05/08/2009

OS ÚLTIMOS ATOS DE SAMUEL

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1 Samuel capítulo 12

O povo de Israel pediu que Samuel lhes desse um rei, quando Samuel estava velho e havia nomeado seus dois filhos para serem juizes. Estes filhos eram indignos da posição, sendo avarentos e injustos (8:1-9).

Foi o único erro revelado na vida consagrada de Samuel, mas teve conseqüências graves para a nação, pois serviu de pretexto para os anciãos virem à sua presença e pedirem um rei. Na realidade, o povo queria ter um homem à testa da nação, como as nações gentias, ao invés de serem guiados por juizes levantados entre eles pelo SENHOR. A rejeição era contra a soberania do SENHOR.

Samuel trouxe o assunto a Deus em oração, e o SENHOR lhe disse que o povo não estava rejeitando Samuel, mas Ele próprio. No entanto, Ele atenderia ao que o povo desejava, mas Samuel devia primeiro dizer-lhes quais seriam as conseqüências.

Samuel disse então ao povo o que significava ter um rei: o rei teria domínio sobre eles, usaria seus filhos em seu exército e suas filhas como perfumistas, cozinheiras e padeiras, tomaria os seus servos e servas e seus melhores jovens e jumentos para trabalharem para ele bem como a melhor parte dos seus campos, vinhas, olivais e rebanho para si e seus oficiais. Quando eles depois clamassem ao SENHOR por causa do seu rei, eles não seriam ouvidos.

Mas o povo insistiu que queria um rei, e Deus fez a sua vontade: deu-lhe um rei conforme eles queriam: Saul (Solicitado), de família rica, "tão belo que entre os filhos de Israel não havia outro mais belo do que ele; desde os ombros para cima sobressaía a todo o povo" (1 Samuel 9:2).

Embora Samuel nunca cessasse de ser um juiz em Israel, Saul passou a comandar o povo em suas batalhas e a liderá-lo no âmbito político. O SENHOR continuou a falar com Samuel, o seu profeta, que intermediava entre Ele e o rei.

Samuel fez o seu discurso de proclamação do novo rei em Gilgal, conforme lemos no capítulo 12. Foi seu último discurso.

Samuel havia sido criado no tabernáculo e ali serviu toda a sua vida, à vista do público. Ao contrário de muita gente que é aceita pelo povo para assumir uma posição pública importante e depois tem que renunciar por causa de alguma irregularidade séria no passado, ninguém podia reclamar de Samuel.

Em seu discurso ele primeiro lembrou que escolher um rei para si foi o que o povo queria, não ele, e pediu para que o povo denunciasse qualquer falta que ele houvesse cometido; o povo confirmou que Samuel havia sido absolutamente honesto em tudo o que fizera.

Em seguida, Samuel recordou como o povo havia caído nas mãos dos seus inimigos quando se esquecera do SENHOR, e ao se arrepender fora livrado por Ele mediante os juizes que Ele lhe enviou. Mas agora eles queriam um rei, e o SENHOR lhes deu Saul.

O SENHOR não ia abandoná-los por isso: se eles e o seu rei fossem fiéis a Ele, servindo-O e obedecendo-O, eles iriam bem. Note-se que, agora, dependiam também do comportamento do seu rei, que podia comprometer todo o bem estar do povo.

Mas se não dessem ouvidos à voz do SENHOR e fossem rebeldes ao Seu mandado, eles seriam castigados da mesma forma como o foram anteriormente. O rei não tinha poder para livrá-los. Como ilustração, Samuel pediu ao SENHOR e este fez com que imediatamente houvesse trovões e chuva: era época da sega, quando raramente chove naquela região.

Não foi uma experiência boa, pois a chuva podia estragar a colheita, e mostrava o desagrado de Samuel por ter o povo escolhido um rei, bem como a aprovação que Samuel tinha do SENHOR. O povo então temeu ao SENHOR e a Samuel por causa do seu evidente poder, e pediu que Samuel intercedesse por ele, reconhecendo que havia pecado ao pedir um rei.

Tranqüilizando-o, Samuel assegura ao povo que apesar do mal cometido, eles não devem deixar de seguir o SENHOR pois, por causa do Seu grande nome, Ele não desamparará o Seu povo.

O versículo 22 é glorioso para todo aquele que pertence ao Seu povo. Se temos ao Senhor como nosso Salvador, é uma promessa de que Ele não nos desamparará. "Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as cousas que tendes; porque ele tem dito: 'De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei'" (Hebreus 13:5).

