ESCRITO POR: Christopher Walker
Uma das questões mais delicadas na hora de analisar assuntos como chamado, vocação ou realização pessoal é encontrar o equilíbrio certo entre os extremos que tendem a polarizar o entendimento. Como a vida não pode ser reduzida a fórmulas ou regras universais, e como Deus jamais permitirá que o homem descubra um “segredo” que reforce ainda mais sua inclinação à independência e à auto-suficiência, o máximo que podemos fazer é reunir os diversos fatores que fazem parte do processo e procurar mantê-los em equilíbrio. Assim como a doença física geralmente resulta de deficiência ou excesso de algum elemento essencial, desvios na vida espiritual decorrem de causas semelhantes.
No caso específico de vocação e realização, precisamos do equilíbrio de dois fatores essenciais: a vontade de Deus (pois para isso fomos criados) e a participação ativa e espontânea da vontade humana. Se enfatizarmos demais a vontade ou os desejos humanos, cairemos no egocentrismo, com o homem no centro do universo. Por outro lado, se só admitirmos a vontade de Deus e sufocarmos a resposta alegre e espontânea do homem (cruz, renúncia, sacrifício), teremos uma religiosidade de imposição, apatia e obrigatoriedade.
Os dois fatores são necessários. Não podemos achar verdadeira alegria sem passar desejos e ambições pela cruz, sem aprender a discernir a vontade própria da vontade de Deus. Tampouco a encontraremos se não descobrirmos como a verdadeira vocação, preparada por Deus, toca o fundo do nosso ser, despertando desejos puros e originais e causando reações espontâneas e apaixonadas.
“A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra”, disse Jesus (Jo 4.34). “Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus” (Sl 40.8).
Precisamos encontrar nosso mais profundo desejo e anseio, sim, porque, com certeza, o chamado de Deus está vinculado a ele; para chegar lá, porém, é necessário livrar-nos dos desejos falsos e obsessivos da natureza carnal.
Para ajudar a alcançar esse equilíbrio, citamos a seguir dois textos de Henri Nouwen, brilhante professor universitário (Notre Dame, Yale e Harvard), que encontrou sua verdadeira vocação vivendo junto com deficientes físicos e mentais na comunidade Daybreak (Amanhecer) no Canadá.
Para quê fomos chamados ?
Não é fácil distinguir entre fazer aquilo para o qual fomos chamados e aquilo que desejamos. Nossos muitos desejos podem facilmente desviar-nos do curso da nossa ação verdadeiramente necessária. A verdadeira ação leva-nos ao cumprimento da vocação. Trabalhando em um escritório, viajando pelo mundo, escrevendo livros ou fazendo filmes, cuidando dos pobres, liderando pessoas ou cumprindo tarefas comuns, a pergunta não deve ser: “Qual é o meu maior desejo?”, mas sim: “Qual é a minha vocação?”.
A posição de maior prestígio na sociedade pode ser uma expressão de obediência ao nosso chamado – ou de sua negação, uma recusa de seu verdadeiro dever. E a posição de menor prestígio pode ser a resposta ao nosso chamado – ou uma forma de evitá-lo...
Quando estamos submetidos à vontade de Deus e não à nossa própria vontade, descobrimos que grande parte do que fazemos não precisa ser feita por nós. O que fomos chamados a fazer nos traz alegria e paz...
Ações que levam ao excesso de trabalho – à exaustão e à destruição – não podem louvar e glorificar a Deus. Aquilo que Deus nos chamou para fazer não só pode ser feito, como trará satisfação. Ouvindo em silêncio a voz de Deus e falando com nossos amigos, podemos saber, com confiança, o que fomos chamados a fazer; e o faremos com coração agradecido.
Meditações com Henri J. M. Nouwen, Editora Habacuc
Sem Pretensão
Jean Vanier, fundador das comunidades L’Arche, uma rede de comunidades como Daybreak (*), gastou 14 anos sozinho, orando, lendo e buscando a direção de Deus. Nunca planejou uma grande organização, mas, em algum momento daqueles encontros com Deus, decidiu convidar duas pessoas deficientes para viverem com ele e formarem uma comunidade de fé, serviço e adoração. Ele não disse: “Tenho de ajudar o maior número possível de pessoas”. Ele não proclamou: “Vamos fazer algo por todos os deficientes mentais do mundo”. Antes, ouviu a voz que simplesmente lhe disse: “Tome duas pessoas pobres e comece a viver com elas”.
