15/08/2010

O alcance da Providência de Deus - Thomas Watson (1620-1686)

 

As obras da providência de Deus são seus atos máximos de santidade, de sabedoria e seu poder para governar suas criaturas e suas ações.

Cristo diz a respeito da obra da providência de Deus: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo 5.17). Deus descansou da obra da criação, não criou mais nenhuma espécie de coisas. "Descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito" (Gn 2.2). Portanto, esse deve ser o significado das obras da providência: "Meu Pai trabalha e eu trabalho". "O seu reino domina sobre tudo" (SI 103.19); isto é, seu reino providencial. Para esclarecer esse ponto, é preciso primeiramente mostrar que há uma providência; em seguida definir o que seja essa providência; e âopois,formular alguns conceitos ou proposições a respeito da providência de Deus.

1. A realidade da providência de Deus


Há uma providência. Não há o que se chama destino cego, mas há uma providência que guia e governa o mundo. "A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda decisão" (Pv 16.33).

2. A definição de providência de Deus


O que é essa providência? Minha resposta: a providência é a ordenação de Deus sobre todas as causas e conseqüências das coisas, segundo o conselho de sua vontade, para sua própria glória.

a. A providência se distingue dos decretos de Deus

Chamo de providência a ordenação de Deus sobre as coisas para fazer distinção entre isso e seus decretos. Os decretos de Deus ordenam as coisas que acontecerão. A providência de Deus as determina.

b. A providência se conforma ao conselho de Deus

Chamo de providência a ordenação das coisas segundo o conselho da vontade de Deus.

c. A providência visa à glorificação de Deus

Deus comanda todos os eventos, segundo o conselho de sua vontade, para sua glória, que é o fim maior de todos os seus atos e o ponto em que todas as linhas de providência se encontram. A providência de Deus é Regina mundi - "a rainha e governante do mundo"; é o olho que vê, a mão que gira todas as engrenagens do universo. Deus não é como um artesão que constrói uma casa e, então, deixa-a; antes é como um piloto que conduz o navio de toda a criação.

3. O alcance da providência de Deus


Podemos apresentar a seguinte proposição acerca da providência de Deus: ela está presente em tudo na vida dos homens, isto é, todos os lugares, todas as pessoas e todos os acontecimentos.

a. A providência de Deus alcança todos os lugares

"Acaso sou Deus apenas de perto, diz o SENHOR, e não também de longe?" (Jr 23.23). O alcance da providência de Deus é imenso, ela alcança o céu, a terra e o mar. "Os que, tomando navios, descem aos mares... esses vêem as obras do SENHOR" (SI 107.23,24). Pois bem, que o mar, que é maior que a terra, não a inunde é uma maravilha da providência. O profeta Jonas viu as maravilhas de Deus nas profundezas, quando o grande peixe que o engoliu depois o deixou a salvo na praia.

b. A providência de Deus alcança todas as pessoas

Ela alcança especialmente as pessoas devotas que, de maneira espe¬cial, procuram conhecê-la. Deus tem cuidado de cada santo em particular, como se não houvesse mais ninguém de quem cuidar. "Porque ele tem cuidado de vós" (lPe 5.7), isto é, o eleito de maneira especial. "Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia... e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida" (SI 33.18,19). Deus, por seu providencial cuidado, defende seu povo dos perigos e coloca anjos protetores ao seu redor (SI 34.7). A providência de Deus preserva os ossos dos santos (SI 34.20), recolhe no odre suas lágrimas (SI 56.8), fortalece-os na sua fraqueza (Hb 11.34), e supre todas as suas necessidades (SI 23.5). Assim, a providência supre maravilhosamente as necessidades dos eleitos.

Quando os protestantes em Rochelle foram sitiados pelo rei da França, Deus, por sua providência, mandou um grande número de pequenos peixes para alimentá-los, como nunca tinham visto antes naquele porto. Da mesma maneira o corvo, aquela criatura desnaturada (que dificilmente alimenta a própria prole), providencialmente trouxe sustento ao profeta Elias (lRs 17.6).

