20/07/2010

Homo Incurvatus in Si - James I. Packer

 

O PECADO É UM TEMA vital e precisamos tomar conhecimento dele. Dizer que a nossa necessidade primária na vida é conhecimento sobre o pecado, pode soar estranho, mas no sentido tencionado, expressa uma profunda verdade. É necessário fixar em nossas mentes, três idéias “claras sobre o pecado”.

Isso porém não é tarefa fácil, pelo menos por três razões.
EM PRIMEIRO LUGAR, a doutrina bíblica do pecado não lisonjeia; e, naturalmente, mostramos aversão a qualquer opinião a nosso respeito que nos seja desfavorável. O nosso instinto de auto-desculpa é muito forte, sendo ele mesmo produto do pecado (Gn 3.12,13). Deriva-se daí a tentação de suavizarmos a doutrina no pecado. Homens bons têm cedido a essa tentação, desde o início da igreja. É mister graça e iluminação espiritual para crermos que nossos pecados são um problema sério aos olhos de Deus, conforme a Bíblia nos diz. Precisamos orar para que Deus nos torne humildes e dispostos a aprender, quando estudamos esse tema.
EM SEGUNDO LUGAR, a doutrina bíblica do pecado emerge do conhecimento bíblico acerca da santidade de Deus, conhecimento esse que anda muito escasso em nossos dias. O pecado só pode ser devidamente compreendido pelo lado de dentro, conforme o achamos e nós mesmos.

Tal como Isaías no templo, só começamos a perceber o pecado em nós quando no defrontamos conscientemente com o Deus Santo (Is 6.3-5). No cristianismo moderno, embora os conceitos da boa vontade e da compaixão de Deus muito signifiquem, pouco significam os conceitos acerca da sua santidade e da sua impureza. O fermento do cristão liberal na nossa herança, somando ao indiferentismo moral de nossa cultura, mas a nossa insensível apatia e desinteresse para com as coisas espirituais combinaram-se para suprimir o senso de santidade de Deus. Os escritores realmente autorizados a falar sobre o pecado - o próprio Isaías, Amós, Oséias, Jeremias, Ezequiel, Paulo, João, Agostinho, Lutero, João Calvino, John Owen, Thomas Goodwin, Jonathan Edwards... comunicaram um senso tão poderoso da santa presença de Deus que quase chega a ser tangível. Visto que a sentiam tanto, puderam compartilha-la conosco. Mas, a maioria de nós hoje não tem o conhecimento eu eles tinham do pecado, pois que também não temos a consciência que eles tinham da presença de Deus.

EM TERCEIRO LUGAR, a doutrina bíblica do pecado tem sido secularizada nos tempos modernos. As pessoas continuam a falar sobre o , mas não mais meditam sobre ele de maneira teológica. O termo “pecado” tem deixado de transmitir a idéia de uma ofensa contra Deus e agora indica apenas uma quebra dos padrões aceitáveis de decência, particularmente nas questões sexuais. Porém, quando a Bíblia fala sobre o pecado, refere-se a ele precisamente como uma ofensa contra Deus. Embora o pecado seja cometido pelo homem, e com freqüência contra a sociedade, ele não pode se definido em termos do homem ou da sociedade. Jamais compreenderemos o que o pecado realmente é, enquanto não aprendemos a pensar nele em termos de nosso relacionamento com Deus.

NATUREZA DO PECADO

Os termos que nossa Bíblia traduz por “pecado”, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, significam ou errar o alvo, ou falhar em alcançar um padrão, ou falhar em obedecer uma autoridade. Seja o padrão inalcançado, o alvo não atingido, a vereda abandonada, a lei transgredida ou a autoridade desafiada, em cada caso é o homem contra Deus. O pecado é medido à luz de Deus e sua vontade. O pecado é desviar-se do caminho que Deus determinou (Ex 32.8), pra um caminho proibido, um caminho de própria escolha (Is 53.6). o pecado consiste em andar contrariamente a Deus, retroceder para longe de Deus, voltar as costas para Deus, desafiar e ignorar Deus.

