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10/10/2008

O PARADIGMA DO MINISTÉRIO PASTORAL



O ministério pastoral pressupõe chamamento, vocação, preparo – é preciso que o obreiro seja provado e aprovado para Cristo e por meio dele

Um pastor de uma importante denominação evangélica fora “demitido” de sua igreja, sob a alegação de que não conseguira atingir a meta financeira anual. Ele pensava em ingressar na Justiça do Trabalho exigindo seus direitos, porque julgava-se prejudicado pela denominação. Casos assim repetem-se em todos os cantos. Que caminhos conduziram parte da comunidade evangélica a uma vivência ministerial mercantilista da fé cristã? Existe um suporte ideológico que possa legitimar essas práticas? A resposta não é fácil, mas podemos conjecturar alguns pressupostos.
O pragmatismo surgiu nos Estados Unidos através de seu maior divulgador e um de seus maiores mentores, William James. A princípio, o movimento influenciou o comércio e a indústria; passou depois às instituições de ensino, e por fim atingiu a teologia. Sociologicamente, ele aparece em meio a transformações culturais e industriais. Em princípio do século 19 e no início 20, a sociedade americana encontrava-se num crescente êxodo rural. O processo de urganização transformou uma economia agrária em industrial. O pragmatismo caiu como uma luva neste novo ambiente, que exigia uma nova forma de ver e fazer as coisas. O resultado é que passou a ditar a nova ótica de uma sociedade ávida por realização.
Até então, a vida, a natureza e a práxis teológica estavam centradas nos fundamentos ortodoxos doutrinários. A preocupação básica era com a filosofia teológica: seus fundamentos, sua hermêneutica, seus dilemas, seus paradoxos, sua base – se era bíblica ou não – etc. No Brasil, as instituições teológicas receberam a influência de missionários e pensadores europeus e americanos. Eles trouxeram a sua bagagem cultural e pregaram-na como um “absoluto teológico”, sem o discernimento e a devida compreensão do que estava a ser ministrado às igrejas e instituições teológicas, que, por sua vez, adotaram-na como uma verdade inquestionável. Afinal, questionar não faz parte da maioria do vocabulário evangélico brasileiro; o pensamento crítico soa como um subversão, rebeldia ou coisa do gênero.
Sou de certa forma nostálgico com a vivência pastoral dos pioneiros evangélicos que desbravaram esse imenso país: eram homens de caráter sério, de vida de oração constante, de piedade exemplar, de modéstia e simplicidade evidentes. Quando lemos as histórias dos pioneiros das várias denominações, é impossível não nos sentirmos desafiados a uma vida mais santa. Contudo, a tônica da liderança atual está centrada no que se pode denominar de teologia de mercado, ou seja, seus resultados. Não importam os meios; o que é fundamental é o número de pessoas que enchem os templos. Nesse frenesi por resultados, pouco importa a moral dos fiéis; é por essa razão que ser evangélico já não causa mais impacto na sociedade: escândalos financeiros já não escandalizam ninguém, evangélicas já posam em revistas masculinas.
Igrejas há que não questionam seus candidatos a cargos eletivos acerca de sua prática devocional, integridade pessoal, idoneidade como cidadão e outros aspectos que eram valorizados noutros tempos. O talento suplantou a obediência e a santidade; já não se avalia um clérigo pelo que ele é, e sim pelo que realiza. O fruto disso está aí: líderes bem sucedidos numericamente, porém derrotados e cheios de síndromes megalomaníacas.
A América Latina é pródiga em suscitar líderes com caráter feudal. E esta cultura se reflete em muitas denominações evangélicas. O autoritarismo é reproduzido nos sistemas eclesiásticos, surgindo figuras os “ungidos”, os “apóstolos” ou os homens “da visão de Deus”. Some-se a isso a pobreza teológica de muitos segmentos e teremos lideranças pífias, pastores que não sabem fazer uma exegese do texto sagrado, são incapazes de ministrar mensagens expositivas – geralmente, pregam-se mensagens tópicas, que são mais fáceis de elaborar e não exigem trabalho metódico de estudo, pesquisa, análise e reflexão.
Um povo evangélico sem cultura teológica é um povo facilmente influenciado, manipulado e dominado. E quais são as evidências de um líder evangélico feudal? Há alguns indícios exteriores que ajudam a perceber o comportamento da maioria deles. Liderança absoluta, por exemplo – este tipo de dirigente não abre mão de possuir todo o controle. Ele também age como detentor do poder absoluto, não permitindo questionamento. Além disso, o líder feudal vê nos membros da igreja pessoas que devem servi-lo, e não o contrário; por fim, há um sinal muito evidente que demonstra o clímax desse feudalismo religioso: a liderança da igreja é exercida num sistema de sucessão familiar, com perpetuação de uma dinastia personificada na família do líder. É interessante observar que até mesmo denominações históricas têm se vergado a esse tipo de liderança, geralmente exercido por pessoas muito carismáticas.
Por outro lado, hoje em dia, o pastor já não é avaliado pela natureza do seu chamado, pelo que ele é como cristão e servo de Deus. Pouco importa para algumas igrejas o que as Escrituras têm a dizer sobre o ministério pastoral. Importa o que ele pode produzir em termos de crescimento numérico. Mas em nenhum lugar da Palavra de Deus encontramos textos associando o crescimento da igreja em termos de números ao caráter do obreiro. Paulo disse que o crescimento da obra vem do Senhor. Afinal, o novo nascimento é uma experiência transcendente, puramente espiritual, que não pode ser mensurada por avaliação humana; somente o Pai Celeste sabe os que são seus e que o servem de coração.
A centralidade da mensagem cristã precisa voltar-se para Cristo. Em alguns círculos evangélicos, a mensagem é antropocêntrica, voltada para os desejos da natureza humana; em outras comunidades, destacam-se os paradigmas de natureza filosófica. Isaltino Coelho diz que há pastores que conhecem mais a respeito de Nietzsche e Platão do que a respeito de Jesus Cristo. A mensagem que pregamos é esta: “Jesus Cristo crucificado”, conforme disse Paulo. O ministério pastoral pressupõe chamamento, vocação, preparo – é preciso que o obreiro seja provado e aprovado para Cristo e por meio dele.
Um ministro tem uma ferramenta de trabalho, a Bíblia; o que o bisturi é para o médico, são as Escrituras para o pastor. E ele deve fazer conforme a recomendação do apóstolo: “Pregar a Palavra”, e somente a Palavra.

