Por: Fá Medeiros
Quem, que tendo filhos,não se viu lutando com a maneira certa de tratá-los e conduzi-los no Senhor?
Este artigo de Steve Shank que traduzi é um guia bíblico interessante para os pais monitorarem o coração em relação aos filhos. Uma verdade bíblica aparentemente tão simples tem implicações tão vastas e profundas.
Não deixe de se examinar e ver em que pontos o Senhor requer de você uma mudança. Pergunte-se se ele o chama para isso hoje. Eu estou na fila! E olha que o meu laboratório é grande: tenho quatro. E, por incrível que pareça, com diferentes filhos, o nosso pecado se manifesta de formas distintas e sutis, dificultando ainda mais a compreensão do que está por trás do que fazemos: no nosso coração, de onde procedem as saídas para a vida. E dificultando também a nossa ação motivada pela graça e a nossa entrega ao controle do Espírito Santo.
Que Deus lhe mostre onde você como pai deve recomeçar e corrigir seu percurso. Um dia abençoado!
Maneiras em que os pais provocam seus filhos à ira
Steve Shank
I. Você pode provocar seu filho à ira quando deixa de demonstrar o amor bíblico (1Co 13.4-8a) a seu filho e age…
A. … com impaciência (não esperando que seu filho termine uma tarefa ou apressando seu filho para fazer algo além de sua capacidade)
(violando assim 1Co 13.4; Gl 5.22; Ef 4.1,2; Cl 1.9-12, 3.12)
B. … com indelicadeza (sem prover para as necessidades físicas de seu filho por estar muito ocupado com seus próprios interesses)
(violando assim 1Co 13.4; Gl 5.22, Ef 4.32; Fp 2.3,4; 2Tm 2.24; Tt 2.4,5)
C. … despertando ciúme e inveja (tentando provar para seu filho que você sabe fazer algo melhor que ele)
(violando assim 1Co 13.4; Gl 5.19,20; Tg 3.13-18)
D. … vangloriando-se, com frases como “Eu passei muito mais dificuldade quando tinha a sua idade”)
(violando assim Pv 27.2; Rm 1.30; 1Co 13.4; 2Co 10.18)
E. … com arrogância (afirmando coisas como “Vamos fazer do meu jeito, porque sou muito maior e mais esperto que você”)
(violando assim Rm 1.3; 1Co 13.4)
F. … com ações impróprias, inadequadas (envergonhando ou menosprezando seu filho de propósito ao tratar de suas falhas e imperfeições na frente das pessoas)
(violando assim 1Co 13.5; Ef 4.29)
G. … buscando sempre fazer tudo somente do seu jeito (insistindo em que seu filho ou sua família façam somente o que você quer)
(violando assim 1Co 13.5; Fp 2.3,4)
H. … relembrando constantemente erros que ele cometeu contra você (lembrando seu filho de maneira acusadora a respeito de suas falhas passadas, ao dizer coisas como “Já te disse isso mil vezes…”)
(violando assim 1Co 13.5; Ef 4.32; Cl 3.12,13)
I. … alegrando-se com a injustiça (incentivando seu filho a revidar os males que outros lhe causaram)
(violando assim 1Co 13.6; 2Ts 2.12)
J. … deixando de regozijar-se com a verdade (deixando de elogiar seu filho por ser honesto e confiável e por falar a verdade em situações difíceis)
(violando assim 1Co 13.6; 1Ts 5.16; 1Pe 4.13; 2Jo 1.4; 3Jo 1.3)
K. … não suportando todas as coisas (evitando, criticando ou negligenciando seu filho porque ele não atendeu às suas expectativas à risca)
(violando assim 1Co 13.7; Gl 6.2)
L. … não crendo nem esperando todas as coisas (constantemente duvidando do que seu filho diz antes de você considerar todos os fatos)
(violando assim 1Co 13.7)
M. … não se mantendo firme diante de todas as coisas (reagindo com ira diante de seu filho porque você está se focado mais nas suas próprias dificuldades)
(violando assim 1Co 13.7; Tg 1.2-4)
II. Você pode provocar seu filho à ira quando deixa de dar um exemplo de vida cristã (1Tm 4.12)…
A. … agindo com hipocrisia (julgando o comportamento de seu filho quando você deixa de constantemente examinar seu próprio coração à luz da Palavra de Deus)
