28/06/2010

A Confusão Evangélica Diante do Antigo Testamento – Luiz Sayão

 

 

A igreja evangélica brasileira é uma das mais dinâmicas e criativas do mundo. Por essa razão seu crescimento tem sido extraordinário. Todavia, uma igreja jovem e efervescente tem dificuldades de doutrinar e discipular seus novos membros. Essa é uma realidade na igreja brasileira.

É notório que o uso do Antigo Testamento na prática e na liturgia eclesiástica brasileira tem crescido de maneira substancial. Principal no contexto do louvor e da adoração a ênfase vétero-testamentária é mais do que expressiva. E como percebeu Lutero, a teologia de uma igreja está em seus hinos. Afinal, o que está acontecendo? Para onde estamos indo?

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Antigo Testamento representa um fascínio para o povo brasileiro. É repleto de histórias concretas, circunscritas na vida real do povo, no cotidiano de gente comum. É muito mais fácil emocionar-se com uma narrativa como a de Jonas ou de Davi do que acompanhar o argumento de Paulo em vários textos de Romanos. Além disso, o povo brasileiro tem pouca história e raízes muito recentes. O Antigo Testamento, com a rica história do povo de Israel, traz uma espécie de identificação com o povo de nosso país. Talvez isso explique porque tantos brasileiros evangélicos queiram ou procurem ser mais judeus. Em terceiro lugar, devemos considerar a realidade de que a igreja evangélica brasileira quase não tem símbolos ou expressão artística. A maioria dos símbolos cristãos históricos (catedrais, cruzes, etc.) tem identificação católica na realidade nacional. Assim, os evangélicos buscam símbolos para expressar sua fé, e acabam geralmente escolhendo símbolos judaicos ou vétero-testamentários (menorá, estrela de Davi, e etc.).

Este encontro brasileiro-judaico tem muitas facetas positivas: Retomamos uma alegria comemorativa da fé, trazemos a verdade espiritual para a realidade concreta, dificilmente teremos uma igreja anti-semita, enxergamos necessidades sociais e políticas pela força do Antigo Testamento. Todavia, também estamos andando em terreno perigoso e delicado. Algumas considerações são importantes para que a igreja brasileira não perca o rumo por problemas de ordem hermenêutica. Aqui vão algumas sugestões:

1. Nem todo texto bíblico do Antigo Testamento pode ser visto como normativo

A descrição da vida de um servo de Deus do Antigo Testamento não é padrão para nós sempre. Quando Abraão mente em Gênesis, a descrição do fato não o torna uma norma. A poligamia de Salomão, a mentira das parteiras no Egito e o adultério de Davi não podem servir de desculpas para os nossos pecados.

2. Não podemos cantar todo e qualquer texto do Antigo Testamento

É preciso observar quem está falando no texto bíblico. Sem observarmos quem fala, tiraremos conclusões enganosas. Isso é fundamental para se entender o livro de Eclesiastes. No caso de Jó 1.9-10, por exemplo, temos registradas as palavras de Satanás. Isto é fato até no caso do Novo Testamento (veja Jo 8.48).

3. Devemos ensinar que muito da teologia do Antigo Testamento foi superada pelo Novo Testamento

Jesus deixou claro que estava trazendo uma mensagem complementar e superior em relação à antiga aliança. Se não entendermos isto, voltaremos ao legalismo farisaico tão questionado por nosso Senhor. Textos como Números 15.32-36 revelam um exemplo daquilo que não tem mais valor na prática da nova aliança. Todos os elementos cerimoniais da lei não podem mais fazer parte da vida da igreja cristã, pois apontavam para a realidade superior, que se cumpre em Cristo (Cl 2.16-18). Sábados, festas judaicas, dias sagrados, sacrifícios e outros elementos cerimoniais não fazem parte da prática cristã neo-testamentária.

4. Antes de pregar ou cantar um texto do Antigo Testamento é preciso entendê-lo

Nem sempre é fácil entender um texto do Antigo Testamento. Muitos textos precisam ser bem estudados, compreendidos em seu contexto e em sua limitação circunstancial e teológica. Veja por exemplo o potencial destruidor do mau uso de um texto como o Salmo 137.9. Se o intérprete não entender que o texto fala da justiça retributiva divina dada aos babilônios imperialistas, as crianças da igreja correrão sério perigo!