Veja o caso de Maria que, gerando e dando à luz ao Messias, ajudou a enriquecer o mundo, ainda que ela mesma fosse muito pobre. Um pouco depois de ter nascido o bebê, foi alertada pelo anjo para que fugisse para o Egito (Mt 2.13), no entanto, não tinha recursos suficientes para levar seus pertences àquela terra; porém, observe como Deus, antecipadamente, prove: em sua providência, ele envia os magos, desde o oriente, os quais levaram presentes caros, como o ouro, a mirra e o incenso, que presentearam Cristo. Assim, Maria teve o suficiente para custear suas despesas no Egito. Os filhos de Deus, às vezes, não sabem como são alimentados, sabem somente que a providência os alimentou. "Verdadeiramente serás alimentado" (SI 37.3, RC). Se Deus vai dar um reino a seus filhos, quando morrerem, não lhes negará o pão de cada dia enquanto viverem.

c. A providência de Deus alcança todos os acontecimentos

Ou seja, ela alcança todos os negócios e ocorrências no mundo. Não há nada que se mova no mundo que Deus não tenha, por sua providência, ordenado. Há honra na exaltação do homem? (SI 75.7). A um ele abate, a outro exalta. O sucesso e a vitória na batalha são resultados da providência. Saul tinha a vitória, mas Deus deu a salvação (ISm 11.13). O fato de que dentre todas as virgens trazidas à presença do rei só Ester tenha achado graça diante de seus olhos, não teria acontecido sem a providência especial de Deus. Por causa disso o Senhor salvou os judeus que estavam destinados à destruição. A providência atinge as mínimas coisas: dos pássaros às formigas. A providência alimenta os filhotes dos corvos, quando a mãe os abandona e não mais lhes providencia comida (SI 147.9). A providência atinge até mesmo os cabelos de nossa cabeça. "Até os cabelos todos da cabeça estão contados" (Mt 10.30).

Certamente, a providência atinge todos os lugares, todas as pessoas, todas as ocorrências e todos os negócios.

fonte:  O alcance da Providência de Deus - Thomas Watson (1620-1686)

14/08/2010

História da Escola Dominical

 3ad5f53e5dc27601

As origens da Escola Dominical remontam aos tempos bíblicos quando o Senhor ordenou ao seu povo Israel que ensinasse a Lei de geração a geração. Dessa forma a história do ensino bíblico descortina-se a partir dos dias de Moisés, passando pelos tempos dos reis, dos sacerdotes e dos profetas, de Esdras, do ministério terreno do Senhor Jesus e da Primitiva Igreja. Não fossem esses inícios tão longínquos, não teríamos hoje a Escola Dominical.

A Escola Dominical do nosso tempo nasceu da visão de um homem que, compadecido com as crianças de sua cidade, quis dar-lhes um novo e promissor horizonte. Como ficar insensível ante a situação daqueles meninos e meninas que, sem rumo, perambulavam pelas ruas de Gloucester. Nesta Cidade, localizada no Sul da Inglaterra, a delinqüência infantil era um problema que parecia insolúvel. Aqueles menores roubavam, viciavam-se e eram viciados; achavam-se sempre envolvidos nos piores delitos.

É nesse momento tão difícil que o jornalista anglicano Robert Raikes entra em ação. Tinha ele 44 anos quando saiu pelas ruas a convidar os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, ministrava-lhes Raikes várias matérias seculares: matemática, história, e a língua materna – o inglês. Não demorou muito, e a escola de Raikes já era bem popular. Entretanto, a oposição não tardou a chegar. Muitos eram os que o acusavam de estar quebrando o domingo e questionavam: -Onde já se viu comprometer o dia do Senhor com esses moleques? – Será que o Sr. Raikes não sabe que o domingo existe para ser consagrado a Deus?

Robert Raikes sabia-o muito bem. Ele também sabia que Deus é adorado através de nosso trabalho amoroso incondicional. Embora haja começado a trabalhar em 1780, foi somente em 1783, após três anos de oração, observações e experimentos, que Robert Raikes resolveu divulgar os resultados de sua obra pioneira. Então, no dia três de novembro de 1783, Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida daqueles meninos de Gloucester.

No dia 3 de novembro de 1783, Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida daqueles meninos Gloucester. Eis porque a data foi escolhida como o dia da fundação da Escola Dominical.

