02/05/2010

O Irmão Asno - M. Lloyd-Jones


(Uma das causas de depressão espiritual) — condições físicas. Alguém está surpreso? Há quem defenda a idéia de que uma vez que, você se tornou cristão, não importa quais sejam as condições do seu corpo? Bem, se você crê nisso, ficará logo desiludido. As condições físicas desempenham sua parte nisso tudo. . . há certas indisposições físicas que tendem a promover depressão. Thomas Carlyle, suponho, é uma notável ilustração disso. Ou, por exemplo, o grande pregador que pregou em Londres durante quase quarenta anos no século passado — Charles Haddon Spurgeon — um dos verdadeiramente grandes pregadores de todos os tempos.

Aquele grande homem era sujeito a depressão espiritual, e a principal explicação, no caso dele, era sem dúvida que ele padecia de artrite, enfermidade que, finalmente, o matou. . . E existem muitos, acho eu, que vêm falar comigo sobre estes assuntos, em cujo caso parece-me bem ciara que a causa do distúrbio é principalmente física. . . fadiga, esforço demasiado, doença. Não se pode isolar o espiritual do físico, porquanto somos corpo, mente e espírito. Os maiores e melhores cristãos, quando fisicamente fracos, estão mais propensos a um ataque de depressão espiritual do que em qualquer outra ocasião, havendo nas Escrituras grandes ilustrações desta verdade.

Digamos uma palavra de advertência neste ponto. É preciso não esquecer a existência do diabo, nem permitir-Ihe que nos faça cair na armadilha e considerar espiritual aquilo que é fundamentalmente físico. Mas precisamos ser cuidadosos em todos os lados, ao traçarmos essa distinção; porque se você ceder um passo ao seu estado físico, tornar-se-á culpado em sentido espiritual. Se, contudo, você reconhecer que o físico pode ser parcialmente responsável por sua condição espiritual e fizer concessões a esse respeito, estará bem mais habilitado a tratar do espiritual.

fonte:   Martyn Lloyd-Jones: O Irmão Asno - M. Lloyd-Jones

01/05/2010

O Sofrimento Faz seu Cálice Transbordar - Piper

 

John Piper

  • O alicerce do prazer cristão é o fato de que Deus é supremo em suas próprias afeições
  • O principal propósito de Deus é glorificar a Deus e ter prazer em Si mesmo para sempre.
  • Somos propensos a descrever as intenções de Deus conosco no centro das Suas Afeições.
  • Deus nos criou para a sua glória. Portanto é nossa obrigação viver para a sua glória.
  • Mandamento bíblico mais direto - Tenha prazer no Senhor!!

 

O Sofrimento Faz seu Cálice Transbordar - Piper

Postado por Marcos Stockstill às 15:56

Por suportar o sofrimento com paciência a recompensa por nossa experiência da glória de Deus no céu aumenta. Isso é parte do que Paulo quer dizer em 2 Corintios 4.17-18.

A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.


A aflição de Paulo é "preparar", "efetuar" ou "realizar" um peso de glória acima de toda comparação. Devemos tomar seriamente as palavras de Paulo aqui. Ele não está meramente dizendo que tem uma grande esperança no céu que o capacita a suportar o sofrimento. Isso é verdade. Mas aqui ele diz que o sofrimento tem um efeito sobre o peso de glória. Aí parece haver uma conexão entre o sofrimento suportado e o grau de glória desfrutado. Certamente a glória ultrapassa infinitamente o sofrimento, como Paulo afirma em Romanos 8.18: "Para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós." Entretanto, o peso dessa glória ou a experiência dessa glória parecem ser mais ou menos, dependendo em parte da aflição que suportamos aqui com fé paciente.

Jesus apontou para a mesma direção quando disse: "Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, men¬tindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus"(Mt 5.11-12). Isso proporciona o maior dos incentivos para alegrar-nos, uma vez que Jesus afirma que, quanto mais suportarmos o sofrimento em decorrência da fé, maior será nossa recompensa. Se um cristão que sofreu muito por Jesus e outro que não sofreu muito experimentarem a glória final de Deus exatamente do mesmo modo e grau, pareceria estranho dizer ao cristão sofredor para regozijar-se e alegrar-se (naquele mesmo dia, cf. Lc 6.23), porque ele receberia a recompensa mesmo se não tivesse sofrido. A recompensa prometida parece ser em res¬posta ao sofrimento e um prêmio específico por ele. Se isso não é explícito e certo aqui, parece ser subentendido em outras passagens do Novo Testa¬mento. Permitirei que Jonathan Edwards as apresente, enquanto lemos uma das mais profundas reflexões que já li sobre esse problema. Aqui Edwards trata, de forma surpreendente, sobre a questão de como pode haver graus de felicidade em um mundo de perfeita alegria.

