23/07/2010

OS S7TE PECADOS CAPITAIS: IRA

 

IRA - BLOG

Romanos 12.17-21:

17
A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.

18
Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.

19
Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.

20
Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.

21
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Nunca procurem vingar-se. A ira é esse sentimento que empurra a vingança. Um arrebatamento do juízo que nos leva a fazer justiça com as próprias mãos, a luz do nosso critério e, pelas nossas razões.

A ira é uma resposta indignada e violenta contra um ato, uma situação de injustiça. E portanto na direção do injusto.

E por que é um PECADO CAPITAL?

A principio a ira seria algo legitimo contra a injustiça.  A indignação é necessária. E João Crisóstomo disse que quem vê a injustiça e não se indigna contra ela comete pecado.

Alem disso, a Bíblia fala da ira de Deus. Romanos 1.18, por exemplo:

18
Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.

Não só em Romanos, mas Paulo, em vários de seus textos, fala sobre a ira de Deus:

Efésios 5.6:

6
Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

Colossenses 3.6:

6
Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

A ira de Deus é a resposta de Deus a injustiça. A ação de Deus contra o injusto. A injustiça não existe a menos que alguém esteja praticando o ato injusto; ela não existe sozinha. Existe o injusto.

Deus é um Deus irado que responde de maneira violenta contra a injustiça. Talvez, um dos maiores exemplos seja a ação de Jesus purificando o Templo. Ele entra no templo, vira as mesas dos comerciantes. Negociadores em nome de Deus e em nome da religião. Usa o chicote contra os ladrões. Aqueles que haviam profanado a casa do Pai.

Uma ação violenta, contundente. Jesus deixa explicita sua absoluta indignação contra o que vê. Talvez hoje ele visitasse a Conde de Sarzedas com um lança chamas nas costas![1]

Jesus age indignado e violentamente. Age com ira. Essa ação irada de Jesus é uma expressão visível desse coração de Deus o Pai que também se ira e manifesta sua ira contra toda a injustiça.

Então porque é pecado?

O espírito do evangelho, diz que essa ação indignada e contundente contra a injustiça só é justificada quando a injustiça não foi praticada contra mim. Quando a vitima é outra pessoa e não eu.Quando você é vitima da injustiça a ira não é a resposta que você como cristão deve dar. NUNCA. Ela nunca é legitima quando você age em defesa própria. Se o injustiçado é você a ira não cabe como motivação para resposta.

A bíblia diz que você deve virar a outra face. Você deve pagar o mal que lhe fizeram com  o bem. A ira é uma resposta quando o injustiçado não sou eu.

Tiago 1. 19, 20

19
Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.

20
Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.

A ninguém retribuam mal por mal. Para que não sejam vencidos pelo mal, mas vençam o mal pelo bem. Porque não devemos responder com ira quando os injustiçado somos nós?

Porque reagimos passionalmente. Arrebatados do senso de justiça. A ira é cega. Quando nós somos os injustiçados a nossa resposta não é lúcida.

A raiva que cresce, nos avisa que nossa vontade foi contrariada. Raiva é uma emoção e ninguém é culpado por isso. Ao contrario, isso é sinal de saúde. Quando alguém pratica uma injustiça conta mim e meu sangue ferve. É sinal que estou saudável. Sinal de que tenho um senso de justiça. Sinal que tenho a minha dignidade. Isso é bom.

Mas, a recomendação em Efésios 4: o sangue ferve e agente segura. Não despeja o sangue quente em cima dos outros. Segura. Esse ferver é saudável, não é saudável derramá-lo sobre o outro.

31
Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós,

32
Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

Porque quando ele ferve e enche a minha cabeça, uma inundação emocional toma conta e a gente costuma dizer que “perde a cabeça”. O bom senso, a lucidez, a noção da realidade. Esse arrebatamento irado que é pecaminoso.

A indignação é saudável. E devemos nos indignar diante do injusto. Só, que quando isso é praticando contra nós, nossa grande tendência é darmos uma resposta violentíssima, exagerada, e a ira é pecaminosa, porque é uma expressão de orgulho. Uma expressão de um ego que não admite ser contrariado.  