Ele nos fez também o Seu povo. Deus não escolheu Israel porque o povo merecia essa distinção (Deuteronômio 7:7,8), mas para que ele fosse um instrumento de benção para todos os povos mediante o Messias (Gênesis 12:1-3). Tendo escolhido o povo de Israel, Deus nunca o abandonará, mas, por ser sua nação especial, ela tem sido submetida a disciplina e punida quando desobediente, a fim fazê-la voltar ao seu correto relacionamento com Ele.

Samuel tinha consciência do seu dever de orar pelo povo. Intercessão é um serviço do servo de Deus, e ele considerava que seria um pecado contra o SENHOR deixar de orar por aquela nação. Também devemos orar e suplicar em todo o tempo no Espírito por todos os santos, que são o povo de Deus de hoje (Efésios 6:18).

Samuel também não cessaria de ensiná-los o caminho bom e direito, como servo de Deus, profeta e juiz de Israel. Ele não aprovava a escolha de um rei entre eles, mas assim mesmo não cessou de servi-los no que podia. Também devemos transmitir aos outros aquilo que sabemos sobre o Evangelho de Cristo, para edificá-los em sua fé e ajudá-los no caminho de Deus (2 Timóteo 2:2), mesmo que discordemos daquilo que fazem.

Ao fim do seu discurso, Samuel novamente exorta a nação que se lembre das grandes coisas que o SENHOR fez por ela, que O tema e sirva fielmente com toda a sinceridade.

Refletindo sobre as bênçãos recebidas, temos nossa fé fortalecida e somos motivados a servi-lo com mais atenção e afinco. É fácil nos envolvermos tanto com o presente e nos planos para o futuro que não paramos um pouco para contar as bênçãos que Deus já nos deu. Se nos lembrarmos delas, teremos mais motivo para gratidão e coragem para enfrentar o futuro.

Samuel ainda iria servir ao SENHOR por alguns anos mais. Ele teve a tristeza de ver Saul tornar-se arrogante e desobedecer às ordens de Deus no segundo ano do seu reinado, e por isso perder o direito a uma dinastia real. O SENHOR já havia buscado um homem que lhe agradava para ser príncipe sobre o seu povo (1 Samuel 13:13).

Saul conseguiu vitórias com o poder do SENHOR sobre os inimigos de Israel, mas numa delas uma vez mais ele desobedeceu às ordens que Deus lhe dera através de Samuel, e novamente Samuel lhe disse que o seu reino lhe seria tirado (1 Samuel 15:24). Nessa ocasião Samuel disse as célebres palavras "o obedecer émelhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros" (1 Samuel 15:22). Nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte, porém tinha pena de Saul (1 Samuel 15:35).

No primeiro versículo do capítulo 16, parece que o SENHOR repreendeu Samuel por ter pena de Saul por ele ter sido rejeitado. É como se Samuel não estivesse perfeitamente de acordo com esse castigo. O SENHOR mandou que ele saísse de casa com um chifre de azeite para ungir aquele que viria a ser o novo rei de Israel.

Samuel hesitou e disse que seria morto por Saul no caminho. Provavelmente Samuel não estava com medo de morrer, já sendo bem idoso, mas, tendo pena de Saul, queria evitar fazer o que o SENHOR mandava, argumentando que não ia dar certo. Quantas vezes nós também procuramos obstáculos para não fazer aquilo que sabemos é a vontade de Deus, mas não é do nosso agrado!

O SENHOR lhe disse como fazer para evitar qualquer suspeita de Saul. Samuel obedeceu, e teve a oportunidade de ungir como escolhido do SENHOR um pastor de ovelhas, oitavo filho de Jessé, ruivo, de belos olhos e boa aparência, chamado Davi. O Espírito do SENHOR se apossou de Davi daquele dia em diante (1 Samuel 16:13).

Samuel um dia protegeu Davi da perseguição de Saul (1 Samuel 19:18-24), e nada mais lemos a seu respeito até que morreu (1 Samuel 25:1) e apareceu em espírito a Saul (1 Samuel 28:3-20).

