18/02/2010

O Exemplo dos Puritanos Ingleses

Errol Hulse

Por que deveriam os cristãos de hoje ter algum interesse pelos Puritanos ingleses? A resposta para isso é que os Puritanos ingleses deixaram para a Igreja Cristã uma das mais valiosas bibliotecas de livros expositivos. Em anos recentes tem havido um redescobrimento desta herança literária.

Quem eram os Puritanos ingleses?

Quando ocorreu a Reforma do século XVI três focos distintos de reforma se desenvolveram: o alemão, o suíço (incluindo a França) e o inglês. Destes três o mais fraco e menos auspicioso era o inglês. No princípio a oposição era feroz. Foram queimados até a morte na estaca 277 líderes cristãos durante o reinado da Rainha Maria. Ela chegou a ganhar o título de “Maria a Sanguinária’ durante o seu reinado de 1553 a 1558. Felizmente o reinado dela foi curto. No entanto, foi pelo sangue derramado e pelas cinzas queimadas dos mártires que a causa de Cristo cresceu e prosperou. Foi durante o reinado da Rainha Elizabeth (1558-1603) que o movimento Puritano nasceu. Ministros piedosos multiplicaram-se pela nação.

Esses ministros apoiaram um ao outro em uma fraternidade religiosa. No início os Puritanos receberam o nome Puritano porque eles buscaram purificar a Igreja Nacional de Inglaterra. Em tempos posteriores, porém, eles foram chamados de Puritanos por causa da pureza de vida que eles buscaram. Eles tinham a intenção de reformar a Igreja da Inglaterra. O seu anseio era conformar a Igreja nacional à Palavra de Deus em seu governo, adoração e prática.

"Na exposição de Baxter da Vida Cristã vemos a idéia Puritana de que a graça deve permear a natureza."

A Rainha Elizabeth era a cabeça da Igreja nacional e ela se opôs e bloqueou o avanço da reforma. Quando James I (que reinou entre 1603 a 1625) subiu ao trono havia a esperança de que finalmente a reforma progredisse. Ao invés disso a luta se intensificou. Nada melhorou quando Charles I subiu ao trono em 1625. Os ministros começaram a desacreditar de que haveria alguma melhora e alguns partiram para a América onde uma nova estirpe de Puritanos se desenvolveu. A situação chegou a um clímax quando a guerra civil começou durante a década de 1640. Naquele tempo Oliver Cromwell tornou-se o governador supremo em lugar do Rei. Quando Cromwell morreu não havia ninguém satisfatório para substituí-lo. A nação voltou à monarquia. Charles II subiu ao trono.

A luta na Igreja renovou-se com conflitos ainda mais árduos do que antes. Um ato do Parlamento foi aprovado, o qual exigia plena conformidade com regras que os Puritanos simplesmente não poderiam seguir. Em 1662 mais de 2000 ministros e líderes da Igreja de Inglaterra foram forçados a sair. Em lugar de comprometer suas consciências eles optaram por renunciar. Os historiadores consideram que o período Puritano encerrou-se naquele ano, 1662. Porém foi depois de 1662 que os Puritanos escreveram algumas de suas melhores obras. John Bunyan ficou preso durante doze anos depois de 1662. Foi na prisão que ele escreveu O Peregrino.

Dois Puritanos que viveram neste período posterior merecem especial atenção.

John Owen (1616-1683) é chamado “O Príncipe dos Puritanos’. Ele foi capelão no exército de Oliver Cromwell e vice-chanceler da Universidade de Oxford, mas a maior parte da sua vida ele serviu como pastor de uma igreja. Suas obras escritas somam 24 volumes e representam o que há de melhor em termos de teologia no idioma inglês. Em vários assuntos importantes como o Espírito Santo, Mortificação do Pecado e Apostasia, ele é insuperável.

Richard Baxter (1615-1691) foi um prolífico escritor e incluído em seus trabalhos está O Manual Cristão (The Christian Directory) que consiste em uma aplicação prática detalhada do evangelho a todos os aspectos da vida. Esta provavelmente é a exposição desse tipo mais abrangente que já foi escrita.