5. Devemos ensinar que vingança e guerra não são valores cristãos

Jesus ordenou que devemos amar até mesmo aqueles que nos odeiam. A justiça imprecatória não faz parte da teologia do Novo Testamento. Há vários salmos que dizem isso, mas tal realidade compreende-se no contexto do Antigo Testamento e não pode ser praticada na igreja cristã. Não podemos cantar “persegui os inimigos e os alcancei, persegui-os e os atravessei” (Sl 18.37.38), quando o Senhor Jesus ordena que devemos perdoar e amar os nossos inimigos (Mt 5.44-45). Hoje já existe até gente “amaldiçoando” outros em nome de Jesus! Teremos o surgimento de uma “violência cristã”?

6. Enfatizemos a verdade de que a adoração do Novo Testamento é superior

O Novo Testamento nos ensina que a adoração legítima independe de lugar, de monte, de cidade e de outros elementos materiais (Jo 4). Jesus insiste em afirmar que Deus procura quem “o adore em Espírito e em verdade”. A tradição evangélica sempre louvou a Deus por seus atos e atributos. Atualmente estamos cada vez mais enfatizando “o monte santo”, “a cidade sagrada”, “a casa de Deus”, “a sala do trono”. Nós somos o “templo de Deus”. Os elementos materiais pouco importam na adoração genuína. É preciso retomar o caminho correto.

7. Devemos ensinar que ser judeu não torna ninguém melhor do que os outros

Alguns evangélicos entendem que “ser judeu” ou “judaizado” os torna de alguma forma “espiritualmente melhor”. O rei Manassés, Anás e Caifás eram judeus! Já há quem expulse demônios em hebraico! Em Cristo, judeus e gentios são iguais perante Deus. Na verdade “não há judeu nem grego” (Gl 3.28) na nova aliança. A igreja cristã já pecou por seu anti-semitismo do passado. Será que irá pecar agora por tornar-se judaizante? Devemos amar judeus e gentios de igual modo. Além disso, podemos e devemos ser cristãos brasileiros. Não precisamos nos tornar judeus para ter um melhor “pedigree” espiritual.

fonte:  Blog Fiel » A Confusão Evangélica Diante do Antigo Testamento

27/06/2010

Logo, tem Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem Lhe apraz

 

Romanos 9:17-18: Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.
A vontade determinativa é exercida no ato de endurecer. Além disso, Paulo nos havia preparado para tal conceito através do ensino, em Rm 1.24, 26 e 28, que aborda a entrega judicial dos homens à imundícia, às paixões infames e a uma mentalidade reprovável. Portanto, o castigo ativo da parte de Deus é a única interpretação que satisfaz essas diversas considerações. O endurecimento de Faraó, não esqueçamos, reveste-se de caráter judicial. Pressupõe a entrega ao mal e, no caso de Faraó, particularmente à entrega ao mal de seu auto-endurecimento.

Jamais podemos separar o endurecimento e a culpa da qual esta é o salário (...). Em referência ao ato judicial do endurecimento, a soberania consiste no fato de que todos, por causa do pecado e da entrega ao mal, pressupostos tanto na misericórdia quanto no juízo final, merecem ser endurecidos; e isto de maneira irreversível. A soberania, pura e simples, é a única razão para a diferenciação pela qual alguns são consignados ao endurecimento, ao passo que outros, igualmente merecedores de serem entregues ao mal, são feitos vasos de misericórdia. Deste modo, não existe qualquer escape da vontade soberana. Portanto, o apóstolo podia dizer sem reservas, assim como fizera no caso da misericórdia: "E também endurece a quem lhe apraz".
John Murray
Extraído de Comentário de Romanos, Editora Fiel

FONTE:  Orthodoxia: Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz

26/06/2010

Os bonzinhos e bem-comportados são uma desgraça de coisa nenhuma…

 CORAÇÃO

Sem agenda de sacerdote e levita, façamos o que tem de ser feito!

Soa como loucura hoje, no meio desses mega problemas, os quais envolvem tudo de tudo, do meio ambiente à perturbação da mente humana, pensar que um grupo de discípulos de Jesus pode ainda fazer qualquer sentido no mundo.

No entanto, se não fossemos judeu-evangélicos, sentindo-nos em relação ao Evangelho exatamente como alguns se sentiram em relação a ficarem em Jerusalém ao invés de irem ao mundo pregar a Palavra, existindo com a síndrome dos peixes de aquário, com complexo de passarinho de gaiola, sofrendo da sensação de produtividade de um hamster em roda de gaiola, contentes com a embaixada social da associação igreja, e dando banana para o mundo perdido, saberíamos que apesar de nossa fraqueza, incapacidade e inexpressividade, se fossemos às ruas, becos, encruzilhadas da terra, e todos os guetos, grupos e antros sociais, e apenas pregássemos, sem fixação em púlpitos, e sem crer que ministério só acontece dentro da “igreja” e de crente para crente, mas, muitos antes disso, como algo que acontece no caminho, e como resultado da paixão de cada um por Jesus, e isso feito em amor amigo e fraterno entre eles, geraria como resultado uma revolução simples, barata, poderosa, em cada canto da terra, e sem astros como atrações.

