16/09/2008

O Desafio do Preparo Missionário em um Contexto de Prejuízo Histórico


Para entendermos os critérios das mudanças na área de ensino missiológico em todo o mundo, nos últimos 30 anos, precisamos estudar as tendências teológicas presentes em cada contexto. Grosso modo veríamos que nos anos 70 a missiologia possuía uma ênfase eclesiológica localizada e pragmática. Avaliava-se na época a identidade da Igreja como comunidade responsável por transmitir o Evangelho de Cristo por toda a terra.

Esta ênfase eclesiológica com aplicabilidade pastoral/eclesiástica definia a formação da mentalidade evangélica levando à uma consciência de quem nós somos e para o que fomos chamados. Foi uma época de fundamentação missiológica, época dos conceitos, que preparou também a Igreja dos países missionários emergentes para a segunda década. Nos anos 80 iniciou-se um processo centrado na análise e avaliação do campo missionário e notamos o que tenho chamado de "Efeito PNA" (Povos Não Alcançados) fazendo com que o assunto Missões passasse a ter uma forma gráfica e estatística. Quem são os PNAs, onde estão e como alcançá-los. Surgiram os pesquisadores, os movimentos de categorização da prioridade missionária no mundo e a ênfase na definição do que seria a grande meta missionária da Igreja nos próximos anos.

Movimentos como AD 2.000, WEC International (AMEM), World Mission e outras dedicavam-se intensamente à tarefa de definir quem eram, onde estavam e qual a chance de alcançar os grupos ainda intocados pelo Evangelho. Definiu-se a janela 10X40, entendeu-se a dimensão do desafio islâmico, foi revelada a necessidade de investimento missionário entre o crescente grupo dos "Sem-Religião" e compreendeu-se melhor a permanente resistência dos grupos animistas, além do sempre presente perigo do sincretismo religioso. Era a década da definição da largura, extensão e profundidade do restante não alcançado em nossa geração e do que ainda precisava ser feito.

Dois grandes passos haviam sido dados até então: a fundamentação de uma missiologia voltada para a identidade da Igreja e o estudo dos grupos-alvo do esforço missionário. Neste ínterim, através do massivo envio missionários nos anos 80, percebeu-se a existência de uma brecha entre o ideal missionário e a realização missionária, e assim entramos na década seguinte com uma forte consciência de que faltava algo.

Nos anos 90, com a visão das limitações missionárias, problemas freqüentes de contextualização e comunicação transcultural, limitada aplicabilidade das teologias bíblicas em contexto inter-cultural e reduzido número de igrejas autóctones entre os grupos recém-alcançados, fomos levados a crer que a formação missiológica (a descrição de nossa identidade funcional, princípios e conceitos como Corpo chamado a fazer diferença na terra) era insuficiente perante o sonho de implantação de igrejas no restante intocado do planeta.

Faltavam-nos instrumentos, preparo prático, instrução sobre como fazer, tecnicabilidade; enfim, faltava-nos um manual sobre "como fazer" - treinamento missionário. Ao longo dos anos 90 nos rendemos à conclusão de que o grande desafio da década, e possivelmente da década seguinte, seria a preparação teológica, ortoprática e funcional de obreiros transculturais, e assim passamos a falar em redefinição de currículos, idealização de melhores treinamentos, fundação de novas escolas de Missões e toda a ênfase voltou-se para a pessoa do missionário, gerando também um aprofundamento nos critérios de aceitação, treinamento e envio de novos missionários. Fenomenologia da Religião, Antropologia Cultural, Fonética, Aprendizado de Línguas, Tradução e Teologia de Missões ganharam ênfase em várias instituições de ensino. Após esta retrospectiva vejamos um pouco do momento atual.

Prejuízo Histórico

Vivemos em um prejuízo histórico missionário como todos os países missiologicamente embrionários onde possuímos uma pequena leva de missiólogos para um grande número de instituições de treinamento missionário, onde a grande maioria de nossos professores não tiveram a oportunidade de ser expostos a um contexto transcultural missionário e, por outro lado, o grosso dos nossos missionários mais experientes ainda encontram-se na ativa em diferentes campos. Este é um prejuízo histórico comum no momento que nos encontramos, basicamente vivendo a nossa segunda geração missionária, e possivelmente apenas entre a terceira e quarta é que passaremos a experimentar um número maior de missionários envolvidos missiologicamente no preparo de novos obreiros.

Entretanto devemos lembrar que missionários funcionalmente capazes em seus campos não são necessariamente missiólogos ou professores de missões. Países como a Coréia do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Brasil e Tanzânia vivem situações parecidas do ponto de vista do preparo: a falta de uma ponte que una a realidade do desafio do campo missionário e a presente proposta de preparo missiológico. É certo que não podemos lidar com todas as implicações desta realidade histórica na qual nos encontramos, entretanto creio que podemos minimizar seus efeitos. Precisamos definir nossas prioridades e limitações em nosso treinamento e formação missionária. Costumo afirmar que, pela índole evangelística da Igreja brasileira, temos em nosso território um laboratório natural para a formação de plantadores de igrejas. Somos uma nação etnicamente multicultural e nossas raízes histórico/culturais remontam a um passado menos distante que países com homogenia étnica fazendo com que a chamada "Expectativa Cultural" seja menos gritante.