A ira é pecaminosa porque é uma recusa ao amor. 1 co 133: o amor não se ira facilmente. O ego de quem ama é pequeno. Quase que quem ama não tem ego! Tem identidade, mas não tem ego… egoísmo, egocentrismo. A ira é contra o amor. A ira é a vitória do ódio,

A ira é a recusa do perdão. Porque quando o sangue sobe fervente, antes de inundar-me, eu preciso despejar o amor e o perdão, o sangue desce e a minha ação não é irada, é amorosa. Não é ação de quem perdeu a cabeça, mas ação de quem tem pleno juízo e lucidez.

A ira nos transforma em juízes e carrascos e nos tira da condição de irmão. Quando sou inundado pelo sangue quente a realidade fica distorcida, perco a capacidade de julgar. Eu ouço não ouvindo, as palavras ficam distorcidas “não foi isso que eu disse…”, “foi sim!” – quem está inundado de sangue quente, não ouve direito. Porque enquanto o outro fala, esta pensando o que vai responder e na verdade não ouve. Lemos o fato de maneira distorcida.

Viro juiz e ajo violentamente, viro o carrasco que executa a sentença. Isso é pecado.

Quando somos afetados pela injustiça não devemos agir com essa indignação porque perdemos o juízo e nossa resposta não será uma resposta justa.

O QUE  IRA FAZ?

1. Que a gente cometa loucuras. Perder a cabeça mesmo. “ato praticado sobre violenta emoção” – juridicamente um atenuante. Teologicamente uma assinatura da bestialidade. Na bíblia sagrada uma condenação absoluta. “Você não podia se deixar levar por esse ímpeto de violência”. PV 19.11

11
¶ A prudência do homem faz reter a sua ira, e é glória sua o passar por cima da transgressão.

2. A ira multiplica a injustiça; quem responde irado exagera na dose. Por exemplo: A mulher cometeu adultério o homem vai e mata a mulher. Um adultério contra um assassinato: a ira multiplica a injustiça. E assim a injustiça se perpetua.

3. A ira constrói inimizade. Promove rompimento das relações. Inviabiliza relacionamento.

4. A ira despersonaliza o irado. Aos poucos ele vai se tornando uma pessoa amarga, tomada pelo ódio, ressentimento, amargura, desejo de vingança.

5. A ira incapacita construir relações de longo prazo. Não há relação sem capacidade perdão. Se toda vez que você chegar num momento que precisa perdoar e você não conseguir perdoar, tudo o que você vai colecionar ao longo da vida é inimizade e, relacionamento inviabilizados, porque todo relacionamento humano chega ao seu ponto de perdão. Todos eles.

O que é ponto de perdão? É o ponto quando alguém contrai para conosco uma dívida impagavel. Ai a pessoa só tem dois caminhos: perdão ou inviabilidade da relação. Porque a divida não vai ser paga. Ou a gente rompe ou agente perdoa.

FILHOS DA IRA

1. Brigas, contendas, Quebra pau. Pv 30.33;

33
Porque o mexer do leite produz manteiga, o espremer do nariz produz sangue; assim o forçar da ira produz contenda.

Tem gente especialista em apertar a ira! Resultado: PAU! Acaba com todos machucados.

2. A ira é destruidora. Destrói o outro. Mas saiba, quando você bate em alguém machuca também sua mão. Quem bate esquece, quem apanha não. “vai ter volta” sentimento de vingança sendo cozido.

3. A ira resulta também em assassinato ou a versão civilizada do assassinato: o desprezo: “você pra mim é nada. Você pra mim é ninguém”. Ou “o que vem de baixo não me atinge”.

Semana passada eu disse que não sabia o que era “RACA”. A Vânia disse que significava “tolo” e que no NT isso teria um peso muito grande.

Essa semana, fui buscar uma explicação. Achei algo, no livro do Os Guinness que ora mim, faz muito sentido. A palavra “RACA” é uma expressão do aramaico: que significa o som produzido na garganta, quando você está coletando a saliva pra cuspir.

