25/10/2009

EU NUNCA…

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‘Eu nunca vou me cansar de água de coco, nascer do sol, pôr do sol, canto de passarinho, cheiro de mato molhado de chuva em dia quente, café recém coado, banana com queijo, água de moringa, dar risada, cachoeira, ler, ler, ler, ler, escrever, ler, ouvir Mozart, ouvir Bach, ouvir Chopin, correr com tênis macio, espirrar de manhã.
Nunca vou me cansar de falar do meu pai, do meu avô, da minha professora predileta, da máquina de escrever dourada do meu antigo pediatra, dos amigos que amo, dos meus filhos. Nunca vou me cansar de fazer cafuné. Nunca vou me cansar de receber cafuné, de massagem no pé, de ouvir histórias à luz do abajur de noite até dormir. Não vou me cansar de ver desenho animado bonitinho, de ir a museu, do cheiro de pãozinho assado, de guaraná, de biscoito maizena.
Nunca vou me cansar do cheiro de sabonete que fica depois do banho, do barulho da chuva e do trovão, do choro meio miado de um bebê recém nascido. Eu nunca vou me cansar de Deus, porque Ele nunca se cansa de mim. Eu nunca vou me cansar da vida, e só irei embora quando Deus estiver com uma saudade louca e sentir ciúmes de mim. Aí eu nunca mais vou sair dos braços d’Ele.’
Helena Beatriz Pacitti

FONTE: PavaBlog

Pisoteando o sangue dos mártires

 

A igreja cristã sempre despertou sentimentos negativos nas pessoas. Desde o seu surgimento, no livro de Atos dos Apóstolos, tem sempre alguém se levanta contra ela. No episódio da conversão de Paulo vemos que aqueles que perseguem a igreja perseguem o próprio Jesus (At 9.4). O próprio Paulo lembra isso ao Coríntios em 1 Co 12:27. Os livros de história da Igreja mostram claramente que perseguições aos que servem a Cristo de verdade sempre existiram e infelizmente sempre vão existir. Aliás, 2 Timóteo 3:12 declara: “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. Ser perseguido faz parte de ser cristão.

Mas essa perseguição tem várias maneiras de acontecer. Quem está familiarizado com os ministérios que trabalham com a chamada “igreja perseguida”, como Portas Abertashttp://www.portasabertas.org.br/ ou A voz do mártireshttp://www.vozdosmartires.com.br/ conhece o assunto mais de perto. Em grande parte do mundo nos dias de hoje a perseguição aos cristãos é algo real e cotidiano. Seja por motivos étnicos, políticos, teológicos ou simplesmente ódio ao nome de Cristo, pessoas são presas e mortas diariamente por causa da sua fé em Jesus. Por que isso ocorre? Porque o mundo não pode suportar a mensagem do evangelho.

Para a maioria das pessoas no Brasil, no entanto, essa questão é pouco relevante ou mesmo irrelevante. Na minha experiência dentro da igreja evangélica brasileira a maioria das pessoas acha que essas coisas não existem mais, que são experiências do passado. Muitos ainda criticam quando se fala sobre esses irmãos que sofrem por Jesus, alegando que lhes falta fé. Já ouvi alguns absurdos de pessoas que não tem noção do que realmente acontece no mundo. Parte desse desconhecimento e das críticas infundadas é por causa da teologia que parece predominar nos dias de hoje.

Com as mentiras sobre prosperidade e bênçãos constantes para todo aquele que seguir a Jesus se espalhando cada vez mais na TV e nos púlpitos, não é difícil entender porque falar de mártires é algo raro ou estranho para nós. Não é segredo que a Brasil vive um período de falta de exemplos, ausência de um herói nacional ou alguém que inspire sentimentos mais nobres no povo em geral. Isso já foi inclusive matéria de alguns jornais de revistas nos últimos anos. Seja no esporte ou na política, a impressão vigente é que não se fazem mais heróis como antigamente.