Vanier foi a uma instituição de saúde e encontrou ali dois homens que sofriam de síndrome de Down, duas pobres pessoas, sem pai, mãe ou família, sem visitas ou amigos. Alugou uma pequena casa e disse: “Vamos criar uma atmosfera de família aqui”. Eles a chamaram de Arca por causa da Arca de Noé na Bíblia (L’Arche, em francês, língua-pátria de Jean Vanier). E, naquele singelo princípio, tendo sido incubada num período de solitude na presença de Deus, nasceu uma rede de comunidades que conta agora com 3 mil membros, somando-se os deficientes e seus assistentes, em pequenos lares por todo o mundo.
(*) Daybreak (Amanhecer) é um dos lares da comunidade Arca, localizado perto de Toronto, no Canadá, e onde o autor Henri Nouwen passou os últimos dez anos da vida servindo os deficientes daquela comunidade.
“Transforma Meu Pranto em Dança”, Henri Nouwen, Textus.
12/03/2009
PROCURANDO A DOSAGEM CERTA
11/03/2009
A MULHER DE JÓ --- UMA INJUSTIÇADA!
O livro de Jó, considerado o mais antigo livro das escrituras, inicia falando da prosperidade de Jó e de seu relacionamento com Deus que, conversando com Satanás, cobre Jó de elogios. O Acusador não perde a oportunidade de alfinetar o Altíssimo e põe em dúvida se tal fidelidade não é mais fruto de uma barganha do que de intimidade verdadeira. Ao ser provocado, Deus permite que Satanás tenha poder para atormentar a vida de Jó e assim provar qual a origem da sua fidelidade. Começa aí o seu infortúnio.
Neste grande drama há alguns personagens que vão buscar durante o decorrer da história encontrar respostas para o sofrimento de Jó e, por extensão, debater sobre a origem do sofrimento humano em um mundo governado por um Deus justo e bom. Zofar, Bildade e Elifaz se revezam em discursos que ora insinua, ora afirma que deve existir algum pecado em Jó, nem que seja oculto, e que seu sofrimento é justo, pois de Deus não se pode esperar outra coisa. Tais discursos são rebatidos por Jó que reafirma reiteradamente sua inocência e continua a se perguntar sobre o porquê de seu sofrimento. O jovem Eliú faz um apanhado geral enfatizando a soberania e sabedoria de Deus condenando todos os demais, tanto os amigos, quanto o próprio Jó. Por último o próprio Soberano do universo se revela a Jó e não lhe dá resposta alguma, a não ser reafirmar sua soberania o que, paradoxalmente, é resposta mais que suficiente para Jó que ao final responde “antes te conhecia só por ouvir falar, mas agora meus olhos te vêem”.
A mulher de Jó, esta mulher sem nome, como tantas outras mulheres da Bíblia – lembremos que até mesmo aquela que ungiu Jesus com alabastro e da qual Cristo disse que jamais seria esquecida por causa do seu gesto, também permanece anônima – era apenas uma coadjuvante.
De todos os personagens da narrativa, ela é quem tem a menor fala e menor espaço para se expressar. Não foi dado a ela o mesmo destaque dado aos discursos eloqüentes e vazios de Zofar, Bildade, Elifaz, nem teve a honra de ser a última a discursar, como o jovem Eliú. Sua participação foi um átimo, um único versículo que serviu para encerrá-la para sempre no panteão das mulheres vilãs da Bíblia com a companhia nada honrosa de Jezabel, Safira, a mulher de Ló – mais uma anônima - e outras menos cotadas.
No imaginário judeu/cristão a mulher de Jó sempre foi considerada como o protótipo da mulher insana, afetada, sem juízo, e antagônica a seu marido. Tudo por causa de sua única fala.
Como eu não estou aqui para ser mais um a jogar pedras, gostaria de mais uma vez, como sempre fazemos aqui no nosso espaço, convidar você a me acompanhar em mais uma viagem para além da tradição e dar a esta mulher o benefício da dúvida, nos permitindo entrever algo de belo em seu gesto e nos surpreender com uma inesperada lição da graça de Deus, mesmo quando Ele permite algo que para muitos de nós soa contraditório.