Josenaldo Silva
Pastor na Igreja Batista de Sete Rios, em Lisboa, Portugal
Fonte: Revista Eclésia

30/05/2008

BIOGRAFIAS: DANIEL BERG


 

Daniel Berg nasceu em Vargon, na Suécia, num lar genuinamente cristão. Cedo na vida, aos 17 anos, fez sua primeira viagem para os Estados Unidos, em 1902; isto porque a Suécia passava por uma crise financeira muito séria. Ao final de oito anos voltou de passagem à Suécia.
Nesta ocasião, ao visitar a casa de seu melhor amigo, soube que ele era agora um pregador do Evangelho numa cidade próxima. Ao chegar em sua igreja ouviu pela primeira vez sobre o batismo no Espírito Santo. Depois do culto conversaram bastante sobre esta doutrina, o que fez com que Daniel Berg saísse dali convicto, e buscando o seu batismo no Espírito Santo. Ainda no caminho de volta para a América ele recebeu o batismo e decidiu dedicar a sua vida inteiramente ao Senhor.
Durante uma conferência em Chicago, ele conheceu seu futuro companheiro nas missões, o sueco Gunnar Vingren, que acabara de se formar num Instituto Bíblico e era desejoso de ser um missionário. Ambos, cheios do poder pentecostal, passaram a buscar do Senhor o Seu direcionamento para suas vidas. Certo dia, o dono da casa que Gunnar Vingren morava teve um sonho e viu o nome Pará, e foi-lhe revelado que seria uma orientação para aqueles jovens. Logo descobriram que Deus os chamava para o Brasil. Apesar do pouco entusiasmo da igreja, e de nenhuma promessa de ajuda financeira, ambos foram separados para serem missionários no Brasil, cheios de convicção da parte de Deus.