Isso também se reflete na igreja, ainda mais em uma cultura acostuma a procurar messias e esperar soluções imediatas de alguém de fora para os problemas que enfrentamos. A dura verdade é que a perseguição por causa de Cristo continua existindo e é crescente em alguns lugares do mundo. Inclusive no Brasil. No século 20, por exemplo foi registrado provavelmente o maior número de martírios da história. Esse é o argumento do livro By Their Blood: Christian Martyrs of the Twentieth Century de James C. Hefley e Marti Hefley(http://www.amazon.com/Their-Blood-Christian-Martyrs-Twentieth/dp/0801043956). Segundo esses autores dessa obra de 672 páginas a perseguição não está diminuindo, mas tende a aumentar. Usando noticias de jornais, levantamentos históricos e relatórios de agencias especializadas eles desenham um quadro em nada animador do presente e do futuro daqueles que decidiram seguir a Cristo de verdade.

Mas o mais impressionante disso é saber que essa perseguição pode ser revelada de muitas formas. Percebo que em muitos países vem surgindo há algum tempo um sentimento diferente. Basta ler o que se escreve sobre cristianismo hoje em dia, as constantes lutas declaradas entre setores da igreja que aceitam e os que rejeitam por exemplo, a homossexualidade como normal ou natural. Grandes contendas em denominações históricas vem acontecendo e tendem a continuar acontecendo. No Brasil, em especial nos blogs, podemos perceber um outro aspecto dessa divisão interna do cristianismo. Graças aos excessos, heresias e simples bobagens que são ditos em nome de Jesus, hoje em dia é fácil criticar a igreja, o corpo de Cristo. E assim as pessoas acabem confundindo o que significa realmente ser cristão e quem realmente se preocupa com a mensagem da salvação. E pior, muitas vezes as criticas surgem dentre os próprios cristãos pelo simples motivo de não se pensar da mesma maneira. Para alguns “cristãos” hoje em dia tudo aquilo que leva o nome de evangélico merece desprezo, todos os pastores são lançados na vala comum dos pilantras, aproveitadores e vigaristas e todo local que usa o nome de igreja deveria ser fechado. Alegam que está tudo errado e que deveríamos ir para outros locais louvar a Deus e acabar com a evangelização.

Embora haja muitos argumentos sólidos e motivos reais de preocupação pelo que uma minoria tem feito, essa perseguição ideológica não se sustenta. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento da realidade da vida que os cristãos de países como China, Coréia do Norte e Sudão deveria sentir-se mal pelo que é dito em terras brasileiras por esses “cristãos”. Enquanto lá e em muitos outros países anseia-se pela liberdade de culto, aqui essa minoria reclama da existência das igrejas. Enquanto lá se deseja ardentemente ter acesso a literatura evangélica e material para a edificação da fé, aqui se reclama do excesso de material e se despreza tudo o que pode parecer “lavagem cerebral”. Enquanto lá seguir a Cristo ou anunciar sua vinda pode custar a vida, aqui falar sobre isso é fanatismo ou ignorância.

Não estou exagerando, tenho vivido isso. Por exemplo, dias desses fui abertamente criticado por uma pessoa de minha própria denominação porque contei que estava pregando o evangelho num local de minha cidade parecido com a antiga FEBEM, que visa a recuperação de menores infratores. Essa pessoa iniciou um discurso sobre liberdade de culto e separação entre Igreja e Estado, mas no fim apenas disse que não gostava da idéia de ver o evangelho ser “imposto”. Considerando que ela nunca esteve na prisão nem conhece a realidade dos menores que atendo posso dar um desconto. Eu sei e muitos deles admitem que precisam muito do perdão e da graça de Deus, que seus crimes e vícios tem um preço alto aos olhos da sociedade e que tudo o que mais desejam é recomeçarem suas vidas, literalmente um novo nascimento. E quem conhece a Bíblia sabe que somente o evangelho de Jesus pode oferecer isso a eles. Acabo concluindo que muitas vezes o mundo está mais preparado para ouvir o evangelho do que a igreja está pronta para anunciá-lo.

A questão toda é que a mensagem que chega na mídia quase sempre envolve um outro evangelho. Um evangelho que despreza os princípios mais básicos do cristianismo e associa igreja, pastores e evangélicos a trapaças, intolerância, desonestidade, ganância e manipulação. Fazer isso é pisotear no sangue dos mártires, pessoas em todo o mundo que ao longo da historia derramaram seu sangue por causa da mensagem de Cristo.

