O que dizer desses dias? Logo os primeiros de 2010 já repletos de tragédias, dentro de fora de nosso país? Tempo de tristezas, de compaixão, de reflexão, de mobilização.
E o que nos mostram a vida de algumas mulheres de nosso tempo em dias de dificuldades?
Perdemos uma missionária, uma evangelista brasileira que não via o Brasil como sua única paróquia. Zilda Arns morreu em missão, e, como diz a reconhecida jornalista Eliane Cantanhêde, “ela morreu como viveu: chacoalhando em desconfortáveis jipes militares, aos 75 anos, numa guerra contra a pobreza, a sujeira, a ignorância. A favor da vida. Morreu para que tantos outros vivessem no pequeno Haiti, o mais miserável país da América Latina. Sua história e seus ideais se confundem com os de um ícone mundial: Madre Tereza de Calcutá. Mas Zilda não era freira, não usava o hábito e dedicou sua vida à vida alheia, mantendo-se bonita, vaidosa, imensamente feminina. Não interpretou um papel. Era apenas ela mesma em ação. Zilda, definitivamente, não passou pela vida em vão”. E como a vida e a morte de alguns nos fazem repensar a nossa, não?
A morte da doutora Zilda nos convida a prestar maior atenção à vida e a agradecer por sua existência entre nós. Sua compreensão do evangelho e seu testemunho têm sido lembrados e celebrados em muitos cantos de nosso Brasil. O sociólogo André Ricardo de Souza, por exemplo, falou do trabalho dela na pastoral da criança e disse que se trata da “entidade nacional que mais reúne voluntários, 260 mil pessoas, sendo 92% de mulheres e a absoluta maioria de pobres. Mas o feito que a coloca em posição destacada na história foi ter ensinado mães humildes a orientar mães semelhantes a como salvar e fortalecer seus filhos”. Frei Betto repercutiu escrevendo sobre como ela “nos deixa, de herança, o exemplo de que é possível mudar o perfil de uma sociedade com ações comunitárias da sociedade civil, ainda que o poder público e a iniciativa privada permaneçam indiferentes ou adotem simulacros de responsabilidade social”. A jornalista Barbara Gancia falou do contraste da vida de dona Zilda, pois, em tempos de brigas por espaços por aparecer, intrigas entre celebridades, instantes de fama sendo disputadíssimos, uns querendo aparecer mais do que outros em nosso mundo de espetáculos, não fosse a tragédia, a maioria de nós nem saberia que Dona Zilda havia deixado suas férias sagradas, enquanto boa parte de nós desfrutávamos desse tempo, para ir servir lá no Haiti. Ela não era de perder oportunidades, sabia da urgência e da importância da obra.
Ruy Castro até comentou que “dona Zilda, aos 75 anos, parecia tão ativa quanto na época em que começou a Pastoral da Criança em 1983 – talvez até mais, porque, em 2004, ajudara a fundar a Pastoral do Idoso”. Isso nos remete à história bíblica de Calebe, com toda sua fibra e disposição mesmo em idade avançada: “Aqui estou hoje, com oitenta e cinco anos de idade. Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; tenho agora tanto vigor para ir à guerra como tinha naquela época.” (Js 14.10-11).
E como também disse o professor Fernando Altemeyer Junior: “Obrigado, querida e amada doutora Zilda. Por tua missão e por tua entrega. Grato por nos ensinar a ver milagres de Deus dentro das entranhas da dor. Grato por ver com teus olhos ressurreição onde todos só conseguem ver fatalidade. Grato por experimentar e gestar vida onde tudo revela dor”. Gente assim me faz celebrar com maior força e alegria a história de salvação de Deus que continua a ser construída. Também me anima a prosseguir vivendo pela esperança viva em Cristo.