R David Jones

1 Então, disse Samuel a todo o Israel: Eis que ouvi a vossa voz em tudo quanto me dissestes e pus sobre vós um rei.
2 Agora, pois, eis que o rei vai diante de vós; e já envelheci e encaneci, e eis que meus filhos estão convosco; e eu tenho andado diante de vós desde a minha mocidade até ao dia de hoje.
3 Eis-me aqui, testificai contra mim perante o SENHOR e perante o seu ungido: a quem tomei o boi? A quem tomei o jumento? A quem defraudei? A quem tenho oprimido e de cuja mão tenho tomado presente e com ele encobri os meus olhos? E vo-lo restituirei.
4 Então, disseram: Em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem tomaste coisa alguma da mão de ninguém.
5 E ele lhes disse: O SENHOR seja testemunha contra vós, e o seu ungido seja hoje testemunha de que nada tendes achado na minha mão. E disse o povo: Seja testemunha.
6 Então, disse Samuel ao povo: O SENHOR é o que escolheu a Moisés e a Arão e tirou vossos pais da terra do Egito.
7 Agora, pois, ponde-vos aqui em pé, e contenderei convosco perante o SENHOR, sobre todas as justiças do SENHOR, que fez a vós e a vossos pais.
8 Havendo entrado Jacó no Egito, vossos pais clamaram ao SENHOR, e o SENHOR enviou a Moisés e Arão, que tiraram a vossos pais do Egito e os fizeram habitar neste lugar.
9 Porém esqueceram-se do SENHOR, seu Deus; então, os entregou na mão de Sísera, cabeça do exército de Hazor, e na mão dos filisteus, e na mão do rei dos moabitas, que pelejaram contra eles.
10 E clamaram ao SENHOR e disseram: Pecamos, pois deixamos o SENHOR e servimos aos baalins e astarotes; agora, pois, livra-nos da mão de nossos inimigos, e te serviremos.
11 E o SENHOR enviou a Jerubaal, e a Bedã, e a Jefté, e a Samuel; e livrou-vos da mão de vossos inimigos em redor, e habitastes seguros.
12 E, vendo vós que Naás, rei dos filhos de Amom, vinha contra vós, me dissestes: Não, mas reinará sobre nós um rei; sendo, porém, o SENHOR, vosso Deus, o vosso Rei.
13 Agora, pois, vedes aí o rei que elegestes e que pedistes; e eis que o SENHOR tem posto sobre vós um rei.
14 Se temerdes ao SENHOR, e o servirdes, e derdes ouvidos à sua voz, e não fordes rebeldes ao dito do SENHOR, assim vós, como o rei que reina sobre vós, seguireis o SENHOR, vosso Deus.
15 Mas, se não derdes ouvidos à voz do SENHOR, mas, antes, fordes rebeldes ao dito do SENHOR, a mão do SENHOR será contra vós, como era contra vossos pais.
16 Ponde-vos também, agora, aqui e vede esta grande coisa que o SENHOR vai fazer diante dos vossos olhos.
17 Não é, hoje, a sega dos trigos? Clamarei, pois, ao SENHOR, e dará trovões e chuva; e sabereis e vereis que é grande a vossa maldade, que tendes feito perante o SENHOR, pedindo para vós um rei.
18 Então, invocou Samuel ao SENHOR, e o SENHOR deu trovões e chuva naquele dia; pelo que todo o povo temeu em grande maneira ao SENHOR e a Samuel.
19 E todo o povo disse a Samuel: Roga pelos teus servos ao SENHOR, teu Deus, para que não venhamos a morrer; porque a todos os nossos pecados temos acrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei.
20 Então, disse Samuel ao povo: Não temais; vós tendes cometido todo este mal; porém não vos desvieis de seguir ao SENHOR, mas servi ao SENHOR com todo o vosso coração.
21 E não vos desvieis; pois seguiríeis as vaidades, que nada aproveitam e tampouco vos livrarão, porque vaidades são.
22 Pois o SENHOR não desamparará o seu povo, por causa do seu grande nome, porque aprouve ao SENHOR fazer-vos o seu povo.
23 E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito.
24 Tão-somente temei ao SENHOR e servi-o fielmente com todo o vosso coração, porque vede quão grandiosas coisas vos fez.
25 Porém, se perseverardes em fazer o mal, perecereis, assim vós como o vosso rei.