A última e grande confirmação da parte de Deus foi quando o Senhor pediu a Vingren que desse 90 dólares, exatamente o valor que eles tinham para a viagem, para um jornal pentecostal. Eles, em obediência, o fizeram. Porém, extraordinariamente, o Senhor devolveu-lhes o exato montante, usando um irmão em outra cidade, que foi revelado por Deus para tal. Berg e Vingren partiram para o Brasil no dia 5 de Novembro de 1910. Durante a viagem eles já puderam experimentar um pouquinho o que seria o seu campo, e ali mesmo a primeira alma foi ganha para Jesus, desde que eles foram separados como missionários. Então, no dia 19 do mesmo mês chegaram à cidade de Belém do Pará.

Primeiramente eles ficaram hospedados no porão de uma Igreja Batista, cujo pastor era americano. Logo começaram a dirigir cultos, para ajudar aquele pastor, e sempre que sentiam de falar sobre a manifestação do Espírito Santo para aqueles dias, o faziam sem constrangimento. Mesmo sendo um assunto novo para aqueles irmãos, eles se interessavam cada vez mais, o que decorreu no grande aumento da assiduidade nos cultos e constantes visitas aos missionários. Enquanto isso, Berg começou a trabalhar na fundição, para sustentá-los, enquanto Vingren estudava português para ensinar a Daniel Berg à noite.

A pobreza, e principalmente as doenças, era uma constante naquele lugar, sobretudo a lepra e a febre amarela. Com isso, os irmãos freqüentavam cada vez mais o porão onde viviam Berg e Vingren, em busca de oração e conhecimento da Palavra. Ali o Senhor começou a batizar com o Espírito Santo e a curar muitos enfermos. Num daqueles cultos improvisados, entrou de surpresa o pastor da igreja, que foi cordialmente convidado a participar do culto. Recusando o convite, passou a declarar uma série de acusações com relação às falsas doutrinas ensinadas pelos missionários. Esperando contar com o apoio dos que ali estavam, aconteceu o contrário: um diácono, dos membros mais antigos, se levantou e defendeu com testemunhos reais de que o batismo no Espírito Santo e a cura divina é para a atualidade. Neste dia então, Berg, Vingren e mais 18 irmãos foram expulsos daquela igreja e formaram a primeira Assembléia de Deus, que a princípio se reunia na casa da irmã Celina Albuquerque, a primeira cristã batizada no Espírito Santo em terras brasileiras.
Logo depois começou a circular pela cidade um panfleto, da parte daquele pastor batista, alertando a população contra os ensinamentos dos missionários, citando inclusive as passagens bíblicas por eles usadas. O que parecia prejudicial, tornou-se num grande impulso para a propagação das verdades bíblicas, pois aqueles que os liam, ao conferir com as escrituras, passavam a crer e buscavam a igreja, que crescia cada vez mais. Dias depois, chega a primeira remessa de Bíblias e Novos Testamentos em português, o que leva Daniel Berg a se dedicar exclusivamente à venda das literaturas e pregação do Evangelho.

Quando a Palavra de Deus já havia sido distribuída em toda Belém, Berg sentiu da parte de Deus em seguir rumo à Bragança e fazer na marcha para o interior o mesmo trabalho, para o qual era vocacionado. A tarefa não era fácil; os dois maiores inimigos eram o analfabetismo e o catolicismo herdado da colonização portuguesa. Naqueles pequenos vilarejos, o padre era a maior autoridade e todos os moradores já haviam sido advertidos quanto à pregação de Daniel Berg, e temiam a leitura da Bíblia, pois a igreja os proibia.