É como se você estivesse coletando o seu irmão na garganta e cuspindo-o da sua vida.

Uma expressão do mais alto desprezo. “Cuspi você de mim, da minha vida. Você pra mim é nada, ou pior do que nada.

RESPOSTA CRISTÃ PARA A IRA

A mansidão e o espírito pacificador.

Os Guinness: propõe o sermão do monte: fala em perdão e amor aos inimigos, promoção da justiça pelo caminho da paz e da reposta não violenta.

Jesus esta sempre certo. Que nós no séc. XXI possamos ouvir e seguir estas palavras antes que seja tarde demais.

Nunca seremos filhos verdadeiros do Pai celestial até que amemos nossos inimigos e oremos pelos que nos perseguem. O mundo carece de gente nobre. O mundo carece de cristãos.

Espero ser contado entre os cristãos e ser capaz de não retribuir o mal com mal e não tomar nas minhas mãos a vingança pela injustiça feita a mim, para me tornar filho do meu pai celestial, capaz de exercitar  a mansidão, e ser um pacificador antes que seja tarde demais,

Amem. 


[1] Rua de São Paulo dedicada ao comercio evangélico. Uma 25 de março gospel.

FONTE:  | vineyard café || blog

22/07/2010

Sabedoria Bíblica: Imperfeições

 

Capítulo 10: Imperfeições

O que se gaba de ser perfeito, só é perfeito na tolice. Eu estou há um bom tempo pelo mundo, e nunca vi um cavalo perfeito nem um homem perfeito e nunca verei até que dois domingos venham juntos. Você não pode obter farinha de trigo de um saco de carvão nem, perfeição da natureza humana; o que procura isso faria melhor procurando açúcar no mar. O antigo ditado diz: "Onde não há vida, não há imperfeição". Sobre homens mortos não deveríamos dizer nada a não ser o bem; mas todos os vivos têm mais ou menos os mesmos defeitos, e podemos ver isso com apenas um olho. Toda cabeça tem um pouco de miolo mole, e todo coração tem uma partezinha negra. Toda rosa tem seus espinhos, e cada dia, sua noite.

Até mesmo o sol tem manchas, e as nuvens escurecem os céus. Ninguém é tão sábio nem tolo o bastante para guardar um lugar especial na Feira da Vaidade. Posso não ver o boné de bobo, contudo escuto o retinir dos sininhos. Como não há luz solar sem algumas nuvens, assim também todos os seres humanos têm uma boa mistura de maldade, uns mais, outros menos. Mesmo os pobres protetores da lei têm seus pequenos deslizes, e os cristãos das igrejas não têm natureza totalmente celestial. O melhor vinho tem resíduos. Todas as imperfeições humanas não estão escritas na testa, e é tão certo que elas não estão ou os chapéus precisariam ter abas muito largas. Contudo, tão certo como ovos são ovos, as imperfeições de algum modo se aninham em cada peito. Não há o que dizer quando os pecados de um homem ficam aparentes, pois as lebres saem do fosso justamente quando você não procura por elas. Um cavalo com as pernas fracas pode não tropeçar por um ou dois quilômetros, mas ele tem a fraqueza e é melhor o cavaleiro segurá-lo bem. A gata listrada não está bebendo leite agora, mas deixe a porta da leiteria aberta e veremos se ela não é tão ladra quanto os gatinhos. Há calor no minério aparentemente frio, espere até o que o aço dê uma pancada nele, e você verá. Todos conhecem os fatos, mas nem todos lembram de manter a pólvora longe da vela.

Se lembrássemos sempre que vivemos entre homens imperfeitos, não sentiríamos essa perturbação quando descobrimos as falhas de nossos amigos. O que está podre despedaça-se, e os potes rachados vazam. Abençoado é aquele não espera nada da carne e do sangue, pois não se desaponta. O melhor dos homens são homens em seu melhor, no entanto, até mesmo a melhor cera derrete.