1 Samuel capítulo 12

fONTE: Samuel últimos atos

O lugar do sofrimento na vida do missionário

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* Antonia Leonora van der Meer
     Ser missionário é um privilégio, não um fardo intolerável carregado por uns “grandes servos de Deus”. Deus escolhe os pequenos, os fracos, as coisas loucas deste mundo para que a glória seja só dele (1 Co 1.26-29). Mas esse privilégio está ligado ao caminho da renúncia e de levar cada dia a sua cruz, seguindo a Jesus. O sofrimento já faz parte da vida de muitos missionários e, quanto mais penetrarmos nas regiões ainda não alcançadas, mais teremos contato com realidades de grande carência social e espiritual, de conflito com poderes das trevas, de violência, guerra e perseguição. Isso leva ao sofrimento do missionário e de sua família. Porém, muito mais do que isso, o confronto com o sofrimento do povo certamente vai perturbar profundamente o coração do missionário.
     Como podemos enviar pessoas para lugares onde o sofrimento é uma realidade diária e muito forte? Alguns acham que isso não pode ser a vontade de Deus. Mas como foi que Deus enviou seu Filho? Com que garantia e segurança? Lembremo-nos de que Jesus disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21; 15.20). Isso significa correr os mesmos riscos, vencer a mesma resistência, viver com a mesma expectativa de vitória, por meio do caminho da cruz.
     Como podemos descrever o sofrimento na vida do missionário? Nas horas de guerra violenta que presenciei, o que me chocou mais profundamente foi ver pessoas feridas, caídas nas ruas sem ninguém poder socorrer, e ouvir as histórias das vítimas da guerra nos hospitais. Uma mulher sem braços que perdeu a única irmã, barbaramente violentada. Crianças atingidas por balas enquanto dormiam em sua própria cama. Ver a falta de recursos e a angústia dessas pessoas era profundamente perturbador. Mas Deus precisa de um instrumento para levar sua graça, amor e esperança a essas pessoas. É o sofrimento de saber da angústia de nossa família e não poder fazer nada para tranqüilizá-la. E as coisas sempre parecem piores do que são para quem as acompanha de longe. É o sofrimento de acompanhar o despertamento espiritual, a descoberta da graça de Deus por uma pessoa, que depois aparece mutilada, morta pela própria família.
     Outro motivo de sofrimento é que as pessoas põem em nós uma carga de esperança de solução para seus problemas muito além das nossas possibilidades. Às vezes nos perguntamos: “O que estou fazendo aqui? Fará alguma diferença esse pouco que posso fazer?” É claro que fará diferença! Cada vida transformada, que recupera a esperança, a alegria e a razão de viver, a consciência de sua dignidade é uma grande vitória. Mas às vezes ficamos angustiados pelo muito que não podemos fazer e que de nós é esperado.
     Há também os sofrimentos relacionados com a família que deixamos para trás. Muitos lutam e têm a obrigação de deixar pessoas e ministérios que amam para dar apoio aos pais idosos que precisam de sua presença. Outros sentem-se forçados a voltar prematuramente (o coração ainda quer ficar) para não comprometer a educação e o futuro dos filhos.
     Além disso, há sofrimentos evitáveis, causados pela irresponsabilidade dos que enviam sem apoio verdadeiro, sem orientação e sem fidelidade no sustento financeiro. Isso gera profundas angústias e as igrejas terão de prestar contas a Deus da maneira como tratam os seus obreiros.
     Qual é a nossa responsabilidade? Não podemos enviar missionários apenas invocando a bênção de Deus e depois lavar as mãos. A obra é nossa, como igreja brasileira. Precisamos estar bem perto de nossos missionários, acompanhando-os diariamente em oração, mantendo contato por e-mail, carta, telefone, de modo responsável (há lugares onde uma carta mal orientada pode causar muitos problemas). Podemos enviar uma pessoa para visitá-los, orar com eles e ouvi-los. Devemos recebê-los com muito carinho, cuidado e atenção quando vêm de férias, para que tenham um bom descanso e renovação física, emocional e espiritual, provendo suas necessidades. (Infelizmente, ainda há igrejas que cortam o sustento durante os meses em que o missionário está no Brasil, pois entendem erroneamente que ele “já não está fazendo o trabalho missionário”.)
     Assim, há sofrimentos inerentes ao modelo de encarnação deixado por Cristo, para os quais o missionário deve estar preparado. Outros tipos de sofrimento podem ser minorados e é nossa responsabilidade fazê-lo, com carinho e amor pelos que estão na linha de frente.
Extraído da Revista ULTIMATO
* O presente artigo foi escrito por
Antonia Leonora van der Meer, mais conhecida por Tonica, foi missionária em Angola por dez anos e, agora, é deã do Centro Evangélico de Missões, em Viçosa, Minas Gerais.