Para minimizarmos os efeitos do prejuízo histórico no qual nos encontramos creio que poderíamos pensar e tentar enfatizar, sob as definições de sua aplicabilidade funcional, três áreas da formação missionária as quais, pelo simples fato de serem comumente apontadas por obreiros provindos de 'novos países' como as principais barreiras na tentativa de uma verdadeira comunicação do evangelho, constituem para mim o suprassumo da nossa carência de treinamento integral. São elas a Antropologia Cultural, Teologia Bíblica e Aprendizado de Línguas. Menciono estas áreas, entretanto, sob o pressuposto de que já temos em mente que o caráter missionário fala mais alto que sua habilidade. Portanto, seria nulo o conhecimento missiológico em um homem desprovido do caráter de Cristo.

Antropologia Cultural

Entendamos inicialmente a relevância da Antropologia Cultural, ou "Antropologia da Observação Cultural" como definia M. Stuart no início dos anos 50, na necessária tarefa de 'explorar a possibilidade da comunicação do evangelho a outro grupo que, culturalmente, possua outros padrões de valores existenciais na transmissão de uma mensagem'. Fala a respeito da possibilidade de real comunicação entre dois grupos distintos com diferentes (e às vezes divergentes) cosmovisões. Respondendo a um missionário que fortemente indagava "mas qual a aplicabilidade da Antropologia Cultural em meu ministério?" comecei a responder dizendo: A Antropologia Cultural, funcionalmente definindo, é um instrumento de reconhecimento das perguntas existentes em certa cultura, socialmente interpretadas ou não pelo próprio grupo, entretanto necessárias para se diagnosticar os pontos de tensão social ali existentes. Provê as ferramentas necessárias para o mapeamento cultural do grupo alvo através da definição da hierarquia social, hierarquia sócio-espiritual, expressões ritualísticas e cerimoniais, cosmologia, cosmovisões e costumes, linguagem interativa e comunicabilidade.

O alvo da antropologia cultural, missiologicamente falando, é levantar as perguntas socialmente relevantes a fim de receber respostas biblicamente centradas. O alvo final é fomentar transformação de vida e sociedade através de um evangelho que faça sentido na cultura receptora, e não apenas na mente e coração daquele que transmite. Ou seja, entender o contexto para que o Evangelho exposto seja inteligível ao que ouve. Como exemplo poderíamos pensar sobre o tempo linear e cíclico. Quando um povo animista possui toda a sua cosmologia definida pelo tempo cíclico (baseado em acontecimentos que 'marcam' o tempo e necessariamente se repetem, não avançam ou retrocedem) e não linear (como o nosso tempo ocidental que segue uma linha contínua progressiva e não repetitiva) fazendo com que o dia 4 de julho de 1999 nunca venha a se repetir em nossos calendários, mentes e cosmologia, isto gera questionamentos sócio-existenciais que precisam ser respondidos para a compreensão, aceitação e viabilidade cultural do evangelho dentre o povo.

Em termos práticos, é necessário saber quais são as perguntas (este é o trabalho da Antropologia Cultural) antes de tentar respondê-las (Teologia bíblica). Por exemplo, expor o evangelho numa perspectiva linear para um povo com cosmovisão cíclica terá um dos três possíveis resultados:

a) entendê-lo como uma mensagem alienígena e possivelmente aplicável apenas a uma cultura estrangeira;

b) entendê-lo parcialmente e tentar preencher os vácuos deixados com respostas da religião materna; o que geraria sincretismo religioso;

c) não entendê-lo.

Deixando o simplismo óbvio com o qual estamos lidando, seria necessário pensarmos, numa perspectiva do prejuízo histórico no qual vivemos, quais seriam as áreas de estudo na Antropologia Cultural que fariam nossos missionários mais bem preparados para o grande desafio. Dentre as mais variadas áreas da Antropologia como Antropologia Cultural, Etnicismo, Etnologia, Costumes e Culturas, Fenomenologia Religiosa e Comunicação Social há duas altamente relevantes para nossos candidatos à obra missionária transcultural que são Fenomenologia da Religião e Etnologia.

A relevância destas duas áreas de estudo deve-se mais à observação dos comuns erros de campo (inclusive e principalmente os meus) do que em uma tentativa de estruturar um currículo ideal de conhecimento antropológico. Dentre estes 'erros comuns' há três que têm vindo à tona quase sempre quando a comunicação é restritiva, parcial ou simplesmente ausente. Eles giram em torno da falta de compreensão de que: Nem tudo o que é diferente é religioso.

Entre os Bassaris, tribo vizinha aos Konkombas com os quais trabalhamos, há um complexo ritual onde um composto de água e gordura é derramado constantemente sobre o corpo de alguém morto recentemente, usando-se uma cuia de madeira enquanto algumas palavras são ditas por uma pequena multidão que se coloca ao redor. Próximo dali é acesa uma fogueira onde folhas verdes são queimadas enquanto um pouco de água é aspergida sobre o fogo por pessoas ligadas àquele que morreu.