Na exposição de Baxter da Vida Cristã vemos a idéia Puritana de que a graça deve permear a natureza.

"É fácil ver quão próximos os batistas reformados estão dos presbiterianos (os filhos de João Calvino) quando comparamos a 2ª Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 com a Confissão de Fé de Westminster. Vinte e oito dos trinta e dois capítulos são virtualmente idênticos. Estas Confissões de Fé representam o ponto alto do Puritanismo."

Durante o período pré-reforma a graça e a natureza ficavam separadas. Este é o conceito do Universo em dois pavimentos. Escada acima está o espiritual e santo. Escada abaixo fica o pecaminoso, carnal e profano. Por exemplo, o clero foi proibido de se casar já que o matrimônio era considerado terrestre e, portanto, pecaminoso. Lutero reformou isso em parte e trouxe a graça para ficar lado a lado com a natureza. Por exemplo, ele se casou com uma ex-freira, Catarina. João Calvino foi mais adiante e ensinou que a graça deve permear a natureza. O que é terreno deve ser santificado pelo divino. Os Puritanos foram mais adiante ainda e ensinaram com maior detalhamento do que Calvino que os princípios bíblicos devem ser aplicados a todos os aspectos da vida. Há princípios bíblicos ou ética bíblica para o matrimônio, a educação de crianças e condução do lar, para os professores e professores universitários, médicos, advogados, arquitetos e artistas, para os fazendeiros e jardineiros, políticos e magistrados, para os homens de negócios e lojistas, para os militares e para os banqueiros. Para os Puritanos a dicotomia (divisão) entre natureza e graça, que era a visão prevalecente entre os teólogos medievais, estava essencialmente errada. Eles negaram qualquer ensino do tipo em que as coisas divinas são coisas santas e as terrestres são malditas e maculadas. Para os Puritanos a graça tem que penetrar e permear toda a vida terrestre e tem que santificá-la. Até mesmo os sinos dos cavalos são santificados para Deus (Zac 14:20).

Em contraste com isso os Anabatistas se retiraram da sociedade com base no argumento de que esta era pecadora e corrupta. Os Anabatistas desencorajavam os homens de tornarem-se políticos ou magistrados. Com respeito à guerra tanto Calvino quanto os Puritanos ensinaram que a defesa era permitida. Os Anabatistas eram pacifistas e não queriam ter nenhuma relação com assuntos militares. É importante que lembremos que há tipos diferentes de batistas. Por exemplo, John Bunyan era um batista firmemente arraigado na tradição Puritana assim como os batistas reformados de hoje. É fácil ver quão próximos os batistas reformados estão dos presbiterianos (os filhos de João Calvino) quando comparamos a 2ª Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 com a Confissão de Fé de Westminster. Vinte e oito dos trinta e dois capítulos são virtualmente idênticos. Estas Confissões de Fé representam o ponto alto do Puritanismo. Os Puritanos ingleses seguiram o exemplo de Calvino ao se envolverem com todos os aspectos da vida.

Por exemplo, Calvino era muito ativo na promoção da educação. Em 1559 ele fundou a Academia de Genebra com o intuito de construir uma Comunidade Cristã. Esta Academia atraiu estudantes de todas as partes da Europa e ao tempo da morte de Calvino, em 1564, contava com 1200 estudantes. Os Puritanos estavam igualmente preocupados de forma apaixonada com a educação e com os altos padrões acadêmicos. Quase todos os Puritanos eram formados em Oxford e Cambridge. Sidney Sussex College e Emmanuel College, em Cambridge, eram famosas instituições de ensino puritanas.

Calvino também preocupava-se com o sustento das 5000 famílias de refugiados que afluíram para Genebra entre 1542 e 1560. Ele foi fundamental no estabelecimento de dois hospitais e em um deles havia uma indústria de tecidos bem como uma tecelagem e uma fábrica de potes. (cf Building a Christian World View, vol 2, p 242, edited by W. Andrew Hoffecker, Presbyterian and Reformed, 1988). Até aqui eu descrevi Calvino em termos positivos. Como Lutero e como todos os demais líderes ele também teve pés de barro. Havia tendências autoritárias em Genebra que desfiguraram em parte o ministério de Calvino. Recomendo os ensaios no volume editado por Hoffecker por apresentarem uma visão equilibrada de Calvino em detrimento daqueles que idolatram aquele reformador.