Enquanto em muitos países fé não pode ser dissociada da vida, aqui muitos insistem para não se misturar o “sagrado” e o “profano”. E infelizmente o sentimento crescente é o de cristãos que se voltam contra cristãos, é de um outro evangelho sendo pregado no lugar do evangelho de Cristo, é de ver aquilo que a Bíblia ensino ser substituído por experiências e opiniões pessoais. Não me iludo a própria Bíblia disse em 2 Timóteo 4:3-5 “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.

Sim, o sangue dos mártires está sendo desprezado e pisoteado toda vez que o evangelho é usado para beneficiar alguém, para enriquecer algum homem ou igreja, para se anunciar algo além da salvação em Cristo. Mas o mesmo ocorre toda vez que as mesmas pessoas que deveriam estar preocupadas com isso preocupam-se apenas em criticar a liberdade que temos e aqueles que anunciam as boas novas de salvação.

FONTE: Pr Julio Soder: Pisoteando o sangue dos mártires

24/10/2009

SOBRE CASAMENTO E AMOR

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Não é bom que o homem esteja só.
Far-lhe-ei uma companheira
que lhe seja suficiente.
Gênesis 2.18

Venho me perguntando o que faz as pessoas optarem pelo casamento se contam com outras alternativas para a vida a dois. A justificativa mais comum para o casamento é o amor. Mas devemos considerar que amor é uma experiência cuja definição está em xeque não apenas pela quantidade enorme de casais que "já não se amam mais", como também pelo número de pessoas que se amam, mas não conseguem viver juntas.
Talvez por estas duas razões - o amor eterno enquanto dura e o amor incompetente para a convivência - nossa sociedade providenciou uma alternativa para suprir a necessidade afetiva das pessoas: relacionamentos temporários em detrimento do modelo indissolúvel. Mas, mesmo assim, o número de pessoas que optam pelo casamento em sua forma tradicional, do tipo "até que a morte vos separe" cresce a cada dia.
Acredito que existe uma peça do quebra cabeça que pode dar sentido ao quadro. Trata-se da urgente necessidade de desmistificar este conceito de amor que serve de base para a vida a dois. Afinal de contas, o que é o amor conjugal? Para muitas pessoas, o amor conjugal é confundido com a paixão. Paixão é aquela sensação arrebatadora que nos faz girar por algum tempo ao redor de uma pessoa como se ela fosse o centro do universo e a única razão pela qual vale a pena viver. Esta paixão geralmente vem acompanhada de uma atração quase irresistível para o sexo, e não raras vezes se confunde com ela. Assim, palavras como amor, paixão e tesão acabam se fundindo e tornando-se quase sinônimas.
Este conceito de amor justifica afirmações do tipo "sem amor nenhum casamento sobrevive", "sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena", "é o sexo apaixonado que dá o tempero para o casamento".
Minha impressão é que todas estas são premissas absolutamente irreais e falsas. Deus justificou a vida entre homem e mulher afirmando que não é bom estar só. Nesse sentido, casamento tem muito pouco a ver com paixão arrebatadora e sexo alucinante. Casamento tem a ver com parceria, amizade, companheirismo, e não com experiências de êxtase. Casamento tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, uma força no dia da adversidade, um encorajamento no caminho das dificuldades, um colo para descansar, um alguém com celebrar a vida, a alegria e as vitórias do dia-a-dia. Casamento tem a ver com a certeza da presença no dia do fracasso, e a mão estendida na noite de fraqueza e necessidade. Casamento tem a ver com ânimo, esperança, estímulo, valorização, dedicação desinteressada, solidariedade, soma de forças para construir um futuro satisfatório. Casamento tem a ver com a certeza de que existe alguém com quem podemos contar apesar de tudo e todos ... a certeza de que, na pior das hipóteses e quaisquer que sejam as peças que a vida possa nos pregar, sempre teremos alguém ao lado.
Nesse sentido, não é certo dizer que sem amor nenhum casamento sobrevive, mas sim que sem casamento nenhum amor sobrevive. Não é certo dizer que sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena, mas sim que sem relacionamento nenhuma paixão vale a pena. Não é o sexo apaixonado que dá o tempero para a vida a dois, mas a vida a dois que dá o tempero para o sexo apaixonado. Uma coisa é transar com um corpo, outra é transar com uma pessoa. Quão mais valiosa a pessoa, mais prazeroso e intenso o sexo. Quão menos valorizada a pessoa, mais banal a transa.
Assim, creio que podemos resumir a vida a dois, entre homem e mulher, conforme idealizada por Deus, em três palavras que descrevem um casal bem sucedido...
Um casal bem sucedido é um par de amantes.
Um casal bem sucedido é um par de amigos.
Um casal bem sucedido é um par de aliados.
São três letras A que fornecem a base de uma relação duradoura. Amante se escreve com A. Amigo se escreve com A. Aliado se escreve com A. E não creio ser mera coincidência o fato de que todas as três, amante, amigo e aliado, se escrevem com A... A de AMOR.