Apesar disto, o jovem continuava a bater nas portas, a ler trechos bíblicos e a orar pelos enfermos. As portas se abriam aos poucos, e o Senhor operava sempre com milagres e maravilhas. Em pouco tempo já havia vinte novas igrejas entre Belém e Bragança. O próximo passo foi a caminho das selvas. O contato inicial foi difícil, e a primeira família se converteu num velório quando Daniel leu sobre a ressurreição ao lado do corpo inerte da mãe. Estes se tornaram evangelistas e contribuíram para a formação de uma grande igreja ali. Sofreram fortes perseguições por parte dos policiais, pois o delegado estava comprometido politicamente com a igreja católica. Por fim o nome do Senhor foi glorificado pelas vitórias dos cristãos. Berg só saiu dali quando a igreja já havia amadurecido e estava caminhando por seus próprios pés.

O passo decorrente foi sua chegada às ilhas; nesta altura os maiores inimigos eram os naturais. A travessia em barcos precários tornava o acesso muito perigoso, pois além da embarcação, havia as piranhas e os jacarés. As grandes distâncias, as horas perdidas e o esforço com os remos, junto ao grande aumento do trabalho, tornou-o quase impossível. Após um acidente sofrido por Daniel, numa daquelas pequenas embarcações, sentiu de Deus de comprar um grande barco a velas, o que fez com a ajuda da igreja de Belém. Com o barco "Boas Novas" o atendimento era mais proveitoso e em maior extensão.

Assim fez Daniel Berg em todo o país, de norte a sul. Há relatos de sua obra nos solos mais difíceis desta terra. Quem com ele caminhou citou que ele mal dormia, vivia intercendo. Falava pouco e era dirigido unicamente por Deus. Jamais viu obstáculos à obra. Andava em lombos de cavalo, a pé, comia o que se lhe servisse: macacos, raízes, frutos exóticos. Jamais reclamava e era sempre agradecido por estar no Brasil

Daniel Berg passou para o Senhor em 1963, e mesmo enfermo num hospital, saía de uma à outra enfermaria entregando literatura e orando pelos que se entregavam a Jesus.

Um exemplo de servo bom e fiel. Seu trabalho deu origem, juntamente com Gunnar Vingren, às assembléias de Deus no Brasil

29/05/2008

BIOGRAFIAS: WILLIAM CAREY


 

Filho de Edmundo e Elizabeth Carey, William Carey nasceu numa humilde cabana em agosto de 1761, na pequena vila de Paulerspury, em Northamptonshire, na Inglaterra. Em Piddington, aos 14 anos, William aprendeu a arte de sapateiro.

Apesar de nascer em um lar anglicano, sua primeira identificação com a fé genuína foi através de seu companheiro de trabalho, John Warr, filho de um desertor da Igreja Estatal. Em 1779, aos 18 anos, nasceu de novo, quando ainda estava identificado com a igreja oficial da Inglaterra, e uniu-se a uma pequena igreja batista. Logo começou a se preparar para pregar. Estudou diversas línguas e, como resultado dominava perfeitamente o latim, grego, hebraico, italiano, francês e holandês, além de diversas ciências. Assim, aos poucos, entendeu que o mundo era bem maior do que as Ilhas Britânicas e sentiu no fundo de sua alma, como todo o cristão verdadeiro sente, a perdição da humanidade sem um Salvador.
Em junho de 1781 casou-se com a jovem Dorothy Placket, com a qual teve cinco filhos. Antes, em 1775, fora impactado pelo avivamento trazido pelas mensagens de John Wesley e George Whitefield. Apesar de ter sido batizado quando criança, William Carey sentia a necessidade de confessar sua fé publicamente. Sendo assim, foi batizado nas águas em 5 de outubro de 1783, pelo pastor John Ryland. Em 1787 foi consagrado e começou a pregar sobre a necessidade missionária no mundo, e não somente na Inglaterra. Como os membros de sua congregação eram pobres, Carey teve necessidade de continuar trabalhando para ganhar o seu sustento.

