04/08/2010

O mundo reduz o homem ao nível dos irracionais – Lloyd-Jones

 

Os homens e as mulheres de hoje não apreciam os processos de pensamento nem o discernimento. Quais crianças, desejam fazer o que gostam e justificam as suas ações baseando-se no fato que desejam e gostam de fazê-las. Por conseguinte, aborrecem a disciplina e o ter de enfrentar as dificuldades. Fazem objeção à inconveniência de terem de enfrentar as questões da verdade, do bem, do mal e da beleza. Fazem o que querem fazer, defendendo que a auto-expressão é algo correto. Têm apenas um padrão de valores, o do prazer. Não investigam se seu procedimento é correto e seguro, se tenderá por contribuir para o desenvolvimento de todo o seu ser, especialmente daquilo que, neles, é mais elevado e melhor. Contentam-se com este único teste: "Isto traz satisfação?"

É evidente que esse método termina revertendo ao estado da infância, ou mesmo ao da selvageria! Não é tal atitude inteiramente suicida, a julgar pelo verda¬deiro padrão da natureza humana? Se você deseja suprimir sua consciência, assassinar sua razão e abafar todo o desejo por coisas mais elevadas e nobres, que nascem em sua pessoa, e se deseja meramente satisfazer à concupiscência e paixão pelo prazer, então apele para o culto moderno da auto-expressão. Porém, se deseja que todo o seu ser se desenvolva e encontre meios de expressar-se, então considere o teste do prazer como uma sugestão feita pelo próprio inferno e aplique o outro teste.

Não há necessidade, porém, de argumentar sobre esse ponto de vista meramente segundo o plano teórico. Apliquemos o teste prático. Leiamos a Bíblia e estudemos a história de seus personagens. Leiamos as biografias dos maiores benfeitores que o mundo já viu. Examinemo-los especialmente à luz do que temos discutido. Davi, o rei de Israel, mostrou o seu lado melhor e mais elevado, quando expressou o seu verdadeiro "eu" e aplicou o teste isolado do prazer, na questão de Bate-Seba, tendo-se tornado, dessa maneira, adúltero e homicida? Estava Agostinho expondo a expressão mais verdadeira do seu "eu", quando ainda era um filósofo imoral? ou depois, quando se tornou o santo disciplinado que, metaforicamente, cortou as mãos e os pés e arrancou os olhos da concupiscência e dos maus desejos? Meditemos sobre todos os membros do nobre exército de santos e mártires, que viveram na abnegação, disciplinaram suas próprias vidas, conti¬veram e controlaram os seus impulsos e instintos e, de modo geral, obedeceram aos ensinamentos do evangelho! Comparemo-los e contrastemo-los com os sensuais libertinos e devassos da história. Qual desses dois grupos representa mais verdadeiramente o "eu", a verdadeira natureza humana?

Fazer tal pergunta já é por si um insulto. A maneira de expressar corretamente o próprio "eu" é o caminho da disciplina e da ordem, é o caminho da razão e da oração, é o caminho do ouvir a voz da consciência, encorajando cada pensamento e desejo que trazem enlevo. O mundo poderá considerar-nos uns tolos; e, do ponto de vista do mundo, certamente seremos coxos e mutilados, tendo apenas um olho, como criaturas bastante imperfeitas. Sim, como meros animais podemos parecer imperfeitos. No entanto, seremos dignos de sermos chamados "homens". Teremos um "eu" que se expressará com dignidade e que irá crescendo com o passar dos dias. "Não só de pão viverá o homem" (Lc 4.4); nem só de prazeres, por igual modo. Para viver, é mister que o ser inteiro e a natureza do homem sejam usados e exercitados. De outro modo, ele morrerá.

O argumento contra esse moderno ensino ainda não foi completamente exposto. Tal ensino ignora, descuidadamente, o destino final do próprio "eu": isto também precisa ser mencionado. Já foi esclarecido que isto é feito através de um ponto de vista meramente terreno e humano. Mas, há algo mais alto, infinitamente mais importante, que tal ensino também ignora. "Melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno". E novamente: "Melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo". Essas são palavras proferidas por Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. No plano puramente humano, temos visto que toda essa questão da auto-expressão é extremamente degradante para o verdadeiro "eu".