Lendo um relato de um missionário que esteve entre eles há vinte anos atrás, ele ao fim conclui: "É um ato de invocação demoníaca a fim de pedir aos espíritos que guiem aquele que morreu". Nada mais longe da verdade!

Apesar da tribo Bassari ser animista e estar debaixo de forte influência do mal, este ato em particular não passa de uma forma de conservar o corpo do morto durante os dias de espera pelos parentes de aldeias distantes. A água e gordura têm uma propriedade de retardar a decomposição do corpo; a cuia é usada porque não há panelas ou copos; a multidão posta-se ao redor da fogueira porque é assim que reúnem-se todas as noites, mesmo porquê não há energia elétrica, e folhas verdes são queimadas (com um pouco de água sendo aspergida) a fim de produzir bastante fumaça e espantar os mosquitos. As palavras ditas são provavelmente os cumprimentos a cada pessoa que chega de outras aldeias para o funeral. Na verdade, este não é um ato religioso, mas sim um processo cultural-científico, ou 'apenas um ato social' como diria Kenner.

Denomino de 'neurose espírito-fenomenológica' a tendência que nós missionários temos de analisar religiosamente todo e qualquer fenômeno ,interpretando-o como quem chegou para dissecar a religiosidade cultural sem entretanto ver o povo como uma sociedade que vive e não apenas cultua.Reflita: nem tudo o que é cerimonial é demoníaco.

Duas posturas são destrutivas na ação missionária para fins de comunicação: não crer na ação demoníaca e crer que tudo é ação demoníaca. A fim de entender a diferença entre os dois pontos, podemos usar o conhecimento missiológico, nossa teologia, observação e sabedoria. Entretanto, creio que nunca entenderemos a raiz do que é diariamente posto à nossa frente, se do alto não nos for dado discernimento espiritual.

Um fator agravante é que os fenômenos religiosos em uma cultura recém-alcançada devem ser entendidos e interpretados o mais cedo possível, a fim de ativar a comunicação aplicativa do Evangelho, o que nos força a tomar posições interpretativas quanto a fenômenos locais muito cedo, quando ainda estamos pouco imersos culturalmente. Olhando ao redor do universo Konkomba poderia citar um grupo expressivo de fenômenos sociais ou religiosos que necessitam de um esforço de discernimento a fim de identificá-los do ponto de vista espiritual , como por exemplo, a circuncisão de rapazes quando passam para a idade adulta tornando-se 'ujaman' - homens; o corte da pele facial formando cicatrizes que apontam para o clã ao qual pertencem; a dança cerimonial após a morte de alguém; o banho de lama e óleo antes de um trabalho pesado ou longa viagem; a 'venda' das crianças que nascem após haver morte infantil na família etc.

Outros são claramente negativos, mas igualmente carentes de interpretação social, como a morte de uma criança quando nascem gêmeos abandonando-a numa floresta a noite, ou mesmo o sacrifício de crianças 'defeituosas' ou profundamente enfermas.

Devemos entender que uma classificação normativa (demoníaco ou não demoníaco) pode saciar nossa sede de definições teológicas, mas não são suficientes para alinhar um processo na ética de uma igreja que nasce entre um grupo recém-alcançado. Há a necessidade de uma interpretação um pouco mais profunda, levando-se em consideração que entre vários grupos (como animistas, hindus ou budistas) o comum não se dissocia do sagrado, nem o material do espiritual, havendo o que pode ser chamado, quase que paradoxalmente, de 'integração dialética'.

Entretanto, nossa tendência exorcista brasileira pode levar-nos a uma maior dificuldade no discernir da linha divisória entre o religioso e o comum e na precipitação do julgamento cultural. Nem tudo o que é cultural é puro.Este é o outro lado da moeda.

O etnicismo defende a pureza natural das culturas intocadas o que pode, em certa instância, influenciar a comunicação. Devemos ser sempre relembrados de que o pecado é cultural. Ele não ocorre em um plano supra- humano, mas brota do coração do homem envolto em seus conceitos e costumes, manifestando-se moldado às circunstâncias externas como língua, costumes e meio- ambiente, e por fim caindo no mesmo abismo que foi aberto desde o início: a separação entre o homem caído e o Deus santo.

O pecado é cultural, manifesta-se culturalmente e o homem, em sua cultura, necessita de redenção. O Evangelho, entretanto, é supracultural, pois não se limita às estruturas da sociedade. É aplicado a todo homem, de todas as culturas, em todas as gerações. Entre os povos isolados ( as “meninas dos olhos” dos antropólogos etnicistas) não encontramos um paraíso de pureza cultural, como alguma vezes se pensa, mas, sim, povos curvados ao inimigo, vivendo um inferno na terra e procurando quase desesperados alguma maneira de redenção, mesmo que temporária.

Procuram redenção nos sacrifícios, ídolos, amuletos, tabus, magias, rituais demoníacos e penitências. A verdade bíblica universal, entretanto, afirma que a redenção está em Jesus, a mensagem é o Evangelho e entregá-la a outros se chama Missões.