"Quando olhamos atrás para aquele período deveríamos notar que pressões e provações podem extrair o que há de melhor nos cristãos. A alta qualidade da exposição bíblica, equilibrada entre doutrina, experiência e aplicação prática foram frutos da tribulação."

Esse interesse universal no bem-estar humano e essa preocupação social estão amplamente refletidos nas vidas dos Puritanos. Quando olhamos atrás para aquele período deveríamos notar que pressões e provações podem extrair o que há de melhor nos cristãos. A alta qualidade da exposição bíblica, equilibrada entre doutrina, experiência e aplicação prática foram frutos da tribulação. Em nossa geração a republicação deste material pela Banner of Truth na Inglaterra, e posteriormente pela editora americana Soli Deo Gloria tornou disponíveis muitos livros Puritanos preciosos.

A pergunta fica no ar: Por que os Puritanos são tão eficientes ensinando a teologia reformada levando-se em consideração que tantos outros falharam? A resposta é que o gênio espiritual dos Puritanos sempre repousou no fato deles serem homens de oração. Para eles a teologia não era somente um exercício acadêmico ou intelectual. A teologia reformada foi projetada para transformar vidas e inspirar ação. Este gênio era um gênio espiritual no qual os Puritanos cultivavam a oração, a doutrina, a experiência e a aplicação prática em equilíbrio e harmonia. Hoje costumamos ouvir o clamor de que Cristo une, mas a doutrina desune! Dêem-nos Cristo, não doutrina, é o lema! Para os Puritanos isso não passava de tolice superficial. Cristo vem a nós envolto no ensino bíblico, ou seja, na doutrina. Além disso, é a doutrina que dirige a vida. Doutrina é essencial. Ela é fundamental para tudo, mas deve ser aplicada de maneira amorosa e persuasiva.

O exemplo Puritano em aplicar a doutrina Cristã e o mandato cultural

As cartas neotestamentárias de Romanos, Efésios e 1 Pedro ilustram o princípio de uma aplicação tripartite do evangelho: primeiro nossa posição na igreja, segundo no matrimônio e na família, e terceiro a nossa posição no mundo.

Primeiro a vida deve ser mudada e deve ser trazida sob o domínio de Cristo. A partir da Igreja como o centro onde o crente deveria ser inspirado pela pregação ele sai para o mundo. Lá, no mundo, ele deve ser o sal da terra e a luz do mundo (Mat 5:13-16).

Como vemos na Confissão de Westminster e na Confissão Batista de 1689 os Puritanos acreditavam nas doutrinas da graça como a eleição e a redenção particular (Rom 8:28-30). Eles seguiram Calvino, resistindo a falsas racionalizações humanas. Por exemplo, eles resistiram à idéia de que Deus só ama os eleitos e odeia os não-eleitos. Esse erro é chamado de hiper-calvinismo. É um erro muito sério que está ocorrendo repetidas vezes nos dias de hoje. Os Puritanos eram peritos no seu entendimento do conceito de graça comum embora eles não tenham usado esse termo. O seu ensino está completamente de acordo com o modo pelo qual a doutrina da Graça Comum é exposta pelo Professor John Murray (cf. Works). Eles acreditavam que o Espírito Santo está constantemente em atividade, refreando o mal e promovendo o bem por toda a sociedade. Os Puritanos acreditavam no amor universal de Deus por todo o gênero humano (1 Tim 2:1-6; 2 Ped 3:9). Eles acreditavam na provisão universal de Deus para todo o gênero humano de acordo com a aliança feita com Noé como representante do mundo inteiro (Gen 8:20-22 e Sal 145).