Na sua pequena oficina pendurou um mapa-múndi feito pelas suas próprias mãos. Neste mapa, ele incluíra todas as informações disponíveis: população, flora, fauna, características dos povos, etc. Enquanto trabalhava, olhava para o mapa, e orava muito, sonhava bastante e agia com seus joelhos, na intercessão por pessoas que jamais vira. Era assim que a chamada de Deus ardia, e crescia em seu coração. A denominação a qual Carey pertencia achava-se em grande decadência espiritual. E isso é demonstrado pelo fato de que quando quis introduzir o assunto de missões numa sessão de ministros, foi repreendido pelo venerável presidente John Ryland, que lhe disse: "Jovem assente-se. Quando Deus resolver converter os pagãos, fá-lo-á sem a sua e a minha ajuda." Mas Carey sabia que era necessário que alguém pregasse, e continuou a sua propaganda pró-missões estrangeiras, e tomando Isaías 54.2 como texto, pregava sobre o tema: "Quem espera grandes coisas de Deus tem de fazer grandes coisas para Deus”.

Como resultado de sua persistência na oração, um grupo de doze pastores batistas, reunidos na casa da Irmã Wallis formou a Sociedade Missionária Batista, no dia 2 de outubro de 1792. Carey se ofereceu para ser o primeiro missionário enviado ao campo. Através do testemunho do Dr. Thomas, um missionário e médico que trabalhara por vários anos em Bengali, na Índia, William Carey recebe assim, a confirmação de sua chamada no dia 10 de janeiro de 1793.
Mas, apesar de Carey ter certeza de sua chamada, sua esposa recusou-se a deixar a Inglaterra. Isto muito entristeceu seu coração. Mas ficou decidido, no entanto, que seu filho mais velho, Félix, o acompanharia à Índia. Além disso, outro problema que parecia insolúvel, era a proibição de qualquer missionário na Índia. Sob tais circunstâncias era inútil pedir licença para entrar, mas, mesmo assim, conseguiram embarcar sem o documento no dia 4 de abril de 1793. Ao esperar na ilha de Wright por outro navio que os levaria à Índia, o comandante recusou-se a levá-los sem a permissão necessária. Com lágrimas nos olhos e o coração apertado, William Carey e seu filho viram o navio partir. A jornada missionária para a Índia parecia terminar ali. Porém, Deus tinha tudo sob controle...