Mas, além e acima disso, há o ponto de vista de Deus a nosso respeito, que é de conseqüências infinita¬mente mais profundas, por estarmos em suas mãos e ser Ele o Juiz eterno. Esse é o ponto de vista divino sobre o nosso "eu", e essa questão fica abundantemente clara na Bíblia. De fato, ensinar isto é o propósito inteiro da Bíblia. Deus conferiu ao homem uma natu¬reza e um ser semelhantes aos dEle. Criou o homem segundo a sua própria imagem. Soprou sobre o homem o hálito da vida e o tornou uma alma vivente. Essa alma é o dom de Deus para nós. É o tesouro que Ele deixou ao nosso encargo e cuidado. Esse é o "eu" que pede e espera que expressemos.

No fim da vida e do tempo, Ele julgará o nosso desempenho. O padrão do juízo será a lei moral, conforme dada a Moisés, os ensinamentos dos profetas, o Sermão da Montanha e, acima de tudo, nosso conhe¬cimento confiante que temos dEle e nossa aproximação à vida vivida por nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Pois a autêntica auto-expressão foi revelada em Cristo de modo perfeito, de uma vez por todas. A questão que teremos de enfrentar, por conseguinte, é esta: O que você tem feito do seu próprio "eu"? Como é que você o tem expressado? As conseqüências são eternas — vida ou morte, o céu ou o inferno.

Portanto, antes de começarmos a falar sobre a liberdade de auto-expressão, teremos de descobrir se possuímos ou não aquele verdadeiro "eu" que Deus desejou que todos os homens tivessem. Se nos faltar este verdadeiro "eu", não podemos expressá-lo e não seremos capazes de devolvê-lo a Deus, prestando contas acerca dele, no temível Dia do Juízo. A grande e urgente indagação, pois, com que cada homem se defronta, é a seguinte: Que sucedeu ao teu "eu"? tens domínio sobre a tua alma? o verdadeiro "eu" continua existente em ti? a visão e a faculdade divinas continuam presentes em ti? a tua alma continua viva? Mas, se alguém tiver vivido somente conforme os seus instintos, desejos e impulsos, o verdadeiro "eu" dessa pessoa desde há muito está morto, segundo ela poderá descobrir facil¬mente, se ao menos tentar viver a outra forma de vida e, acima de tudo, se procurar encontrar a Deus. O homem não pode reabilitar o seu verdadeiro "eu". Não pode encontrar a Deus. O homem pode perder a alma, mas não pode achá-la de volta. Pode matá-la e destruí-la, mas não pode criá-la de novo. E, se não fosse por uma única coisa, iria inevitavelmente para o fogo eterno do inferno.

Graças a Deus, entretanto, existe essa única coisa. "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido" (Lc 19.10). Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, desceu à terra, viveu, morreu e ressuscitou, a fim de salvar. Ele suportou o castigo que merecíamos, devido ao nosso pecado, por havermos estragado e maculado a imagem de Deus em nós. E mais, Ele restaura nossa alma para nós. Ele nos confere uma nova natureza e enche-nos com um poder que nos capacita expressar esse novo e verdadeiro "eu", tal como Ele mesmo o expressou. Essa nova forma de auto-expressão é manifesta pelo homem que é filho de Deus, agradável aos olhos do Pai celeste e herdeiro da vida eterna.

O mundo reduz o homem ao nível dos irracionais, ofende ao santo Juiz e conduz à morte eterna. A Bíblia, ao contrário, exorta-nos a desistir dos prazeres transi¬tórios do pecado e a encontrar em Jesus Cristo o nosso verdadeiro "eu". É com essa finalidade que pleiteia, junto a nós, que neguemos a nós mesmos, decepemos mão ou pé, arranquemos o olho, e façamos qualquer coisa que porventura seja necessária, a fim de que sejam servidos os melhores e mais elevados interesses desse verdadeiro "eu"; porquanto assevera que "melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno".

fonte: Martyn Lloyd-Jones: O mundo reduz o homem ao nível dos irracionais – Lloyd-Jones

03/08/2010

O CERNE DA LIDERANÇA

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Será que existem mais coisas em liderança, além de visão, estratégia e gerenciamento? Nós pensamos que sim. Uns meses atrás, Todd Hunter, Dallas Willard e Brian McLaren, gastaram 3 dias em uma sala, cheia de líderes da Vineyard para discutirem sobre liderança num mundo emergente. O que a tarefa de liderar exige? E como podemos nos tornar o tipo de pessoas que realmente darão conta do recado?