Em termos positivos, qual é a essência do pecado? BRINCAR DE DEUS. E, como um meio para tanto, recusar-se a permitir que o Criador seja Deus, até onde estiver envolvido aquele que assim agir. A atitude que é a essência do pecado consiste em viver, não para Deus, mas para si mesmo; amar, servir, e agradar a si mesmo, sem importar-se com o Criador. Consiste em tentar ser tão independente de Deus quanto possível, colocando-se fora do alcance de sua mão, mantendo-O afastado, conservando as rédeas da vida em suas próprias mãos, agindo como a própria pessoa e os seus prazeres fossem a finalidade para a qual as demais coisas, incluindo Deus, existissem. O pecado é a exaltação de si mesmo contra o Criador, evitando prestar a homenagem que Lhe é devida e pondo-se no lugar dEle como padrão final de referência, em todas as decisões da vida. Agostinho analisou o pecado como orgulho (superbia"), aquela louca paixão de ser superior até mesmo a Deus, como um estado de espírito afastado de Deus para uma atitude de auto-absorção ( Homo incurvatus in se). Assim, o pecado é a imagem do diabo, pois o orgulho outro-exaltado foi o sei pecado antes que se tornasse o nosso (1Tm 3.6).

Todos esses elementos estavam embrionariamente contidos no primeiro pecado humano, que consistiu em entregar-se à tentação de ser "como Deus" (Gn 3.5). Paulo nos mostra que o pecado começou quando os homens, "tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças" (Rm 1.21). Ele mesmo nos oferece a mais precisa análise do espírito do pecado contida na Bíblia, ao dizer que "o pendor da carne (a mente e o coração do pecador não-regenerado) é inimizade contra Deus" (Rm 8.7) - descontentamento para com o seu governo, ressentimento contra suas reivindicações e hostilidade para com sua Palavra; tudo expresso por meio da determinação fixa e inalterável de seguir a sua própria independência, em desafio ao Criador. O substantivo abstrato "inimizade" intensifica a idéia, como se Paulo houvesse dito "essência da inimizade", ou então "inimizade pura".

Dessa atitude de autodeificação brotam atos de autodeterminação contra Deus e nossos semelhantes: atos de irreligiosidade, no primeiro caso; atos de desumanidade, no segundo caso. Um ser que desprezou o primeiro grande mandamento - amarás a Deus com todas as tuas forças - dificilmente poderia mostrar muito respeito para com o segundo - amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Disso deriva-se o espírito do pecado, que destroça as relações entre o homem e o seu Criador e também destrói a sociedade humana. Paulo nos apresenta três formas características em que essa ação destruidora se manifesta (Rm 1.26-31; Gl 5.19-21 e 2Tm 3.2-4).

fonte: omo Incurvatus in Si - James I. Packer

19/07/2010

Seu Diabo é Grande Demais - E. Lutzer

 

Essa é uma realidade na "igreja" dos nossos dias. O diabo é muito grande, se ficamos fascinados por ele; o diabo é muito grande, se achamos que temos de cumprir um compromisso com ele; o diabo é muito grande se somos vítimas de uma maldição, colocada sobre nós. O diabo é grande demais se vivemos com medo de que nosso futuro esteja em suas mãos...

O pecado aciona a lei das conseqüências não planejadas. Isso é verdade para nós, como para todas as criaturas de Deus.

Por que Satanás estava fadado ao fracasso? Ele era limitado para alcançar o que desejava.

O que Lúcifer esperava alcançar quando se rebelou contra Deus? Ele queria ser semelhante ao Altíssimo. Mas isso seria possível realmente?
Quando teólogos falam sobre Deus, usam três palavras que começam com o prefixo “oni” – que significa simplesmente “todo”. Deus é Onipresente, pois está presente em todos os lugares; Ele é Onipotente, pois é o Todo-poderoso; Ele é Onisciente, pois tem todo o conhecimento. Esses atributos são a própria essência da natureza de Deus.

Quantos desses atributos Lúcifer receberia, se conseguisse ser “semelhante a Deus”? A resposta é fácil e clara: Nenhum.

Ele jamais seria onisciente, ou seja, nunca poderia saber tudo. Ele sabia que um homem planejava assassinar o presidente dos Estados Unidos, quando chegasse a Dallas, Texas, no dia 22 de novembro de 1963. Ele não sabia, contudo, se isso realmente aconteceria. O assassino podia mudar de idéia, a arma podia falhar, ou talvez o motorista do carro, no último instante, resolvesse fazer um itinerário diferente. Deus sabe exatamente o que acontecerá, mas Satanás é capaz apenas de fazer uma previsão acurada. Embora conheça os planos, ele não sabe qual será o resultado final. Ele pode influenciar nas decisões humanas, mas nunca dirigi-las. ( O homem é escravo do pecado em seu próprio coração ) – Suas previsões mais insignificantes sempre envolvem o grande risco de jamais se concretizarem.