Os Puritanos sustentavam que o mandato cultural de explorar e desenvolver toda a criação baseia-se em Gênesis 1:28-30. O Cristão deve esforçar-se para ser perfeito em toda boa obra e assim ele se esforça, sabendo que só Deus pode torná-lo perfeito em toda boa obra (veja Heb 13:21 KJV). Incluídos nas boas obras estão todos os aspectos do trabalho e da pesquisa. Toda vocação lícita deve ser perseguida usando princípios bíblicos como guia. O princípio importante é que os Puritanos trabalharam de dentro para fora, ou seja, da Igreja para fora, para o mundo. É correto os cristãos encorajarem a reforma de sociedade em todas as áreas: educação, política, economia, medicina, ciência. Porém é possível tornar-se tão absorto em nossa chamada secular com todas as suas elevadas exigências a ponto de acabarmos perdendo o equilíbrio da Igreja e da família. Equilíbrio é essencial. Os Puritanos personificaram esse equilíbrio.

"O princípio importante é que os Puritanos trabalharam de dentro para fora, ou seja, da Igreja para fora, para o mundo."

Sermões foram pregados em temas como o cuidado universal quanto aos detalhes no trabalho o que incluía a necessidade de ser probo, digno de confiança e honesto; cumprindo os contratos ou acordos. Os Puritanos eram rígidos em opor-se à corrupção e ao nepotismo na vida dos negócios. Eles não hesitaram em pregar em textos do tipo: “Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer.’ (Prov 11:1).

Quase todos os Puritanos pregaram sermões seqüenciais e expositivos cobrindo, desta forma, todos os assuntos contidos na Bíblia. Mas eles estavam preparados para romper com esse método sempre que fosse necessário. Durante a guerra civil na década de 1640 uma cidade foi invadida por soldados leais ao rei. Estes soldados se comportaram muito mal. Parte do seu mau comportamento estava em jurar e praguejar. O ministro daquela cidade era um Puritano chamado Robert Harris. Ele pregou um sermão em Tiago 5:12: Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo. Isso foi tão efetivo e tão condenatório para aqueles rudes soldados que eles ameaçaram atirar em Harris se ele pregasse novamente naquele texto. Destemidamente, no domingo seguinte ele anunciou como seu texto Tiago 5:12 e começou a expor! Ele chegou a ver um dos soldados preparar sua arma para atirar. Mas o soldado foi contido e não teve coragem de atirar no pastor. A convicção em seguir a ética bíblica em todos os assuntos custou caro aos Puritanos. Na adoração a Deus eles não estavam preparados para ceder, submetendo-se a regras feitas por homens ou criadas através da tradição.

O mesmo era verdade quanto à vida nos negócios ou no comércio. A ética Puritana do trabalho tornou-se famosa. É chamada de ética protestante do trabalho. Ela significa que o trabalhador sempre dá honestamente o seu melhor serviço. Ele nunca rouba tempo ou bens do seu empregador. Por outro lado o empregador Cristão deve ser justo com seus empregados e tratá-los bem (Tiago 5:1-6).

O cuidado escrupuloso quanto a detalhes está refletido no documento Puritano conhecido como Catecismo Maior de Westminster.

Qual é o oitavo mandamento? Resposta: O oitavo mandamento é: “Não furtarás.’

Quais são os deveres exigidos no oitavo mandamento? Resposta: Os deveres exigidos no oitavo mandamento são: a verdade, a fidelidade e a justiça nos contratos e no comércio entre os homens, dando a cada um o que lhe é devido, a restituição de bens ilicitamente tirados de seus legítimos donos; a doação e a concessão de empréstimo, livremente, conforme as nossas forças e as necessidades de outrem; a moderação de nossos juízos, vontades e afetos, em relação às riquezas deste mundo; o cuidado e empenho providentes em adquirir, guardar, usar e distribuir aquelas coisas que são necessárias e convenientes para o sustento de nossa natureza, e que condizem com a nossa condição; o meio lícito de vida e a diligência no mesmo; a frugalidade; o impedimento de demandas forenses desnecessárias e fianças, ou outros compromissos semelhantes; e o esforço por todos os modos justos e lícitos para adquirir, preservar e adiantar a riqueza e o estado exterior, tanto de outros como o nosso próprio.