“Amaldiçoa seu Deus e morre". Esta foi a frase que fez com que ela caísse em desgraça aos nossos olhos. Uma única frase, perdida lá no versículo nove do capítulo dois do livro, mas que serviu de argumento para o seu linchamento moral. Linchamento moral é algo que fazemos com enorme facilidade, mas que tal irmos para além da frase? Que tal buscarmos as motivações que a levaram a esta atitude extrema? Que tal averiguarmos se esta mulher é tão indigna e condenável para Deus quanto os nossos julgamentos determinam?
A mulher de Jó não é alguém que aparece do nada na história, não é uma transeunte que passa aleatoriamente e resolve dar sua opinião, não é sequer como os amigos de Jó que se compadeceram dele e lhe fizeram companhia, mas que depois disso iriam para suas casas e suas vidas. Não, ela era a pessoa mais próxima de Jó. E se Jó sofreu com os infortúnios que caíram sobre ele, ela também sofreu junto e amargou todas as perdas. Diferente dos amigos de Jó, ela estava padecendo conjuntamente do mesmo mal que se abateu sobre seu marido. Ela perdera seus filhos, sua casa, seus bens, sua dignidade e, naquele momento, via o homem a quem havia devotado uma vida ali, sobre um monturo, cheio de chagas malignas que iam da cabeça aos pés, coçando-se com um caco para aliviar sua agonia.
Nada mais injusto! Pensava ela.
Mais do que ninguém ela sabia da injustiça daquela punição. Era ela quem presenciava quando Jó chamava seus dez filhos para os santificarem, mesmo já sendo adultos. Era ela quem acordava à noite, tocava na cama procurando seu marido e não o encontrava, ia achá-lo na madrugada fazendo sacrifícios a Deus por amor à vida de seus filhos, que foram mortos todos de uma vez sem razão aparente. Era ela quem presenciava dia a dia a integridade e retidão de Jó em todas as coisas. Nos negócios, na família, entre os mais necessitados e na vida conjugal.
A mulher de Jó foi o único personagem que reconheceu-lhe a inocência. E exatamente por não ver em seu marido falha alguma a ponto de receber tão grande punição é que ela revolta-se em um desabafo desesperado, sim desabafo de quem vê sua vida ruir da noite para o dia, de quem tinha uma vida em paz e temor a Deus e que se vê saqueada, sem seus filhos, sem ter como se sustentar e vendo o homem a quem amava em agonia de morte.
"Assim como fala um louca, falas tu" é a repreensão que ela ouve de Jó e, após ouvir estas palavras, cala-se, não contra-argumenta, nem rebate, apenas cala-se, como a reconhecer seu erro, ao contrário dos amigos que em nenhum momento deram descanso e só foram reconhecer o mal que fizeram depois que o próprio Deus ordenou.
A mulher de Jó representa este grito angustiado que eu e você temos no peito todas as vezes que sofremos as injustas peças pregadas pela vida. É a voz que clama por um mundo em que haja algum tipo de lógica, em que os maus sejam efetivamente punidos e os bons recebam de Deus benevolência. Ela é a porta-voz que nos mostra que nem sempre as coisas fazem sentido, que injustiças acontecem com pessoas boas e a nossa teologia nem sempre consegue responder. É a testemunha de que todos nós, em algum momento da vida, também nos revoltamos contra Deus.
Enfim, ela é muito parecida conosco, talvez por isso nós a repudiamos. Pois somos tão envolvidos e contaminados por idealizações que não reconhecemos quando vemos nossa própria face no espelho.
Mas, apesar de todos os nossos preconceitos e condenações. Apesar de todo o estigma que ela sofreu posteriormente. Deus, que é quem verdadeiramente sonda e conhece os corações e as motivações, honrou-a ainda em vida. Sim, pois Deus devolveu-lhe a saúde do marido, restituiu-lhe os bens e, suprema honra para as mulheres da antiguidade, deu-lhe mais dez filhos.
