28/09/2009

SAUDADES DO CÉU - Joed Venturini

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Onde estou hoje, já estiveste um dia
Onde estás agora, um dia também estarei
Essa esperança me consola e me guia
A idéia de que contigo sempre ficarei
Lá encontrarei o melhor de cada estação
O aconchego do inverno, a alegria do verão
A nostalgia do outono, o romantismo da primavera
Tudo muito além da imaginação ou da quimera
Lá o horizonte será um constante amanhecer
Pois a luz de Ti virá em beleza radiante
E Tu serás a fonte de onde vou beber
O alimento será doce, forte, confortante
Lá, saberei razões que nunca conheci
Para onde foi todo o tempo que perdi
O que estava nas montanhas que não escalei
O que ficou atrás das pedras que nunca virei
Lá, o tempo já não fará sentido
Desvendada para mim será toda a verdade
Recordarei o bem há muito esquecido
Em Teus olhos verei a eternidade
Lá serei cercado de mensageiros sem idade
Respirarei a paz da Tua santidade
De justiça já não terei mais fome
Verei o Rei que sabe o meu nome
E se comparo com este mundo a Tua morada
Perdoa, Senhor, a minha mente limitada
É que só conheço aqui esta Tua criação
Aceita Pai, Te peço, minha humilde adoração
Bafatá, 11/06/2001

FONTE: Joed Venturini Missão e Fé Cristã: Eternidade

RESTAURAÇÃO

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Por: Russel Shedd

Um dos temas freqüentemente abordados nas Escrituras inclui destruição e restauração, queda e renovação, morte e ressurreição, humilhação e exaltação. A maldição que assola a Terra um dia será retirada. Seria possível perceber um princípio ou lei que governa a existência humana?
O princípio bíblico afirma que o grão de trigo que não morrer ficará só, mas se morrer produzirá muito fruto. A diminuição é seguida pelo aumento, assim como a humilhação pela exaltação. Israel escravizado no Egito, uma vez libertado, se fortalece e conquista a Terra Prometida. O profeta Jeremias, mais de uma vez, repete a promessa divina de que os exilados na Babilônia serão restaurados pela poderosa mão de Deus. Paulo profetiza que todo o Israel será salvo num futuro que ainda aguardamos ansiosamente.
Há, porém, muitas exceções. Adão e Eva não voltaram para o Paraíso. O cristianismo que conquistou o Império Romano caiu na decadência, o que facilitou a sua destruição pelos muçulmanos no século 7. Não reconquistou sua ascendência. Nos dias de hoje a história se repete. Igrejas dinâmicas que proliferaram na Europa após a Reforma se secularizam e morrem. Povos e terras avivados pelo poder do Espírito e do Evangelho paulatinamente se tornam um deserto espiritual. Podemos esperar seu retorno ao compromisso que tiveram no passado?
Há indicação de que Deus restaurará, soberanamente, com seu onipotente braço, a dinâmica missionária das Ilhas Britânicas, da Alemanha ou da Escandinávia? E que dizer das denominações tradicionais da América que perdem membros anualmente? O que podemos esperar do filho criado num lar piedoso que começa a vida comprometido com o Senhor, mas depois abandona suas convicções?
A alegria que a volta do filho pródigo trouxe para seu pai não é a experiência de todos os pais.
Neste, como em incontáveis outros casos, parece mais forte o princípio de decadência inevitável de tudo o que está relacionado com a vida humana. “Como uma correnteza, tu arrastas os homens; são breves como o sono; são como a relva que brota ao amanhecer; germina e brota pela manhã, mas à tarde, murcha e seca” (Sl 90.5,6). Não seria mais comum esse quadro do que o de decomposição que favorece a volta para um florescimento maior? Há realmente algum fundamento para crer que haverá uma restauração?
Podemos procurar as respostas nas Escrituras, porém será difícil descobrir o princípio que garanta uma restauração de igrejas mortas ou terras avivadas, recuperando sua dinâmica espiritual. Mesmo que a maioria dos filhos pródigos volte para a casa paterna, não há uma promessa clara divina para estabelecer nossa fé.
De qualquer forma, ainda temos algumas bases para se esperar a restauração.
1. A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2.11). A graça continua sendo uma opção para os que sofrem na desgraça da ira de Deus.
2. A oração fervorosa de um justo tem sua eficácia. Elias era humano como nós. Demonstrou o poder da oração de fé que venceu as centenas de profetas de Baal e trouxe Israel de volta à adoração do Senhor Deus vivo.
3. A humilhação tem grande valor, uma vez que a Bíblia ensina que Deus concede maior graça aos humildes, mas se opõe aos orgulhosos.
4. O abandono do pecado também é importante; a renúncia das práticas condenadas na Palavra de Deus. Muitas vezes as conseqüências naturais do pecado viram um chicote para castigar suas vítimas. As duras conseqüências do pecado são capazes de chamar a atenção de desviados e convencê-los a se arrepender.
5. O sofrimento que atinge uma nação, uma família ou um indivíduo, não raro, tem a tendência de incentivar uma busca de renovação espiritual.
6. A própria aproximação da morte pode ser um instrumento. Os terrores da morte freqüentemente provocam um arrependimento genuíno. Quando uma tempestade assola o navio de tal modo que não há mais esperança de resgate, muitos se dobram diante da mão poderosa de Deus. Lembre-se do desastre do navio Titanic!
7. Para os que tiveram uma formação cristã e ainda acreditam que a Bíblia merece crédito, devem pensar de vez em quando no inferno. Mesmo não tendo nenhuma certeza de que eles serão lançados no lago de fogo e enxofre, essa possibilidade pode criar uma insegurança incômoda. Louvemos a Deus por todos os exemplos e possibilidades de restauração!