Os Puritanos sobressaíram-se na pregação de um modo prático e muitos dos seus sermões refletem claramente esta preocupação em ser prático. Aqui estão alguns exemplos de títulos de sermões extraídos dos famosos sermões de Cripplegate que foram pregados em Londres e recentemente republicados em seis grandes volumes:

Que luz deve brilhar em nosso trabalho? (Richard Baxter)
Como devem ser encorajadas e apoiadas as mulheres que deram à luz? (Richard Adams)
Como devemos perguntar por notícias não como atenienses, mas como cristãos? (Henry Hurst)

A esperança Puritana e o futuro

Em relação à segunda petição da Oração que o Senhor nos ensinou, Venha o Teu Reino, o Catecismo de Westminster sugere que deveríamos orar para que o reino do pecado e de Satanás seja destruído, o evangelho seja propagado por todo o mundo, os Judeus sejam chamados, a plenitude dos Gentios seja trazida, a Igreja seja plenamente equipada com todos os ministros do evangelho e as ordenanças, purificada da corrupção e aprovada e mantida pelos magistrados civis.

Os Puritanos acreditavam no reino de Cristo no presente. Eles ensinaram que não devemos ser desencorajados pelas trevas que prevalecem. Nós sempre podemos esperar a oposição feroz e o ódio de Satanás. No entanto, devemos sempre observar a soberania de Deus. Devemos lembrar a promessa de que Cristo reinará até que todos Seus inimigos se tornem estrado dos seus pés. Quando o Seu plano de evangelização mundial estiver completo ele virá e conquistará o último inimigo que é a morte (Sal 110:1; 1 Cor 15:25). Os Puritanos sustentavam que nós estamos nos últimos dias, isto é, a última e definitiva dispensação. É durante esse tempo que o monte da casa do SENHOR será estabelecido como principal entre os montes (Isa 2:2). É por esse tempo que a pedra citada por Daniel na interpretação do sonho de Nabucodonosor tornar-se-á uma montanha enorme e encherá a terra inteira (Dan 2:35 e 44). De acordo com os Puritanos esse é o tempo em que teremos que interceder para que as nações se tornem a herança de Cristo e os confins da terra venham a ser sua possessão (Sal 2:8). A Confissão Puritana de Westminster não é pré-milenista em seu ensino.

"A Confissão Puritana de Westminster não é pré-milenista em seu ensino."

A visão Puritana dá lugar à esperança quando declara que a grande apostasia predita em 2 Tessalonicenses 2 é cumprida no papado (veja o cap. 25 parágrafo 6). Isso é importante porque significa que nós precisamos resistir a uma atitude negativa de derrotismo como se Satanás fosse ter a vitória final. Nós devemos cumprir a grande comissão de ensinar todas as nações. Como Iain Murray mostra em seu livro A Esperança Puritana (The Puritan Hope), a escatologia dos Puritanos ingleses está no coração do grande movimento missionário mundial do século XIX. Esta visão positiva do futuro conhecida como escatologia da vitória tem tremendas implicações porque inspira visão. Motiva o esforço e o empreendimento. Se nós acreditarmos que o mal superará tudo, estaremos sujeitos ao temor e ao desespero. Assim não estaremos inclinados a nos esforçar muito. Já se o Evangelho for destinado a prevalecer em todas as nações então seremos inspirados a tentar grandes coisas para Deus. Buscaremos ganhar as nações para Cristo. E ganhar as nações para Cristo significa dizer que os corações de homens e mulheres serão renovados e trazidos à obediência ao Evangelho. O reino de Deus está dentro de nós. É daquela posição de estar “em Cristo’ que nós aplicamos os ensinos da Bíblia a todas as esferas da vida como Calvino e os Puritanos ingleses procuraram fazer.

