23/06/2010

Os judeus e a religião do Antigo Testamento

 

Esse é o equívoco que muitas pessoas fazem – eles assumem que a religião dos judeus e dos fariseus era a religião do Antigo Testamento¹. Não, embora a religião deles fosse baseada no Antigo Testamento, em geral era muito diferente e mesmo antagônica a ele, contradizendo-o em espírito e em letra. Algumas pessoas cometem o equívoco de pensar que os fariseus eram hostis a Jesus porque eles eram muito inflexíveis quanto a seguir a lei de Moisés ou o Antigo Testamento. Mas eles faziam o oposto. Jesus disse que eles anulavam os mandamentos de Deus por meio das suas tradições (Mateus 15.6). Eles tinham inventado regras e costumes que eram supostamente consistentes com os mandamentos de Deus, mas que na verdade redefiniam e substituíam os mandamentos de Deus em suas vidas. Ele disse que a profecia de Isaías se aplicava a eles: “Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens” (Mateus 15.9).

A religião dos judeus e dos fariseus não era a religião do Antigo Testamento. Era um sistema que eles tinham fabricado para se escusarem de aceitar as palavras dos profetas. Jesus disse que eles nem mesmo criam no Antigo Testamento: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo?” (João 5.46-47). A fé em Cristo, e dessa forma a fé no Novo Testamento, segue-se naturalmente da fé no Antigo Testamento, porque Cristo cumpriu o Antigo Testamento. Os judeus e os fariseus não seguiam a revelação de Deus, mas sua própria tradição humana. Devemos corrigir a ideia que eles eram hostis a Cristo porque eram muito obcecados com a precisão em sua doutrina e obediência. Não, eles eram hostis a Cristo porque se preocupavam muito mais sobre como evitar crer e obedecer à palavra de Deus enquanto davam a aparência de devoção religiosa, e Cristo expôs a hipocrisia deles.

Vincent Cheung
Extraído do artigo Paulo e a tradição humana
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fonte:   rthodoxia: Os judeus e a religião do Antigo Testamento

22/06/2010

Graças a Deus pela testosterona? Confusão sobre masculinidade cristã

 Albert Mohler

godmen.jpg (12K) - Stine em uma conferência GodMen

A igreja cristã vive uma crise em relação aos homens. As estatísticas contam a estória. A igreja tem sido feminilizada em seu estilo e as virtudes masculinas tem sido depreciadas. O cristianismo - uma fé baseada em verdades pela qual bravos homens estavam dispostos a morrer - foi transformado em uma espiritualidade de mero sentimentalismo. Os homens estão saindo aos montes.

Em muitas igrejas protestantes liberais, os bancos estão repletos de mulheres, muitas delas de idade avançada. Os sermões são insípidos e maçantes. Ideologias feministas tomaram posse e o contexto é ideologicamente hostil ao cromossomo XY. Os homens ficam à distância e os meninos vêem que a igreja é algo que homens evitam.

Entre os evangélicos, o quadro é muitas vezes apenas ligeiramente mais saudável. Apesar de muitas (mas não todas) as linhagens ideológicas serem atenuadas ou combatidas, o clima de hostilidade às virtudes masculinas freqüentemente permanece. Mesmo entre os evangélicos, ministérios para homens muitas vezes parecem mais convites para brincar do que convites para levar a sério o desafio da masculinidade bíblica.

"A igreja tem sido feminilizada em seu estilo e as virtudes masculinas tem sido depreciadas."

Agora surge a reportagem no Los Angeles Times sobre os "GodMen" (Homens de Deus), um ministério que pretende apresentar os homens ao cristianismo rústico. No entanto, o movimento parece mais rústico do que cristão quando se trata de uma visão da masculinidade.

"Obrigado, Senhor, pela nossa testosterona!" Assim exclama Brad Stine, um tipo de "animador de auditório" que lidera o movimento GodMen. Como o times explica, "ele está aqui hoje como um evangelista, numa missão para construir um novo homem cristão - uma grosseria de cada vez."

Pois bem, eu não sei de algum homem que não seja grato pela testosterona, mas o que os homens cristãos precisam é de uma robusta e desafiadora teologia da masculinidade, não um festival profano de imaturidade adolescente. Se agradecer a Deus pela testosterona significa comportar-se como adolescentes exibicionistas, alguns homens adultos precisam dar as caras urgentemente.

O movimento está amplamente correto na sua identificação do cristianismo contemporâneo como feminilizado e feminino. O problema está na sua aparente adoção de uma distorção caricata da masculinidade como sendo a resposta.

"Que tal realmente fazer aquilo que os homens são chamados a fazer na Bíblia?"