Fonte: Revista Enfoque - Edição N.80 - Mar / 2008

VIA:  Anderson Menger

PARA UMA GRANDE MISSIONÁRIA, COM MUITO AMOR...

26/09/2009

QUE ESCÂNDALO!

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Estou escandalizado! Não sei qual foi a razão pela qual a notícia aterradora não teve grande repercussão. Acho intrigante que notícias sobre o último “caso” da Madonna tenham mais destaque e despertem mais o interesse do grande público do que o que realmente importa à raça humana. Quando vi achei que tinha entendido errado, mas não, era aquilo mesmo: em 2009 o mundo tem um bilhão de famintos. A notícia foi dada pelo Programa Alimentar Mundial da ONU. Daí pensei: bem, devem ser um bilhão de pessoas com alimentação insuficiente, mas não que passam fome. Não era. Estes que não se alimentam o suficiente são três bilhões. Um bilhão são famintos mesmo. Fiquei estarrecido. Só um terço da população mundial come bem todos os dias. Isso é um escândalo. Mas ninguém liga.

Nem aqueles que se julgam muito religiosos ligam. Boa parte destes está mais preocupada com coisas irrelevantes do que com a vida humana. Se escandalizam com coisas mínimas mas são indiferentes com a banalização da vida. Tony Campolo, pregador e escritor cristão, disse, certa vez, numa palestra para estudantes universitários, o seguinte: “Enquanto você dormia ontem, 30.000 crianças morreram de fome ou de doenças relacionadas a má nutrição. E mais, a maioria de vocês nunca ajudaram em merda nenhuma. E o que é pior: você está mais perturbado com o fato de eu ter dito ‘merda’ do que com a notícia de que 30.000 crianças morreram de fome na última noite”. Certamente muitos dos que leem esse texto, neste exato momento, também se perturbariam mais com um pastor falando “merda” durante uma pregação do que com a notícia de um bilhão de famintos no mundo. Coam um mosquito e engolem um camelo.

O que tornou a notícia ainda mais escandalosa é que Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa Alimentar da ONU, disse que se fosse investido menos de 1% de tudo o que foi gasto para conter a crise econômica mundial, o problema da fome seria resolvido no mundo. Repito, menos de 1%.

E sabe o que é ainda pior? É que muitos de nós cruzam os braços, olham para os céus e dizem: “Deus quis assim, que seja respeitada a vontade de Deus”. Cinismo. Omissão. Pecado. Deus não quer isso. E já nos deu todas as condições para acabar com essa miséria. O mundo produz comida suficiente para todos. Nós é que não dividimos de modo equitativo. A culpa é nossa, não de Deus. O mundo prefere gastar trilhões para salvar o sistema financeiro do que alguns bilhões para erradicar a fome.

E não há “atos proféticos”, nem orações piedosas, nem qualquer outra prática litúrgica que dê jeito nisso. Enquanto as pessoas, em especial aquelas que se dizem cristãs, não perceberem que a solidariedade é um imperativo do Reino de Deus, as coisas não vão mudar. Enquanto acharem que escândalo é soltar um palavrão ou tomar uma cervejinha no fim do dia, os milhões vão continuar morrendo sob a mais diabólica indiferença do “rebanho”.
Márcio Rosa, na Folha de Boa Vista.

FONTE: PavaBlog