Atentar respeitosamente para as que se vão e as lições que ficam, mas também observar e celebrar a vida de outras entre nós. Então o que dizer de Marina Silva ao olhar para sua vida, sua história, seu testemunho e sua dedicação? Como não se emocionar ao ver a reação natural do público do Fórum Social Mundial, aliás, que teve em sua maioria mulheres (59,3%), quando Marina foi chamada à frente – aplaudida em pé. Reconhecido público e notório da vida de uma mulher que fala com seus atos, que evangeliza com sua própria vida. Uma mulher nascida no interior do Acre, negra, pobre, analfabeta até aos 16 anos, que exercita sua capacidade e inteligência, inclusive esforçando-se para recuperar anos de atraso nos estudos devido às condições desfavoráveis, para não dizer total falta de condições. Ela não só consegue seu diploma universitário e se especializa, como continua desenvolvendo e servindo com conscientização, fazendo um trabalho digno de respeito e admiração por tantos estudiosos e envolvidos na área ambiental e fora dela. Mesmo em meio à tanta sujeira do jogo e intrigas políticas, é reverenciada como senadora por seu trabalho e sua ética exemplar; e assim se vão anos de coerência. E ainda, Marina não se cansa de proclamar que “uma das formas de amar a Deus e ao próximo é lutar por um mundo melhor”.
Mulheres que fazem história, que compreenderam a integralidade do evangelho e impactam tão positivamente a sociedade. Obrigada, Senhor, por essas mulheres de hoje.
• Tais Machado, paulistana, é psicóloga clínica e professora em seminários teológicos. É secretária nacional de capacitação da Aliança Bíblica Universitária do Brasil.fonte: Editora Ultimato - formação e informação
20/02/2010
ESSAS MULHERES DE HOJE- Tais Machado
19/02/2010
Ex-paquito que vive como missionário no Níger teme por futuro do país após golpe
Alexandre Canhoni, que foi o paquito Xand, vive há oito anos no Níger. Último lugar em desenvolvimento humano, país sofreu golpe militar.
Um dos países mais pobres do mundo, último colocado do ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, o Níger pode ter sua situação ainda mais agravada após o golpe militar que depôs o presidente na quinta-feira (18), afirma o brasileiro Alexandre Canhoni.
Mais conhecido no passado como o paquito Xand do “Xou da Xuxa”, Alexandre vive há oito anos no país africano, onde, junto com a mulher e outros quatro brasileiros, desenvolve trabalhos humanitários com crianças na organização evangélica Guerreiros de Deus.
“Estamos pedindo que não aconteça o aumento do preço dos alimentos, que já são caros aqui. O pouco que tem já está acabando e, como as fronteiras estão fechadas, pode faltar água e alimento”, disse o brasileiro, por telefone de Niamey, ao G1.
“As informações aqui são muito imprecisas. Ontem houve muitas manifestações, bombas e tiros aqui na capital, as ruas foram bloqueadas e nós estrangeiros fomos aconselhados por todos a ficar em casa”, relatou.
Sem televisão em casa, Alexandre contou ter ouvido de vizinhos que o presidente Mamadou Tandjua e vários ministros haviam sido presos pelo militares. Há 10 anos no poder, Tandja, de 71 anos, dissolveu no ano passado o Parlamento e o Tribunal Constitucional e prolongou seu mandato por pelo menos mais três anos em um referendo realizado em agosto – o que vem provocando protestos.
O brasileiro, que disse nunca ter presenciado nada semelhante no país, teme agora pelas iniciativas de ajuda ao país. “Não sabemos o que pode acontecer. Quem vai assumir agora junto com o sistema militar pode mandar ONGs e associações embora”, afirma.
De acordo com Alexandre, a organização em que atua, que atende a cerca de 1,2 mil crianças na capital e em outras oito vilas próximas, reúne outros 27 voluntários africanos – chamados de “obreiros” – e sobrevive de doações. São oferecidas refeições e aulas gratuitas de alfabetização em francês, marcenaria, dança e corte e costura. Um centro esportivo foi erguido na cidade de Mailo, a seis horas de carro da capital.
Sem sede própria, o atendimento é feito na própria casa em que o brasileiro vive. Nesta sexta-feira (19), segundo ele, poucas crianças apareceram e a segunda refeição do dia foi cancelada. “Nas ruas não tem quase ninguém. As pessoas não querem se arriscar a fazer qualquer coisa.”