Isso explica por que, no Antigo Testamento, o reconhecimento de um falso profeta era feito às vezes pelo erro de suas previsões. Apesar de acertar algumas vezes, somente Deus pode prever o futuro de forma infalível. Portanto, um verdadeiro profeta de Deus sempre acerta 100% das vezes.

E quanto à onipresença? Lúcifer seria capaz de encher todo o universo com sua presença? Poderia estar em todos os lugares simultaneamente? Não, ele jamais conseguiria. Pode viajar rápido, mas quando se encontra na Índia, não consegue estar em Brasília. Quando trava uma batalha no Rio de Janeiro, não pode estar numa reunião de oração na Coréia. Portanto, nunca será onipresente.

É verdade que multidões de demônios estão espalhadas pelo mundo, realizando as obras do diabo, mas cada um desses anjos caídos também não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

E quanto a onipotência? Lúcifer nunca seria todo-poderoso. Ele não tem poder para criar nem uma molécula, muitos menos estrelas... Nem pode sustentar o Universo pela “palavra do seu poder”. Quando procura imitar a habilidade criadora de Deus, ele sempre apela para as fraudes e falsificações. Não, ele jamais será onipotente.

Em que sentido então ele poderia ser “semelhante ao Altíssimo”? Apenas nisso: ele achou que se tornaria INDEPENDENTE. Ele sabia que suas realizações sempre seriam apenas uma sombra daquilo que Deus pode fazer. A alegria, contudo, de saber que agiria sem a aprovação de Deus, fazia o risco valer a pena. Então poderia dar ordens e não mais recebê-las. Pelo menos esse era o seu plano.

A IRONIA é que na independência alardeada por Satanás, na realidade, tornar-se-ia outra forma de dependência à vontade e aos propósitos de Deus. Realmente, ele não dependeria da orientação do Todo-Poderoso nas decisões que tomasse, mas cada um dos seus atos de rebelião estaria debaixo do controle cuidadoso e da direção de Deus.

Ele, com certeza, podia desafiar o Criador, mas todas as suas atividades sempre seriam restritas àquilo que Deus permitisse. Sua independência só a muito custo poderia ser digna desse nome. Ele se rebelou para não ser mais um servo de Deus e, apesar disso, jamais conseguiu ou conseguirá sua independência.

Se Milton pensou estar certo ao dizer que Lúcifer preferiu ser rei no inferno do que servo no céu, ele (Lúcifer) estava completamente enganado. Lúcifer descobriu, para seu desgosto, que no final continuaria eternamente SERVO DE DEUS. E, como a Bíblia ensina claramente, NÃO EXISTEM REIS NO INFERNO!!!!

Aquele que odiava a idéia de servir, tornar-se-ia um outro tipo de servo. Ao invés do serviço voluntário, abraçaria uma servidão relutante, um serviço com uma motivação diferente em direção a um final diferente; mas, de qualquer maneira, SEMPRE UM SERVO. Finalmente como fazia quando ambos estavam em harmonia.

Satanás estava condenado a uma existência vazia, interminável, sem descanso, e miserável. Ele sempre seria impelido a desprezar a Deus e tentar agir contra Ele. Ainda assim, no final, seria compelido a promover os propósitos divinos. Ao invés da alegria na presença de Deus, teria eterna humilhação; no lugar do amor de Deus, receberia a ira e o juízo eternos.

O orgulho fez com que Lúcifer perdesse todos os seus privilégios. Ele assumiu um grande risco, ao achar que, se não pudesse destronar a Deus, pelo menos conseguiria estabelecer seu próprio trono, em algum lugar do Universo.

Ele subestimou a Deus e superestimou a si mesmo

ELE ERA LIMITADO NAQUILO QUE PODIA PREVER

Lúcifer sabia que surgiriam algumas conseqüências devido à sua decisão, mas não tinha idéia de como seriam. Lembre-se, até esse momento não havia nenhum tipo de rebelião no Universo. Ele não podia aprender com os erros dos outros; e uma vez que cruzou a linha, era muito tarde pra recuar de seu grande propósito. Mais importante, ele não podia prever o advento de Cristo para redimir o homem, nem podia contemplar sua própria condenação eterna no lago de fogo.