E, para confirmar que Ele entende nossas angústias e dúvidas mais do que nós mesmos gostamos de reconhecer e que Sua graça alcança até mesmo àqueles que para nós são execráveis, Ele, o Único a quem cabe estabelecer justiça, não lançou nenhuma palavra de crítica ou de condenação a esta louca mulher que teve a coragem de expressar livremente sua dor.Pense nisso,
Pr. Denilson Torres
FONTE: www.frutodoespirito.com.br
VIVER NÃO É PARA AMADORES
Todos vivem em constante tensão. A vida é complexa, muitas vezes paradoxal e plena de riscos; não é um passeio despretensioso. Cada pessoa é responsável e, ao mesmo tempo, vítima das circunstâncias. Cada estrada que se escolha se desdobra em alguma bifurcação. Uma simples decisão gera desdobramentos mil. Os poetas, os místicos e os filósofos já perceberam o siso necessário para enfrentar a imensa aventura de viver. Todo instante é inédito e exige a precisão de um relojoeiro.
Viver não é para amadores. Tudo o que se faz produz ondas, iguais às de uma pedra jogada no meio da lagoa. As escolhas, semelhantes a círculos concêntricos, espalham-se. No caso da pedra, as marolas se dissolvem nas margens do lago. Com os humanos, as conseqüências se alastram para sempre. Ninguém tem o controle dos efeitos de suas escolhas, eles repercutirão eternamente.
Viver não é para amadores. Os pais influenciam os filhos e os filhos formam famílias. Tanto bondades como maldades se reproduzem por gerações. Crianças sofrem as seqüelas das famílias disfuncionais. Muitas, oprimidas por mães castradoras, não conseguem criar os filhos. Se os pais atinassem para a sua importância na formação emocional e nos valores éticos de seus filhos, menos pacientes procurariam clínicas psiquiátricas e menos penitenciárias seriam construídas.
Viver não é para amadores. Sem saber organizar os desejos, a vida pode se perder com projetos irrelevantes. Sem dar sentido ao cotidiano, a existência pode patinar no tédio. São necessários princípios, verdades e valores para direcionar o cotidiano. As pressões têm a capacidade de destruir quem não fizer escolhas responsáveis.
Viver não é para amadores. Os indivíduos precisam uns dos outros e se ferem ao mesmo tempo. O próximo pode ser fonte de alegria e de frustração. Empobrecem os que tentam isolar-se para não passarem por decepções. Não é possível resguardar-se do amigo sem perder o viço. Só viverá bem quem não considerar o outro a razão do seu inferno. O céu pertence aos que aprenderam a relevar as inadequações alheias. Só o longânimo tem chance de ser feliz.
Viver não é para amadores. A existência é imprevisível. Não há como controlar a história ou situar os eventos futuros dentro de qualquer lógica. Por mais que os religiosos prometam, os filósofos pretendam e os sociólogos estudem, a história não se prende aos trilhos do destino. De repente, sempre de repente, chega o improvável e nessa hora será preciso coragem para não desistir. A viagem rumo ao porvir requer brios.
Viver não é para amadores. Não é fácil equilibrar o lazer com o dever, o ócio com o trabalho. Muito lazer produz tédio; muito dever, estressa. A preguiça acompanha o ócio e a fadiga, o trabalho. O Eclesiastes avisou que há tempo para todas as coisas: “tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, tempo de cozer e tempo de rasgar, tempo de juntar e tempo de espalhar o que se juntou”. Portanto, só vive quem souber transitar entre acontecimentos tão contraditórios.
Viver não é para amadores. Depressão e riso, alegria e tristeza formam a história de cada um. Quem foge da tristeza acaba neurótico, em negação, à procura de um mundo ilusório. Por outro lado, quem não sabe rir termina inclemente, à caça de gente para povoar o seu purgatório.
Viver não é para amadores. O sofrimento do mundo dói muito e não é possível evitá-lo. Contudo, é preciso achar alegria para celebrar aniversários, casamentos e formaturas. Os que se blindam para não sentirem a dor universal, sucumbem cínicos. Já os inconformados com o sofrimento universal são atraídos pelo rancor.
Viver não é para amadores. O tempo passa velozmente carregando tudo e todos. A pior angústia? Ver a areia da ampulheta, o pêndulo do relógio, a avisar que o calendário escasseia. Alguns não se dão conta que jogam a vida no lixo. Vaidades e megalomanias são ladras dissimuladas. Eternizar cada instante parece um esconderijo onde mora o segredo da felicidade.