O bom líder de verdade – por Todd Hunter

Estava no final do mês de dezembro de 1998, aqui no Sul da Califórnia, curtindo um dia límpido e claro (muito raro), mas com frio. Da janela de meu escritório tinha uma vista das montanhas San Bernadino carregadas de neve, o que só podemos ter aqui de 20 a 30 vezes ao ano. Lembro-me deste dia em particular, pois foi um dia que separei para estar com Deus, orar e pensar sobre minha estratégia e objetivos para 1999.

Com meu bloco de anotações à minha frente, esperei que Deus pudesse me revelar a lista de “dez coisas” que ele queria que completasse em 1999. Para minha surpresa, ele não começou com a número um. Ao invés, ele me deu um título para escrever no topo da página:

Torne-se uma boa pessoa.

Inicialmente isto pode parecer estranho para você. Será que o Lider Nacional da Associação de Igrejas Vineyard dos EUA não tem como aplicar seu tempo e energia em coisas mais importantes? Será que não existem grandes estratégias e políticas a serem planejadas? Claro que sim! Juntamente com uma lista enorme de coisas a serem feitas. E é por causa disto – e isso me pega – que é crucial que eu seja, na medida do possível, uma boa pessoa. Do ponto de vista do Reino, eficiência em liderança está diretamente ligada à bondade do líder. Em se tratando de liderança espiritual, a falta de bondade, a longo prazo, acaba com a eficiência.

Cinco anos de escritório à frente da AIV, me ensinaram que nunca precisei tanto ser como Jesus – ter sua sabedoria, integridade, prudência, bondade, amor, justiça, discernimento, entendimento e uma boa capacidade para poder captar a verdadeira natureza das coisas. Resumindo: preciso ser o tipo de pessoa que possa autenticamente funcionar com a profundidade da bondade que Jesus demonstrou literalmente que é possível ser vivida no Reino de Deus.

Quando estou fazendo avaliações e decisões referentes ao ministério de alguém ( e potencialmente impactando toda uma família e seu futuro), estou bem consciente da necessidade de ser uma boa pessoa. Quando vou definir uma política que vai influenciar a vida de mais de 1500 ministros ordenados, estou bem ciente que tenho de ser uma boa pessoa. Quando penso e vejo a lista de coisas que devemos fazer na Vineyard neste ano, não tenho nenhuma dúvida que verdadeiramente tenho que ser uma boa pessoa.

Espiritualidade autêntica

As claras, sucintas e poderosas palavras de Jesus capturam a dinâmica do que estou descrevendo. Falando no evangelho de Lucas sobre como alguém pode discernir o verdadeiro e autentico líder Cristão, ele disse: “a saúde da maçã, mostra a saúde da árvore. Vocês precisam começar a apresentar suas próprias vidas como dádivas. O que você é , é o que conta. Seu verdadeiro ser se sobrepõe às suas palavras e ações”. Em Mateus, Jesus diz: Não se impressionem com o carisma: procurem o caráter. O que os pregadores são, é que é o mais importante, não o que eles dizem. Mas as árvores doentes, com as maçãs estragadas, serão cortadas e lançadas ao fogo”. (Texto do “The Message”).

Talvez esteja inquieto e agitado demais, mas o fato é que tenho visto casamentos, ministérios e reputações demais sendo “cortados, lançados fora e queimados” nesses últimos cinco anos. Com toda certeza alguém poderia dizer que estou sendo exagerado. Talvez. Ainda assim, a sabedoria de Jesus veio milhares de anos antes de experimentar os problemas de ver amigos e colegas se autodestruindo por ignorar o DNA ruim existente em suas vidas, e por não apropriarem-se do novo DNA do Reino.

Recentemente, eu e um grupo de jovens líderes da Vineyard, passamos um tempo com Dallas Willard. Durante aquele tempo, continuamente conversamos sobre a necessidade de cultivar o tipo de vida interior que nos permita ser o tipo de líderes que Deus está interessado que sejamos. Escrevendo sobre como se tornar um povo com uma espiritualidade autêntica, Dallas diz: “Você tem que se tornar o tipo de pessoa de quem as boas obras fluem naturalmente. Uma árvore de maçã, produz maçã naturalmente, por causa de sua natureza. Esta é a coisa mais importante para se lembrar…ações não emergem do nada. Elas fielmente revelam o que está no coração… É desde o fundo de nossa alma que devemos procurar mudanças, e então, o comportamento será uma conseqüência natural.

Jesus colocou as coisas da seguinte maneira: “Pois que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca de sua alma?”