(violando assim Mt 7.1-5)
B. … mentindo a seu filho ou pedindo que ele minta por você
(violando assim Rm 14.13; Ef 4.15,25)
C. … brigando e discutindo com seu filho ou brigando e discutindo com seu cônjuge na presença de seu filho
(violando assim Pv 20.3; Fp 2.14-16; Cl 4.6; 2Tm 2.24-25)
D. … provocando seu filho (fazendo cócegas até as lágrimas ou caçoando dele quando foi envergonhado por algo que fez ou fracassou em alguma tentativa)
(violando assim Ef 6.4; Cl 3.12)
E. … falando com seu filho de maneira prejudicial (chamando-o por “nomes” ou gritando com ele em ira)
(violando assim Ef 4.29; Cl 4.6)
F. … mostrando parcialidade a um filho em detrimento de outro
(violando assim Pv 24.23; v. tb. Gn 25.24-34, esp. v. 28 e Gn 27 para ver exemplos de males precipitados por pais ao preferir um filho a outro)
III. Você pode provocar seu filho à ira quando tenta ser a autoridade máxima na vida dele, em vez de mostrar a ele a importância de seguir ao Senhor (com base em Ez 18.4-20, esp. v. 4 e 20; 2Co 3.5,6; 2Tm 3.16,17; Tg 1.22-25)…
A. … praticando um padrão duplo e exigindo que seu filho o sirva continuamente, enquanto você não lhe serve nem serve as pessoas
(violando assim Mt 20.25-28; Mc 9.35; 20.42-45)
B. … tratando seu filho como uma posse ou impondo a ele suas próprias aspirações (insistindo em que ele cumpra arbitrariamente as metas que você estabeleceu para ele)
(violando assim Dt 6.6,7; Sl 24.1, 127.3; Ef 6.4)
C. … praguejando, ou dizendo palavrões para seu filho, ou usando linguagem áspera ou dissensiosa quando ele não atinge certos padrões
(violando assim Pv 12.18, 20.3; Ef 4.15,29,31; Cl 4.6; Tg 3.2-12)
D. … comparando seu filho a você mesmo ou a outras pessoas para mostrar como ele fica aquém de seus padrões’
(violando assim 2Co 10.12,17,18)
IV. Você pode provocar seu filho à ira quando você age de maneira incoerente em relação a ele…
A. … deixando de cumprir o que promete e passando a ser indigno de confiança (prometendo levá-lo a algum lugar e depois arbitrariamente mudando os planos para agradar a você mesmo)
(violando assim Mt 5.37; Ef 4.15,25; Cl 3.9)
B. … deixando de discipliná-lo biblicamente quando necessário (violando Pv 13.24; 23.13; Hb 12.7,8) ou disciplinando somente quando se sente provocado ou irado
(violando assim 1Co 13.5; Ef 4.31)
C. … sendo vago e incoerente com o que fala ou com seus atos (não reagindo ou reagindo pouco diante da desobediência de seu filho num dia, mas em outro ficando visivelmente chateado, usando palavras agressivas e punindo sem restaurar)
(violando assim Pv 15.1; Gl 6.1; Ef 4.15,29; Cl 4.6)
D. … deixando de confessar pecados que cometeu contra seu filho, ou procurando se desculpar de seu comportamento pecaminoso com o intuito de se justificar
(violando assim Mt 5.23,24; Rm 12.18; Tg 5.16)
E. … recusando-se a perdoar a seu filho (fazendo declarações como “Nunca vou conseguir te perdoar pelo que fez para mim”) ao mesmo tempo que exige que seu filho perdoe às pessoas por pecados que elas cometeram contra ele
(violando assim Mt 5.23,24; 18.21,22; Mc 11.25,26; Ef 4.32; Cl 3.12,13)
V. Você pode provocar seu filho à ira quando negligencia seu filho…
A. … deixando de gastar tempo com ele para mostrar como a Palavra de Deus se aplica à vida diária
(violando assim Dt 6.6,7)
B. … deixando de escutar seu filho com paciência quando ele deseja falar com você porque você está “muito ocupado” com seus próprios interesses
(violando assim 1Co 13.4,5; Fp 2.3,4; Tg 1.19)
C. Deixando de disciplinar seu filho biblicamente ou de maneira oportuna, adiando a disciplina porque “você não está a fim” ou esperando para disciplinar seu filho depois de se acumularem vários erros
(violando assim Pv 13.24; 19.18; Ec 8.11)
12/06/2010
Você provoca seu filho à ira?