Ele não sabia que apenas um terço dos anjos escolheria se unir a sua causa rebelde (Ap 12.4 diz que a cauda do dragão “levou após si a terça parte das estrelas do céu” ). Se ele pensou que todos os que estavam sob sua autoridade ficariam ao seu lado em sua oferta de independência, teve de engolir essa decepção.

Pense nisso. Para cada anjo que o respeitava, dois continuaram fiéis a Deus! Talvez Satanás tenha ficado surpreso por ver como o Céu funcionava bem sem sua supervisão e autoridade. Não importa quão confiantemente ele exercia seu pode adquirido, pois seu sucesso era apenas parcial.

Durante um determinado tempo, ele só pôde remoer o seu erro. Só lhe restava aguardar que Deus desse o próximo passo.

ELE ERA LIMITADO NO CONTROLE DOS DANOS

Apesar de não termos dito explicitamente, existe pouca dúvida em minha mente de que Lúcifer lamentou profundamente sua decisão, no momento em que a mesma foi tomada. Ele havia atravessado um portal desconhecido, na esperança de que o abriria para um brilhante futuro, contudo, não sabia que havia um abismo do outro lado.

Então, tendo experimentado o pecado em primeira mão, ele sabia que perdera a maior aposta de sua carreira. Ele fez a “roda da fortuna” girar e não percebeu que Deus tinha o controle de cada uma das suas rotações. Em qualquer lugar que ela parasse, ele sempre seria o PERDEDOR – um perdedor por TODA ETERNIDADE.

Rapidamente, ele aprendeu que não é gratificante estabelecer um reino rival, só para descobrir que fatalmente falhar. Por mais agradável que seja a independência, não ajuda muito se você é independentemente DERROTADO, independentemente ATORMENTADO e independentemente ENVERGONHADO.

Se ele soubesse disso!! Ele pegou o trem errado, mas, depois de corrompido, seguiria adiante até o final. O arrependimento era impossível por várias razões:

PRIMEIRO, Satanás era e continua incapaz de se arrepender; O ARREPENDIMENTO É UM DOM DE DEUS, dado às pessoas em cujos corações o Todo-Poderoso já opera.

Para Satanás, arrepender-se significaria que existe algo de bom nele; mas nenhuma virtude pode ser encontrada no mesmo. Então, ele se tornou totalmente mau, irremediavelmente perverso. E Deus resolveu abandoná-lo, para o seu fim bem merecido.

Como já aprendemos, um Lúcifer perfeito deixou o mal brotar dentro de si, mas desde que a corrupção estava completa, o bem nunca mais existiria dentro dele. Quando era uma criatura perfeita, era capaz de cometer o mal, mas, uma vez que foi contaminado, ele jamais seria capaz de fazer o bem. A corrupção seria completa, irreversível e total. O pecado então se tornaria uma necessidade moral.

SEGUNDO e mais importante: mesmo que Lúcifer se arrependesse, ele não seria redimido, pois nenhum sacrifício foi feito pelos seus pecados. Cristo carregou apenas os pecados dos homens (eleitos ) e não os dos anjos. “Pois na verdade ele não socorre a anjos, mas sim à descendência de Abraão. Pelo que convinha que em tudo fosse semelhantemente aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo” (Hb 2.16,17).

Sem uma propiciação disponível, o comportamento rebelde de Lúcifer tornou-se então irrevogável e permanente. Daquele momento em diante, sua passagem pelo Universo seria em uma linha reta, direto para uma eternidade de vergonha e humilhação. Para ele, não haveria uma segunda chance.

Lúcifer aprendeu uma importante lição: uma criatura pode estabelecer uma confusão, mais jamais pode endireitar as coisas” A lei das conseqüências não planejadas seria sempre aplicada por toda a eternidade. Somente Deus pode, se assim desejar, conter ou reverter as conseqüências da desobediência.

ELE ERA LIMITADA NO CONHECIMENTO DE DEUS

Os atributos primários de Deus é sua santidade. Lúcifer, que desejou ser semelhante a Deus, na verdade permaneceria tão longe desse atributo, quanto seria possível estar.