O bom cavalo é o que nunca tropeça

A boa esposa é a que nunca resmunga.

Sem dúvida, encontramos tais cavalos e esposas apenas no paraíso dos loucos em que crescem bolinhos em árvores. Neste mundo pernicioso, a tora mais reta tem nós, e o campo de trigo mais limpo tem sua cota de ervas daninhas. O motorista mais cuidadoso, um dia, bate o carro; o cozinheiro mais talentoso derrama um pouco de caldo; e para minha tristeza sei que um lavrador muito decente, às vezes, quebra o arado e faz um sulco torto.. É tolice se afastar de um amigo leviano por causa de um ou dois deslizes, pois você pode livrar-se de um cavalo caolho e comprar um cego. Como somos todos cheios de defeitos deveríamos observar dois fatos: aprender a suportar e ser tolerantes uns com os outros. Como todos temos telhado de vidro, nenhum de nós deve atirar pedras no telhado do vizinho. Todo mundo ri quando a panela diz para a chaleira: "Como você está preta!". As imperfeições dos outros nos mostram as nossas imperfeições, porque uma ovelha é muito parecida com a outra; e se há um cisco no olho do meu vizinho, sem dúvida há uma viga no meu. Temos de usar nossos vizinhos como espelhos para ver nossas próprias faltas neles, e corrigir em nós mesmos o que vemos neles.

Não tenho paciência com os que ficam enfiando o nariz na casa de todo mundo para descobrir imperfeições; que usam óculos excelentes para ver as falhas de seus vizinhos. Seria melhor se essas pessoas olhassem seus lares e vissem o demônio onde menos esperavam. Nós vemos o que queremos ou o que achamos que é. As imperfeições são sempre abundantes, onde há pouco amor. Uma vaca branca será toda negra se seus olhos quiserem que ela seja. Se aspiramos por muito tempo um perfume achamos que o aroma não é bom. Seria bem mais agradável, pelo menos para as outras pessoas, se os descobridores de imperfeições dirigissem seus cães para descobrir pontos positivos nos outros; valeria mais a pena e ninguém ficaria de pé com um forcado para mantê-los fora de sua fazenda. Quanto a nossas imperfeições precisaríamos de uma grande lousa para enumerá-las; mas, graças a Deus, sabemos onde levá-las e como tirar delas o melhor. Se cremos em seu Filho, Deus nos ama com todos nossos erros. Por isso, não desanimemos, mas tenhamos esperança de viver, e aprender, e prestar algum bom serviço antes de morrer. Ainda que o carro quebre, ele chega em casa com sua carga, e o cavalo velho, de joelhos quebrados, ainda faz uma parte do trabalho. Não adianta deitar no chão sem fazer nada porque não conseguimos fazer tudo como gostaríamos. Imperfeita ou não, a lavra precisa ser feita; pessoas imperfeitas devem fazê-la também ou não haverá colheita no próximo ano. João pode ser um mau lavrador, mas os anjos não farão seu trabalho para ele, assim, ele tem de começar a fazê-lo ele mesmo. Vamos, Violeta! Arre, pára! Garboso.





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NOTA

Reproduzido pelo Projeto Spurgeon com permissão da Shedd Publicações

Sabedoria Bíblica; Conselhos simples para pessoas simples, de C.H. Spurgeon Copyright © Shedd Publicações 1a Edição - Dezembro de 2006 Tradução: Neusa Faraco Skliutas (Todos os direitos reservados por Shedd Publicações, São Paulo, Brasil)

PROIBIDO a REPRODUÇÃO DESSA POSTAGEM E DE SEU CONTEÚDO SEM CITAR ESSA LICENÇA E OS LINKS DA SHEDD PUBLICAÇÕES E DO PROJETO SPURGEON, NA ÍNTEGRA , AO FINAL DA REPRODUÇÃO

FONTE:   Sabedoria Bíblica: Imperfeições | Projeto Spurgeon

21/07/2010

INDO PARA CASA

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Ir para casa é a viagem de toda uma vida. Sempre há partes de nós mesmos que se desviam em dissipação ou ficam presas em ressentimento. Antes de nos dar conta, estamos perdidos em fantasias luxuriosas ou pensamentos de ódio.