11/06/2010
MENTES ORGANIZAM, CORAÇÕES MOBILIZAM
Por: Geovane Porto
Algumas igrejas destacam-se por possuírem características muito peculiares. Muitas delas direcionam todos os seus esforços para manterem sua membresia. As programações visam apenas o bem-estar de seus membros, que a cada dia vão se tornando comodistas inveterados. Por isso, a preocupação de sua liderança é se o culto vai agradar. Se ele não agrada, a solução é mudar a liturgia, o estilo de música, os músicos ou até mesmo o pastor. Caso contrário, correm o sério risco de perder a tão protegida membresia. O mais interessante é que igrejas assim não se preocupam com os de fora; a prioridade é manter a máquina funcionando. Outras, no entanto, buscam caminhos diferentes: seus programas e estratégias visam o alcance de novos membros. Porém, o interesse está naquilo que eles têm a oferecer. A força motriz não é o “ide” de Mateus 28.19, e sim o tilintar da moeda em seus gazofilácios.
Os modelos ora citados criam dois tipos de “crentes-consumidores”: os eclesiásticos e os decepcionados. Os eclesiásticos são os que sugam da igreja; pessoas que não vivem sem ela. Em sua grande maioria, são frequentadores assíduos de suas atividades. Cantam em conjuntos e até fazem parte de algum departamento que lhes possa interessar. Mas o que os move é a busca pela satisfação pessoal. Já os consumidores decepcionados, com o tempo descobrem que adquiriram um produto que não satisfará para sempre as suas necessidades. Decepcionam-se com a igreja e, consequentemente, se afastam de Deus.
O que os dois tipos têm em comum? Programas e estratégias. Logicamente, para que elas se tornem atividades efetivas são necessárias mentes para organizá-las. Qualquer pastor que se preze falaria com orgulho se em sua igreja existissem tais mentes. Pessoas capazes, bem preparadas física e psicologicamente, instruídas, aptas a ensinar. Gente inserida na comunidade, com visão e percepção das tendências socioculturais. O problema é que se tudo isso existir sem amor, não há valor algum! Programas, estratégias, grupos pequenos ou grandes, ministérios, departamentos... seriam como címbalos retumbantes. O maior de todos os valores do evangelho é a transformação de pessoas. Quando Jesus curava um aleijado, ele finalmente podia ir para casa. Aleijados não frequentavam lugares de gente saudável (como igrejas, por exemplo). Jesus, além de curar, transformava a realidade de todos.
Podemos ter os melhores planejamentos estratégicos, mas se não proclamarmos um evangelho transformador, significa que não entendemos nada do que Cristo nos mandou fazer. E então, corremos o risco de fazer parte de uma das igrejas descritas no início. Por isto, relembro a frase-título desta reflexão: “Mentes organizam, corações mobilizam!”. As mentes são necessárias para a organização de nossas dinâmicas ministeriais. No entanto, corações sensíveis mobilizam pessoas a se renderem ao Senhor Jesus.
Que Deus nos ensine a colocar mentes e corações ao seu dispor.
• Geovane Porto é pastor de juventude da Igreja Presbiteriana de Campinas.
Uma Rocha Eterna – C. H. Spurgeon
Existe um Deus; este Deus rege e governa todas as coisas; este Deus formou o mundo: Ele o sustenta e o mantém. Que tipo de ser é Ele? Parece-me impossível conceber um Deus mutável.