Ao regressar à Londres, a sociedade missionária conseguiu arrecadar dinheiro e comprar as passagens em um navio dinamarquês. Uma vez mais, Carey rogou à sua esposa que o acompanhasse. Ela ainda persistia na recusa e ao despedir-se pela segunda vez disse: "Se eu possuísse o mundo inteiro, daria alegremente tudo pelo privilégio de levar-te e os nossos filhos comigo; mas o sentido do meu dever sobrepuja todas as outras considerações. Não posso voltar atrás sem incorrer em culpar a minha alma."
Ao se preparar para partir, um dos amigos que iria viajar com Carey, Dr. Thomas, voltou e conversou com Dorothy, esposa de William Carey, e milagrosamente ela decidiu acompanhá-lo. Que alegria não foi para ele ver sua esposa e filhos com as malas prontas a lhe acompanhar. Agora ele compreendia a razão de não ter viajado no primeiro navio.
Deus comoveu o coração do comandante do navio, que permitiu que a família viajasse de graça. Finalmente, no dia 13 de junho de 1793, a bordo do navio Kron Princesa Maria, William Carey deixou a Inglaterra e nunca mais voltou, partindo para a Índia com sua família, onde, em condições dificílimas e de oposição, trabalhou durante 41 anos. Durante sua viagem aprendeu o bengali, e, ao desembarcar, já se comunicava com o povo. Carey é o exemplo de um missionário que está sempre disposto a aprender, pois o seu alvo são as almas, e, por elas, todos os esforços valem a pena.
William Carey não foi dotado de inteligência superior e nem de qualquer outro dom que deslumbrasse os homens. Entretanto, um traço marcante de seu caráter era a persistência, a coragem e a vontade imensa de terminar tudo o que iniciava. Este era o segredo do êxito da sua vida. Apesar de não haver recebido educação formal em sua mocidade, Carey chegou a ser um dos homens mais eruditos do mundo, no que diz respeito ao conhecimento do sânscrito e de outras línguas orientais. Suas gramáticas e dicionários, nestas línguas, são usados até os dias de hoje.
Dois missionários se juntaram à William Carey em 1799, William Ward e Joshua Marshman. Juntos eles fundaram 26 igrejas, 126 escolas com 10.000 alunos, traduziram as Escrituras em 44 línguas, produziram gramáticas e dicionários, organizaram a primeira missão médica na Índia, seminários, escola para meninas, e o jornal na língua Bengali. Além disso, William Carey foi responsável pela erradicação do costume "suttee", segundo o qual queimava-se a viúva (viva), juntamente com o corpo do marido defunto numa fogueira; várias modificações na agricultura; a fundação da Sociedade de Agricultura e Horticultura na Índia em 1820; a primeira imprensa, fábrica de papel e motor à vapor na Índia; e a tradução da Bíblia em sânscrito, bengali, marati, telegu e nos idiomas dos siques. Em 1800, William Carey fez o batismo do primeiro hindu convertido ao Evangelho.
Calcula-se que William Carey traduziu a Bíblia para a terça parte dos habitantes do mundo. Alguns missionários, em 1855, ao apresentarem o Evangelho no Afeganistão, encontraram a única versão que esse povo entendia, na língua pushtoo, feita em Sarampore por Carey.
Durante mais de trinta anos, William Carey foi professor de línguas orientais no Colégio de Fort Williams. Fundou, também, o Serampore College para ensinar os obreiros. Sob a sua direção, o colégio prosperou, preenchendo um grande vácuo na evangelização daquele país. Os seus esforços inspiraram a fundação de outras missões, dentre elas: a Associação Missionária de Londres, em 1795; a Associação Missionária da Holanda, em 1797; a Associação Missionária Americana, em 1810; e a União Missionária Batista Americana, em 1814.
Na manhã de 9 de Junho de 1834, a Índia disse adeus ao grande Pai das Missões, e os Céus disseram bem-vindo a um servo fiel! Carey morreu com 73 anos, respeitado em todo o mundo, como o pai de um grande movimento missionário. Quando chegou à Índia, os ingleses negaram-lhe permissão para desembarcar. Ao morrer, porém, o governo mandou içar as bandeiras a meia-haste em honra a um herói que fizera mais para a Índia do que todos os generais britânicos. Grande foi a contribuição de William Carey para o Reino de Deus, e temos certeza de que grande será o seu galardão

15/05/2008

COMO PASSAR O DIA COM DEUS


Reverendo Richard Baxter

(1615-1691)

Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.


SONO.
Controle o tempo do seu sono apropriadamente, de modo que você não desperdice as preciosas horas da manhã preguiçosamente em sua cama. O tempo do seu sono deve ser determinado pela sua saúde e labor, e não pelo prazer da preguiça.
PRIMEIROS PENSAMENTOS.
Dirija a Deus os seus primeiros pensamentos ao acordar, eleve a Ele o coração com reverência e gratidão pelo descanso desfrutado durante a noite e confie-se a Ele no dia que inicia. Familiarize-se tão consistentemente com isto, até que a sua consciência venha a acusá-lo quando pensamentos ordinários queiram insurgir em primeiro lugar. Pense na misericórdia de uma noite de descanso, mal acomodado, padecendo dores e enfermidades, cansado do corpo e da vida. Pense em quantas almas foram separadas dos seus corpos nesta noite, aterrorizadas por terem que se apresentar diante de Deus, e em quão rapidamente os dias e as noites estão passando! Quão rapidamente a sua última noite e dia virá! Considere no que está faltando no preparo da sua alma para tal momento e busque isso sem demora.
ORAÇÃO.
Acostume-se a orar sozinho (ou com o cônjuge) antes da oração coletiva em família. Se possível, que isto seja feito antes de qualquer outra ocupação.
CULTO FAMILIAR.
Realize o culto familiar consistentemente e em uma hora em que é mais provável que a família não sofra interrupções.