O uso de grosserias pelo movimento GodMen pretensamente é usado para atrair os homens - mas para o quê? Os homens cantam canções sobre querer "minha testosterona elevada." Que tal realmente fazer aquilo que os homens são chamados a fazer na Bíblia?

Veja esta seção da reportagem do jornal:

Na verdade, os homens assumirem o controle é um grande tema do reavivamento GodMen. Naquela que ele espera seja a primeira de muitas dessas conferências, num armazém transformado em clube noturno no centro de Nashville, Stine pergunta aos homens: "Você está pronto para brandir sua espada e dizer, ‘OK, família, eu vou liderar vocês?' ". Ele também distribui uma lista de regras do homem de verdade destinada a sua mulher. N. º 1: "Aprenda a usar o assento da privada. Você já é uma garota crescida. Se está erguido, abaixe."

A esposa de Stine, Desiree, afirma que apóia a liderança masculina; para ela parece ser a ordem natural das coisas, ordenada por Deus. É como ela diz: "Quando a coisa aperta, eu gosto de saber que meu marido vai me defender." Mas alguns homens da conferência se metem em apuros ao estrear suas novas atitudes em casa.

Eric Miller, um operário da construção civil, admite que sua mulher não fica muito satisfeita quando ele saiu sozinho numa viagem para um acampamento alguns fins de semana depois da conferência GodMen, no último outono."Ela estava um pouco apreensiva, pois temos um bebê," ele relata. "Ela disse, 'Eu preciso da sua ajuda por aqui.' "Miller, 26 anos, recusou-se a ceder: "Eu devo ser o líder da família."

Ele tem certeza que sua mulher vai mudar de idéia assim que reconhecer que ele está moldando sua vida de acordo com a vida de Jesus, como um bom cristão deveria fazer. Só será necessária uma breve explicação, porque o Jesus que ele tem em mente é o tipo apresentado no cartaz de “procurado”: "confrontador e sarcástico quando necessário," Miller diz, e decidido a utilizar "quaisquer meios necessários para atingir seu objetivo."

"Verdadeira masculinidade está em fazer o que homens fazem, não em conversas sem fim sobre como é maravilhoso ser homem."

Esses caras são sérios? Um homem de verdade honra as mulheres - especialmente sua esposa. A verdadeira masculinidade é marcada pelo cavalheirismo e por princípios de respeito, não por grosseiras "regras para verdadeiros homens" que deveriam ser embaraçosas para todos os envolvidos.

E que dizer do homem que quer ser "o líder da família" deixando sua família de lado para tomar parte em um acampamento com “a rapazeada” quando a família precisa dele? Por acaso ele é um marido e pai ou um escoteiro?

Virilidade cristã não tem nada a ver com bater no peito e celebrar a testosterona - tem a ver com apresentar-se e fazer o que homens cristãos de verdade fazem. Verdadeira masculinidade é demonstrada no cumprimento dos papéis determinados a um homem como o de marido, pai, líder, servo, mestre, protetor e provedor. Verdadeira masculinidade está em fazer o que homens fazem, não em conversas sem fim sobre como é maravilhoso ser homem. Verdadeira masculinidade cristã é evidenciada em assumir liderança no lar e na igreja, e não em conversas fáceis e rudes sobre o uso que Jesus fazia de grosserias como quando chamou Herodes de "aquela raposa."

Em outras palavras, verdadeiros homens cristãos são aqueles que cresceram até serem homens, não aqueles que envergonham a igreja e confundem o Evangelho com exibições de mau comportamento adolescente. Esperemos que esse movimento amadureça antes que exploda.

fonte:  Graças a Deus pela testosterona? Confusão sobre masculinidade cristã

21/06/2010

Hebreus 6:4-6 diz que o verdadeiro cristão pode perder a salvação?

 

Há várias passagens bíblicas que ordenam os cristãos a buscarem a justiça e evitarem a impiedade. Algumas dessas passagens são tão fortes em expressão e contém advertências tão ameaçadoras, que algumas pessoas interpretam incorretamente essas passagens como dizendo que é possível para um verdadeiro crente perder sua salvação. Por exemplo, Hebreus 6:4-6 diz o seguinte:


Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública.

