O texto abaixo, que eu achei belíssimo e que trata da existência do sofrimento e da justiça de Deus, foi citado no livro "Onde está Deus quando as coisas vão mal?", escrito por John Blanchard e publicado pela Editora Fiel. O autor deste texto não é identificado pelo autor, que menciona apenas que ele foi publicado em 1960. (A propósito, recomendo a leitura desse livreto, que tem apenas 40 pp).
No final dos tempos, bilhões de pessoas se apresentaram diante do trono de Deus. Muitas retrocederam ante a luz que resplandecia diante delas. Mas alguns grupos que estavam na frente conversavam veementemente, não com temor servil, e sim com agressividade: "Deus pode nos julgar?"
"Como Ele pode saber algo a respeito de sofrimento?", questionou uma moça ousada. Ela puxou com rapidez a manga de sua veste para mostrar o número tatuado de um campo de concentração nazista. "Suportamos terror... espancamento... tortura... morte!"
Em outro grupo, um homem curvou o seu pescoço, dizendo: "O que vocês acham disto?", ele perguntou, mostrando uma horrível marca de corda. "Linchado por ser negro e não por cometer algum crime!"
Em outra multidão, uma estudante grávida, com olhos taciturnos, murmurou: "Por que eu tive de sofrer? Não foi minha culpa".
Espalhados ante o trono, havia milhares de grupos como esses. Cada pessoa tinha uma queixa contra Deus, por causa do mal e sofrimento que Ele havia permitido neste mundo. Quão feliz estava Deus em viver no céu, onde tudo era doçura e luz, onde não havia lágrima, nem medo, nem fome, nem ódio! O que Deus sabia a respeito de tudo que os homens tinham sido obrigados a suportar neste mundo? "Deus leva uma vida muito tranqüila", eles diziam.
Cada grupo apresentou o seu líder, escolhido por haver sofrido mais do que os outros do grupo. Um judeu, um negro, alguém de Hiroshima, uma pessoa que fora horrivelmente afligida por artrite e uma criança teratogênica. No centro da aglomeração, eles conversaram entre si.
Por fim, estavam prontos para apresentar o seu caso e o fizeram com muita perspicácia. Antes de se qualificar para ser o juiz deles, Deus tinha de suportar o que eles haviam suportado. Haviam chegado ao veredicto de que Deus fosse condenado a viver na terra - como homem! Deveria nascer como judeu; a legitimidade de seu nascimento teria de ser questionada. Ele deveria realizar uma obra tão difícil, que sua família pensaria estar louco, quando tentasse realizar essa obra. Ele deveria ser traído por seus amigos íntimos; enfrentar falsas acusações, ser julgado por um júri preconceituoso e condenado por um juiz medroso. Deveria ser torturado e, por fim, entender o que significa ser terrivelmente abandonado e deixado solitário. Depois, Ele deveria morrer em agonia, de tal modo que não haveria dúvidas quanto à sua morte. E grande número de testemunhas deveriam comprová-la.
Enquanto cada líder anunciava a parte de sua sentença, um intenso murmúrio de aprovação saía dos lábios das pessoas ali reunidas. Quando o último líder terminou de proferir a sentença, houve um silêncio prolongado. Ninguém proferiu nenhuma palavra. Ninguém se mexeu, pois todos sabiam que Deus já havia cumprido a sua sentença.
***
Postou Avelar Jr, no Púlpito Cristão
fonte: Púlpito Cristão: Onde está Deus quando as coisas vão mal?
06/08/2010
Onde está Deus quando as coisas vão mal?
05/08/2010
MARAVILHOSA GRAÇA
Por: Márcia Heuko
“Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.” (Ef 2.8)
Você já parou para pensar o que é graça? Graça é a mais clara demonstração de carinho que você e eu já recebemos; é o transbordar generoso do amor de Deus por meio de Jesus Cristo!
Vejo isto muito claramente na vida de três homens. O primeiro deles é o inglês William Cowper, nascido em 1731. Aos 6 anos ele perdeu sua mãe; aos 10 anos seu pai o enviou para um internato onde viveu uma vida horrível e cheia de desapontamentos. Aos 32 anos desistiu do sonho de ser um magistrado em consequência de uma profunda depressão, que o levou a tentar o suicídio muitas vezes. Tentou pular no rio Tâmisa, mas foi impedido; ingeriu veneno, porém foi encontrado a tempo por alguém que o socorreu; atirou-se sobre uma faca, mas a lâmina quebrou com o peso do seu corpo; tentou enforcar-se, contudo um vizinho o encontrou e cortou a corda antes que ele morresse; tomou muitos comprimidos antidepressivos, mas foi salvo por sua empregada. Sofrendo de depressão aguda e profunda inquietação mental, beirando a loucura, voltou-se cada vez mais para Cristo.