Com respeito à cultura nós temos um mandato para desenvolver todas as esferas e trazer todas as áreas da vida humana sob as ordens e o domínio do Príncipe da Paz (Sal 8). Devemos orar sempre para que a Sua justiça prevaleça. Devemos orar a oração do Salmo 72. Precisamos declarar que o Príncipe da Paz prevalecerá. Nossa expectativa é de que ele defenda os aflitos dentre as pessoas e que salve os filhos dos necessitados. Precisamos orar para que a terra inteira seja cheia da Sua glória assim como as águas cobrem o mar (Sal 72). Os Puritanos creram nessas perspectivas como tendo cumprimento certo. O futuro era tão glorioso quanto as promessas de Deus. Essas promessas têm um efeito radical em nossas vidas de oração. Que todos nós sejamos incitados a não dar nenhum descanso ao SENHOR até que ele estabeleça a Sua Igreja e faça dela um objeto de louvor na terra (Isa 62:6,7).

Fonte: Extraído do site Fire And Ice. Originalmente publicado na revista Reformation Today - n. 153 de setembro de 1996 - da qual Erroll Hulse é o editor.

Tradução: centurio

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O Exemplo dos Puritanos Ingleses

EU ERA POBRE E PERDIDO, SEM DEUS, E SEM JESUS…Sinais da violência entre os jovens

 

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Violência é o ato de machucar alguém propositalmente. E a cada ano a violência parece fazer cada vez mais parte da vida das pessoas, especialmente dos jovens. Nos EUA, 1 em cada 12 estudantes do ensino médio foi ameaçado com uma arma no ano passado. As maiores vítimas da violência são indivíduos que têm idades entre 12 e 24 anos.

Não há uma explicação que contemple o que está acontecendo atualmente com os números da violência entre essa população. As causas são diversas, e quanto mais fatores de risco presentes, mais uma pessoa pode estar em vias de agir violentamente contra alguém próximo.

Mas o que faz alguém machucar outra pessoa? Não há uma resposta simples, mas alguns pontos podem ser observados e talvez possam contribuir para a compreensão do problema.

a) Violência como expressão: algumas pessoas usam a violência para demonstrar seus sentimentos de raiva e frustração. Elas acham que não há respostas para seus problemas e recorrem à violência para demonstrar suas emoções de forma descontrolada.

b) Violência como manipulação: algumas pessoas usam violência e intimidação para ter algo que desejam naquele momento.

c) Violência como instrumento de retaliação: é quando a violência é usada contra indivíduos que já feriram alguém próximo (ou mesmo a própria pessoa envolvida na retaliação).

É comum também que pessoas que agem violentamente tenham dificuldades de controlar seus sentimentos como um todo. Elas podem ter passado por situações e não souberam como lidar com um trauma. Algumas dessas pessoas acham que fazer os outros ficarem com medo delas por meio da violência é a melhor maneira de resolver seus problemas e serem respeitadas de alguma maneira.

É importante observar que a violência é um comportamento aprendido. Assim como outros tipos de comportamento, isso pode ser mudado. Não é fácil, pois não há apenas um tipo de violência e não há soluções simples. O melhor a se fazer é reconhecer quando procurar ajuda, seja para si mesmo, seja para um amigo ou parente próximo.

Claro que sentir raiva ou frustração é algo natural, especialmente em algumas situações em que você se sente traído, mas isso não justifica a violência contra outras pessoas. Por mais que seja difícil controlar essa emoção, o melhor a fazer é ficar calmo. Mas se você acha isso incontrolável, é hora de consultar um profissional de saúde mental, como um psicólogo.

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da Redação

com informações da American Psychological Association

Sinais da violência entre os jovens | O que eu tenho?

Está faltando Deus nas mentes, nos corações, nas vidas, nas idas e vindas…

17/02/2010

MATAR E MORRER…OUTROS SIGNIFICADOS.

 

Não vale matar



"Se o quinto mandamento é considerado o mandamento das crianças, esse é considerado como o mandamento dos outros; nunca o nosso."


"'Nós não matamos! Ouvimos sobre isso, mas nunca cometemos delitos dessa natureza. Isto está muito além da maldade que há em nós', pensamos. Não sabemos, contudo, que quebramos esse mandamento muito mais do que imaginamos."


