “outro Consolador” (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7). O Consolador ou Paráclito (ou Paracleto, da palavra grega parakletos, que significa o que dá auxilio), é um ajudador, conselheiro. fortalecedor, estimulador, aliado e advogado. Outro única que Jesus foi o primeiro Paráclito e está prometendo um substituto, que, após sua partida, continuará o ensino e o testemunho que Ele havia iniciado (Jo 16.6,7).

O ministério do Paráclito, por sua própria natureza, é um ministério pessoal e relacional, implicando a plena pessoalidade de quem o consuma. Embora o Velho Testamento tenha dito muito acerca da atividade do Espírito na Criação (por exemplo, Gn 1.2; Sl 33.6), na revelação (p. ex., Is 61.1-6; Mq 3.8), na capacitação para o serviço (p. ex., Êx 31.2-6; Jz 6.34; 15.14,15; Is 11.2), e na renovação interior (p. ex., Sl 51.10-12; Ez 36.25-27), ele não torna claro que o Espírito é uma Pessoa divina distinta. No Novo Testamento, contudo, fica claro que o Espírito é verdadeiramente uma Pessoa distinta do Pai, assim como é o Filho. isto é evidente não somente pela promessa de “outro Consolador”, mas também pelo fato de que o Espírito, entre outras coisas, fala (At 1.16; 8.29; 10.19; 11.12; 13.2; 28.25), ensina (Jo 14.26), testemunha (Jo 15.26), busca (1 Co 2.10,11), determina ( 1 Co 12.11), intercede (Rm 8.26,27), é alvo de mentira (At 5.3), e pode ser afligido (Ef 4.30). Somente de um ser pessoal podem ser ditas tais coisas.

A divindade do Espírito surge da declaração de que mentir ao Espírito é mentir a Deus (At 5.3,4), e da associação do Espírito com o Paia e o Filho nas bênçãos ( 2 Co 13.14; Ap 1.4-6) e na fórmula do batismo (Mt 28.19). O Espírito é chamado “os sete espíritos” em Apocalipse 1.4; 3.1; 4.5; 5.6, em parte, parece, porque sete é um número que significa a perfeição divina e, em parte, porque o Espírito ministra em sua plenitude.

Portanto, o Espírito é “Ele”, não “ele”, e deve ser obedecido, amado e adorado, juntamente com o Pai e o Filho.

Testemunhar a Jesus Cristo, glorificá-lo, mostrando a seus discípulos quem e o que Ele é (Jo 16.7-15), e fazê-los cônscios do que são nele (Rm 8.15-17; Gl 4.6) é o ministério central do Paráclito. O Espírito nos ilumina (Ef 1.17,18), regenera (Jo 3.5-8), guia-nos à santidade (Rm 8.14; Gl 5.16-18), transforma-nos (2 Co 3.18; Gl 5.22,23), dá-nos certeza ( (Rm 8.16), e dons para ministério ( 1 Co 12.4-11). Todo trabalho de Deus em nós, tocando nosso corações, nosso caráter e nossa conduta, é feito pelo Espírito, embora aspectos desse trabalho sejam, às vezes, atribuídos ao Pai e ao Filho, de quem o espírito é executivo.

O pleno ministério do Espírito começa na manhã do Pentecostes, logo depois da ascensão de Jesus (At 2.1-40, João Batista predisse que Jesus batizaria com Espírito Santo ( Mc 1.8; Jo 1.33), de acordo com a promessa do Velho Testamento de um derramamento do Espírito de Deus nos últimos dias (Jl 2.28-32; cf. jr 31.31-34), e Jesus havia repetido a promessa (At 1.4,5). A significação da manhã do Pentecostes foi duplo: ela marcou o início da era final da história do mundo antes do retorno de Cristo, e, comparada com a era do Velho Testamento, marcou uma formidável intensificação do ministério do Espírito e da experiência de viver para Deus.

Os discípulos de Jesus foram evidentemente crentes nascidos do Espírito antes do Pentecostes, de sorte que eu batismo no Espírito, que trouxe poder à sua vida e ministério (At 1.8), não foi o começo de sua experiência espiritual. Para todos, porém, que chegaram à fé desde a manhã do Pentecostes, começando com os convertidos naquele evento, o recebimento do Espírito na plena bênção da nova aliança tem sido um aspecto de sua conversão e novo nascimento (At 2.37; Rm 8.9. 1 Co 12.13). Todas as aptidões para o serviço que surgem subseqüentemente na vida de um cristão devem ser vistas como a seiva emanada desse batismo espiritual inicial, que une vitalmente o pecador ao Cristo ressurreto.

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Fonte: Packer, J.I., Teologia Concisa, pg. 135, Ed. Cultura Crista.

fonte: O Espírito Santo Ministra aos crentes