Também nesta sexta, a junta militar que derrubou o presidente anunciou o fim do toque de recolher no país e a reabertura das fronteiras. Segundo o comunicado, ministros que foram presos junto com o presidente deposto devem ser soltos em breve.
Tanques e veículos equipados com metralhadores seguiam espalhados pela manhã no bairro do palácio presidencial.
FONTE: Ex-paquito que vive como missionário no Níger teme por futuro do país após golpe | O Verbo
CONSELHOS PARA TODA A VIDA
Sinais Materiais de Maturidade
Albert Mohler
Quando um menino torna-se um homem? A resposta vai muito além da biologia e da idade cronológica.
Como definido na Bíblia, a masculinidade é uma realidade funcional, manifestada por liderança e pelo cumprimento de responsabilidades. Uma marca da masculinidade é a maturidade econômica suficiente para manter um trabalho adulto e lidar com dinheiro.
A visão cristã de masculinidade eleva a maturidade econômica ainda mais. Um homem cristão vê seu trabalho como uma atribuição de Deus e como um assunto ligado ao Evangelho. Se ele falha em sua responsabilidade por complacência e indolência, ele sabe que causou dano ao Evangelho e à causa de Cristo.
Este retrato de masculinidade não é popular entre anunciantes e vendedores modernos. Eles sabem para onde dirigir suas mensagens: garotos adolescentes e homens jovens que estão enamorados do entretenimento popular, eventos esportivos e bens materiais. A mídia enaltece o descuido econômico, o egocentrismo e a preguiça como o padrão da masculinidade jovem - presa fácil para estes mascates.
"A mídia enaltece o descuido econômico, o egocentrismo e a preguiça como o padrão da masculinidade jovem - presa fácil para estes mascates."
Um homem de verdade, em contraste, sabe como manter um trabalho, administra o dinheiro com responsabilidade, e, se casado, cuida das necessidades da sua esposa e da sua família. A incapacidade de desenvolver maturidade econômica conduz a homens jovens que flutuam de trabalho em trabalho e que levam anos para “se acharem” em termos de carreira e vocação.
Se quisermos que meninos tornem-se homens, eles precisam ser ensinados como trabalhar, como economizar, como investir, e como gastar dinheiro com cuidado. Eles devem ser ensinados a respeitar o trabalho e a sentir a satisfação que procede de um trabalho bem feito e de um dólar ganho honestamente.
A dignidade do trabalho está fundamentada na própria criação, quando Deus disse aos seres humanos que subjugassem e trabalhassem a terra, e então desfrutassem do seu produto. Mas uma visão bíblica do trabalho também leva em conta a queda, na qual somos informados que, como conseqüência do pecado, a terra já não produz alegremente ou de boa vontade. O cultivo da terra, a produção da safra, e o processo inteiro de trabalho é agora muito mais difícil.
"Hoje em dia, garotos demais são mimados e entretidos, demonstrando uma preguiça que será altamente prejudicial à perspectiva de futuro deles como maridos e pais."
Mas nem sequer a maldição remove a dignidade do trabalho. O trabalho, em si, é digno, e também é digno o produto das mãos e o rendimento dos investimentos. Nós não sabemos os detalhes, mas sabemos que até mesmo antes da queda, houve uma ligação clara entre o trabalho e o valor dos produtos de nosso labor.
Hoje em dia, garotos demais são mimados e entretidos, demonstrando uma preguiça que será altamente prejudicial à perspectiva de futuro deles como maridos e pais. Indolência, preguiça e desmazelo econômico são marcas de imaturidade. Um homem de verdade sabe como ganhar, administrar e respeitar seus recursos. Um homem cristão entende o perigo que há no amor ao dinheiro e ainda assim cumpre sua responsabilidade como mordomo cristão.
Pais, nós temos que cumprir nossa responsabilidade de inculcar essa visão de economia pessoal no coração e na alma de nossos filhos e criá-los com a esperança e o objetivo de que esta marca de masculinidade seja concretizada na próxima geração de homens cristãos.
Fonte: Publicado em Answers in Genesis
Tradução: Juliano Heyse