Não sabemos o quanto Deus se revelava às criaturas angelicais, mas Lúcifer, acredito, devia conhecer suficientemente a Deus pra saber que Ele jamais dividiria sua glória com alguém. Quanto mais algo Lúcifer aspirasse subir, maior seria seu fracasso.

Será que ele julgou mal a Deus, ao achar que o amor do Todo-Poderoso suplantaria qualquer possibilidade de julgamento severo? Não sabemos, é claro, mas tenha em mente que Lúcifer conhecia apenas o perfeito amor de Deus. O conceito de justiça simplesmente não existia. Desde que não existia desobediência no Universo, não havia necessidade da demonstração da ira divina. Lúcifer não previu até onde Deus poderia ir pra preservar sua honra.

Lúcifer achava que conhecia a Deus, mas ainda tinha muito o que aprender. Se ele simplesmente tivesse confiado no que não conseguia entender e crido no que não podia saber por si mesmo, seu futuro teria sido diferente.

Agora que ele sabia mais sobre Deus, ERA TARDE DEMAIS.

ELE ERA LIMITADO PARA ENTENDER A DIFERENÇA ENTRE O TEMPO E A ETERNIDADE.

Lúcifer deveria saber que nenhuma exaltação momentânea pode compensar uma eternidade de HUMILHAÇÃO; ser adorado por um momento não pode compensar uma eternidade de desprezo; nenhum momento de excitação pode compensar uma eternidade de tormento. Uma hora no inferno fará com que a excitação de se opor a Deus se desvaneça no eterno esquecimento.

Eis aqui uma lição para nós. Nenhuma decisão pode ser considerada boa, se a eternidade prova que ela é ruim. Explicando melhor, nenhuma decisão nessa vida pode ser boa a não ser que se torne excelente na eternidade. Somente um ser que conhece o futuro e o passado pode prescrever o que é melhor para nós. Nós julgamos baseados no tempo, mas somente Deus pode revelar os julgamentos baseados na eternidade.

Daquele momento em diante, Lúcifer venceria apenas pequenas batalhas, mas seria forçado a perder a guerra. Se ele apenas tivesse levado Deus mais a sério, não teria subestimado a capacidade infalível do Todo-Poderoso de puni-lo. Se a grandiosidade do pecado é determinada de acordo com a grandiosidade do ser contra quem é cometido, Lúcifer então cometeu um ERRO GIGANTESCO.

E. Lutzer

fonte: Seu Diabo é Grande Demais - E. Lutzer

18/07/2010

SONHOS NÃO-REALIZADOS – um sermão de Martin Luther King

 Martin Luther King.

"UNFULFILLED DREANS"