Ore pela India - Especial - O lugar do sofrimento na vida do missionário

04/08/2009

O MINISTÉRIO DE SAMUEL

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1 Samuel capítulo 7:3-17

O ministério de Samuel diante do SENHOR foi exercido durante toda a sua vida, servindo no tabernáculo e falando como Seu profeta. Mas o povo só admitiu a sua autoridade como juiz depois da morte do sumo sacerdote Eli, em circunstâncias trágicas, junto com os eventos relatados do capítulo 4 até 7:2.

Ali temos uma prova de como era grande a superstição em Israel, e como estavam longe de Deus. Embora a palavra de Samuel viesse a todo o Israel, eles partiram para guerrear contra os filisteus sem pensar em consultar Deus primeiro. Ao perderem a primeira batalha, decidiram mandar que fosse trazida a arca para a cena da batalha, símbolo da sua "religião".

Os sacerdotes Hofni e Finéias prontamente obedeceram. O povo pensava que havia algum mérito naquele objeto. Mas Deus não estava dentro daquela caixa! O povo cultuava uma caixa e estava longe de Deus, portanto Deus não estava com ele. Muitos hoje em dia também cultuam objetos, rituais, cerimônias, edifícios e mesmo outros homens, olvidando o verdadeiro Deus vivo.

Os filisteus, supersticiosos também, temiam a arca, mas corajosamente enfrentaram e novamente derrotaram os israelitas, capturando a arca e matando os dois sacerdotes. Ao receber a notícia que a arca havia sido capturada, o sumo sacerdote Eli caiu e morreu.

A presença da arca trouxe maldição para os filisteus: a estátua do seu deus Dagon foi misteriosamente quebrada, os habitantes das localidades onde foi guardada sofreram uma doença na forma de tumores (provavelmente peste bubônica), e, enfim, depois de sete meses, eles a devolveram aos israelitas. Ela ficou guardada na cidade de Quiriate-Jearim: segundo os arqueólogos, a cidade de Silo provavelmente havia sido destruída na segunda batalha.

A arca ficou guardada na casa de um levita chamado Abinadabe, cujo filho Eleazar foi consagrado para guardá-la. Nos vinte anos seguintes o povo dirigiu lamentações ao SENHOR, e enquanto isso Samuel amadureceu.

Terminado esse período, Samuel se dirigiu ao povo dizendo-lhes que tirassem do seu meio os seus ídolos, se sinceramente desejassem voltar ao SENHOR. Não adiantava ficarem se lamentando e pedindo a misericórdia de Deus enquanto continuavam a desobedecê-lo cultuando os deuses Baal e Astarote, e os seus ídolos.

Deus também requer a nossa obediência antes de trazer-nos a salvação e decorrentes bênçãos. Se houver algo que colocamos acima de Deus em nossa vida, esse é um ídolo que deverá ser afastado.

Este foi o início do ministério de Samuel para o povo de Israel como profeta (v.3) e juiz (v.6), além de sacerdote (v.5). O povo foi convocado por ele para um reavivamento espiritual, mediante dedicação exclusiva ao SENHOR seu Deus. Samuel orou a seu favor, eles confessaram o seu pecado, deixaram os seus deuses e se voltaram ao Deus verdadeiro.

Essa é a única maneira em que podemos voltar para Deus. À luz da Sua Palavra, podemos ver como somos, e que todos pecamos e carecemos da glória de Deus (Romanos 3:23); ela também nos assegura que o sangue de Jesus Cristo, o Seu Filho, continuará nos limpando de todo o pecado (1 João 1:9).

Samuel reuniu o povo em Mispa (Torre de Vigia): era uma localidade onde o povo se acostumara a se reunir em grandes emergências nacionais (Josué 18:26; Juizes 20:1, 3; 21:1, 5). Estava cerca de 11 quilômetros ao norte de Jerusalém, no monte mais alto da redondeza, uns trezentos metros de altitude acima da planície de Gibeão. Mais tarde foi ali que Saul, o primeiro rei de Israel, foi identificado e apresentado ao povo (1 Samuel 10:17 em diante).

Em Mispa tiraram água e a derramaram perante o SENHOR: um símbolo de arrependimento do pecado, deixando os ídolos e seguindo somente o SENHOR.