Esta é a nossa fé e para isto trabalhamos.

Teologia Bíblica

Teologia bíblica é um termo que deve ser pré-conceituado antes de prosseguirmos. Utilizo-o sob o pressuposto temático. Não se trata portanto, de ramos teológicos, teologia sistemática ou de teologia verdadeiramente bíblica ,mas simplesmente da sistematização bíblico-temática de assuntos específicos, como 'teologia de anjos', 'teologia de pecado' ou 'teologia de sofrimento': um estudo bíblico temático vetero e neotestamentário.

Definindo o termo, sigamos em frente. A Antropologia Cultural tem como missão mapear, localizar e fazer as perguntas certas. Se olharmos para o Brasil, por exemplo, veremos um grande número de igrejas e pregadores que provêem diariamente respostas (muitas delas corretas teologicamente) para perguntas que nunca são feitas. Poucos interessam-se em estudar e compreender sobre câncer nos ossos quando na verdade o que os aflige é uma terrível gastrite.

Esta é a primeira instrução antropológica cultural na abordagem de um novo grupo social: descubra as perguntas certas. Denominações que, em países da América Latina, apresentam uma teologia de 'prosperidade e sofrimento' ou mesmo de 'bênção e maldição' (apenas para ficar em dois exemplos) acham público; não necessariamente pela seriedade das respostas (muitas sérias e outras não) mas, sim, pela identificação das perguntas.

Em um superficial mapeamento cultural realizado em países socialmente existenciais como o Brasil, facilmente veríamos que duas claras perguntas na mente do povo são: "Porque sofremos?" e "Como melhoraremos ?" Entretanto, localizar as perguntas certas não pressupõe sucesso na comunicação do evangelho. É necessário apresentar as respostas certas. Alerta: não as respostas que irão surtir efeito, satisfazer a alma ou gerar impacto social: mas, sim, as respostas biblicamente certas. Dar respostas certas às perguntas certas normalmente é uma tarefa conflitante.

Aqueles que o fizeram, já no primeiro século, foram apedrejados, expulsos, perseguidos, denominados de 'peste' e 'transtornadores'. Para aqueles que pensam que uma genuína e culturalmente coerente exposição do evangelho redundará necessariamente em um positivo impacto social além de muitos frutos, precisamos ser relembrados que não se definem Missões em termos de resultados, mas sim de fidelidade ao Senhor.

A questão final para a apresentação de uma teologia bíblica que responda à pergunta do coração do homem em sua cultura e língua não são os resultados humanos, mas sim a fidelidade ao Senhor e à Sua Palavra. Nesta altura há duas verdades óbvias quanto ao treinamento missionário: primeiramente nossos candidatos à obra missionária precisam ser preparados biblicamente. Estudar a Palavra, conhecê-la, pesquisá-la textualmente, contextualmente e tematicamente.

Investir em um bom preparo bíblico é investir diretamente no campo. Em segundo lugar, precisamos entender que a fidelidade transpõe a habilidade. Neste momento, o caráter cristão deveria ser a mais enfática disciplina em nossos cursos de formação missionária. Como um caráter à imagem de Cristo não pode ser forjado simplesmente em salas de aula, precisamos urgentemente de discipuladores entre nossos professores de missões.

Uma grande descoberta pessoal tem sido a primária importância do caráter do missionário acima de sua habilidade de comunicar inteligivelmente o evangelho transpondo barreiras lingüísticas, culturais e missiológicas. Após três anos entre os Konkombas, quando a Igreja crescia rapidamente e o Evangelho alcançava lugares remotos, perguntei certa vez aos líderes locais sobre a principal razão que colaborava para a nossa boa comunicação, mencionando três opções:

a) habilidade de falar no dialeto local e ser entendido com facilidade;

b) entendimento cultural, dos costumes e forma de vida Konkomba;

c) envolvimento pessoal com a sociedade tribal, sendo aceito e aceitando-a.

Eles então responderam: "O nosso povo senta-se para ouvi-lo simplesmente porque você sorri quando nos vê e nos cumprimenta quando passa por nós".

Naquele dia escrevi em meu diário: "caráter é mais importante que habilidade". Segundo Hustmann a história das missões se divide em três partes quanto ao conhecimento antropológico e aplicabilidade de teologia bíblica.

Na etapa em que nos encontramos, os erros antropológicos residem não na falta do conhecimento, mas na falta da disposição em aplicar o conhecimento. Em suma, um número reduzido de missionários erra hoje, em um nível básico de comunicação, devido à falta de entendimento da cultura ou conhecimento bíblico.

Os grandes erros de comunicação são conseqüência de uma decisão em não aplicar o conhecimento adquirido. Problema de caráter, não de estudo. Este princípio é também aplicável em todo um universo de existência missionária, onde a grande maioria dos obreiros que voltam forçosamente do campo o fazem devido a problemas de relacionamento, enquanto um pequeno índice apontaria para a falta de habilidade em aculturar-se.

Caráter, em última instância, é o fator primordial que define relacionamentos, e relacionamentos, citando Abdulai Syin , definem a pressuposição social de aceitação ou rejeição da mensagem que será pregada.