Tradução (1) de João Cruzué
"Eu quero pregar nesta manhã sobre o tema: Sonhos não cumpridos. Sonhos não cumpridos. E vou usar como texto básico o capítulo 08 do primeiro livro de Reis. Às vezes ele fica esquecido. Não é uma das passagens mais familiares do Velho Testamento, mas eu não me esquecerei de quando o descobri primeira vez. Ele impactou-me como uma passagem de uma significância cósmica, porque diz muito, em tão poucas palavras, sobre as coisas que nós experimentamos nesta vida.
Davi, como você sabe, era um grande Rei. E uma das coisas que era primordial na mente e no coração de Davi era a construção do grande templo. Construir o templo era considerado o projeto da maior importância a ser enfrentado pelo povo judeu e esperava-se que o rei o levasse a cabo. Davi tinha desejo, e tentou começar.
E então, nós chegamos até aquela passagem de Primeiro Reis onde se lê: "E estava no coração de Davi, meu pai, construir uma casa para o nome do Senhor Deus de Israel. E o Senhor disse a Davi, meu pai: Porquanto propuseste no teu coração o edificar casa em meu nome, bem fizeste em propor isto em teu coração".
É sobre isso que eu quero pregar nesta manhã: "Bem fizeste em propor isto em teu coração" Foi como se Deus dissesse: "Davi, você não será capaz de terminar o templo, mas eu quero abençoar-te, porque isto estava em teu coração. Teu sonho não se cumprirá. A majestosa esperança que guiou teus dias não será suficiente para trazer à existência um templo que você foi capaz de construir. Mas eu te abençoo, Davi, porque isto estava em teu coração. Você tinha o desejo de fazê-lo, você tinha a intenção de fazê-lo, você tentou fazê-lo, você começou a construí-lo. E Eu te abençoo por ter esse desejo e aintenção em teu coração. É bom que isto estava em teu coração.
Muitos de nós começamos a construir templos pela vida: templos de caráter, templos de justiça, templos de paz. E então, frequentemente, nós não os terminamos, porque a vida é como a Sinfonia Inacabada de Schubert. Em muitas ocasiões nós começamos, tentamos, nos preparamos para construir uma variedade de templos. E eu acho que uma das grandes agonias da vida é que nós estamos constantemente tentando terminar aquilo que é inexequível. Nós somos compelidos a fazê-lo. E tanto nós, como Davi, nos encontramos diante de várias circunstâncias tendo que enfrentar o fato de que nossos sonhos não serão realizados.
Agora, primeiro, deixe-me dizer que a vida é uma história contínua de sonhos despedaçados. Mahatma Gandhi laborou por anos e anos em prol da independência do seu povo. E através de uma poderosa revolução da não-violência, ele foi capaz de conquistar aquela independência. Por muitos anos o povo indiano foi dominado politicamente, explorado economicamente, segregado e humilhado por forças estrangeiras, e Gandhi batalhava contra isso. Ele batalhou para unir seu próprio povo e nada era mais importante em sua mente do que um grande e unido país movendo-se em direção a um alto destino. Este era o seu sonho.
Mas Gandhi tinha que enfrentar o fato de que ele seria assassinado, e morreria com o coração quebrantado, pois a nação que ele almejava unir terminou sendo dividida entre Índia e Paquistão, como resultado do conflito entre Hindus e Muçulmanos.
A vida é uma contínua história de projetos de construção de grandes templos sem que haja capacidade de terminá-los.
O presidente Woodrow Wilson sonhou com a Liga das Nações, mas ele morreu antes que a promessa se cumprisse.
O apóstolo Paulo falou certo dia, sobre seu desejo de ir até a Espanha. O maior sonho de Paulo era levar o Evangelho à Espanha. Paulo nunca chegou lá. Ele terminou seus dias na cela de uma prisão em Roma. Isso é a história da vida.
Tantos de nossos ascentrais costumavam cantar a liberdade. E eles sonharam o dia em que seriam capazes de sair do caverna da escravidão, da longa noite da injustiça. E eles costumavam cantar uma pequena canção: "Ninguém sabe dos meus problemas, ninguém sabe, a não ser Jesus" Eles pensavam de um dia melhor, e eles sonhavam seus sonhos. E eles cantavam: "Estou muito contente porque este problema não vai durar para sempre. Mais tarde, mais tarde, eu vou deitar fora o meu pesado fardo." E eles costumavam cantá-la, pois tinham um poderoso sonho. Entretanto muitos deles morreram antes de ver o cumprimento desse sonho.
E cada um de nós nesta manhã, de alguma maneira, está construindo alguma tipo de templo. A batalha está sempre lá. Algumas vezes é bem desencorajador. Outras vezes, muito desencantador. Alguns de nós estão tentando construir um templo de paz. Nós falamos contra a guerra, nós protestamos, mas parece que nossa cabeça está batendo contra um muro de concreto. Parece não significar nada. E é muito frequente que ao construir o templo da paz, você seja deixado sozinho, desencorajado, confuso.