Entendo que esse pensamento é repugnante para o senso comum, que se por um momento pensarmos num Deus variável, as palavras parecem contraditórias e talvez nos obriguem a dizer: "Então Ele deve ser um tipo de homem" e assim adquirimos uma falsa idéia de quem é Deus. Creio ser impossível conceber um Deus variável; é assim para mim. Outros podem ser capazes de ter uma idéia como essa, mas eu não posso considerar isso. Não posso imaginar um Deus variável mais do que posso imaginar um quadrado redondo. Essa idéia me parece tão absurda, que estou obrigado, quando falo em Deus, a incluir a idéia de um Ser imutável.
Bem, penso que esse argumento será suficiente, porém outro argumento bom pode ser achado no fato da perfeição de Deus. Creio que Deus é um Ser perfeito. Ora, se Ele é perfeito, Ele não pode mudar. Vocês não vêem isso? Suponha que eu seja perfeito hoje; se fosse possível eu mudar, seria eu mais perfeito amanhã depois de alguma mudança? Se eu mudasse, eu teria que mudar de um estado bom para um melhor - e assim, se eu pudesse melhorar, não seria perfeito agora - ou mudar de um estado bom para um estado mal - e se eu ficasse pior, então não seria perfeito. Se eu sou perfeito, não posso sofrer mudança sem tornar-me imperfeito. Se eu sou perfeito hoje, tenho que manter o mesmo estado amanhã para que continue perfeito. Assim, se Deus é perfeito, Ele deve ser o mesmo sempre; pois qualquer mudança implicaria em imperfeição agora, ou imperfeição no futuro.
Novamente, há o fato da infinidade de Deus, a qual elimina a possibilidade de mudança. Deus é infinito. O que significa isso? Não há ninguém que possa dizer o que significa uma pessoa ser infinita. Mas não pode haver duas infinidades. Se uma coisa é infinita, não existe lugar para qualquer outra coisa; pois infinito significa tudo. Significa sem limite, não finito, não tendo fim. Bem, não pode haver duas infinidades. Se Deus é infinito hoje, e pudesse mudar e ser infinito amanhã, haveria duas infinidades. Contudo, isso não pode ser. Suponha que Ele seja infinito e então mude, Ele Se tornaria finito e não poderia ser Deus; ou Ele é finito hoje e finito amanhã, ou infinito hoje e finito amanhã, ou finito hoje e infinito amanhã - todas essas suposições são igualmente absurdas. O fato dEle ser infinito de imediato esmaga o pensamento que Ele possa ser mutável. A infinidade tem escrito na Sua testa a palavra "imutabilidade".
Entretanto, queridos amigos, olhemos para o passado e lá juntaremos algumas provas da natureza da imutabilidade de Deus. "Ele falou que faria e não fez? Ele jurou e isso não vai acontecer?" Porventura não pode ser dito de Jeová que "fará toda sua vontade e estabelecerá o seu propósito"? Voltem-se para a Filístia e pergunte onde ela está. Deus disse: "Grite Asdode e os portões de Gaza, pois serão destruídos"; e onde estão eles? Onde está Edom? Pergunte a Pátara e suas paredes arruinadas. Será que elas não ecoarão a verdade que Deus disse: "Edom será uma presa e será destruída"? Onde está Babel e onde está Nínive? Onde estão Moabe e Amon? Onde estão as nações que Deus disse que destruiria? Acaso Ele não os desarraigou e os expulsou da face da terra? E Deus lançou fora Seu povo? Não estaria Ele atento para Suas promessas? Teria Ele quebrado Seu juramento e aliança ou abandonado o Seu plano? Não! Indiquem um momento da história em que Deus mudou! Vocês não podem, senhores; pois ao longo de toda a história existe o fato de que Deus foi imutável em Seus propósitos. As vezes ouço alguém dizer: "eu posso me lembrar de uma passagem nas Escrituras onde Deus mudou"! E assim pensei eu, no passado.