© 2008 Ed René Kivitz

FONTE:Igreja Batista de Água Branca

Princípio Zancul: devemos dar esmolas?

 

 

José Zancul foi presbítero na igreja de São Carlos quando lá pastoreei. Aposentado do Banco do Brasil, era e é uma homem singular, de uma simplicidade ímpar e de uma obediência invejável à Palavra. A sua generosidade não vi ainda em outra pessoa.
Certa feita estava conversando com ele na garagem da sua casa no cair da tarde, já anoitecendo. Um conhecido pedinte alcoólatra do bairro se aproximou de nós e nos saudou pelo nome, pois nos conhecia e nós a ele. Eu sabia que vinha, uma vez mais, pedir dinheiro e eu já havia decidido que não daria dinheiro a ele para que não gastasse em bebida, pois assim, entendia eu, estaria contribuindo ara o seu vício.
Dito e feito. Ele se virou para o seu Zancul e pediu um dinheiro para comer um sanduíche. Eu estava certo de que o pedinte teria a mesma resposta que eu lhe daria se a mim pedisse. Para surpresa minha, o seu Zancul colocou a mão no bolso e tirou o dinheiro e perguntou se aquilo era suficiente para comprar um sanduíche. O bêbado disse que sim e se foi, agradecendo e pedindo a benção de Deus sobre o doador.
Fiquei surpreso e, ao mesmo tempo, irritado. Do alto de minha convicção e como pastor dele, coloquei minha posição e minha recusa em dar dinheiro àquele homem. Mais surpreso fiquei ao ver a resposta do seu Zancul: "Ele me pediu dinheiro para comer e eu dei dinheiro para comer. Não me cabe julgar se ele vai comer ou não, cabe dar a quem está com fome e a mim assim declara. Se eu não der, estou julgando. Se eu julgar, fico com o juízo. Se eu dou, fico com a benção. Se ele comer o sanduíche, a minha benção se estenderá a ele. Se ele gastar em bebida, ele fica com o juízo de Deus por ter mentido, mas ainda assim a benção é minha. Não esqueça, pastor, que Jesus ensinou que Ele esteve com fome e não lhe demos de comer, teve sede e não lhe demos de beber, esteve preso e não o visitamos, nu e não o vestimos. Não sei como e nem por que, mas cada vez que vejo uma pessoa assim na minha frente, vem a mim a pergunta: será que é Jesus Cristo me pedindo?"
Saí dali de cabeça baixa, entendendo haver muita sabedoria naquela simplicidade generosa. Aprendi ainda que nem sempre a coloquei em prática, para demérito meu. Nas vezes em que o "princípio Zancul" foi aplicado por mim, meus filhos e minha esposa, tivemos a certeza de que ele tinha razão: a benção foi nossa em ajudar.
Marcos Roberto Inhauser
fonte: Genizah
A sabedoria mora com gente simples já dizia Salomão em Provérbios 11:2

Postado por Eliézer

fonte: Blog do Eli Sanches: Princípio Zancul: devemos dar esmolas?