Um ano após suas tentativas de suicídio, lendo a Bíblia no jardim de sua casa, uma passagem o marcou: “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva. Deus ofereceu Cristo como sacrifício para que pela sua morte na cruz, Cristo se tornasse o meio das pessoas receberem o perdão dos seus pecados, pela fé nele” (Rm 3.24-25). O Espírito Santo atuou em seu coração através daquelas palavras e ali mesmo rendeu-se a Cristo, sendo salvo dos seus pecados. O próprio Cowper afirma: "Não sei como, mas num momento, recebi poder para crer e o sol da justiça brilhou em meu coração. Vi claramente a suficiência do sacrifício feito por Cristo; o perdão através do seu sangue; a completa e ampla justificação".
Aos 34 anos, restaurado da depressão, Cowper compôs 64 hinos cristãos e muitas poesias, sendo considerado um dos maiores poetas inglês. Além da música e da poesia, ele lutou pela causa dos pobres e dos escravos!
O segundo homem a receber a graça de Deus foi o inglês John Newton, nascido em 1725. Coincidentemente ele também perdeu sua mãe muito cedo, mas sempre se lembrava das orações que ela fazia por ele, ajoelhada ao lado da cama.
Quando jovem, Newton tentou desertar da marinha inglesa, porém, como punição, foi açoitado.
Aos 25 anos iniciou seu trabalho como comandante de navio negreiro. Ele transportava escravos africanos para América. Os escravos eram marcados com ferro quente e transportados no porão do navio com os pés, mãos e pescoço acorrentados, sentados lado a lado ao longo da viagem. Quando algum escravo apresentasse diarreia, algo muito comum naquela situação, eram feitos supositórios de cordas para controlar o fluxo; se morressem, eram arremessados ao mar. Estas coisas eram feitas sob a supervisão do comandante do navio, que por vezes também açoitava os escravos. E esta era a função de John Newton.
Em uma dessas viagens, o navio enfrentou uma grande tempestade e estava prestes a afundar. Temendo a morte, e ouvindo o gemido dos negros acorrentados no porão, Newton ofereceu sua vida à Cristo: “Senhor, tem misericórdia de nós”. O Senhor veio em seu auxílio e acalmou as águas. Quando voltou para a cabine, Newton refletiu e entendeu que Deus falava com ele através da tempestade, e que a sua graça havia se manifestado.
Newton converteu-se, abandonou os navios negreiros e começou a estudar para ser pastor, função que exerceu nos últimos 43 anos de sua vida trabalhando em uma capela em Londres. Lá se tornou amigo do poeta William Cowper e juntos eles trabalharam nos cultos semanais e nas reuniões de oração. Também compuseram hinos, entre eles “Amazing Grace”, que Newton dedica ao dia da sua salvação na tempestade, dentro do navio negreiro:
“Maravilhosa graça! Como é doce o som
que salvou um pecador como eu!
Estava perdido uma vez, mas agora fui encontrado;
era cego, mas agora posso ver.
Essa graça ensinou meu coração a temer,
é a graça que alivia meus medos;
como é preciosa a graça que apareceu
no momento em que eu acreditei nela.
Terminados muitos perigos, labutas, e armadilhas,
eu estou voltando;
essa graça trouxe-me seguro até aqui,
e a graça conduzir-me-á para casa.
O senhor prometeu-me bondade,
sua palavra me dá esperança;
meu escudo e porção será,
enquanto minha vida existir.
Sim, quando esta carne e coração falharem,
e a vida mortal cessar,
eu possuirei, atravessando o véu,
uma vida da alegria e da paz.
Quando nós estivermos lá por dez mil anos,
brilhando como o sol,
não teremos menos dias para louvar a Deus
do que quando nós começamos.”
Mas o plano de Deus não se limitou apenas em juntar Willian Cowper e John Newton. Em um culto onde os amigos cantavam, um jovem chamado William Wilbeforce, recém convertido ao cristianismo, procurou o pastor Newton para ser seu conselheiro. A amizade entre eles fez brotar um anseio ardente pelo fim da escravatura, e, inspirado pelo pastor, Wilbeforce começou a levantar mais cedo para orar e ler a Bíblia. Em uma de suas devocionais, ele entendeu que sua missão era lutar pelo fim da escravatura. Então disse: “A perversidade da escravatura é tão grande, medonha e irremediável que estou completamente preparado para lutar pela abolição, seja qual forem as consequências. Nunca descansarei até conseguir a abolição da escravatura”. Apesar da fragilidade de sua saúde, ele lutou diariamente contra a escravidão.