Mal sabia Raikes que estava lançando os fundamentos de uma obra espiritual que atravessaria os séculos e abarcaria o globo, chegando até nós, a ponto de ter hoje dezenas de milhões de alunos e professores, sendo a maior e mais poderosa agência de ensino da Palavra de Deus de que a Igreja dispõe”.

Tornou-se a Escola Dominical tão importante, que já não podemos conceber uma igreja sem ela. É aqui onde aprendemos os rudimentos da fé e o valor de uma vida inteiramente consagrada ao serviço do Mestre.

Autor: Daniel Almeida

fonte: istória da Escola Dominical

13/08/2010

Falsos Profetas, Falsa Paz - D. M. Lloyd-Jones

 

 

Os falsos profetas clamavam "Paz, paz"; mas não havia paz. Quando aprenderemos que não há paz permanente neste mundo e deixaremos de dar atenção aos falsos profetas? O fato de ser necessário salientar esse ponto, numa época como a nossa, quando acabamos de experimentar duas devastadoras guerras mundiais, ambas neste século, é prova, por si mesmo, da cegueira que aflige esse otimismo fatal que atinge a humanidade em sua natureza. Mas, devido à nossa cegueira, esse é um particular que deve ser salientado e repetido interminavelmente, se quisermos ser salvos.

Temos de enfrentar, portanto, questões como as seguintes: Por quanto tempo ainda teremos de esperar, antes que esse movimento ascendente e essa tendência, na humanidade, evolua a um estado de final e completa perfeição? Haverá alguma esperança para nós, ou teremos apenas de sonhar acerca de tal esperança, porquanto só se concretizará após muitas e muitas outras eras de tempo? Haverá qualquer evidência real da existência de tal avanço? Uma vez mais precisamos considerar se o mundo está se tornando mais feliz, melhor e mais gentil; se os problemas da vida estão diminuindo gradualmente em número e decrescendo em complexidade; se a desumanidade do homem contra o homem é menos evidente hoje em dia do que era antes. No entanto, todos esses problemas exigem resposta: Há provas do incremento de virtudes positi­vas? E o que dizer sobre a idéia de que tudo o quanto necessitamos é aplicar nossa capacidade cerebral, desenvolver nosso intelecto e expandir nosso conheci­mento? As pessoas dotadas de habilidade estão isentas desses problemas? O intelecto garante uma vida de felicidade perfeita? O homem que adquiriu conheci­mento e cultura, necessariamente é um modelo de todas as virtudes? Está tal homem imune a todas as enfermi­dades e dificuldades das quais a carne é herdeira? Aplica ele, invariavelmente, o seu conhecimento e os seus poderes de raciocínio, quando atraído por aquilo que sabe ser errado ou prejudicial, mas que, não obstante, lhe é atrativo e que lhe satisfaz?

Se quisermos as respostas, teremos apenas de ler as obras dos grandes escritores do mundo. Tais homens, algumas vezes, se acham entre os maiores sofredores do mundo e, com freqüência, têm suportado agonias mentais e espirituais mais pungentes do que qualquer outro tipo de pessoa. De fato, no terreno de suas rela­ções pessoais, com freqüência têm fracassado da maneira mais trágica. A filosofia de Bacon, a qual diz que "conhecimento é poder", tornou-se um popular "slogan" moderno. Mas a história, as biografias e os registros dos tribunais de justiça, bem como as colunas dos jornais, relatam uma realidade inteiramente diversa. À parte de tudo isso, entretanto, se a nossa salvação jaz no intelecto e no conhecimento, que esperança pode haver para aqueles que não foram dotados de grande intelecto, os quais, portanto, não podem ter a esperança de aprender? Uma salvação que pode salvar apenas alguns é uma zombaria e uma imitação burlesca da palavra.