Viver, definitivamente, não é para amadores. Que ninguém se atreva a querer tocar a vida só. Portanto, “se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida”.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim
FONTE: PavaBlog
08/03/2009
HISTÓRIA DAS MISSÕES MUNDIAIS
A igreja cristã, em suas diferentes expressões, sempre tem tido a consciência de possuir uma missão no mundo. O entendimento dessa missão varia de uma confissão para outra, mas inclui no mínimo o objetivo de anunciar o evangelho (a mensagem cristã) a outros povos e culturas, e implantar a igreja entre esses povos. Alguns períodos da história do cristianismo foram especialmente dinâmicos no que diz respeito ao esforço missionário da igreja. Um desses períodos foi o que teve início com as grandes navegações empreendidas por diversas nações européias no final do século 15 e início do século 16. Tais viagens, que tinham primariamente objetivos comerciais, tiveram como resultado um contato sem precedentes com novos povos e regiões do planeta. Adicionalmente, esse período coincidiu com a ocorrência de profundas transformações religiosas na vida da Europa, notadamente o surgimento da Reforma Protestante e a revitalização do catolicismo romano em reação à mesma. Esse catolicismo militante tomou a dianteira no que diz respeito às missões mundiais.IGREJA PRIMITIVA
GRANDE COMISSÃO: MATEUS 28:18-20
DESPERTAMENTO: ATOS 1:8
ÁREA DE ALCANCE: JERUSALÉM, JUDÉIA, SAMARIA E OS CONFINS DA TERRA.
DIANTE DE PERSEGUIÇÃO A IGREJA PRIMITIVA ALCANÇOU TODA A ÁSIA MENOR E PARTE DA EUROPA PARA O SENHOR JESUS.
A história do cumprimento do mandato de Jesus de se fazer discípulos de todas as nações confunde-se com a história do Cristianismo. Como não poderia deixar de ser, ao fazer missões, a Igreja cresce
Segundo Bertil, os discípulos de Jesus tomaram o seguinte rumo:
João - na Ásia
Pedro - em Ponto, Galácia, Bitínia e Capadócia
Mateus - outras nações
Bartolomeu – Índia
Tomé - entre os partos (Iran, Iraque, Paquistão), Índia
Marcos - no Egito
Simão, o zelote - na Pérsia
Tiago, o grande - na Espanha
Tiago, o justo - na Arábia
“Filipe - na Frigia”
A CORRUPÇÃO DA IGREJA:
A IGREJA FOI SUBTERRÂNEA ATÉ O ANO 313, DATA EM QUE CONSTANTINO ADOTA O CRISTIANISMO. NESTA DATA É OFICIALIZADA (IGREJA LIGADA AO ESTADO). HERESIA ENTRA NA IGREJA, BATISMO INFANTIL, ADORAÇÃO DE IMAGENS, ETC.
OS CRENTES DESCONTENTES SÃO PERSEGUIDOS E A IGREJA VERDADEIRA CONTINUA SUBTERRÂNEA, SENDO OS CRENTES APELIDADOS (NOVACIANOS, PURITANOS, CÁTAROS, DONATISTAS, PAULICIANOS, ANABATISTAS, ETC.)
ANO 500 - OFICIALIZAÇÃO DO PAPADO
A IGREJA DE ROMA FAZ MISSÕES ATRAVÉS DOS MOSTEIROS
DO ANO 500 AO ANO 1500 FORAM 1000 ANOS DE INCERTEZAS. SURGEM AS MIGRAÇÕES DE TRIBOS DENTRO DA EUROPA: GODOS, VIZIGODOS, LOMBARDOS. ESTAS TRIBOS ADOTAM O "CRISTIANISMO DA IGREJA DE ROMA", NUM TEMPO DE 1000 ANOS, MESMO ASSIM POR MEIO DE PRESSÃO, AMEAÇAS E GUERRAS.