Nossos sonhos e devaneios freqüentemente nos fazem lembrar de que estamosperdidos.

As disciplinas espirituais como orar, jejuar e vigiar são meios de nos ajudar a voltar para casa. À medida que caminhamos, muitas vezes percebemos como o caminho é longo. Mas não desanimemos. Jesus está ao nosso lado e fala conosco no caminho. Quando escutamos com cuidado, descobriremos que já estamos em casa embora ainda no caminho.

O que vamos fazer quando chegarmos em casa? O que acontece quando os dois filhos da parábola do filho pródigo voltam ao pai? A resposta é simples: eles têm de se tornar pais.

Os filhos têm de se tornar pais; as filhas têm de se tornar mães. Ser filhos de Deus implica amadurecer e tornar-se igual a Deus. Jesus não hesita em dizer: “Sereis perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste, sede generosos como o vosso Pai é generoso” (Mateus 5.48). Como? Recebendo bem nossos irmãos e irmãs, como nosso Pai nos recebe em casa.

HENRI NOUWEN

FONTE: | vineyard café || blog

20/07/2010

Homo Incurvatus in Si - James I. Packer

 

O PECADO É UM TEMA vital e precisamos tomar conhecimento dele. Dizer que a nossa necessidade primária na vida é conhecimento sobre o pecado, pode soar estranho, mas no sentido tencionado, expressa uma profunda verdade. É necessário fixar em nossas mentes, três idéias “claras sobre o pecado”.

Isso porém não é tarefa fácil, pelo menos por três razões.
EM PRIMEIRO LUGAR, a doutrina bíblica do pecado não lisonjeia; e, naturalmente, mostramos aversão a qualquer opinião a nosso respeito que nos seja desfavorável. O nosso instinto de auto-desculpa é muito forte, sendo ele mesmo produto do pecado (Gn 3.12,13). Deriva-se daí a tentação de suavizarmos a doutrina no pecado. Homens bons têm cedido a essa tentação, desde o início da igreja. É mister graça e iluminação espiritual para crermos que nossos pecados são um problema sério aos olhos de Deus, conforme a Bíblia nos diz. Precisamos orar para que Deus nos torne humildes e dispostos a aprender, quando estudamos esse tema.
EM SEGUNDO LUGAR, a doutrina bíblica do pecado emerge do conhecimento bíblico acerca da santidade de Deus, conhecimento esse que anda muito escasso em nossos dias. O pecado só pode ser devidamente compreendido pelo lado de dentro, conforme o achamos e nós mesmos.

Tal como Isaías no templo, só começamos a perceber o pecado em nós quando no defrontamos conscientemente com o Deus Santo (Is 6.3-5). No cristianismo moderno, embora os conceitos da boa vontade e da compaixão de Deus muito signifiquem, pouco significam os conceitos acerca da sua santidade e da sua impureza. O fermento do cristão liberal na nossa herança, somando ao indiferentismo moral de nossa cultura, mas a nossa insensível apatia e desinteresse para com as coisas espirituais combinaram-se para suprimir o senso de santidade de Deus. Os escritores realmente autorizados a falar sobre o pecado - o próprio Isaías, Amós, Oséias, Jeremias, Ezequiel, Paulo, João, Agostinho, Lutero, João Calvino, John Owen, Thomas Goodwin, Jonathan Edwards... comunicaram um senso tão poderoso da santa presença de Deus que quase chega a ser tangível. Visto que a sentiam tanto, puderam compartilha-la conosco. Mas, a maioria de nós hoje não tem o conhecimento eu eles tinham do pecado, pois que também não temos a consciência que eles tinham da presença de Deus.