Estes três homens ilustram a graça de Deus. Suas histórias foram entrelaçadas, como um bordado; antes da graça, víamos o bordado pelo lado avesso, sem entender como um emaranhado de fios poderia resultar em alguma coisa. Mas Deus sabe o que está bordando.
Cowper morreu em 1800, com 69 anos de idade. William Wilbeforce, em 1833, e alcançou o seu objetivo: o fim da escravatura. O hino composto por seu pastor, “Amazing Grace”, foi o hino de sua luta. Newton, antes de morrer em 1807, com 82 anos, disse: "Minha memória quase se foi, mas recordo duas coisas: eu sou um grande pecador e Cristo é meu grande salvador!". Ele foi enterrado no jardim da igreja que pastoreava e em sua lápide está escrito a frase que ele mesmo havia escolhido: “John Newton, pastor, uma vez um infiel e libertino, foi pela rica misericórdia do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, preservado, restaurado, perdoado e chamado para pregar a fé que eu mesmo antes tentei destruir”.
Isto é a graça de Deus, e ela foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo (Ef 4.7). Se hoje você se sente escravizado, lembre-se: Cristo pode quebrar suas algemas! Fique na graça do Senhor Jesus Cristo, no amor de Deus, e na comunhão do Espírito Santo.
• Márcia Heuko, bacharelando em teologia pela Faculdade Fidelis, é coordenadora do Ministério de Ensino Didaskalia da Igreja Irmãos Menonitas Refúgio das Águias, em Curitiba, da qual é membro.
04/08/2010
O mundo reduz o homem ao nível dos irracionais – Lloyd-Jones
Os homens e as mulheres de hoje não apreciam os processos de pensamento nem o discernimento. Quais crianças, desejam fazer o que gostam e justificam as suas ações baseando-se no fato que desejam e gostam de fazê-las. Por conseguinte, aborrecem a disciplina e o ter de enfrentar as dificuldades. Fazem objeção à inconveniência de terem de enfrentar as questões da verdade, do bem, do mal e da beleza. Fazem o que querem fazer, defendendo que a auto-expressão é algo correto. Têm apenas um padrão de valores, o do prazer. Não investigam se seu procedimento é correto e seguro, se tenderá por contribuir para o desenvolvimento de todo o seu ser, especialmente daquilo que, neles, é mais elevado e melhor. Contentam-se com este único teste: "Isto traz satisfação?"
É evidente que esse método termina revertendo ao estado da infância, ou mesmo ao da selvageria! Não é tal atitude inteiramente suicida, a julgar pelo verda¬deiro padrão da natureza humana? Se você deseja suprimir sua consciência, assassinar sua razão e abafar todo o desejo por coisas mais elevadas e nobres, que nascem em sua pessoa, e se deseja meramente satisfazer à concupiscência e paixão pelo prazer, então apele para o culto moderno da auto-expressão. Porém, se deseja que todo o seu ser se desenvolva e encontre meios de expressar-se, então considere o teste do prazer como uma sugestão feita pelo próprio inferno e aplique o outro teste.
Não há necessidade, porém, de argumentar sobre esse ponto de vista meramente segundo o plano teórico. Apliquemos o teste prático. Leiamos a Bíblia e estudemos a história de seus personagens. Leiamos as biografias dos maiores benfeitores que o mundo já viu. Examinemo-los especialmente à luz do que temos discutido. Davi, o rei de Israel, mostrou o seu lado melhor e mais elevado, quando expressou o seu verdadeiro "eu" e aplicou o teste isolado do prazer, na questão de Bate-Seba, tendo-se tornado, dessa maneira, adúltero e homicida? Estava Agostinho expondo a expressão mais verdadeira do seu "eu", quando ainda era um filósofo imoral? ou depois, quando se tornou o santo disciplinado que, metaforicamente, cortou as mãos e os pés e arrancou os olhos da concupiscência e dos maus desejos? Meditemos sobre todos os membros do nobre exército de santos e mártires, que viveram na abnegação, disciplinaram suas próprias vidas, conti¬veram e controlaram os seus impulsos e instintos e, de modo geral, obedeceram aos ensinamentos do evangelho! Comparemo-los e contrastemo-los com os sensuais libertinos e devassos da história. Qual desses dois grupos representa mais verdadeiramente o "eu", a verdadeira natureza humana?