A IGREJA PERSEGUIDA:
A IGREJA PERSEGUIDA FAZ A OBRA, NA BASE DA EVANGELIZAÇÃO PESSOAL E COM O ESTILO DE VIDA CRISTÃO GENUINO. DESTACAMOS OS VALDENSES, NO NORTE DA ITÁLIA E OS REFORMADORES QUE SURGIRAM DENTRO DA IGREJA DE ROMA, JOÃO WICLYFE(INGLATERRA), JOÃO HUSS(TCHECOSLOVÁQUIA), SAVONAROLA(ITÁLIA) E MARTINHO LUTERO NA ALEMANHA, ETC.
REFORMA PROTESTANTE E IMPRENSA:
A REFORMA PROTESTANTE DEU UM IMPULSO MUITO GRANDE NA PROPAGAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS, ATRAVÉS DA IMPRENSA PODE-SE TRADUZIR A BÍBLIA NA LINGUAGEM DO POVO E ESTE POVO COMEÇOU A TER ACESSO DIRETAMENTE À PALAVRA, SEM SER ATRAVÉS DOS CLÉRICOS DA ÉPOCA.
OS JESUITAS SURGEM DEPOIS DA REFORMA PROTESTANTE.
Após a Reforma Religiosa de Martinho Lutero, surgiram alguns grupos que tentaram reiniciar missões protestantes: As primeiras tentativas de missões aos indígenas americanos, todas infrutíferas, ocorreram no Brasil, nas Índias Ocidentais e no Suriname (séculos 16 e 17). Nessa época surgiram as primeiras missões evangélicas inglesas, voltadas para a América do Norte: a Sociedade para a Propagação do Evangelho na Nova Inglaterra (1649), a Sociedade para a Promoção do Conhecimento Cristão (1698) e a Sociedade para a Propagação do Evangelho em Terras Estrangeiras (1701).
OS PURITANOS - o nome é originado da vontade de purificar-se dos resquícios católicos romanos. A idéia puritana expandiu-se também para a purificação da sociedade por parte dos seus seguidores. Um dos mais famosos puritanos é John Bunyan, autor de “O Peregrino”. Em termos missionários, apenas a influência puritana deixada a algumas Igrejas foi contribuição dos puritanos. Este movimento surgiu no século XVII.
PIETISMO - Originou-se no meio da Igreja Luterana, no final de 1600, e propunha reformas à tradição protestante que já se acomodava. Phillip J. Spener (1631 - 1705) é considerado o Pai do Pietismo. Os pietistas influenciaram grandemente o trabalho missionário de sua época. O movimento missionário protestante teve seus primórdios com o pietismo alemão, um movimento de renovação do luteranismo liderado por Philip Spener e Auguste Francke, com sede na Universidade de Halle (1694). A colaboração entre o rei da Dinamarca e os pietistas resultou na primeira missão protestante, que enviou os missionários Bartolomeu Ziegenbalg e Henrique Plütschau para Tranquebar, na Índia, em 1705.
A MISSÃO HALLE - Esta foi a primeira missão européia as enviar missionários. Nasceu de uma união com o governo dinamarquês e os pietistas.
OS MORÁVIOS - Talvez sejam os mais exemplares dos movimentos missionários até hoje. De cada 60 membros, 1 era missionário, que foram enviados a todos os cinco continentes. Seu Líder era o Conde Nicolau Ludwing Zanzerdof (1700 - 1760). Os pietistas influenciaram o conde Nikolaus Ludwig von Zinzendorf (1700-1760), que acolheu em sua propriedade na Saxônia um grupo de refugiados morávios perseguidos pela Contra-Reforma, herdeiros do pré-reformador tcheco João Hus. Sob a liderança do piedoso Zinzendorf, os morávios empreenderam um vigoroso movimento missionário que até 1760 enviou 226 missionários a São Tomás (Ilhas Virgens), Groenlândia, Suriname, Costa do Ouro, África do Sul, Jamaica, Antigua e aos índios norte-americanos.
Ao longo dos 1600 anos seguintes, a Igreja passou por muitas transformações, mas a partir do ano 1750, tem-se início o período de Missões Modernas, que resumimos assim: Os dois nomes mais famosos destas era, também chamada de 1º era de missões modernas são Willian Carey e Hudson Taylor.