O caso que eu quero mencionar é o da morte de Ezequias. Isaías veio e disse: "Ezequias, você vai morrer, sua doença é incurável, ponha sua casa em ordem". Ele se virou para a parede e começou a orar; e antes que Isaías saísse fora do palácio, foi-lhe ordenado que voltasse e dissesse: "Você ainda viverá mais quinze anos". Vocês podem pensar que isso prova que Deus muda; mas realmente eu não posso ver nisso a menor prova possível. Acaso vocês acham que Deus não sabia que isso aconteceria? Ora, Deus sabia disso; Ele sabia que Ezequias viveria. Então Ele não mudou, pois se Ele sabia disso, como poderia mudar? Isso é o que eu quero saber. Entretanto, vocês sabem de uma coisa? - que Manasses, filho de Ezequias, até aquele momento ainda não havia nascido e que se Ezequias tivesse morrido, não haveria nenhum Manasses, nenhum Josias e nenhum Cristo, porque Jesus veio ao mundo dessa genealogia. Vocês verão que Manasses tinha doze anos quando seu pai morreu; de forma que ele nasceu três anos depois disso acontecer. E vocês não crêem que Deus decretou o nascimento de Manasses e o pré-conheceu? Certamente. Então Ele decretou que Isaías deveria ir e dizer a Ezequias que a doença dele era incurável e também dizer ao mesmo instante, "mas Eu te curarei e ficarás vivo". Deus agiu dessa maneira para incitar Ezequias à oração. Ele falou, em primeiro lugar como um homem. "De acordo com toda a probabilidade humana sua doença é incurável e você vai morrer." Então Ele esperou até que Ezequias orasse; então, veio um pequeno "mas" ao término da frase. Isaías não tinha terminado a frase. Ele disse, "você tem que pôr sua casa em ordem pois não há nenhuma cura humana; mas (e então ele caminhou para fora. Ezequias orou por um instante e então ele (Isaías) entrou novamente, e disse) "eu te curarei". Onde consta aí qualquer contradição, exceto no cérebro daqueles que lutam contra o Senhor e desejam fazer dEle um ser mutável?
O Declínio da Pregação Contemporânea
John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master’s College and Seminary e do ministério “Grace to You”; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.
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Você já percebeu como diversos comerciais de televisão não falam especificamente sobre os produtos que anunciam? Um anúncio de jeans apresenta um comovente drama a respeito da infelicidade dos adolescentes, mas não se refere ao jeans. Um comercial de perfumes mostra uma coletânea de imagens sensuais sem qualquer referência ao produto anunciado. As propagandas de cerveja são algumas das mais criativas da televisão, mas falam muito pouco sobre a própria cerveja.
Esses comerciais são produzidos com o objetivo de entreter, criar disposição e apelar às nossas emoções, mas não para transmitir informações. Com freqüência, eles são os mais eficientes, visto serem os que fazem melhor proveito da televisão. São produtos naturais de um veículo de comunicação que promove uma visão surrealista do mundo.
A televisão mescla sutilmente a vida real com a ilusão. A verdade é irrelevante. O que realmente importa é se estamos sendo entretidos. A essência não significa nada; o estilo de vida é o que mais interessa. Nas palavras de Marshall McLuhan, o instrumento é a mensagem.
Amusing Ouselves to Death (Divertindo-nos até à morte) é um livro perceptivo mas inquietante escrito por Neil Postman, professor da Universidade de Nova Iorque. Ele argumenta que a televisão nos tem mutilado a capacidade de pensar e reduzido nossa aptidão para a verdadeira comunicação.
Postman assegura que, ao invés de nos tornar a mais informada e erudita de todas as gerações da História, a televisão tem inundado nossas mentes com informações irrelevantes, sem significado. Ela nos tem condicionado apenas ao entretenimento, tornando obsoletas outras formas de interação humana.
Postman ressalta que até os noticiários são uma apresentação teatral. Jornalistas simpáticos relatam calmamente breves notícias sobre guerras, assassinatos, crimes e desastres naturais. Essas histórias catastróficas são intercaladas por comerciais que banalizam suas informações, isolando-as de seu contexto. Em seu livro, Postman registra um noticiário em que um almirante declarou que uma guerra nuclear mundial seria inevitável. No próximo segmento da programação, houve um comercial do Rei dos Hamburgers. Não se espera que nossa reação seja racional. Nas palavras de Postman, “os espectadores não reagirão com um senso da realidade, assim como a audiência no teatro não sairá correndo para casa, porque alguém no palco disse que um assassino estava solto na vizinhança”.