"A tradicional interpretação diz que esse mandamento nos proíbe de tirar a vida de alguém. Certa está, visto que Deus é sempre pró-vida. Como seres criados à sua imagem, devemos viver para promover vida - da forma que pudermos."


"Meu problema com tal interpretação está no risco que ela oferece. Há quem pense que, desde que o coração continue a bater, não importa o que se faça com uma pessoa, já que o mandamento não foi quebrado."


"Esquecem-se, os que assim pensam, que se mata de diversas outras formas: com palavras, atitudes, olhares e gestos."


"Vivemos em uma sociedade de assassinos e suicidas, já que matamos aos outros e a nós mesmos, ainda que jamais tenhamos derramado o sangue de alguém no chão."


"Há cristão que se orgulham de nunca terem empunhado uma arma, mas que matam aqueles com quem se relacionam todos os dias através do que fazer e/ou dizem."


"Somos, por isso, todos culpados pela constante quebra deste mandamento."


"'Não matarás' é o grito de um Deus que morreu a nossa morte para vivermos e promovermos sua vida."


"Cabe-nos, portanto, pedir auxílio a Deus para vivermos fazendo o que fomos chamados a fazer: promovendo vida."

FONTE:   Fé Verdadeira para um mundo Real

O CHAMADO PROFÉTICO NA POLÍTICA



Carlos Bezerra Jr.

O assunto me mobiliza. Talvez seja o discurso da minha vida. Mas pudera, não é? Encontrar o propósito de Deus em nosso cotidiano é a tarefa principal de cada ser humano. No dia-a-dia do médico, absorto no sofrimento dos seus pacientes, é fácil. No da assistente social e seus desvalidos, no do advogado e os injustiçados da vida, no do empresário que sustenta tantas famílias com seu negócio. Bom, mas meu cotidiano é a política, e daí? Pois me arrisco a dizer, e explicarei nas próximas linhas, que não existe vocação mais santa do que a vida pública. Pelo menos era o que dizia Calvino.

Primeiramente, gostaria de analisar a aversão que se formou na igreja quanto à política. A ascensão dos evangélicos no cenário nacional levou à inexorável eleição de representantes. Assim mesmo é que deve ser: todo e qualquer grupo social tem de se fazer representado no Congresso. Porém, desde aquela época, o pensamento corrente era o menos correto: temos de ocupar o parlamento para defender os interesses da Igreja, ou, pior, da nossa denominação! O fim disso, como se viu, foi devastador: não houve um grande escândalo nacional ou local que não tivesse um evangélico envolvido. Que desolação!

Entre todas as explicações plausíveis, passamos a pensar que a política é algo sujo mesmo, a serviço de satanás, que não havia jeito. Mas na verdade isso é um engano. Imagino que o povo de Deus no deserto também chegou a pensar que aquela aridez era infinita e que a Terra Prometida era uma ilusão qualquer, quando, de fato, ela existia. E qual seria a promessa para a política, então? Ora, para o que ela foi criada: promover a Justiça entre todos os cidadãos. Sim, é a arte da negociação, mas numa visão bem republicana, com a qual conduzimos a política hoje, é o cuidar bem da “res” pública, e na visão democrata, cuidar de forma que a vontade da maioria prevaleça.

E o que é a justiça? É dar a cada um o que é seu, dizia Tomás de Aquino. É justo que um estudante de classe média, que sempre estudou em bons colégios, dispute o vestibular da USP em pé de igualdade com rapaz pobre da periferia que estudou em escolas públicas depredadas? Sem dúvida, não é. No Brasil, a pobreza tem cor: é negra. Por isso, a política vem discutindo as cotas como forma de compensar a injustiça no acesso à universidade. Você pode discordar delas, mas, enfim, é pelo menos uma tentativa.