Carey Os ingleses, influenciados tanto pelos pietistas e morávios quanto pelo avivamento evangélico do século 18, iniciaram um movimento de oração intercessória pela conversão dos pagãos. Um líder de grande impacto foi o batista William Carey (1761-1834), considerado “o pai das missões modernas”. Em 1792, ele publicou “Um estudo sobre a obrigação dos cristãos de usarem meios para a conversão dos pagãos” e pregou um célebre sermão baseado em Isaías 54.2-3. Vencendo muita oposição e desânimo, fundou com vários companheiros a Sociedade Batista Particular para a Propagação do Evangelho entre os Pagãos, depois denominada Sociedade Missionária Batista. Em 1793, Carey foi para a Índia, onde passou o restante da sua vida e traduziu a Bíblia para vários idiomas. ele que disse: “espere grandes coisas de Deus; tente grandes coisas para DeusHudson Taylor (1832-1905) - Filho de um farmacêutico, ainda na Inglaterra abdicou do conforto e, em 1853 viajou para China. Foi o pioneiro nas “missões de fé”. Organizou a Missão para o Interior da China. Taylor mudou dois conceitos até então não percebidos por seus antecessores: as necessidades dos povos no interior dos países e não apenas missões no litoral e, a vida pela fé no ministério. Destacou-se também pelo grande amor aos chineses e o intenso desejo de se identificar culturalmente com o povo. Outros nomes importantes são:
Adoniram Judson (1788 - 1850) - Missionário nas Índia e na Birmânia.
Robert Moffat ( 1795 - 1883) - Pioneiro em missões na África do Sul.
David Livingstone (1813 - 1873) - Um dos mais famosos missionários ao interior da África.
Robert Morrison (1782 - 1834) - Na China, foi o primeiro a traduzir a Bíblia para Chinês.
John Paton (1824 - 1907) - Desenvolveu um belíssimo trabalho nas Ilhas do Pacífico.
É importante destacar o trabalho dos jovens em missões em cerca de 200 anos, desde Zinzerdof até o Movimento Voluntário Estudantil.
Zinzerdof, líder dos Morávios foi aluno da Escola Paedagogium, em Halle, Alemanha. Lá organizou a Ordem Do Grão Mostarda, junto com os outros cinco jovens. Como resultado, em 1732, foram enviados os dois primeiros missionários morávios para a Ilha São Tomé, nas Antilhas.
Charles Wesley entrou para faculdade da Igreja de Cristo em 1726, onde seu irmão, John, formara-se no ano anterior. Ele organizou o “Clube do Santos” e oravam sobre as oportunidades para operações missionárias. Como conseqüência, John viajou para a colônia da Georgia (atual estado da Georgia no E.U.A) para evangelizar os índios.
Charles Simeon foi outro estudante a organizar grupos com motivação a atividades missionárias na Universidade de Cambridge.
Samuel Mills foi o fundador de um dos mais expressivos movimentos do séc. XIX. A história formada por Mills tem sua origem no que ficou conhecido de “a oração do monte de feno”. Em 1806, Mills e mais quatro colegas foram orar, como de costume, quando foram pegos de surpresa por uma tempestade. Esconderam-se debaixo de um monte de feno e enquanto aguardavam a chuva passar, oraram ardentemente por um despertamento no interesse dos trabalhos missionários entre os estudantes. “ Foi a partir desta reunião do monte de feno que o movimento de missões estrangeira das Igrejas dos EUA tiveram seu impulso inicial” Ralph Winter - Missões Transculturais - vol III).
O Movimento Voluntário Estudantil - MVE tem suas raízes na oração do monte de feno, realizada no Willians College. Em 1886, 251 estudantes reuniram-se no Monte Hermon para uma série de estudos. Como conseqüência cem alunos se voluntariaram para missões no exterior. Durante os dois anos seguintes, Robert G. Wilder e John Forman visitaram 167 escolas e faculdades divulgando a visão do MVE, conseguindo sensibilizar 2106 estudantes que se decidiram com missionários. Cinco anos depois, os números eram: 6200 estudantes voluntários de 352 escolas; 321 voluntários partiram para o exterior; 40 faculdades e 32 seminários participavam do sustento dos voluntários.
Cameron Towsend, missionário fruto do MVE, foi enviado à Guatemala na primeira metade deste século XX. Lá deu início ao que hoje conhecemos como Evangelização dos Povos Ocultos. Towsend percebeu que cada país possui vários povos que o formam, com muitas características diferentes.