Há diferentes graus de felicidade e glória no céu.... A glória dos santos citada será de algum modo proporcional à sua eminência em santidade e boas obras aqui [e paciência por meio do sofrimento é, antes de tudo, uma das boas obras, cf. Rm 2.7]. Cristo compensará a todos de acordo com as suas obras. Aquele que ganhou dez moedas teve autoridade sobre dez cidades e o que ganhou cinco moedas, sobre cinco cidades (Lc 19.17-19). "Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará" (2 Co 9.6). E o apóstolo Paulo diz-nos que, assim como uma estrela difere de outra em glória, assim também será na ressurreição dos mortos (1 Co 15.41). Cristo ensina-nos que aquele que dá um copo de água fresca a um discípulo, em nome de um discípulo, de modo algum perderá seu galardão. Mas isso pode não ser assim, se uma pessoa não receber um galardão maior por fazer muitas boas obras do que se fizesse apenas poucas.

Não haverá nenhum desalento à felicidade daqueles que têm menores graus de felicidade e glória, por haver outros avançados em glória acima deles: pois todos serão perfeitamente felizes e satisfeitos. Toda embarcação que é lançada nesse oceano de felicidade está cheia, embora haja algumas bem maiores que outras; e não haverá no céu coisas como inveja, mas o perfeito amor reinará sobre toda a sociedade. Aqueles que não forem tão elevados em glória como outros não invejarão os que estão mais acima, antes sentirão amor tão grande, forte e puro por eles que se regozijarão com sua felicidade superior; seu amor por eles será tamanho que ficarão mais alegres pela maior felicidade dos outros; assim, em vez de ficarem desalentados com sua própria felicidade, mais felicidade será adicionada a ela....

Então, por outro lado, aqueles que são mais altos em glória, como serão também os mais amáveis, exceder-se-ão proporcionalmente em divina benevolência e amor para com os outros e terão mais amor a Deus e aos santos do que aqueles que estão abaixo em santidade e felicidade. E, além disso, aqueles que se elevam em glória também se elevarão em humildade. Aqui, neste mundo, aqueles que estão acima dos demais são objeto de inveja, porque... outros os imaginam como superiores; mas no céu não será assim, os santos que se distinguirem em felicidade serão [distintos] em santidade e, conseqüentemente, humildade....

A exaltação de alguns no céu acima dos demais estará tão longe de diminuir a perfeita felicidade e alegria dos restantes que estão abaixo, que eles serão mais felizes por isso; de tal modo será a união em sua sociedade que serão partilhadores da felicidade um do outro. Então será cumprido em suas perfeições o que está declarado em 1 Coríntios 12.22: "Os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários."

Assim, um dos objetivos de Deus no sofrimento dos santos é ampliar sua capacidade de desfrutar da glória dele, tanto aqui como no que está por vir. Quando seu cálice for apanhado, como se fosse do "lixo do mundo" (1 Co 4.13), e lançado ao oceano da felicidade celestial, ele possuirá mais felicidade por ter se afastado do mundo e vivido somente em Deus.

FONTE:  O Cristão Hedonista: O Sofrimento Faz seu Cálice Transbordar – Piper

30/04/2010

O Governo Divino - Louis Berkhof

 


1. A NATUREZA DO GOVERNO DIVINO. Pode-se definir o governo divino como a contínua atividade de Deus pela qual ele rege todas as coisas ideologicamente afim de garantir a realização do propósito divino. Este governo não é uma simples parte da providência divina, mas, como no caso da preservação e da concorrência, é toda ela, agora, entretanto, considera sob o ponto de vista do fim para o qual Deus guia todas as coisas da criação, a saber, a glória do seu nome.