Se parássemos de ficar falando de Deus, estudando Deus, compreendendo Deus, defendendo Deus, trabalhando em escritórios de Deus, em entidades de Deus, em assembléias para tratar das coisas de Deus, sem comprar ou vender terreno para Deus, sem perder todo esse tempo “com Deus”, e, como o samaritano, sem agenda de sacerdote e levita, apenas fizéssemos o que tem de ser feito, e vivêssemos o fruto genuíno do Evangelho em nós, sem temor quanto a pregar, a orar com necessitados em qualquer lugar, até na sauna — então, subitamente veríamos que hoje mesmo, algo sem paralelos aconteceria na Terra.

Para isso também é fundamental parar de ficar explicando Deus para os religiosos assumidos e definidos. Pregar para cristãos de casca grossa não é cumprir a grande comissão de Mateus 28. É distração do inferno nos afastando para pregação a quem quer ouvir.

Provavelmente 95% da energia gasta pelos “cristãos” seja expendida em discussões entre “cristãos”. E no fim do dia a pessoa sente que se dedicou à obra de Deus. Tudo engano. São apenas os Templários modernos procurando o seu Santo Graal.

“Levanta. Toma teu leito, teu púlpito e tua algema de microfones, e anda enquanto é dia!”

Caio Fábio

FONTE: PavaBlog

Preguiça e Diligência

 

Anda, preguiçoso, olha a formiga, observa o seu proceder, e torna-te sábio: sem ter chefe, nem guia, nem dirigente, no verão, acumula o grão e reúne provisões durante a colheita. Até quando dormirás, ó preguiçoso? Quando te levantarás do sono? Um pouco dormes, cochilas um pouco; um pouco esticas os braços cruzados e descansas; mas te sobrevem a pobreza do vagabundo e a indigência do ladrão! [Provérbios 6:6-11]
A mão preguiçosa empobrece, o braço diligente enriquece. Quem recolhe no outono é prudente, quem dorme na colheita é indigno. [Provérbios 10:4,5]
Vinagre nos dentes, fumaça nos olhos, tal é o preguiçoso para quem o envia. [Provérbios 10:26]
A mão dos diligentes dominará, e a mão preguiçosa será escrava. [Provérbios 12:24]
O indolente não assa a sua caça, mas a diligência é recurso precioso para o homem. [Provérbios 12:27]
O preguiçoso espera, e nada tem para a sua fome; a fome dos diligentes é saciada. [Provérbios 13:4]
O caminho do preguiçoso é como cerca de espinhos, a trilha dos homens retos é grande estrada. [Provérbios 15:19]
O homem preguiçoso no seu trabalho é irmão do destruidor. [Provérbios 18:9]
A preguiça faz cair no torpor; o ocioso passará fome. [Provérbios 19:15]
O preguiçoso põe a mão no prato, mas não consegue leva-la à boca. [Provérbios 19:24]
No outono o preguiçoso não trabalha, na colheita procura e nada encontra. [Provérbios 20:4]
Não ames o sono, porque ficarás pobre: fica de olhos abertos e te saciarás de pão. [Provérbios 20:13]
O desejo do preguiçoso causa sua morte, porque suas mãos recusam o trabalho. [Provérbios 21:25]
O preguiçoso diz: “Um leão está lá fora! Serei morto no meio da rua!” [Provérbios 22:13]
Passei junto ao campo do preguiçoso, pela vinha de um homem sem juizo: eis que tudo estava cheio de urtigas, sua superfície coberta de espinhos, e seu muro de pedras em ruínas. Ao ver isso comecei a refletir, vi e tirei uma lição: “Dormir um pouco, cochilar um pouco, um pouco cruzar os braços, espreguiçando-se, e tua indigência virá como um vadio, como um mendigo a tua necessidade.” [Provérbios 24:30-34]
O preguiçoso diz: “Há uma fera no caminho, um leão pelas ruas!” A porta Gira nos seus gonzos, e o preguiçoso no seu leito. O preguiçoso põe a mão no prato: leva-la à boca é muita fadiga! O preguiçoso é mais sábio aos seus olhos do que sete pessoas que respondem com tato. [Provérbios 26:13-16]
A tradução utilizada é a da Bíblia de Jerusalém.

fONTE:  Orthodoxia: Preguiça e Diligência