Isto implicaria no fato de que, mesmo sendo o evangelho o poder de Deus, este Deus deseja que nós que o transmitimos, o façamos com fidelidade de vida e não apenas com conhecimento de causa.

Aprendizado de Línguas

O aprendizado de línguas, juntamente à tradução da Palavra, é uma área de gritante necessidade de atenção em nossos cursos de formação de obreiros transculturais. Pela óbvia necessidade do obreiro transcultural aprender uma nova língua para sobreviver, se relacionar e expor o evangelho. Enfim: comunicar-se.

Quando falamos sobre aprendizagem de línguas estamos tratando sobre um ponto vital na comunicação missionária. Grande parte da força missionária que envolve-se com um grupo pouco evangelizado fora do nosso país necessitará, no mínimo, aprender duas novas línguas: a primeira delas chamamos de 'básica' (inglês, francês, árabe etc) , que será usada para se estabelecer em um novo país onde habita o grupo alvo. A segunda chamamos 'missiológica', e é justamente a língua ou dialeto do grupo alvo.

Em muitas circunstâncias o grupo alvo pode usar mais de uma língua ou dialeto criando novas ramificações. Há, portanto, grande necessidade de investirmos a nível lingüístico-prático na formação de nossos obreiros transculturais: enfatizar um bom curso de aprendizagem de línguas; expô-los à uma segunda língua, desafiá-los a romper a barreira da adaptação lingüística, ensinar-lhes fonética, fonologia, morfologia e conceitos de tradução da Palavra, mesmo que informal, e para transmissão verbal do evangelho. Enfim, dar-lhes as ferramentas. Do ponto de vista lingüístico há uma grande diferença entre o ideal missionário e a realidade missionária. Um exemplo pessoal:

Quando chegamos em Gana fomos desafiados a trabalhar com um grupo conhecido como 'Konkombas' que, segundo os registros, falavam uma variação de 4 ou 5 dialetos. Chegando até eles e conhecendo-os de perto vemos hoje que 'Konkombas' é apenas uma expressão estrangeira sendo esta uma palavra totalmente desconhecida e sem sentido para a própria tribo. Também não são uma tribo, mas algo que poderíamos chamar de 'Nação Tribal': um agrupamento de etnias irmãs sem concentração social, mas com interesses comuns, onde são faladas 23 línguas e 64 dialetos diferentes, apenas dentre os grupos e subgrupos que conseguimos estudar.

Nós, hoje ,trabalhamos com 1 destes 23 grupos (que para facilitar a comunicação no Brasil continuamos a tratar como 'Konkombas') que se auto-entitula Bimonkpelnn, onde são falados 9 diferentes dialetos, alguns tão distantes ao ponto de necessitarmos em média de três intérpretes a cada culto, apenas entre os 'Bimonkpelnn'.

A realidade não romântica do campo força-nos a investir na formação lingüística de nossos obreiros, pois as barreiras existem para serem ultrapassadas e foi-nos confiada esta tarefa.

Conclusão

É necessário avançar. Usar os instrumentos de instrução que o Senhor tem nos dado. Investir no entendimento antropológico cultural, conhecer a Palavra a fim de propor um evangelho inteligível e estudar as línguas para que haja comunicação.

Entretanto, é necessário sempre lembrar que nenhum conhecimento acadêmico fala mais alto do que uma vida transformada. Que o caráter transpõe a habilidade.

É preciso seguir a Jesus.