EM TERCEIRO LUGAR, a doutrina bíblica do pecado tem sido secularizada nos tempos modernos. As pessoas continuam a falar sobre o , mas não mais meditam sobre ele de maneira teológica. O termo “pecado” tem deixado de transmitir a idéia de uma ofensa contra Deus e agora indica apenas uma quebra dos padrões aceitáveis de decência, particularmente nas questões sexuais. Porém, quando a Bíblia fala sobre o pecado, refere-se a ele precisamente como uma ofensa contra Deus. Embora o pecado seja cometido pelo homem, e com freqüência contra a sociedade, ele não pode se definido em termos do homem ou da sociedade. Jamais compreenderemos o que o pecado realmente é, enquanto não aprendemos a pensar nele em termos de nosso relacionamento com Deus.

NATUREZA DO PECADO

Os termos que nossa Bíblia traduz por “pecado”, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, significam ou errar o alvo, ou falhar em alcançar um padrão, ou falhar em obedecer uma autoridade. Seja o padrão inalcançado, o alvo não atingido, a vereda abandonada, a lei transgredida ou a autoridade desafiada, em cada caso é o homem contra Deus. O pecado é medido à luz de Deus e sua vontade. O pecado é desviar-se do caminho que Deus determinou (Ex 32.8), pra um caminho proibido, um caminho de própria escolha (Is 53.6). o pecado consiste em andar contrariamente a Deus, retroceder para longe de Deus, voltar as costas para Deus, desafiar e ignorar Deus.

Em termos positivos, qual é a essência do pecado? BRINCAR DE DEUS. E, como um meio para tanto, recusar-se a permitir que o Criador seja Deus, até onde estiver envolvido aquele que assim agir. A atitude que é a essência do pecado consiste em viver, não para Deus, mas para si mesmo; amar, servir, e agradar a si mesmo, sem importar-se com o Criador. Consiste em tentar ser tão independente de Deus quanto possível, colocando-se fora do alcance de sua mão, mantendo-O afastado, conservando as rédeas da vida em suas próprias mãos, agindo como a própria pessoa e os seus prazeres fossem a finalidade para a qual as demais coisas, incluindo Deus, existissem. O pecado é a exaltação de si mesmo contra o Criador, evitando prestar a homenagem que Lhe é devida e pondo-se no lugar dEle como padrão final de referência, em todas as decisões da vida. Agostinho analisou o pecado como orgulho (superbia"), aquela louca paixão de ser superior até mesmo a Deus, como um estado de espírito afastado de Deus para uma atitude de auto-absorção ( Homo incurvatus in se). Assim, o pecado é a imagem do diabo, pois o orgulho outro-exaltado foi o sei pecado antes que se tornasse o nosso (1Tm 3.6).

Todos esses elementos estavam embrionariamente contidos no primeiro pecado humano, que consistiu em entregar-se à tentação de ser "como Deus" (Gn 3.5). Paulo nos mostra que o pecado começou quando os homens, "tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças" (Rm 1.21). Ele mesmo nos oferece a mais precisa análise do espírito do pecado contida na Bíblia, ao dizer que "o pendor da carne (a mente e o coração do pecador não-regenerado) é inimizade contra Deus" (Rm 8.7) - descontentamento para com o seu governo, ressentimento contra suas reivindicações e hostilidade para com sua Palavra; tudo expresso por meio da determinação fixa e inalterável de seguir a sua própria independência, em desafio ao Criador. O substantivo abstrato "inimizade" intensifica a idéia, como se Paulo houvesse dito "essência da inimizade", ou então "inimizade pura".

Dessa atitude de autodeificação brotam atos de autodeterminação contra Deus e nossos semelhantes: atos de irreligiosidade, no primeiro caso; atos de desumanidade, no segundo caso. Um ser que desprezou o primeiro grande mandamento - amarás a Deus com todas as tuas forças - dificilmente poderia mostrar muito respeito para com o segundo - amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Disso deriva-se o espírito do pecado, que destroça as relações entre o homem e o seu Criador e também destrói a sociedade humana. Paulo nos apresenta três formas características em que essa ação destruidora se manifesta (Rm 1.26-31; Gl 5.19-21 e 2Tm 3.2-4).

fonte: omo Incurvatus in Si - James I. Packer