PROPÓSITO BÁSICO. Lembre-se do propósito básico da vida de vocês, e quando estiver se preparando para trabalhar ou realizar qualquer atividade neste mundo, que a inscrição santos para o Senhor esteja gravada no seu coração, em tudo o que fizer. Não realize nenhuma atividade que não possa considerar agradável a Deus, e que não possa verdadeiramente afirmar que Deus a aprova. Não faça nada neste mundo com nenhum outro propósito, que não agradar a Deus, glorificá-lO e gozá-lO. O que quer que fizerdes, fazei tudo para a glória de Deus (1 Co.10:31).


DILIGÊNCIA NA VOCAÇÃO.
Realize as tarefas concernentes à sua ocupação, cuidadosa e diligentemente. Assim fazendo:

1. Você demonstrará que não é preguiçoso e escravo da carne (como aqueles que não podem negar-lhe o comodismo); e estará mortificando todas as paixões e desejos que são alimentados pelo comodismo e preguiça.

2. Você estará mantendo fora da mente os pensamentos indignos que fervilham nas mentes de pessoas desocupadas.

3. Você não estará desperdiçando tempo precioso, algo pelo qual pessoas desocupadas se tornam diariamente culpadas.

4. Você estará num caminho de obediência a Deus, enquanto os preguiçosos estarão em constante pecado de omissão.

5. Você poderá dispor de mais tempo para empregar em deveres santos, se realizar suas tarefas com diligência. Pessoas desocupadas não têm tempo para os deveres espirituais, porque desperdiçam tempo demorando-se em seus trabalhos.

6. Você poderá esperar bênçãos da parte de Deus e provisões confortáveis para você e para a sua família.

7. Isto também pode exercitar o seu corpo, o que poderá habilitá-lo mais para o serviço da alma.

TENTAÇÕES E COISAS QUE CORROMPEM. Esteja perfeitamente familiarizado com as tentações e coisas que tendem a lhe corromper, e seja vigilante o dia todo contra isso. Você deve estar alerta, especialmente para as tentações que têm se mostrado mais perigosas, e cuja presença ou emprego seriam inevitáveis. Esteja alerta contra os pecados-mestres da incredulidade: a hipocrisia, a auto-suficiência, o orgulho, o agradar a carne e o prazer excessivo nas coisas terrenas. Tenha cuidado para não se deixar atrair para uma mente mundana, e para os cuidados excessivos , ou desejos cobiçosos pela abastança, sob a pretensão de ser diligente no seu trabalho. Se tiver que negociar com outras pessoas, tenha cuidado contra o egoísmo ou qualquer coisa que se assemelhe à injustiça ou falta de caridade. Ao lidar com as pessoas, esteja alertas para não usar de palavras vãs e desocupadas. Seja vigilante também com relação às pessoas que lhe tentam a irar-se (ou a qualquer tipo de pecado). Mantenha a modéstia e a clareza, no falar, que as leis da pureza requerem. Se tiver que conviver com bajuladores, seja vigilante para não se deixar inchar de orgulho. Se tiver de conviver com pessoas que lhe desprezam ou injuriem, resista contra a impaciência e o orgulho vingativo. No início estas coisas serão muito difíceis, enquanto o pecado for forte em você. Mas tão logo tiver adquirido profunda compreensão do perigoso veneno de qualquer destes pecados, o seu coração irá pronta e facilmente evitá-los.


MEDITAÇÃO.
Quando estiver sozinho nas suas ocupações, aprenda a remir o tempo em meditações práticas e benéficas. Medite na infinita bondade e perfeições de Deus, em Cristo e na obra da redenção, nos céus e em quão indigno é de ir para lá, e em como você merece a miséria eterna do inferno.