Finalmente, no início do século 19, um grupo de estudantes do Seminário de Andover, na Nova Inglaterra, criou a “Sociedade de Investigação do Assunto de Missões”, o que levou em 1810 à fundação da Junta Americana de Comissionados para Missões Estrangeiras. Dois anos depois, vários missionários foram enviados para a Ásia, entre os quais Adoniram Judson, que trabalhou na Índia e na Birmânia. Outros campos pioneiros da Junta Americana foram o Ceilão, o Oriente Próximo, a China e Madura, uma ilha da Indonésia.No século 19, outros notáveis missionários protestantes foram: Reginald Heber (Índia e Guido Verbeck, James Hepburn e Samuel Brown (Japão), Horace Underwood e Henry Appenzeller (Coréia), Ludwig Nommensem (Sumatra), Daniel Bliss e Howard Bliss (Síria), Robert Kalley, Ashbel Simonton e William Bagby (Brasil). Entre as mulheres, destacaram-se Mary Slessor (Calabar, África Ocidental), Florence Young (Austrália, Ilhas Salomão e China) e Amy Carmichael (Índia), entre outras.O historiador Kenneth S. Latourette concluiu: “Nunca antes, em um período de igual duração, o cristianismo ou qualquer outra religião tinha penetrado pela primeira vez em uma área tão grande”, no que foi secundado pelo missiólogo J. Herbert Kane: “Nunca dantes na história da igreja cristã se fizera um esforço tão concentrado, organizado e hercúleo visando levar o evangelho até os confins da terra”.Missões em retrospectoA avaliação do esforço missionário nos últimos séculos, quer católico quer protestante, leva a algumas conclusões gerais, tanto positivas como negativas. Em seu livro A Concise History of the Christian World Mission (Breve história da missão cristã mundial), Herbert Kane arrola algumas críticas que têm sido feitas a muitos missionários: (a) tinham um complexo de superioridade; (b) trataram de maneira insensível as religiões “pagãs”; (c) deixaram de distinguir entre o cristianismo e a cultura ocidental; (d) exportaram o denominacionalismo juntamente com o evangelho; (e) deixaram de incentivar a indigenização do cristianismo; (f) foram culpados de paternalismo; (g) não foram sábios no uso dos fundos missionários do Ocidente; (h) identificaram-se muito de perto com o sistema colonial.Ao mesmo tempo, é importante destacar as contribuições positivas de muitos missionários: (a) amaram os povos entre os quais trabalharam; (b) desenvolveram uma apreciação genuína pelas Culturais locais; (c) aprenderam as línguas locais e traduziram as Escrituras; (d) proporcionaram educação moderna para os povos do terceiro mundo; (e) foram os primeiros a crer no potencial dos “nativos”; (f) abriram hospitais, clínicas e escolas de medicina; (g) introduziram reformas sociais e políticas; (h) formaram uma ponte entre o Oriente e o Ocidente; e (i) plantaram a igreja em quase todos os países do mundo.Perguntas para reflexão:
1. Por que a associação entre as missões cristãs e o colonialismo foi tão problemática? Isso ainda acontece hoje?
2. Foi justificável a demora dos protestantes em iniciar missões em âmbito mundial? Por quê?
3. Quais os principais desafios e barreiras enfrentados pelas missões internacionais e transculturais? Como superá-los?
4. Qual deve ser o objetivo maior do esforço missionário em determinada região ou país?
5. Quais são as diferentes ênfases das missões católicas e protestantes?
Sugestões bibliográficas:
CALDAS, Carlos. O último missionário. São Paulo: Mundo Cristão, 2001.
CÉSAR, Elben M. Lenz. História da evangelização no Brasil: dos jesuítas aos neopentecostais. Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2000.
GONZÁLEZ, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo. Vol. 7: A era dos conquistadores. São Paulo: Vida Nova, 1983.
NEILL, Stephen. História das missões. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1997.
STEUERNAGEL, Valdir (Org.). A missão da igreja: uma visão panorâmica sobre os desafios e propostas de missão para a igreja na antevéspera do terceiro milênio. Belo Horizonte: Missão Editora, 1994.