Missionário Ronaldo Lidório

15/09/2008

MARIDOS SOLITÁRIOS, ESPOSAS SOLITÁRIAS


Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

O isolamento de outras pessoas nem sempre é ruim. O próprio Jesus tinha o hábito de isolar-se regularmente das multidões e ficar a sós com Deus, depois de um dia de trabalho em meio às multidões. Nessas ocasiões, ele orava e renovava suas forças. Mas, existe uma solidão maléfica, característica da sociedade em que vivemos. As pessoas podem viver numa mesma casa com muitas outras e ainda assim viver isoladas delas. Já que fomos criados como seres sociais, viver em isolamento geralmente provoca tristeza, depressão, angústia e, em casos extremos, o suicídio.
Isolamento acontece mesmo entre pessoas tão íntimas como marido e mulher. Diversas forças ativas na sociedade moderna estão separando marido e mulher cada vez mais para longe um do outro, em vez de produzir intimidade e mutualidade: 1) Numa sociedade tão complexa como a em que vivemos, experiências diferentes e sistemas de valores diferentes separam os casais. Antigamente, as pessoas nasciam e cresciam juntas num mesmo lugar. Hoje, elas vêm de passados completamente diferentes. 2) A sociedade moderna tem passado a idéia de que o casamento é um relacionamento na base de 50/50 (fifty-fifty). Isso é, cada um dá um pouco de si. Mas isso não funciona, na verdade. O padrão cristão é 100/100. No casamento, temos de nos dar inteiramente. 3) O egoísmo é provavelmente a maior ameaça à unidade do casal. Ser egoísta é buscar realização pessoal deixando o cônjuge de fora. Uma ilusão bastante comum é que marido e mulher podem obter sucesso independentemente um do outro e ainda ter um casamento bom. Na prática, quase nunca isso dá certo. 4) Outro fator de isolacionismo são problemas não superados. Os pesquisadores mostram que cerca de 70% dos casais que passam por experiências traumáticas - como perder um filho num acidente, ou ter um filho gravemente deficiente - se separam ou se divorciam. 5) A mídia tem popularizado a idéia de que aventuras extramaritais é algo normal. O fato é que, não somente o adultério consumado, mas o adultério emocional - uma amizade muito íntima com alguém do sexo oposto - provoca o isolacionamento dos cônjuges. 6) A pressão contínua do estilo de vida acelerado em que vivemos contribui para que cada vez mais vivamos estilos de vida separados uns dos outros. 7) Outro fator é nosso hábito de assistir TV. O problema é mais grave do que a violência mostrada na tela. Membros de uma família podem estar juntos na mesma sala assistindo TV, e estar perfeitamente isolados uns dos outros. À medida em que nos enfiamos em nossos casulos, mais e mais nos desconectamos uns dos outros.
A grande maioria dos moradores das grandes cidades - mesmo cristãos - raramente conhece seus vizinhos! Todo o moderno sistema de comunicação produzido atualmente pela sociedade tende a eliminar cada vez mais o contato humano: Internet, email, chat, etc.
O isolamento é uma ameaça séria mesmo para casais cristãos. Estes cristãos precisam perceber que se não tomarem as providências necessárias e se não tratarem dessa ameaça juntos, acabarão por viver isolados uns dos outros, mesmo debaixo do mesmo teto. Muitos casais casados têm sexo mas não amor. O erro típico que muitos casais cometem é não antecipar que problemas desse tipo podem ocorrer com eles. E quando os problemas surgem, são apanhados desprevenidos.
Vivemos num mundo cheio de problemas. A tentação de muitos, debaixo de pressão, é isolar-se, hibernar como um urso em sua caverna no inverno. Embora essa pareça uma alternativa atraente, é somente com o apoio de amigos que poderemos suportar as misérias desta vida. Fiquei impressionado com o que aconteceu recentemente no Japão, quando três empresários japoneses falidos enforcaram-se juntos no mesmo quarto de hotel. Numa sociedade individualista como a nossa, suicídios não acontecem assim! Mas se os japoneses conseguem ser solidários até na morte, será que não podemos aprender, na vida, a compartilhar nossa existência e experiências com outros?
O que podemos fazer, como cristãos, para vencer o isolamento? Aqui vão algumas dicas: 1) Busque maior intimidade com Deus, pela leitura da Bíblia e pela oração diária. Quando nos aproximamos de Deus, podemos melhor nos aproximar dos outros. 2) Planeje gastar tempo com seu cônjuge fazendo coisas que ambos apreciam. 3) As vezes o isolamento foi causado por uma atitude errada sua, com a qual o seu cônjuge ofendeu-se ou magoou-se. É preciso pedir perdão e buscar a reconciliação. 4) Às vezes quando a situação já se tornou muito complicada e difícil, é preciso procurar ajuda espiritual e psicológica. Pastores e psicólogos cristãos são geralmente treinados para oferecer apoio e soluções para casos assim.
Não permita que o isolamento acabe a alegria do seu casamento. Casados também podem ser felizes juntos

Portal da Igreja Presbiteriana do Brasil

12/09/2008

COMO SE ENVOLVER EM MISSÕES?