Fazer tal pergunta já é por si um insulto. A maneira de expressar corretamente o próprio "eu" é o caminho da disciplina e da ordem, é o caminho da razão e da oração, é o caminho do ouvir a voz da consciência, encorajando cada pensamento e desejo que trazem enlevo. O mundo poderá considerar-nos uns tolos; e, do ponto de vista do mundo, certamente seremos coxos e mutilados, tendo apenas um olho, como criaturas bastante imperfeitas. Sim, como meros animais podemos parecer imperfeitos. No entanto, seremos dignos de sermos chamados "homens". Teremos um "eu" que se expressará com dignidade e que irá crescendo com o passar dos dias. "Não só de pão viverá o homem" (Lc 4.4); nem só de prazeres, por igual modo. Para viver, é mister que o ser inteiro e a natureza do homem sejam usados e exercitados. De outro modo, ele morrerá.
O argumento contra esse moderno ensino ainda não foi completamente exposto. Tal ensino ignora, descuidadamente, o destino final do próprio "eu": isto também precisa ser mencionado. Já foi esclarecido que isto é feito através de um ponto de vista meramente terreno e humano. Mas, há algo mais alto, infinitamente mais importante, que tal ensino também ignora. "Melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno". E novamente: "Melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo". Essas são palavras proferidas por Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. No plano puramente humano, temos visto que toda essa questão da auto-expressão é extremamente degradante para o verdadeiro "eu".
Mas, além e acima disso, há o ponto de vista de Deus a nosso respeito, que é de conseqüências infinita¬mente mais profundas, por estarmos em suas mãos e ser Ele o Juiz eterno. Esse é o ponto de vista divino sobre o nosso "eu", e essa questão fica abundantemente clara na Bíblia. De fato, ensinar isto é o propósito inteiro da Bíblia. Deus conferiu ao homem uma natu¬reza e um ser semelhantes aos dEle. Criou o homem segundo a sua própria imagem. Soprou sobre o homem o hálito da vida e o tornou uma alma vivente. Essa alma é o dom de Deus para nós. É o tesouro que Ele deixou ao nosso encargo e cuidado. Esse é o "eu" que pede e espera que expressemos.
No fim da vida e do tempo, Ele julgará o nosso desempenho. O padrão do juízo será a lei moral, conforme dada a Moisés, os ensinamentos dos profetas, o Sermão da Montanha e, acima de tudo, nosso conhe¬cimento confiante que temos dEle e nossa aproximação à vida vivida por nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Pois a autêntica auto-expressão foi revelada em Cristo de modo perfeito, de uma vez por todas. A questão que teremos de enfrentar, por conseguinte, é esta: O que você tem feito do seu próprio "eu"? Como é que você o tem expressado? As conseqüências são eternas — vida ou morte, o céu ou o inferno.
Portanto, antes de começarmos a falar sobre a liberdade de auto-expressão, teremos de descobrir se possuímos ou não aquele verdadeiro "eu" que Deus desejou que todos os homens tivessem. Se nos faltar este verdadeiro "eu", não podemos expressá-lo e não seremos capazes de devolvê-lo a Deus, prestando contas acerca dele, no temível Dia do Juízo. A grande e urgente indagação, pois, com que cada homem se defronta, é a seguinte: Que sucedeu ao teu "eu"? tens domínio sobre a tua alma? o verdadeiro "eu" continua existente em ti? a visão e a faculdade divinas continuam presentes em ti? a tua alma continua viva? Mas, se alguém tiver vivido somente conforme os seus instintos, desejos e impulsos, o verdadeiro "eu" dessa pessoa desde há muito está morto, segundo ela poderá descobrir facil¬mente, se ao menos tentar viver a outra forma de vida e, acima de tudo, se procurar encontrar a Deus. O homem não pode reabilitar o seu verdadeiro "eu". Não pode encontrar a Deus. O homem pode perder a alma, mas não pode achá-la de volta. Pode matá-la e destruí-la, mas não pode criá-la de novo. E, se não fosse por uma única coisa, iria inevitavelmente para o fogo eterno do inferno.