Em Mispa também Samuel julgou os filhos de Israel, tornando-se o último da série de juizes daquele povo. Por causa da sua obediência e consagração a Deus, ele foi um dos maiores juizes na história de Israel. A Bíblia não diz quem era o sumo-sacerdote nesta época, em sucessão a Eli: Samuel não podia assumir o cargo por não ser descendente de Arão, embora fosse levita. Mas nesta ocasião Samuel oficiou como se fosse sumo-sacerdote.

Os filisteus, acostumados agora a dominarem sobre Israel, souberam que os israelitas haviam se reunido em Mispa e, decerto concluindo que estavam tramando uma revolução, reuniram seus príncipes e subiram contra eles.

Os israelitas, agora sem a autoconfiança que tinham antes, e sabendo do poder militar dos filisteus, temeram, rogando a Samuel que intercedesse por eles junto ao SENHOR. Era uma atitude de humildade e submissão, tão diferente da sua arrogância de vinte anos antes.

Atendendo ao seu pedido, Samuel ofereceu um cordeirinho em holocausto ao SENHOR, e clamou por Israel ao SENHOR. O SENHOR atendeu ao seu clamor enquanto Samuel ainda oferecia o holocausto: com um grande trovejar ele assustou imensamente os filisteus, e eles foram presa fácil para os israelitas que os perseguiram até além de Bete-car (casa de ovelhas).

Essa localidade é desconhecida hoje. O local da batalha foi o mesmo em que os israelitas haviam sido derrotados vinte anos antes pelos filisteus em duas batalhas. Mas a vitória dos israelitas agora foi tão decisiva que os filisteus nunca mais vieram ao território de Israel.

Samuel erigiu um monumento - uma pedra - para celebrar o acontecimento, chamando-o Ebenézer (pedra de ajuda) dizendo "até aqui nos ajudou o SENHOR". Com esta pedra eles celebraram a ajuda do SENHOR no passado, reconheciam a presença atual do SENHOR com eles, e estabeleciam um memorial para o futuro.

Também temos o costume de olhar para o passado. Através de Paulo o Senhor disse aos filipenses: "estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6). Se Deus nos trouxe até este ponto, e está dirigindo a nossa vida hoje, também podemos dizer "até hoje nos abençoou o Senhor". E Ele vai continuar a fazê-lo.

Alguém disse: "ontem é como um cheque que já foi recebido, amanhã é como uma nota promissória, mas hoje é dinheiro no bolso. Use-o bem". Como a pedra de Ebenézer, que não somente vale para o passado, mas também para o presente e para o futuro: "O SENHOR é o meu Pastor (presente), nada me faltará (futuro)".

Outra pessoa disse "Estou muito interessado no futuro porque espero passar o resto da minha vida nele, e quero ter certeza absoluta que espécie de futuro ele vai ser". Como a Bíblia diz "Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8:28). Todos precisamos de uma pedra de Ebenézer para nos lembrar das nossas bênçãos passadas, das atuais e das que ainda estão para vir.

Os amorreus eram um povo que vivia nas regiões montanhosas dos dois lados do rio Jordão, mas que naquela época se concentrava mais ao oriente e sul do Jordão. É provável que essa referência a eles aqui é genérica para todos os cananeus ainda restantes na terra ocupada por Israel. Houve paz entre eles e os israelitas enquanto Samuel era o juiz de Israel.

Samuel era um juiz itinerante e tinha responsabilidades civis (7:16), religiosas (7:6, 17) e militares (12:11). Ele julgou a Israel todos os dias da sua vida.