Primeiro, o que quer que essa passagem signifique, ela não diz que os eleitos renunciam de fato a sua fé. Vamos assumir que a passagem está de fato dizendo que se alguém cair da fé depois de alcançar certo estágio de desenvolvimento espiritual, ela de fato perderia sua salvação. Isso não desafia a doutrina da preservação – de fato, podemos concordar de todo coração com tal declaração. Contudo, nós já lemos vários versículos dizendo que isso nunca acontece, que o verdadeiro crente nunca renunciará sincera e permanentemente a Cristo, e a passagem acima não diz nada que contradiga isso. João diz que aqueles que se apartam da fé nunca estiveram verdadeiramente na fé.
Segundo, vários versículos adiante, o escritor declara explicitamente que o que essa passagem descreve não acontecerá aos seus leitores: “Amados, mesmo falando dessa forma, estamos convictos de coisas melhores em relação a vocês, coisas que acompanham a salvação” (Hebreus 6:9). Para parafrasear, ele está dizendo: “Embora estejamos falando dessa forma, estou certo de que quando diz respeito à salvação, isso não acontecerá com vocês”.
Terceiro, devemos lembrar que Deus usa vários meios pelos quais ele realiza os seus fins. Por exemplo, embora ele tenha determinado imutavelmente as identidades daqueles a quem ele salvaria, ele não salva essas pessoas sem meios. Antes, ele salva os eleitos por meio da pregação do evangelho, e por meio da fé em Cristo que ele coloca dentro deles. Deus usa vários meios para realizar os seus fins, e ele escolhe e controla tanto os meios como os fins.
Conseqüentemente, apenas porque dizemos que os eleitos perseverarão na fé, não significa que Deus não os advirta contra a apostasia. De fato, essas advertências escriturísticas sobre as conseqüências de renunciar a fé cristã são um dos meios pelos quais Deus previne seus eleitos de apostasia. Os réprobos ignorarão essas advertências, mas os eleitos prestarão atenção a elas (João 10:27), e assim, eles continuarão a operar a santificação deles “com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Concernente às palavras de Deus, Salmo 19:11 diz: “Por elas o teu servo é advertido; há grande recompensa em obedecer-lhes”.
Vincent Cheung

FONTE: Orthodoxia: Hebreus 6:4-6 diz que o verdadeiro cristão pode perder a salvação?

20/06/2010

Em que mundo você vive?

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Ed René Kivitz

Como você completaria a frase “eu vivo num mundo…”?

Não sei em que mundo você vive. Talvez o seu mundo seja descrito com palavras como belo, maravilhoso, perfeito. Ou, quem sabe, palavras como caótico, assustador, injusto. Não sei em que mundo você vive. Mas eu vivo em um mundo marcado pelo sofrimento humano.

Deus tem uma resposta para esse mundo marcado pelo sofrimento, e a resposta de Deus é a igreja de Jesus Cristo. A primeira resposta de Deus não é uma explicação teórica, teológica ou filosófica. A resposta de Deus é uma ação. Primeiro, enviando Jesus “não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” [João 3.16,17], e, depois, enviando a igreja, nas palavras de Jesus: “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo” [João 17.17; 20.21].

Esta é a razão porque Jesus adverte seus discípulos a respeito da possibilidade da irrelevância da igreja. É por meio da igreja que Deus atua no mundo que se decompõe e apodrece – a igreja é sal da terra. É também por meio da igreja que Deus ilumina um mundo em trevas -  a igreja é luz do mundo. [Mateus 5.13-16].

A igreja é o sinal histórico do reino de Deus. Isto é, é por meio da igreja que Deus está presente no mundo. Mas a igreja pode fracassar em sua vocação. Pode ser um sal que perdeu o sabor e pode ser uma luz escondida. A advertência de Jesus é estímulo para a reflexão. A pergunta que devemos fazer é: de que maneira a igreja se torna sinal do reino de Deus?

A igreja é necessariamente uma comunidade de doadores. A igreja é a comunidade cujo requisito essencial para ingresso é a conversão ao Evangelho de Jesus Cristo ou, se preferir, à própria pessoa de Jesus Cristo. Isso significa que a condição imprescindível para que alguém faça parte da igreja é a experiência de negar a si mesmo. Isso significa que a igreja é essencialmente a comunidade daquele tipo de gente que não vive mais para si mesma [Mateus 16.24-26; 2Coríntios 5.14,15].

Diante da vulnerabilidade que é viver em um mundo marcado pelo sofrimento, onde ninguém está blindado contra a tragédia, as contingências e infortúnios da vida, a segurança possível não está na posse de riquezas e na vida egoísta, individualista e centrada em si mesmo.

A segurança de que precisamos para viver em um mundo marcado pelo sofrimento está em Deus. Mas também está na comunidade dos seguidores de Jesus, aquele universo de pessoas que vive, não mais para si mesmo, mas para a comunhão, em que todos se ajudam mutuamente a superar o mal e a atravessar o dia do sofrimento com dignidade.

Na igreja, a comunidade dos seguidores de Jesus, encontramos socorro e consolo, pois a igreja, a comunidade da solidariedade e da compaixão, é a resposta de Deus para um mundo marcado pelo sofrimento.

fonte: site da Ibab

FONTE: Em que mundo você vive? | PavaBlog#more-17185