Quando passei a me debruçar sobre a questão do abuso e da violência sexual contra crianças, fui questionado sobre o porquê de me dedicar tão severamente a um tema. Havia várias respostas na ponta da língua. Chega a ser óbvio lutar para impedir tamanha barbaridade, mas não pensei duas vezes antes de responder: por causa da injustiça. Imagine construir uma sociedade sobre as marcas do abuso? “A injustiça em qualquer parte é uma ameaça à justiça em toda parte”, dizia Martin Luther King, que lutou pela igualdade racial nos Estados Unidos e que, coincidência, vai... era pastor batista. Somos, nós todos cristãos, os bem-aventurados dessa sociedade que têm sede e fome de justiça.

Mas ao elegermos tantos cristãos no passado, não estávamos preocupados com “o mundo”, com a justiça, com os que sofrem, estávamos, isso sim, atentos ao nosso próprio umbigo: como disse, queríamos pessoas que defendessem a igreja no Congresso, estavam muitos dos líderes ocupados com a formação de seus impérios. Pode uma fonte dar água limpa e suja ao mesmo tempo?, questionou o Mestre certa feita. Da mesma forma, enviar à política pessoas imbuídas do propósito de apenas proteger as denominações resultou na formação de um típico homem público evangélico: o despachante de igreja. Como ousamos questionar quem se elege para defender seus próprios interesses quando elegemos muitos para defender os nossos? Ora, quem protege a igreja de Cristo é o Dono dela!

Estamos, nós, cristãos, em qualquer lugar, prontos para servir. Há verdadeiramente uma maneira de atuar de forma profética na política e somos chamados com urgência para isso. A sociedade anseia por soluções onde o debate sobre o futuro é travado, ou seja, na política. Injustiça social, miséria, aquecimento global, desmatamento, meu Deus, são tantas as questões! Que adianta engordarmos espiritualmente dentro de nossas comunidades se os frutos que damos não chegam a quem tem fome? No passado, os profetas de Deus eram aqueles que diagnosticavam o presente e apontavam soluções para o futuro, denunciavam que havia morte na panela, que havia injustiça, que havia crise moral. Agora, parece-me que nos esquecemos que profecia não fala de futuro, fala de verdade moral, condena o aviltamento dos valores da família e defende uma postura progressista nas questões de justiça racial, apenas para citar exemplos.

Como cristão, vejo crianças abandonadas em lagoas para que morram à própria sorte, vejo crianças atiradas pela janela, vejo a explosão da pedofilia na Internet. Segundo a

Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, uma criança é abusada sexualmente no Brasil a cada 8 minutos. Senhor, não posso ficar de braços cruzados diante desse descalabro! Não posso dormir um sono tranqüilo ouvindo o pedido de socorro de tantas crianças. Há pouco mais de um mês uma lei de minha autoria criou o Programa Municipal de Conscientização e Combate ao Abuso Sexual e à Violência contra a Criança. Agora, os funcionários de creches serão treinados para identificar e ajudar crianças em perigo, e esse é apenas o começo: a formação se estenderá a médicos, guardas-civis, conselheiros tutelares etc.

É isso é ainda tão pouco! Em uma sociedade capitalista ao extremo, que elogia a competição, que premia apenas os mais fortes, que sacrifica o Planeta em favor do lucro, que ouve apenas os testemunhos de sucesso financeiro, que exclui radicalmente os mais pobres, nesta sociedade, quem levantará o seu cajado no deserto para lembrar dos idosos, das crianças, da gestante, da viúva? Onde está o papel da Igreja como consciência profética?

Sim, continuamos sendo chamados a ser o sal da terra. Sabe que o sal serve não apenas para dar sabor à carne? Ele é também usado para impedir que ela apodreça. Por isso, não desisto de colocar meu candeeiro no parlamento paulistano, porque acredito que é esse o compromisso do cristão autêntico: fazer brilhar a luz de Cristo o máximo que puder. Aliás, vou além, digo que se minha consciência cristã, se minha fé, não me levar a indignar-me com as injustiças nessa cidade, se ela não me fizer buscar novas soluções para os conflitos que vivemos dia a dia, então, que diferença faz ter fé?
Colaboração: Roberta Lima