14/10/2009

SERVIR --- PRIVILÉGIO DE POUCOS

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É natural ao coração humano a busca de conforto, status, poder e tudo quanto vem agregado a estas realidades. Tiago, João e sua mãe foram até Jesus solicitar tais privilégios na consumação do reino de Deus. Jesus não disse nem que sim, nem que não, mas aproveitou para reforçar que o reino de Deus é reino de servos e, portanto, os servos são os verdadeiros governantes do mundo. No reino de Deus, o privilégio e o ônus de governar não é das "pessoas importantes", mas dos servos, até porque, governar é servir. No reino de Deus, a maneira de governar não é exercendo domínio sobre os governados, mas servindo os governados, até porque, governar é servir. Na lógica do reino de Deus, o oposto também é verdadeiro: servir é governar.
Para servir é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer "o trabalho sujo", enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que ás custas de prejuízos e danos pessoais.
Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.
A comunidade cristã - a Igreja, pode e deve ser vista, portanto, como uma escola de servos. Uma escola onde aprendemos que somos portadores do dna de Deus, dignidade que ninguém nos pode tirar. Uma escola onde aprendemos que, por mais desfigurado que esteja, todo ser humano carrega a imagem de Deus. Uma escola onde aprendemos a amar, e descobrimos que, se "não existe amor sem dor", jamais se ama em vão. Uma escola onde aprendemos que "mais bem aventurada coisa é dar do que receber".
Servir é mesmo privilégio de poucos. De minha parte, preferiria ser servido. Mas aí teria de abrir de mão do reino de Deus. Teria de abrir mão de desfrutar do melhor de mim mesmo. Teria de abrir mão de você. Definitivamente, me custaria muito caro. Nesse caso, continuo na escola.

© 2008 Ed René Kivitz

FONTE: Igreja Batista de Água Branca

13/10/2009

EU SOU MAIS MORTAL QUE…

 

… uma bala de canhão. Eu derrubo casas, quebro corações, afundo vidas. Eu viajo nas asas do vento. Nenhuma inocência é forte suficiente para me intimidar, nenhuma pureza é completa para me amedrontar. Eu não tenho nenhuma consideração pela verdade, nenhum respeito pela justiça, nenhuma clemência para com o indefeso. Minhas vítimas são tão numerosas quanto as areias do mar e, muitas vezes, inocentes. Eu nunca esqueço e raramente perdoo.
Meu nome é Fofoca.

Fonte: ..:: Letras Santas ::..: A Fofoca (Morgan Blake)‏.

COMO É DOLOROSO PERDER!

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Já sofri muitas e dolorosas perdas em minha vida. Perdas emocionais, físicas e materiais. Gostaria de partilhar com vocês três delas que, em minha concepção, foram reestruturantes na minha forma de perceber, avaliar e lidar com a própria vida.

A primeira aconteceu quando tivemos que enfrentar a morte prematura de meu irmão, aos 33 anos de idade, num acidente automobilístico que vitimou toda sua família (esposa e três filhos). Por seu temperamento e confiança em Deus, meu irmão era uma pessoa extremamente amada por nós. Perdê-lo, abriu um vazio emocional imenso em nossas vidas e, seguramente, se não fosse o Senhor ao nosso lado, teríamos sucumbido diante da dor e dos "porquês" que nos vêm a mente nestas horas, sem nenhuma explicação.

Depois sofri uma perda significativa quando, há dois meses do término do meu tempo a bordo do navio-missionário "Logos", sofremos um naufrágio. Em poucos minutos, perdemos tudo o que tínhamos. Parte da nossa história foi para o fundo do mar sem nenhuma possibilidade de recuperação. Esta perda foi imensamente dolorosa porque me fez questionar muitas crenças cristãs nas quais, até então, eu baseava minha fé. Por exemplo, tinha convicção de que por sermos o povo de Deus, fazendo a obra de Deus, seríamos sempre livrados ou poupados de qualquer situação ruim ou negativa. Tive que aprender que nem sempre isto ocorre porque, muitas vezes, os propósitos de Deus transcendem nossas situações imediatas.

Também sofri muito quando tive que retornar do campo missionário na Espanha como consequência de situações conflituosas que não foram devidamente trabalhadas. Voltei deixando algumas pendências que só foram resolvidas alguns anos depois. Eu amava aquele campo missionário e tinha investido nele todas as minhas perspectivas, sonhos e idealizações para o futuro. Em semanas, tive que reelaborar tudo isto. O sentimento de perda foi algo muito intenso que vivenciei durante vários meses.

Por estas e muitas outras experiências posso dizer que, o enfrentar das perdas em nossas vidas, dentre todas as demais experiências humanas é, seguramente, uma das mais difíceis de ser suportada e aceita.

Talvez porque, a maior verdade que constatamos diante desta realidade é que, quase sempre, não estamos preparados para perder. Salvo as exceções, uma vez que a vida não é feita de certezas absolutas, a maioria das pessoas, quando são surpreendidas por situações de perda, independentemente do nível em que esta se processa (perda de um emprego, término de um relacionamento, perda de um ente querido, etc.), lutam desesperadamente para negar a situação buscando meios de se auto proteger de todas as visíveis e invisíveis marcas que as perdas parecem produzir em nós.

Geralmente em momentos de perdas, somos questionados e questionamos muitas coisas, somos machucados e machucamos aos que nos amam, somos descentralizados e perdemos o centro de muitos valores, metas e objetivos em nossas próprias vidas.

Quase sempre, a idéia de perder algo vem carregada de sentimentos de dor, desconforto, insegurança e medo. Tememos a perda. Tememos ter que nos preparar para perder. Tememos o processo e as possíveis mudanças às quais esta perda poderá nos conduzir e, finalmente, tememos equacionar a perda à matemática do ganho.

Dificilmente, quando estamos enfrentando perdas, conseguimos perceber algum ganho. Perdas parecem assumir sempre características de ausência, de fracasso, de negação. Esta percepção resulta diretamente do fato de sermos constantemente, social e emocionalmente, moldados para perceber os ganhos como sinais de aprovação, valorização, sucesso. Experiências opostas que equivalem a perdas, parecem afirmar que não fomos suficientemente capazes de conquistar, conseguir, reter e manter os ganhos. Portanto, fracassamos!

Por estas razões é tão difícil, humanamente falando, aceitarmos e lidarmos com nossas experiências de perdas. Contudo, a vida, de forma ordinária e extraordinária, resulta de uma somatória de perdas e ganhos. E somente quando aprendemos a "saborear" as experiências da perda como um tempero de nossa existência é que, definitivamente, elas podem representar novas fontes de crescimento, mudanças, maturidade e graça, permitindo-nos, assim, usufruir em plenitude os dias de nossas vidas.

Angela M. Pierangeli

O DOLOROSO FARDO DA PERDA  IN :

FONTE: ..:: No Cenáculo ::..

12/10/2009