REMINDO O TEMPO. Valorize o seu tempo. Seja mais cuidadoso em não desperdiçá-lo, do que o é em não desperdiçar dinheiro. Não permita que recreações inúteis, conversas vãs e companhias não proveitosas, ou o sono, roubem o seu precioso tempo. Seja mais cuidadoso em escapar das pessoas, ações ou situações da vida que tendem a roubar o tempo de vocês do que o seria em escapar de ladrões ou salteadores. Certifique-se não apenas de não estar sendo desocupado, mas de estar usado o seu tempo da maneira mais proveitosa possível. Não prefira um caminho menos proveitoso à um outro de maior proveito.

COMER E BEBER. Coma e beba com moderação e gratidão, para ser saudável e não por prazer inútil. Jamais satisfaça o apetite pela comida ou bebida quando isto tender a fazer mal à sua saúde.

Lembrem-se do pecado de Sodoma: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade, teve ela e suas filhas...” (Ez.16:49).

O Apóstolo Paulo chorou quando mencionou aqueles: “cujo destino é a destruição, cujo deus é o ventre, e cuja glória está na infâmia; visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fp.3:19). Estes são chamados de inimigos da cruz de Cristo (v.18). “Porque se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis” (Rm.8:13).


PECADOS PREVALECENTES (QUEDA EM PECADO).
Se qualquer tentação prevalecer, e você vier a cair em qualquer pecado adicional às suas deficiências habituais, lamente imediatamente e confesse isto a Deus. Arrependa-se rapidamente, custe o que custar. Certamente custará mais ainda continuar no pecado e sem arrependimento. Não faça pouco caso das suas falhas habituais, mas confesse-as e esforce-se diariamente contra elas, tendo cuidado para não agravá-las pela falta de arrependimento e pelo descaso.


RELACIONAMENTOS.
Atente diariamente para os deveres especiais relativos aos seus vários relacionamentos, seja na condição de marido, esposa, filho, patrão, empregado, pastor, cidadão ou autoridade. Lembre-se que cada relação tem seus deveres especiais e seus proveitos da realização de algum bem. Deus requer de você fidelidade nestes relacionamentos, bem como em quaisquer outros deveres.

AO FINAL DO DIA. Antes de dormir, é sábio e necessário relembrar as próprias atitudes e misericórdias recebidas durante o dia que termina, de maneira que seja agradecido por todas as misericórdias recebidas e humilhado por todos os pecados cometidos. Isto é necessário a fim de que você possa renovar o arrependimento, bem como ser mais resoluto na obediência, e a fim de que examine a si mesmo, para ver se a sua alma progrediu ou piorou; para ver se o pecado foi diminuído e a graça aumentada; e para avaliar se você está mais preparado para o sofrimento, para a morte e para e eternidade.

CONCLUSÃO. Que estas instruções sejam gravadas na sua mente, e se tornem prática diária na sua vida.

Se você observar sinceramente tais instruções, elas lhe conduzirão à santidade, à frutificação, à tranqüilidade na vida, e ainda lhe acrescentarão uma morte confortável e em paz.

06/05/2008

TEXTO ANÔNIMO


O HOMEM QUE DEUS ESCOLHE

Quando Deus quer disciplinar um homem, e quebrantar um homem, e habilitar um homem;
Quando Deus quer moldar um homem para que use o que tem de melhor;
Quando Ele deseja de todo o coração tornar o homem grandioso e ousado
de tal modo que o mundo fique admirado ---
Veja o que Ele faz. Veja como o faz!
Como Ele aperfeiçoa sem compaixão a quem Ele escolhe, como se fosse o maior!
Como Ele o martela, como o machuca, e com poderosos golpes o cutuca,
dobrando-o, modelando-o, num vaso de barro que somente Deus entende.
O seu aflito coração chora e, levantando as mãos, implora!
Deus dobra, não quebra jamais quando retira algo do homem.
Muito Ele usa a quem tem amor. O Senhor tem um alvo que não se compreende,
mas tudo o que faz leva o homem a experimentar o Seu esplendor!
Deus sabe o que faz.