R David Jones

3 Então, falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com todo o vosso coração vos converterdes ao SENHOR, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao SENHOR, e servi a ele só, e vos livrará da mão dos filisteus.
4 Então, os filhos de Israel tiraram dentre si os baalins e os astarotes e serviram só ao SENHOR.
5 Disse mais Samuel: Congregai todo o Israel em Mispa, e orarei por vós ao SENHOR.
6 E congregaram-se em Mispa, e tiraram água, e a derramaram perante o SENHOR, e jejuaram aquele dia, e disseram ali: Pecamos contra o SENHOR. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mispa.
7 Ouvindo, pois, os filisteus que os filhos de Israel estavam congregados em Mispa, subiram os maiorais dos filisteus contra Israel; o que ouvindo os filhos de Israel, temeram por causa dos filisteus.
8 Pelo que disseram os filhos de Israel a Samuel: Não cesses de clamar ao SENHOR, nosso Deus, por nós, para que nos livre da mão dos filisteus.
9 Então, tomou Samuel um cordeiro que ainda mamava e sacrificou-o inteiro em holocausto ao SENHOR; e clamou Samuel ao SENHOR por Israel, e o SENHOR lhe deu ouvidos.
10 E sucedeu que, estando Samuel sacrificando o holocausto, os filisteus chegaram à peleja contra Israel; e trovejou o SENHOR aquele dia com grande trovoada sobre os filisteus e os aterrou de tal modo, que foram derrotados diante dos filhos de Israel.
11 E os homens de Israel saíram de Mispa, e perseguiram os filisteus, e os feriram até abaixo de Bete-Car.
12 Então, tomou Samuel uma pedra, e a pôs entre Mispa e Sem, e chamou o seu nome Ebenézer, e disse: Até aqui nos ajudou o SENHOR.
13 Assim, os filisteus foram abatidos e nunca mais vieram aos termos de Israel, porquanto foi a mão do SENHOR contra os filisteus todos os dias de Samuel.
14 E as cidades que os filisteus tinham tomado a Israel foram restituídas a Israel, desde Ecrom até Gate; e até os seus termos Israel arrebatou da mão dos filisteus; e houve paz entre Israel e os amorreus.
15 E Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida.
16 E ia de ano em ano e rodeava a Betel, e a Gilgal, e a Mispa; e julgava a Israel em todos aqueles lugares.
17 Porém voltava a Ramá, porque estava ali a sua casa, e ali julgava a Israel, e edificou ali um altar ao SENHOR.

1 Samuel capítulo 7:3-17

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Samuel ministério

VERSÍCULOS BÍBLICOS INTERPRETADOS EQUIVOCADAMENTE

Por Valmir Nascimento Milomem

É muito comum em meio a preleções e ensinos bíblicos, ouvirmos oradores destilando versículos bíblicos sem, no entanto, saber o seu real significado. O pastor Ciro Sanches Zibordi escreveu um brilhante livro sobre o assunto “Erros que os pregadores devem evitar“, editado pela CPAD, trabalho este que indico a todos quantos queiram se livrar das exposições e interpretações equivocadas da Bíblia e dos jargões evangélicos infundados. Faça uma visita ao blog do Pr. Ciro: www.cirozibordi.blogspot.com

Nesta oportunidade listarei dois versos bíblicos que têm, não poucas vezes, recebido interpretações equivocadas:

  • Letra assassina
“… porque a letra mata e o espírito vivifica” II Cor. 3.6
Freqüentemente tal versículo é utilizado no sentido de se desvalorizar os estudos e o conhecimento, especialmente o secular. Segundo tal inferência, a letra em questão, diz respeito a letra do conhecimento.

Recentemente, inclusive, tomei ciência de uma “festividade” de novos convertidos em que o tema foi exatamente tal passagem bíblica, baseado nesse pensamento genuinamente equivocado.

Não é preciso muito conhecimento bíblico-teológico para se depreender do texto sob análise que Paulo está fazendo referência à letra da lei, e não ao conhecimento. Veja-se que o capítulo em que o versículo está inserido tem como tema principal a diferença entre o ministério do Antigo e do Novo Testamento, fato este que pode ser plenamente verificado nos versículos posteriores, onde Paulo escreve:

O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas este ministério veio com glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés, por causa do resplendor de seu rosto, ainda que desvanecente” v. 7 – NVI

Ao comentar aludida passagem bíblica, a Bíblia de Estudo NVI, explica:
“Letra é o sinônimo de lei como padrão exterior, diante da qual todas as pessoas- por serem transgressoras – constam como culpadas e condenadas à morte. Por isso é apresentada como “o ministério que trouxe a morte” e o “o ministério que traz condenação” (v. 7,9). Por outro lado, o Espírito que dá vida é o Espírito do Deus vivo”, que, cumprindo a promessa da nova aliança, escreve a mesma lei no interior, ‘em tábuas de corações humanos”.

Ademais disso, a Bíblia se interpreta nela mesma. Nesse sentido, em nenhuma ocasião a Palavra de Deus desvaloriza o conhecimento, pelo contrário, ela incentiva todo cristão a buscá-lo.

