23/08/2009

REDENÇÃO ATRAVÉS DO SEXO?



por Valmir Nascimento Milomem

É impressionante – e digno de tristeza- o modo como o homem caído e distanciado de Deus cria práticas que, para além de atingirem o seu Criador, ferem também a sua própria essência moral.

Nesse contexto, levo um tapa na face ao ler a denúncia feita por Renato Vargens em seu blog, ao registrar que a mais nova mania, lançada na Inglaterra e já com praticantes no Brasil, é fazer sexo dentro do automóvel, mas com uma animada platéia ao redor. Ele ainda escreve: “Segundo os adeptos de tal prática, quanto mais gente, melhor”. Conhecida como dogging, a aventura erótica é uma mistura de exibicionismo, voyeurismo e swing. Deve obrigatoriamente ser feita ao ar livre e à noite. A “cama”, geralmente, é um banco de carro, mas há quem prefira se exibir no capô ou até mesmo na grama de um parque”.

E mais: “Segundo os idealizadores, não tem nada a ver com prostituição. No Brasil, mesmo no início, a atividade é tema de 21 comunidades no Orkut, o maior portal de relacionamentos da internet. Dogging é sinônimo de passeio com o cachorro e também uma desculpa irônica para sair em busca de aventura. A escolha do termo para batizar a onda, dizem os praticantes, veio do segundo significado.”

Sem embargos, Renato Vargens diz que “infelizmente os padrões de moralidade parecem não mais existir, até porque, a forma de se medir felicidade e sucesso diferente daquela encontrada na Palavra de Deus. Na verdade, o objetivo prioritário do ser humano [nesse contexto - grifei] não é a glorificação do nome do Senhor e sim a busca desenfreada pela satisfação pessoal, ainda que para isso seja necessário desconstruir conceitos e valores jogando-os definitivamente na lata do lixo”

A redenção através do sexo?
A toda evidência, dia após dia constatamos o esfacelamento do homem pós-moderno, a enveredar-se pelas vias oblíquas de uma existência fútil e desprovida de propósito, caso em que o sexo passa a ser visto não somente como uma simples prática ordinária, mas também como opção soteriológica (salvadora), consistindo em verdadeira válvula de escape para os problemas reais do ser humano.

O sexo, portanto, é agora concebido como meio condutor de salvação e transformação, e o hedonismo a sua religião oficial. Nesse tom, Charles Colson Nancy Pearcey observam que “o sexo é parte vital da ordem criada por Deus, compondo a sagrada aliança do casamento; nossa natureza sexual é um bom presente divino. Porém, para muitos pensadores modernos, a sexualidade tornou-se a base de uma cosmovisão inteira, a fonte de significado e cura, um meio de redenção. O sexo tem sido exaltado a ponto de nos elevar a nós mesmos para o próximo nível da evolução, criando um novo tipo de natureza humana e uma avançada civilização”. (p. 290), e que “a sexualidade está claramente sendo apresentada como mais do que uma mera gratificação ou deleite sensual. Não é nada menos que uma forma de redenção, um meio para curar a falha fundamental da natureza humana” (p. 294).

Ou seja, o homem natural moderno está tentando se salvar e se libertar por meio da prática sexual. Por esse motivo o lobby da sexualidade irrestrita avança assustadoramente em todos os ambientes da sociedade, seja na política, na educação, na mídia ou até mesmo dentro das famílias. A defesa do “sexo sem amarras e sem preconceito”, é preciso dizer, não é uma visão inocente, mas sim uma ideologia devidamente estabelecida, que, por meio dos seus “evangelistas”, vai tentando transformar os homens, visando a libertá-los dos “constrangimentos da moralidade” e introduzindo uma sociedade ideal.

Com outro olhar, se o hedonismo não é capaz de formar um cosmovisão inteira, consegue, contudo, retirar as resistência daquela na qual está inserida, isso porque tal concepção traz consigo não somente a promiscuidade, a banalização do sexo e a vulgaridade nos relacionamentos entre homem e mulher, mas também uma série de trágicas conseqüências tanto para o indivíduo quanto para a sociedade de uma forma geral. É possível constatar essa verdade ao analisar que, historicamente, a liberalização estabanada do sexo, fundamentada somente no prazer irresponsável, trouxe consigo o aumento da AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis; sem falar ainda o crescimento da gravidez na adolescência, os abortos, as crianças abandonadas, famílias desestruturadas com mães e/ou pais solteiros. Nessa mesma linha, podemos citar ainda que a concepção equivocada sobre a sexualidade contribuiu com o aumento da violência sexual, o abuso infantil, o atentado violento ao pudor e ao estupro.


Não bastasse isso, Francis Schaeffer (Como Viveremos, p. 163) escreve que Edward Gibbon em seu livro Declinio e Queda do Império Romano, dizia que vários fatores levaram o Império Romano à bancarrota, entre eles, o apego exagerado ao sexo. Ele asseverou que os seguintes cinco fatores marcaram o fim de Roma: primeiro, um forte amor pelo espetáculo e pela suntuosidade; segundo, uma crescente discrepância entre ricos e pobres; terceiro, uma obsessão pelo sexo; quarto, excentricidade nas artes, mascarada como originalidade, e entusiasmo fingindo ser criatividade; em quinto lugar, um crescente desejo de viver fora do Estado.

Portanto, a obsessão pelo sexo traz consigo, não somente prejuízo para o indivíduo, mas para a sociedade como um todo. E esse dogging é mais uma prova do quanto perto a sociedade está do precípicio.



FONTE: www.comoviveremos.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A boca fala do que está cheio o coração.