O “X” da questão

Praticamente falando, a pergunta é esta: o que você esta dando em troca com vistas a alcançar crescimento em sua vida interior? O que é mais importante para você do que se tornar uma boa pessoa?

Minha tese é que ministérios que são sadios e que crescem, o são, porque são liderados por pessoas que buscam saúde e crescimento em suas almas. Ponto final. Prestem atenção de novo às palavras de Jesus: “boa árvore…bons frutos; árvore ruim…fruto ruim; estejam em mim…o que você dará em troca de sua alma…”. Será que isto não parece boa informação para você? Você costuma atribuir inteligência as palavras de Jesus, ou será que você instintivamente se relaciona mais com elas, como sendo “espirituais”, bonitas mas, na verdade, de pouca aplicação prática? A pergunta, então, passa a ser se consistentemente depositamos confiança e dependencia na mensagem literal de Jesus, para que esta possa fundamentalmente formar a maneira como vivemos nossas vidas?

Se você “comprar” a minha tese acima, recomendo que você adquira o último livro do Dallas Willard “A CONSPIRAÇÃO DIVINA”. Este livro, colocando de uma maneira direta e simples, é o melhor livro sobre formação espiritual que já lí até hoje, logicamente depois da Bíblia. A amizade com Dallas, e seus escritos, fizeram com que eu fosse de novo uma “pessoa de Jesus”, e sou eternamente grato ao Dallas por me levar de novo à verdade que Jesus é a fonte de onde se beber quando alguém está sedento por inteligência, informações práticas sobre como viver e trabalhar para ser o tipo de pessoas que ansiamos, no mais profundo de nosso ser. Ao nos darmos à Jesus, encontramos nele o Mestre para toda nossa vida, e um Mestre para ser seguido alegremente como discípulos por toda nossa vida.

Estou convencido que nossa longevidade e permanência como líderes, está diretamente relacionada a cuidar e nutrir nossas almas desta maneira. Tom Watson, o antigo CEO da IBM, disse uma vez: “Nada é mais conclusivo em provar que um homem é capaz de liderar outros, do que aquilo que ele faz no dia-a-dia para liderar a sí mesmo”.

Tenho certeza que este é o caso. Minha oração constante tem sido: “Ó Senhor, me ajude a guiar a mim mesmo de tal maneira que seja teu servo para guiar outros”. Esta também, é minha oração para você.

TODD HUNTER

Na ocasião que este artigo foi escrito, Todd Hunter era presidente da Associação das Igrejas Vineyard nos Estados Unidos. Atualmente ele exerce seu minist´rio na Igreja Anglicana.

Artigo traduzido por Miguel Hadj, com autorização e permissão de Todd Hunter e do Consórcio Internacional de Igrejas Vineyard. Artigo publicado na revista da Vineyard “The Cutting Edge” Vol. 3 No. 1.  Revisão Claudio Oliver.

FONTE:  || vineyard café || blog

02/08/2010

O caminho de Lutero ao Paraíso.

 

Para Martinho Lutero, o triunfo da graça não ocorreu em um jardim, mas em um escritório. E a vitória não ocorreu principalmente sobre a lascívia, mas sobre o temor da ira de Deus. "Se eu pudesse acreditar que Deus não estava irado comigo, pularia de alegria". Ele podia ter falado "soberana alegria". Mas não conseguia acreditar nisso. E, em sua vida, o maior obstáculo não era uma concubina em Milão, na Itália, mas um texto bíblico em Wittenberg, na Alemanha. "Uma única palavra em [Rm 1.17], 'Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho' (...) estava me detendo. Pois eu odiava aquela, palavra, 'a justiça de Deus"'. Ele aprendera que a "justiça de Deus" significava a justiça "com a qual Deus é justo e pune o pecador injusto". ' Isso não concedia nenhum alívio nem era evangelho. Enquanto Agostinho "arrancava [seus] cabelos e batia na testa com [seus] punhos cerrados" em desespero por causa da sua escravidão à paixão sexual, Lutero "se irava com uma consciência aterradora e perturbada... [e] persistentemente golpeava Paulo naquele lugar [em Rm 1.17], querendo entender ardentemente o que o apóstolo queria dizer".