Graças a Deus, entretanto, existe essa única coisa. "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido" (Lc 19.10). Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, desceu à terra, viveu, morreu e ressuscitou, a fim de salvar. Ele suportou o castigo que merecíamos, devido ao nosso pecado, por havermos estragado e maculado a imagem de Deus em nós. E mais, Ele restaura nossa alma para nós. Ele nos confere uma nova natureza e enche-nos com um poder que nos capacita expressar esse novo e verdadeiro "eu", tal como Ele mesmo o expressou. Essa nova forma de auto-expressão é manifesta pelo homem que é filho de Deus, agradável aos olhos do Pai celeste e herdeiro da vida eterna.
O mundo reduz o homem ao nível dos irracionais, ofende ao santo Juiz e conduz à morte eterna. A Bíblia, ao contrário, exorta-nos a desistir dos prazeres transi¬tórios do pecado e a encontrar em Jesus Cristo o nosso verdadeiro "eu". É com essa finalidade que pleiteia, junto a nós, que neguemos a nós mesmos, decepemos mão ou pé, arranquemos o olho, e façamos qualquer coisa que porventura seja necessária, a fim de que sejam servidos os melhores e mais elevados interesses desse verdadeiro "eu"; porquanto assevera que "melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno".
fonte: Martyn Lloyd-Jones: O mundo reduz o homem ao nível dos irracionais – Lloyd-Jones
03/08/2010
O CERNE DA LIDERANÇA
Será que existem mais coisas em liderança, além de visão, estratégia e gerenciamento? Nós pensamos que sim. Uns meses atrás, Todd Hunter, Dallas Willard e Brian McLaren, gastaram 3 dias em uma sala, cheia de líderes da Vineyard para discutirem sobre liderança num mundo emergente. O que a tarefa de liderar exige? E como podemos nos tornar o tipo de pessoas que realmente darão conta do recado?
O bom líder de verdade – por Todd Hunter
Estava no final do mês de dezembro de 1998, aqui no Sul da Califórnia, curtindo um dia límpido e claro (muito raro), mas com frio. Da janela de meu escritório tinha uma vista das montanhas San Bernadino carregadas de neve, o que só podemos ter aqui de 20 a 30 vezes ao ano. Lembro-me deste dia em particular, pois foi um dia que separei para estar com Deus, orar e pensar sobre minha estratégia e objetivos para 1999.
Com meu bloco de anotações à minha frente, esperei que Deus pudesse me revelar a lista de “dez coisas” que ele queria que completasse em 1999. Para minha surpresa, ele não começou com a número um. Ao invés, ele me deu um título para escrever no topo da página:
Torne-se uma boa pessoa.
Inicialmente isto pode parecer estranho para você. Será que o Lider Nacional da Associação de Igrejas Vineyard dos EUA não tem como aplicar seu tempo e energia em coisas mais importantes? Será que não existem grandes estratégias e políticas a serem planejadas? Claro que sim! Juntamente com uma lista enorme de coisas a serem feitas. E é por causa disto – e isso me pega – que é crucial que eu seja, na medida do possível, uma boa pessoa. Do ponto de vista do Reino, eficiência em liderança está diretamente ligada à bondade do líder. Em se tratando de liderança espiritual, a falta de bondade, a longo prazo, acaba com a eficiência.
Cinco anos de escritório à frente da AIV, me ensinaram que nunca precisei tanto ser como Jesus – ter sua sabedoria, integridade, prudência, bondade, amor, justiça, discernimento, entendimento e uma boa capacidade para poder captar a verdadeira natureza das coisas. Resumindo: preciso ser o tipo de pessoa que possa autenticamente funcionar com a profundidade da bondade que Jesus demonstrou literalmente que é possível ser vivida no Reino de Deus.
Quando estou fazendo avaliações e decisões referentes ao ministério de alguém ( e potencialmente impactando toda uma família e seu futuro), estou bem consciente da necessidade de ser uma boa pessoa. Quando vou definir uma política que vai influenciar a vida de mais de 1500 ministros ordenados, estou bem ciente que tenho de ser uma boa pessoa. Quando penso e vejo a lista de coisas que devemos fazer na Vineyard neste ano, não tenho nenhuma dúvida que verdadeiramente tenho que ser uma boa pessoa.
Espiritualidade autêntica
As claras, sucintas e poderosas palavras de Jesus capturam a dinâmica do que estou descrevendo. Falando no evangelho de Lucas sobre como alguém pode discernir o verdadeiro e autentico líder Cristão, ele disse: “a saúde da maçã, mostra a saúde da árvore. Vocês precisam começar a apresentar suas próprias vidas como dádivas. O que você é , é o que conta. Seu verdadeiro ser se sobrepõe às suas palavras e ações”. Em Mateus, Jesus diz: Não se impressionem com o carisma: procurem o caráter. O que os pregadores são, é que é o mais importante, não o que eles dizem. Mas as árvores doentes, com as maçãs estragadas, serão cortadas e lançadas ao fogo”. (Texto do “The Message”).