Esperar que Deus faça tudo enquanto nós não fazemos nada, não é fé, isto é superstição. - Martin Luther King Jr.
Nos dias hodiernos, como nunca na história da Igreja, necessitamos da presença crucial de alguns estrategistas do Senhor que possam planejar, de tal maneira, que venhamos terminar a tarefa de evangelizar todos os povos, línguas, tribos e nações em nossa geração.
Hoje, temos todos os obreiros que se necessita para essa empreitada e, mais ainda, não faltam recursos econômicos, tecnológicos, informativos, treinamento adequado etc. O que falta é comprometimento de investir e direcionar todos esses recursos para aqueles que são esquecidos e preteridos pela Igreja mundial, isto é, os povos não-alcançados da janela 10-40.
Os irmãos morávios, que viveram há mais de 200 anos, como simples camponeses, tiveram para cada 25 membros um missionário transcultural, enquanto nós, brasileiros, que temos a 32 maior Igreja evangélica do mundo, e que somos a 9á potência mundial, temos necessidade de 10.000 crentes para sustentar cada missionário transcultural. E, se pensarmos em janela 10-40, teremos de multiplicar isto por dez. Você consegue acreditar que, 20 séculos depois da ordem da Grande Comissão, temos nações que ainda não têm um crente nacional conhecido?
Confessamos que ficamos sumamente impressionados com o comprometimento dos mórmons. Eles têm 7.000 pessoas nos EUA que falam o árabe e estão na expectativa da queda do Islamismo e não temos sequer dez missionários que falem fluentemente o árabe.
A Igreja Evangélica Brasileira
Hoje somos a 3ª maior Igreja evangélica do mundo, somente superada pelos EUA e China. Temos mais evangélicos no Brasil do que toda a Europa e o leste europeu juntos, isto é, 30 países fazem parte do berço da obra missionária. Há mais libaneses no Brasil do que libaneses no Líbano. Patrick Johnstone, o autor do livro Intercessão Mundial chama o Brasil de o cadinho das nações.
Diante do grande desafio missionário de alcançar os povos não-alcançados, em nossa geração, se faz necessário um melhor treinamento do candidato ao campo missionário. O Senhor Jesus, mestre por excelência, não enviou seus obreiros aos campos sem nenhum treinamento prévio e tampouco isso foi feito às pressas. Treinamento não significa somente conhecimento teológico: a História tem provado que isso não é o suficiente, mas, sim, parte de um TODO. Portanto, vejamos o que é necessário para um treinamento completo:
1. Tempo - um período de quatro anos é o ideal, mas que neste tempo o candidato tenha experiência formal, não formal, informal e prática de evangelismo pessoal no Brasil e transcultural. O Projeto Radical da Missão Horizontes está sendo desenvolvido em quatro anos, sendo os primeiros seis meses no Brasil, seis meses num país latino, de língua hispânica, seis meses de volta no Brasil, seis meses num país de língua francesa ou inglesa, dependendo do país ao qual será enviado o obreiro, e dois anos no campo de janela 10-40 e, mesmo assim, sob a orientação de um mentor que já tenha experiência de campo. Este foi o método utilizado por Jesus no treinamento de seus discípulos. Após esses quatro anos, o obreiro estará de volta à sua igreja para compartilhar do ministério, mas agora com experiência provada, visão global e parâmetros para poder definir que tipo de ministério desejará desenvolver no futuro.
2. Caráter cristão - muitos missionários não têm conseguido ter uma boa convivência com outros missionários, com a liderança local e nacional, e isto tem sido uma grande causa do retorno prematuro de vários missionários. É o ponto crucial na área de treinamento missionário.
3. Trabalho em equipe - este foi o método de Jesus e está provado ser o método ideal para o bom desenvolvimento dos dons naturais e espirituais. A Bíblia diz que um cordão de três dobras não se quebra facilmente. Trabalho em equipe diminui tremendamente o custo financeiro, estresse cultural, e ajuda muito na área de cuidado missionário, pois em vez de visar a um candidato somente o custo será dividido para toda uma equipe.
4. Conhecimentos de primeiros socorros - as regiões não-alcançadas são as mais pobres da terra, e se faz necessário que se tenha esses conhecimentos que irão ajudar nos primeiros socorros. Outros conhecimentos, na área de agricultura, e técnicos em diversas outras áreas são sumamente importantes.
5. Treinamento bivocacional - professor de língua inglesa, francesa, espanhola, representante comercial, esportista ou outra profissão pode ter um bom ministério de fazedores de tendas. O apóstolo Paulo usou este método em algumas oportunidades, mas isto não implica que a Igreja deva ser negligente no sustento missionário.
6. Inteligência emocional - um grande número de candidatos a missões vem de lares desestruturados e esses traumas terão um reflexo negativo no sucesso do missionário. Ressentimento, mágoa, falta de auto-estima, falta ou excesso de autoconfiança, orgulho, falta de humildade, complexos tanto de inferioridade como de superioridade, preconceitos, falta de autocontrole, autocomiseração, preguiça de ler e, em geral, incredulidade etc..., tudo isso terá um aumento assustador quando explodir no campo missionário, e terá um reflexo negativo no desenvolvimento do processo missionário da igreja envolvida.
7. Sentimental - a carência afetiva, quando estão longe da família ou pátria, tem levado diversos candidatos a cometer vários deslizes e tem tirado muitos dos campos. Deve-se estipular um tempo mínimo ao candidato solteiro antes de se pensarem algum envolvimento sentimental a fim de se evitar feridas desnecessárias.
8. Mental - uma mente bem preparada é fator preponderante do sucesso no campo, pois é onde a batalha mais forte acontece. Muitos candidatos têm até uma boa formação teológica, mas quando se defrontam com desafios grandes, se entregam facilmente. Ter uma mente renovada pelo Espírito Santo é imprescindível.
9. Prática transcultural prévia - devido às grandes distâncias culturais entre nossa cultura e a dos povos não-alcançados, se faz necessário ter uma experiência transcultural prévia. Não sai caro, e ajuda muito na seleção de candidatos que estejam dispostos a ir aos lugares mais difíceis da terra.
10. Mobilização missionária - o candidato deve ser bem preparado nesta área, pois ele não pode ir para o campo sem ter uma boa base segurando as cordas da intercessão e do sustento. Para que isto seja uma realidade, o candidato e a missão devem se comunicar com a igreja, família, amigos, líderes etc. com todas as informações necessárias, tais como: cartas, fotos, estatísticas e vídeos.
11. Treinamento lingüístico - é necessário para o aprendizado de qualquer idioma um treinamento com experiência prática numa outra língua que virá ajudar muito no aprendizado. Da segunda para a terceira língua, o processo é muito mais fácil e assim sucessivamente. O espanhol é um bom filtro neste processo de seleção de candidatos para os povos não-alcançados. Aprender uma língua totalmente diferente da nossa exige muito esforço e dedicação integral, de cinco a oito horas por dia.
12. Visão global - uma visão global irá levá-lo a um trabalho de interdependência ministerial e, o mais importante, à expansão do Reino, e não a um projeto denominacional ou de uma missão isoladamente.
Diante do quadro exposto, precisamos repensar nossa posição como Igreja de Jesus. Cremos ser necessário pensar em uma Igreja com propósitos. Propósitos de cunho prático e imediato. Temos de nos esforçar para terminar a tarefa a nós confiada há 2.000 anos pelo Mestre e duplicar esforços. Oswald Smith, autor dos livros Paixão pelas Almas, Clamor do Mundo e tantos outros disse: Por que uma pessoa tem o direito de ouvir o Evangelho várias vezes, enquanto que muitos outros não ouviram sequer uma vez?!. Precisamos começar a fazer isso dentro de nosso contexto. Devemos, repensar a mensagem de missões, principalmente com os povos não-alcançados, em nossos seminários, congressos, conferências etc., enfatizando a ação prática, e não o simples falar.
Precisamos enviar, urgentemente, obreiros aos povos não-alcançados e isto irá requerer muito mais do que simples palavras no ar. C.T. Studd, multimilionário e desportista inglês, vendeu todos os seus bens e propriedades e doou todos os recursos angariados para várias organizações missionárias e se dirigiu como missionário, para a China e índia onde dedicou o melhor de seus anos na proclamação do Evangelho. Com 51 anos, alquebrado e cansado pelo trabalho estafante, voltou para a Inglaterra para levantar sustento para empreender uma nova empreitada de embrenhar-se nas matas do interior da África a fim de levar o Evangelho àqueles que estavam escondidos e esquecidos pela Igreja da época. Deparou com alguns jovens corajosos e que tinham o fogo missionário, e estes lhe disseram: "Carlos, isto é muito sacrifício para você, pois você já fez a sua parte. Sua resposta foi enfática e clara: "Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então não há sacrifício demasiadamente grande que eu possa fazer por Ele".
Precisamos de guerreiros valentes, como os de Davi, que tinham um propósito de coroá-lo rei: que escrevam uma nova página na história do Evangelho e das missões brasileiras, dispostos a deixar as comodidades e os prazeres deste século e serem conhecidos como os guerreiros de um novo século: que estejam dispostos a coroar Jesus como o Rei de todas as nações, tribos, línguas e raças. Portanto, a palavra ENVIO deve permear nossas vidas e ministérios. Somente assim poderemos com certeza trazer JESUS de volta em nossa geração!
Você Sabia?
Cada dia, 5.000 novos convertidos são acrescentados à Igreja evangélica brasileira?
Na igreja o crente brasileiro investe somente R$ 1,30 por ano para missões transculturais. Se este valor for aumentado 100 vezes, mesmo assim ainda não chega à condição de sacrifício, pois daria em média, para cada crente, a importância de R$ 10,00 por mês.
David Botelho

