13/11/2009

A IGREJA QUE NÃO EXISTE MAIS -1

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por Ariovaldo Ramos

“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2:43-47

Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo.

Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos  (tinham tudo em comum) – os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um;   e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo à disposição de todos.

Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz.

Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.

Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.

O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje." (Mt 6.9) estava respondido, e diariamente.

Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.

Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.

Essa Igreja não existe mais!

Continua.

FONTE: Portal Missão Integral - ARTIGOS - ariovaldoramos.com.br

12/11/2009

O QUE PERDI PELO CAMINHO

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De uns tempos prá comecei a questionar qual o sentido de adorar a Deus.
Percebi que longo do meu caminho quanto mais próximo buscava estar de Deus mais longe me sentia Dele.
Quantas vezes não somos levados a pensar em estratégias, planos de ação, metodologias, formatos, linguagens para falar sobre Deus as pessoas e o melhor que estamos fazendo é querer vender um produto religioso que nem nós mesmos compramos, na melhor das hipóteses deixamos de lado sem uso.
Vi-me secado pelo meu envolvimento na igreja. Senti que cativar as pessoas tem sugado minha alma e precipitado em mim uma angústia como aquela famosa coceira que sempre cito em meus textos que temos e não conseguimos encontrá-la com as unhas da mão.
Vejo-me falando sobre Deus, mas quase nunca com Deus. Parece que minha alma está secando por dentro.
A minha oração parece estar percorrendo um caminho muito longo..., bem longo que chega ao seu destino num som fraco e pouco audível aos ouvidos do Pai.
Perdi algo pelo caminho, não sei bem ao certo o que ou como, mas perdi.
Não consigo mais olhar qualquer igreja que seja sem ver nela como um grupo de pessoas atrás de estratégias megalomaníacas, umas repletas de intelectuais com conjecturas complexas sobre Deus, outras igrejas menores mais simples, mas também discorrendo sobre Deus como objeto de estudo.
Talvez o que veja seja apenas reflexo do que está me acontecendo, talvez, mas a crítica de qualquer forma é a mim mesmo.
Na época dos apóstolos a estratégia era apenas comida a quem necessita e paixão pelo que faz. Onde a paixão movia todo o resto com ou sem estratégia.
Hoje queremos montar uma estratégia para despertar a paixão.
Não se pode pregar dedicação no reino de Deus, pois aquilo que move a dedicação é o amor. A estratégia nunca vai despertar amor.
Criamos tantas regras, métodos e esquemas complexos que nos afastamos do essencial, do amor.
Vi-me sugado pela minha vaidade e escondendo meus problemas atrás dos compromissos religiosos que amenizam a dor de decisões que devemos tomar mas somos tolidos ora pelo sistema religioso que ocupa nosso tempo, ora pelo discurso qse moralista que te deixa livre a fazer o que quiser mas com uma dúvida enorme se há sinceridade naquilo tudo.
Quero ficar sozinho com tudo isso, pois de um lado um me suga a alma e do outro a solidão me deprime e faz pensar.
Preciso escolher com o que quero sofrer, seja qual for, esse sofrimento tem quebrado meu coração e fortalecido minhas celestiais cordas vocais para que Deus possa ouvir minha oração depositando em mim a paixão antes de qualquer outra coisa.
Seco não ficarei.
Fino

FONTE:     Reformado

11/11/2009

A GRAÇA BARATA E A GRAÇA PRECIOSA

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por Ed René Kivitz

Nascido em Breslau, na Alemanha, em 4 de fevereiro de 1906, Dietrich Bonhoeffer foi teólogo, pastor luterano e um dos mentores e signatários da Declaração de Bremen, quando, em 1934, diversos pastores luteranos e reformados formaram a Bekennende Kirche (Igreja Confessante), rejeitando desafiadoramente o nazismo: "Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador".

Seus últimos dois anos foram vividos na Prisão Preventiva do Exército em Tegel, até que, em 9 de abril de 1945, pouco tempo depois do suicídio de Adolf Hitler e apenas três semanas antes que as tropas aliadas libertassem o campo, foi enforcado em virtude de seu engajamento na resistência anti-nazista.

Em sua obra mais famosa, escrita no período de ascensão do nazismo, intitulada "Discipulado", Bonhoeffer desenvolve o conceito de "graça barata e graça preciosa", uma das mais belas páginas da teologia protestante. Eis um pequenino trecho:

"A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.

A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quando tem; a pérola preciosa, a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens para adquiri-la; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, o qual, ao ouvi-lo, o discípulo larga as suas redes e o segue.

A graça preciosa é o evangelho que há que se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater.

A graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, dar-lhe a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por tê-la sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho - "fostes comprados por preço" - e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.

A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado. A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: ´O meu jugo é suave e o meu fardo é leve´ são expressão da graça ... A graça e o discipulado permanecem indissoluvelmente ligados".

fONTE:    irmaos.com - Ariovaldo Ramos e Ed René Kivitz - Missão Integral

Dica do Pavarini via Twitter

INCÓGNITA HUMANA

 

O ser humano gera em mim um tremendo fascínio. E o que mais me atrai é sua complexidade – exatamente o que gera um efeito totalmente inverso em muitas pessoas.
Essa atração é o que me torna um estudante do comportamento humano – um amador, diga-se de passagem. Não quero pra mim a pecha de pretensioso ou arrogante. Aliás, a fim de tranquilizar os críticos de plantão, as análises que faço servem para minha exclusiva satisfação.
Gosto de observar, mesmo quando não gosto do que vejo. As belezas e as tristezas do homem pintam um quadro dramático nas paredes da história, uma pintura sempre inacabada desenhada em cada canto onde haja uma alma vivente que se torna, ainda que involuntariamente, um agente da história.
Diante deste ser tão complexo, grande tolice é proferir julgamentos sem considerar todos os seus aspectos. É necessário reconhecer e respeitar o fato de que o homem possui aspectos biológicos, psíquicos, sociais e espirituais.
Resolver os problemas da vida como se o humano fosse apenas uma equação matemática é tentativa totalmente inócua. Se somos uma equação, certamente o somos com uma variedade sem fim de incógnitas e variáveis.
Não se trata de relativismo. Apenas devemos nos atentar que não possuímos a previsibilidade das máquinas (e hoje até elas não são tão previsíveis assim). Somos sangue e carne, mente e coração, somos incrivelmente grandes – ao ponto de ser convidados pelo próprio Deus para tecer a rede da história juntamente com Ele.
Somos também fragilmente pequenos, ao passo que muitas vezes não conseguimos dominar nem mesmo a nós próprios, possuídos pela gana doentia de dominar o mundo e tudo o que nele há.
Nunca cessaremos de observar o bicho homem. Com todas as suas idiossincrasias, ele nos fornece uma quantidade de material para estudo que levaria a eternidade para ser exaurido em avaliação.
Certamente não somos meramente animais, há algo de divino em nós e está revelado nessa complexidade – ainda que rejeitada pelos céticos. Há em nós, em nossa estrutura engenhosa (física e espiritual) os traços de que somos um projeto maravilhoso que se “autonomizou” e perdeu a direção.
Somos nós, preservadores e destruidores, geradores e aniquiladores de nossa própria espécie... somos o que há para ser admirado com exaltação, e repreendido com pena e compaixão. Somos um enigma que somente Deus pode decifrar e compreender em plenitude.

onte:    Visão Integral