“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo”. II Pedro 3.18

Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina ao justo e ele crescerá em entendimento”. Provérbios 9.9

“Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” Colossenses 1.9

Portanto, a letra do conhecimento não é “assassina” como pensam alguns, pelo contrário, “assassina” é a interpretações errônea.

Coisas que serão acrescentadas

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e ………… vos serão acrescentadas.” Mateus 6.33

Antes de demonstrar o erro que geralmente é ocasionado em referência ao versículo bíblico em Mateus 6.33, peço a você que complete o pontilhado acima com a palavra ou as palavras que estão ausentes. (sem consultar sua Bíblia, é claro!).

Pronto?!

Pois bem, quando faço esse pedido para meus alunos as respostas mais comuns são: Todas as coisas, todas as demais coisas. Qual foi a sua resposta?

Essa é uma típica passagem bíblica em que as palavras que a compõe não são devidamente observadas. No subconsciente da maioria das pessoas o versículo bíblico seria completado com “Todas as coisas ou todas as demais coisas”, resultado exatamente da quantidade de vezes que ouvimos tal expressão em nosso cultos ou ensinos. Porém, nenhuma dessas expressões apresentadas estão certas, pois, segundo Mt. 6.33 as palavras ausentes são: “todas estas coisas”. Se você acertou, meus parabéns!

Existe muita diferença no sentido do versículo caso os termos sejam alterados?

Sim, e muita diferença. Vejamos:

A partir de Mt. 6.25 Jesus começa a falar acerca dos cuidados e inquietações que afligiam os seus seguidores ( e todos nós cristãos, de uma forma geral). Ele diz:

“Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber, nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?” Mt. 6.25

Cristo, portanto, estava fazendo menção às necessidades básicas de todo o ser humano: Comida, bebida e vestimenta.

Na seqüência, o Mestre demonstra aos seus ouvintes como Deus provê todas estas necessidades, dando exemplos da natureza como as aves do céu e os lírios do campo. Ainda, diz para não andarem preocupados ou inquietos, afinal, o Pai celestial bem sabe de todas as necessidades do homem (v.32). Exatamente nesse ponto é que Jesus pede para buscarmos primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas seriam acrescentadas.

Assim sendo, a expressão [estas coisas] está se referindo àquilo que Jesus havia dito inicialmente, ou seja, às necessidades básicas e fundamentais de todo ser humano (comida, bebida e vestimenta). Se utilizarmos os termos “Todas as coisas ou todas as demais coisas” estaremos extrapolando o que a Palavra de Deus diz, dando vazão a expectativas equivocadas. Infelizmente, valendo-se dessa interpretação desvirtuada é que alguns pregadores da prosperidade dizem que se buscarmos o reino de Deus e a sua justiça, todas as demais coisas nos serão dados, dando, inclusive, exemplo de casas, carros e empregos milionários.

Ora, Jesus foi enfático. Ele se ateve às necessidades básicas do homem. Ele não nos prometeu mais do que isso. Agora, se Deus (pode) nos abençoar além dessas necessidades, aí é outra história. Ele é poderoso. Ele é o Criador. Entanto, não está obrigado a nos servir como se fosse o mágico da lâmpada, que segundo o conto, concede desejos a todos quanto a encontrarem.

Para corroborar essa verdade bíblica, lanço mão das palavras de Paulo:

“O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” Filipenses 4.19

Veja-se bem, Paulo também está falando sobre necessidades.

Na área jurídica, especificamente no Direito Civil, existe uma distinção entre benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias, que pode servir como parâmetro para nossa análise.

Benfeitorias são obras realizadas pelos homem com o propósito de conservar (necessária), melhorar (útil) ou embelezar (voluptuárias) a coisa principal.

Portanto, ações necessárias são aquelas empreendidas com o objetivo de não deixar que a coisa vem a deteriorar ou perecer. Em referência ao homem, Deus nos dá as condições necessárias para a nossa vivência, as quais representam-se pela comida, bebida e vestimenta.

Ações úteis são aquelas que ajudam ou facilitam o uso da coisa. Aplicando-se ao homem, um exemplo de utilidade seria o carro, que facilita sua locomoção e o “auxilia” nos trabalhos cotidianos. E as voluptuárias são ações para dar embelezamento na coisa principal, como exemplo, cite-se um relógio rolex ou uma gravata italiana caríssima.

FONTE: VERSÍCULOS BÍBLICOS INTERPRETADOS EQUIVOCADAMENTE « E Agora, Como Viveremos?