Sua vitória aconteceu em 1518, não como acontecera com Agostinho, com o repentino cantar de uma criança, "Tome e leia", mas pelo estudo inexorável do contexto histórico-gramatical de Romanos 1.17. Esse estudo sagrado provou ser uma ferramenta preciosa da graça. "Finalmente, pela misericórdia de Deus, meditando de dia e de noite, dei atenção ao contexto das palavras, a saber: 'O justo viverá pela fé.' Então comecei a entender que a justiça de Deus é aquela pela qual o justo vive por um dom de Deus, em outras palavras, pela fé. Aqui senti como se tivesse nascido de novo e entrado no paraíso por portões abertos". Foi essa a alegria que transformou o mundo.

Justificação pela fé somente, sem as obras da lei, foi o triunfo da graça na vida de Martinho Lutero. Ele realmente ficou, por assim dizer, de pernas para o ar de alegria, e, juntamente com ele, o mundo inteiro foi revirado. Mas, com o passar dos anos, Lutero se convenceu cada vez mais de que havia algo mais profundo sob essa doutrina e o conflito dela com o aspecto meritório das indulgências e o purgatório. Mas, ao final, o que produziu a defesa mais ardente que Lutero fez da graça onipotente de Deus não foi a venda de indulgências de Johann Tetzel, nem a promoção da idéia do purgatório de Johann Eck. O que provocou Lutero acima de tudo foi a defesa do livre arbítrio feita por Erasmo de Roterdã.


Erasmo foi para Lutero o que Pelágio fora para Agostinho. Martinho Lutero admitiu que Erasmo, mais do que qualquer outro oponente, havia percebido que a impotência do homem diante de Deus, e não a controvérsia sobre as indulgências e o purgatório, era a questão principal da fé cristã. Lutero escreveu seu livro A. escravidão da vontade, publicado em 1525, em resposta ao livro de Erasmo, A. liberdade da vontade. Para Lutero, esse livro que escrevera era o seu "melhor livro teológico e o único digno de ser publicado". E isso porque, no centro da teologia de Lutero, encontrava-se uma dependência completa da liberdade da graça onipotente de Deus para resgatar homens impotentes da escravidão que o livre arbítrio impõe. "O homem, por si só, não tem a capacidade de purificar seu próprio coração e produzir dons divinos, como um verdadeiro arrependimento de pecados, e, ao contrário do artificial, um verdadeiro temor de Deus, verdadeira fé, amor sincero. A exaltação, feita por Erasmo, do arbítrio decaído do homem como livre para superar seus próprios pecados e sua escravidão era, na mente de Lutero, uma confrontação à liberdade da graça de Deus e, portanto, um ataque ao próprio evangelho e, por fim, à glória de Deus. Assim, Lutero demonstrou ser um estudante fiel de Paulo e Agostinho até o fim.

John Piper

fonte:  caminho de Lutero ao Paraíso.

01/08/2010

Semear no Espírito [DEVOCIONAL]

 

C.H.Spurgeon

Banco da Fé

2 de maio

Mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” (Gl 6:8 ACF[*] )

Alguém pensará que semear é uma ocupação vã porque depositamos bom trigo na terra e já não o vemos mais. Semear para o Espírito pode também parecer um capricho, um sonho, porque nos negamos a nós mesmos e aparentemente nada recebemos. Mas se semearmos para o Espírito procurando viver para Deus, obedecendo à Sua vontade e esforçando-nos em fomentar a Sua glória, a nossa sementeira não será infecunda. A vida será a nossa recompensa: a vida eterna. Pois bem, esta vida possuímo-la logo que começamos a conhecer Deus, entramos em comunhão com Ele, e nos alegramos com Ele. Esta vida segue o seu curso como um rio que se vai alargando e aprofundando até nos levar ao oceano da felicidade infinita onde a vida de Deus nos pertence para sempre(.
Não semeemos hoje para a nossa carne porque a ceifa será corrupção, já que a carne tende sempre para isso; antes pelo contrário, vencendo-nos a nós mesmos com a santidade, vivamos para fins mais elevados, mais puros e espirituais, procurando a glória do nosso Deus pela obediência ao Seu Espírito de graça. Que ceifa tão admirável será quando segarmos a vida eterna! Que feixes de bênção eterna recolheremos! Que dia de festa será o dia de tão formosa ceifa! Senhor, concede-nos por amor do Teu Filho, que sejamos do número destes afortunados ceifeiros!

Notas:

[*] ACF - Bíblia, edição João Ferreira de Almeida, Corrigida Fiel, versão e-Sword, SBU 69

TRADUTOR Carlos António da Rocha

FONTE: No Caminho de Jesus

VIA: emear no Espírito [DEVOCIONAL] | Projeto Spurgeon