Talvez esteja inquieto e agitado demais, mas o fato é que tenho visto casamentos, ministérios e reputações demais sendo “cortados, lançados fora e queimados” nesses últimos cinco anos. Com toda certeza alguém poderia dizer que estou sendo exagerado. Talvez. Ainda assim, a sabedoria de Jesus veio milhares de anos antes de experimentar os problemas de ver amigos e colegas se autodestruindo por ignorar o DNA ruim existente em suas vidas, e por não apropriarem-se do novo DNA do Reino.
Recentemente, eu e um grupo de jovens líderes da Vineyard, passamos um tempo com Dallas Willard. Durante aquele tempo, continuamente conversamos sobre a necessidade de cultivar o tipo de vida interior que nos permita ser o tipo de líderes que Deus está interessado que sejamos. Escrevendo sobre como se tornar um povo com uma espiritualidade autêntica, Dallas diz: “Você tem que se tornar o tipo de pessoa de quem as boas obras fluem naturalmente. Uma árvore de maçã, produz maçã naturalmente, por causa de sua natureza. Esta é a coisa mais importante para se lembrar…ações não emergem do nada. Elas fielmente revelam o que está no coração… É desde o fundo de nossa alma que devemos procurar mudanças, e então, o comportamento será uma conseqüência natural.
Jesus colocou as coisas da seguinte maneira: “Pois que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca de sua alma?”
O “X” da questão
Praticamente falando, a pergunta é esta: o que você esta dando em troca com vistas a alcançar crescimento em sua vida interior? O que é mais importante para você do que se tornar uma boa pessoa?
Minha tese é que ministérios que são sadios e que crescem, o são, porque são liderados por pessoas que buscam saúde e crescimento em suas almas. Ponto final. Prestem atenção de novo às palavras de Jesus: “boa árvore…bons frutos; árvore ruim…fruto ruim; estejam em mim…o que você dará em troca de sua alma…”. Será que isto não parece boa informação para você? Você costuma atribuir inteligência as palavras de Jesus, ou será que você instintivamente se relaciona mais com elas, como sendo “espirituais”, bonitas mas, na verdade, de pouca aplicação prática? A pergunta, então, passa a ser se consistentemente depositamos confiança e dependencia na mensagem literal de Jesus, para que esta possa fundamentalmente formar a maneira como vivemos nossas vidas?
Se você “comprar” a minha tese acima, recomendo que você adquira o último livro do Dallas Willard “A CONSPIRAÇÃO DIVINA”. Este livro, colocando de uma maneira direta e simples, é o melhor livro sobre formação espiritual que já lí até hoje, logicamente depois da Bíblia. A amizade com Dallas, e seus escritos, fizeram com que eu fosse de novo uma “pessoa de Jesus”, e sou eternamente grato ao Dallas por me levar de novo à verdade que Jesus é a fonte de onde se beber quando alguém está sedento por inteligência, informações práticas sobre como viver e trabalhar para ser o tipo de pessoas que ansiamos, no mais profundo de nosso ser. Ao nos darmos à Jesus, encontramos nele o Mestre para toda nossa vida, e um Mestre para ser seguido alegremente como discípulos por toda nossa vida.
Estou convencido que nossa longevidade e permanência como líderes, está diretamente relacionada a cuidar e nutrir nossas almas desta maneira. Tom Watson, o antigo CEO da IBM, disse uma vez: “Nada é mais conclusivo em provar que um homem é capaz de liderar outros, do que aquilo que ele faz no dia-a-dia para liderar a sí mesmo”.
Tenho certeza que este é o caso. Minha oração constante tem sido: “Ó Senhor, me ajude a guiar a mim mesmo de tal maneira que seja teu servo para guiar outros”. Esta também, é minha oração para você.
TODD HUNTER
Na ocasião que este artigo foi escrito, Todd Hunter era presidente da Associação das Igrejas Vineyard nos Estados Unidos. Atualmente ele exerce seu minist´rio na Igreja Anglicana.
Artigo traduzido por Miguel Hadj, com autorização e permissão de Todd Hunter e do Consórcio Internacional de Igrejas Vineyard. Artigo publicado na revista da Vineyard “The Cutting Edge” Vol. 3 No. 1. Revisão Claudio Oliver.