a. É o governo de Deus como o Rei do universo. Nos dias presentes muitos consideram a idéia de Deus como Rei uma noção antiquada do Antigo Testamento, e a querem substituir pela idéia neotestamentária de Deus como Pai. A idéia da soberania divina deve dar lugar à do amor divino. Julga-se que esta se harmoniza com a idéia progressiva de Deus na Escritura. Mas é um erro pensar que a revelação divina, conforme se eleva a níveis mais altos, tenciona fazer com que nos desapeguemos aos poucos da idéia de Deus como Rei e a substituamos pela idéia de Deus como Pai. Já vai contra isso a proeminência da idéia do reino de Deus nos ensinos de Jesus. E se se disser que isto envolve apenas a idéia de uma especial e limitada realeza de Deus, pode-se replicar que a idéia da paternidade de Deus nos evangelhos está sujeita às mesmas restrições e limitações. Jesus não ensina uma paternidade universal de Deus. Além disso, o Novo Testamento também ensina a realeza universal de Deus em passagens como Mt 11.25; At 17.24; lTm 1.17; 6.15; Ap 1.6; 19.6. Ele é igualmente Rei e Pai, e é a fonte de toda autoridade no céu e na terra, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

b. É um governo adaptado à natureza das criaturas que ele governa. No mundo físico ele estabeleceu as leis da natureza, e é por meio dessas leis que ele exerce o governo do universo físico. No mundo mental ele exerce o seu governo de forma mediata, por meio das propriedades e leis da mente, e imediatamente, pela direta operação do Espírito Santo. No governo e controle dos agentes morais ele faz uso de toda classe de influência moral, como as circunstâncias, os motivos, a instrução, a persuasão e o exemplo, mas também age diretamen¬te, pela operação pessoal do Espírito Santo no intelecto, na vontade e no coração.

2. A EXTENSÃO DESTE GOVERNO. A Escritura declara explicitamente que este governo divino é universal, SI 22.28,29; 103.17-19; Dn 4.34,35; lTm 6.15. É realmente a execução do seu propósito eterno, abrangendo todas as suas obras, desde o princípio, tudo que foi, é e será para sempre. Mas, embora geral, desce também a particularidades. As coisas de maior significação, Mt 10.29-31, aquilo que é aparentemente acidental, Pv 16.33, as boas ações dos homens, Fp 2.13, como também as suas más ações, At 14.16 - tudo está sob o governo e direção de Deus. Deus é o Rei de Israel, Is 33.22, mas ele também domina entre as nações, SI 47.9, nada pode escapar ao seu governo.

FONTE:  O CALVINISMO: O Governo Divino - Louis Berkhof

NOSSO AMOR A DEUS

 

Aqueles que precisam receber ordens para amar a Deus geralmente acreditam que a obediência envolve a exclusão de todos os outros amores, chegando ao extremo de odiarem o mundo, a carne e até a si. Por isso, encontramos entre os cristãos um número exagerado de pessoas que odeiam a vida, ansiosas por receberem ordens de amar a Deus de maneira frígida e estóica porque, em primeiro lugar, elas odeiam o mundo, a carne e a si mesmas.
Sempre houve, todavia, pessoas que nunca receberam ordens para amar a Deus, porque estavam perdidamente apaixonadas por ele. A base de sua ideologia é que todo amor, não obstante seu objeto esteja errado, é em essência amor de Deus; e esse amor de Deus deve, dada a natureza caída do homem, começar com o amor-próprio. O que há de errado com o amor próprio, portanto, não é o sentimento de amor, mas o objeto para qual o amor se volta.
Muitas vezes, como um corolário dessa visão, julga-se que todo o amor, até o mais sensual, é uma tentativa de descobrir o belo e o bom. O amor fracassa e com isso revela o objeto mais elevado para o qual o amor deveria voltar-se. Embora nem todos tenham a honestidade de Agostinho que lhes permita pedir “Faz-me casto, mas não já”, contudo, o dissoluto em recuperação tem mais probabilidade de aprender a amar a Deus do que o homem que pouco se preocupa com qualquer espécie de amor. Considerando a multidão de grandes homens que expressam esse estado de espírito alternativo, pensamos em Platão, Plotino, Agostinho, Bernardo de Claraval, Dante, Dostoievski e muitos outros.

Hiperatividade Cerebral!: Janeiro 2009