10/09/2008

Quando Deus toca...

Qual era a parábola que fez um homem com três doutorados ( um em Medicina,  outro em Teologia e ainda  outro em Filosofia) largar a metrópole com uma série de facilidades e seguir rumo à uma selva na sombria África?
Qual a parábola que poderia convencer um homem, que era reconhecidamente um dos melhores médicos do mundo,  desistir de uma vaga de professor em Viena, na Áustria, para lidar com um povo tão profundamente imerso nas superstições e  rituais malignos?
Este homem foi o Dr. Albert Schweitzer. E o que inclinou o seu coração a fazer missões, segundo ele mesmo confessou, foi a parábola do homem rico e Lázaro.
Em vida estes dois homens, Lázaro (um homem miseravelmente pobre) e o homem rico se conheciam. Lázaro era um sobrevivente numa sociedade com diferenças sociais gritantes. O homem rico, por outro lado, era um bon-vivant . Um homem, que tinha posses e que vivia com muitas necessidades mundanas.
Mas um dia ambos morreram. A morte os igualou. Ninguém é melhor do que ninguém. No reino de Deus não há diferença por classe social, pela cor da pele, pela idade, pelo sexo. Todos são iguais perante Deus. Lázaro foi levado pelo anjo do Senhor, e tinha, agora, o privilégio de deitar recostado no colo de Abraão. A alma do rico foi condenada ao inferno, inconformado com a situação de Lázaro, que agora habitava nas mansões celestiais. 
Esta parábola agiu como um grão de areia na vida-ostra do Dr.  Albert Schweitzer. Ele aprendeu com ela as seguintes lições:
  1. Ela mostra como Deus vê as diferenças sociais na terra;
  2. É uma coisa terrível o homem não entender que é pó;
  3. Quem é rico na terra ( seja em bens materiais, seja em cultura, sabedoria humana) deve usar tudo o que recebeu das mãos do Pai em favor dos mais necessitados.