Do mesmo modo, podemos ver que uma simples mudança de condições não tem possibilidade de solu­cionar o problema. São felizes todos quantos são suficientemente abastados? A possessão de coisas, casas e bens soluciona, na realidade, todos os problemas? Quem, geralmente, é mais feliz, o rico ou o pobre, o habitante da cidade ou o do campo? Em qual classe se verifica o maior número de tragédias, ou em qual delas se experimenta uma maior profundidade de miséria e desolação? A resposta, naturalmente, é que, em última análise, as condições fazem bem pouca diferença em nossa felicidade ou no caráter de nossa vida. Pelo menos, se fazem diferença, então é que estamos tendo uma modalidade de vida das mais precárias. As coisas que determinam o nosso tipo de vida são muito mais profundas — o amor ou o ódio, a inveja ou a generosi­dade de espírito, o egoísmo ou a disposição de ajudar a outros, bem como todas as várias outras qualidades de caráter que contribuem para determinar as relações humanas. Os nossos problemas e tribulações originam-se em nós mesmos e naquilo que somos.

Não queremos negar o valor da educação ou das condições econômicas. Todas as criaturas humanas têm direito a certa medida de vida decente no mundo presente e deveriam exigi-la como algo que lhes cabe; mas dizer que isso basta, e que tais coisas solucionam, sozinhas, todos os nossos problemas, é exibir um ponto de vista inteiramente falso acerca da vida. Realmente, tudo isso nos faz lembrar crescentemente daquelas palavras de Shakespeare:

A falha, querido Bruto, não se acha em nossas estrelas,

Mas em nós mesmos, que somos subalternos.

Aqueles que clamam, "Paz, paz", alicerçados sobre base tão superficial, são falsos profetas, para quem os fatos da vida replicam clamorosa e tragica­mente: "Não há paz".

Antes que possam ser solucionados os problemas da vida e dos homens, precisamos primeiramente entender a verdadeira natureza do problema. Visando esse fim, precisamos lançar fora todos os nossos preconceitos e deixar de ser governados pelos nossos desejos. Devemos estar preparados para pensar com honestidade, fazendo um exame e uma análise completos, o que nos sondará em profundidade, perscrutando tanto os nossos motivos como as nossas ações.

fonte: Martyn Lloyd-Jones: Falsos Profetas, Falsa Paz - D. M. Lloyd-Jones

12/08/2010

O Senhor não zomba das almas humildes

 
C.H.Spurgeon
Banco da Fé
25 de janeiro

“(Ele - Deus) Olhará (olha) para (sobre) os homens, e (aquele que) dirá (disser): Pequei, e perverti o direito, o que de nada me aproveitou. Porém Deus livrou (livará) a minha alma de ir para a cova, e a minha vida verá a luz.” (Job 33:27-28 ACF [*] (1) )
Esta é uma palavra verdadeira, extraída da experiência de um homem de Deus, e equivale a uma promessa. O que o Senhor tem feito, e está fazendo, continuará a realizar enquanto o mundo subsista. O Senhor receberá no Seu seio todos os que a Ele venham com uma confissão sincera de seu pecado; de fato, Ele está sempre vigiando para descobrir alguém que esteja triste por causa dos seus pecados.
Não podemos nós servir-nos da linguagem usada aqui? Não temos pecado e pecado pessoalmente, para dizer: “Eu tenho pecado”? Não temos pecado voluntariamente, havendo pervertido o que é reto ? Pecado, de modo a descobrirmos que nada nos aproveitou e que só alcançámos perda eterna? Vamos, pois, a Deus com esta confissão sincera. Ele não pede mais. Nós não podemos fazer menos.
Apresentemos a Sua promessa em nome de Jesus . Ele livrará a nossa alma do abismo do Inferno, cuja boca está aberta para nos tragar; Ele nos concederá vida e luz. Por que desesperamos? Por que temos dúvidas ainda? O Senhor não zomba das almas humildes. Ele diz a sério o que afirma. Os culpados podem ser perdoados. Os que merecem execução podem receber absolvição gratuita. Senhor, a Ti confessamos os nossos pecados e imploramos o Teu perdão!
_______________________
Notas:
[*] ACF - Bíblia, edição João Ferreira de Almeida, Corrigida Fiel, versão e-Sword, SBU 1968
(1) El mira sobre los hombres; y al que dijere:
Pequé, y pervertí lo recto,
Y no me ha aprovechado, Dios redimirá su alma para que no pase al sepulcro,
Y su vida se verá en luz. (Job 33:27-28, versão La Santa Biblia, Reina-Valera 1960)
TRADUTOR: : Carlos António da Rocha
FONTE: No Caminho de Jesus

VIA: O Senhor não zomba das almas humildes | Projeto Spurgeon