A televisão não pode exigir uma resposta sensata. As pessoas ligam-na para se divertir, não para serem desafiadas a pensar. Se um programa exige que pensemos ou demanda muito de nossas faculdades intelectuais, ninguém o assiste.
A televisão tem diminuído o alcance de nossa atenção. Por exemplo, alguma pessoa de nossa sociedade ficaria de pé, entre uma sufocante multidão, durante sete horas para ouvir os debates dos candidatos a presidente da República? Sinceramente, é muito difícil imaginar que nossos antepassados possuíam esse tipo de paciência. Temos permitido a televisão nos fazer pensar que sabemos mais agora, enquanto na verdade estamos perdendo nossa tolerância na área de pensar e aprender.
Sem dúvida, a mensagem mais vigorosa do livro de Postman está em um capítulo sobre religião. Esse homem não-crente escreve com profundo discernimento a respeito do declínio da pregação. Ele contrasta a pregação contemporânea com o ministério de homens como Jonathan Edwards, George Whitefield e outros. Estes homens contavam com um profundo conteúdo, lógica e conhecimento das Escrituras. Em contraste, a pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções. Na definição moderna, a “boa” pregação tem de ser, antes de tudo, breve e estimulante. Consiste em entretenimento, não em ensino, repreensão, correção ou educação na justiça (2 Tm 3.16).
O modelo da pregação moderna é o evangelista esperto que exagera as emoções, traz consigo um microfone, enquanto anda pomposamente ao redor do púlpito, levando os ouvintes a baterem palmas, movimentarem-se e fazerem aclamações em voz bem alta, ao tempo em que ele os incita a um frenesi. Não existe alimento espiritual na mensagem, mas quem se importa, visto que a resposta é entusiástica?
É lógico que a pregação em muitas das igrejas conservadoras não se realiza de maneira tão exagerada assim. Mas, infelizmente, até algumas das melhores pregações de nossos dias contêm mais entretenimento do que ensino. Muitas igrejas têm um sermão característico de meia hora, repleto de histórias engraçadas e pouco ensino.
Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática. Uma grande revista evangélica recentemente publicou um artigo escrito por um famoso pregador carismático. Ele utilizou uma página inteira para falar sobre a futilidade tanto de pregar quanto de ouvir sermões que vão além de mero entretenimento. Qual foi a sua conclusão? As pessoas não recordam aquilo que você pregou; por isso, a maior parte da pregação é perda de tempo. “Procurarei fazer melhor no próximo ano”, ele escreveu, “isto significa desperdiçar menos tempo ouvindo sermões demorados e gastando mais tempo preparando sermões curtos. As pessoas, eu descobri, perdoarão uma teologia pobre, se o culto matinal terminar antes do meio-dia”.
Isto resume com perfeição a atitude que predomina na igreja moderna. Existe uma semelhança entre esse tipo de pregação e os comerciais de jeans, perfume e cerveja na televisão. Assim como os comerciais, a pregação moderna tem o objetivo de criar uma disposição íntima, evocar uma resposta emocional e entreter, mas não o de comunicar necessariamente algo da essência das Escrituras. Esse tipo de pregação é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão. Segue o que é agradável, porém revela pouca preocupação com a verdade. Não é o tipo de pregação ordenada nas Escrituras. Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar “o que convém à sã doutrina” (Tt 2.1); ensinar e recomendar “o ensino segundo a piedade” (1 Tm 6.3). É impossível fazer estas coisas se nosso alvo é entreter as pessoas.
O futuro da pregação expositiva é incerto. O que um pastor sincero tem de fazer para alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e raciocínio exposições da verdade divina? Este é o grande desafio para os líderes da igreja contemporânea. Não devemos nos render à pressão para sermos superficiais. Temos de encontrar maneiras de fazer conhecida a Palavra de Deus a uma geração que não apenas recusa-se a ouvir, mas também não sabe como ouvir.