Bem, é a história da vida. E uma coisa que me faz feliz é que eu posso ouvir uma voz clamando através do tempo, dizendo: "Pode ser que não seja hoje, pode não ser amanhã, mas é bom que esteja em teu coração. É bom que você esteja tentando" Você pode não ver. O sonho pode não ser cumprido, mas é bom que você tenha um desejo de trazê-lo à realidade. É bom que ele esteja em teu coração.
Agradeçamos a Deus nesta manhã porque nós temos certeza de ter algo significativo em nossos corações. A vida é uma história contínua de sonhos despedaçados.
Agora deixe-me trazê-lo a outro ponto. Quando você estabelece construir um tempo criativo, seja ele qual for, você deve enfrentar o fato de que há uma tensão no centro do universo entre o bem e o mal. Ela está ali: uma tensão no coração do universo entre o bem e o mal. O hinduísmo refere-se a isto como um conflito entre a ilusão e a realidade. Platão explica que há uma tensão entre o corpo e a alma. O Zoroastrismo, uma religião antiga, costuma dizer que há um conflito entre o deus da luz e o deus da escuridão. O Judaísmo tradicional e o Cristianismo dizem que há uma tensão entre Deus e satanás. Qualquer nome que você chame, há uma luta no universo entre o bem e o mal.
Não é tão somente uma luta travada lá fora, em algum lugar entre as forças externas do universo, ela está sendo travada em nossas próprias vidas. Os psicólogos tratam o assunto a sua maneira, e assim dizem eles várias coisas. Sigmund Freud diz que esta tensão é uma crise entre o que ele chama de id e o superego.
Mas você sabe, alguns de nós sentem que há uma tensão entre Deus e o homem. E em cada um de nós, nesta manhã, há uma guerra em andamento. É uma guerra civil. Eu não quero saber quem seja você, Eu não quero saber onde você mora. Existe uma guerra civil acontecendo em sua vida. E cada vez que você levanta para ser bom, há alguma coisa empurrando você e lhe dizendo para ser mau. Isto acontece em sua vida. Toda vez que você se dispõe a amar, alguma coisa continua atraindo você, tentando fazer com que você odeie. Cada vez que você se prepara para ser gentil e dizer coisas boas sobre as pessoas, algo esteja perturbando você para ser ciumento e invejoso, para espalhar o mal e difamar.
Há uma guerra civil acontecendo. Existe uma esquizofrenia, como diriam os psicólogos ou os psiquiatras, acontecendo dentro de todos nós. E há momentos em que todos nós sabemos que de alguma maneira há em nós um Mr. Hyde e um Dr. Jekyll. E nós terminamos por chorar como Ovídio, o poeta romano: "Eu vejo e aprovo as coisas boas da vida, entretanto são as más que eu faço". E terminamos por concordar com Platão: Que a personalidade humana é como uma carruagem com dois cavalos teimosos, cada um querendo seguir por uma direção. Outras vezes nós terminamos clamando como Santo Agostinho, quando ele diz em suas Confissões: "Ó Senhor, faze-me puro, mas não agora". Ou como o apóstolo Paulo: "O bem que eu quero, não faço. E o mal que não desejo, isto faço". Ou nós terminamos dizendo como Goethe: "Que há várias coisas em mim, o bastante para fazer de mim um cavalheiro e um velhaco. Existe uma tensão no interior da natureza humana. E sempre quando nós nos propomos a sonhar nossos sonhos e construir nossos templos, devemos ser honestos o bastante para reconhecê-la.
De volta ao texto básico. Em uma análise final, Deus não nos julga por incidentes separados ou por enganos isolados que fazemos, mas pela inclinação total de nossas vidas. Na análise final, Deus sabe que seus filhos são fracos, que são frágeis. Em uma análise final, o que Deus requer é que nossos corações sejam retos. A salvação não está na conquista da moralidade absoluta, mas no processo e na estrada certos.
Existe uma rodovia chamada BR-80. Eu tenho viajado nesta rodovia de Selma, no Alabama, até Montgomery. Mas eu nunca vou esquecer da minha primeira experiência coma HW-80, quando eu estava dirigindo ao lado de Coretta, Ralph e Juanita Abernathy para a Califórnia. Nós saímos de Montgomery direto para Los Angeles pela "Highway" 80 - e ela pode levar a vários caminhos para fora de Los Angeles. Sabe, mesmo sendo um homem bom ou uma boa mulher, isto não quer dizer que você vai chegar a Los Angeles. Simplesmente quer dizer que você está na Highway 80. Pode ser que você não tenha se esquecido [dos lugares] de Selma, Meridian, Mississipi, Monroe, Louisiania - isto não vem ao caso. A questão é se você está na estrada certa. A salvação é estar na estrada certa, mesmo que não tenha ainda alcançado o destino.
Oh! Eu tenho finalmente que enfrentar o fato de que não há ninguém bom, a não ser o Pai. Todavia, se você estiver na estrada certa, Deus tem o poder, Ele tem algo chamado Graça. Ele coloca você onde você precisa estar.
Agora, uma coisa terrível na vida é tentar chegar a Los Angeles pela HW-78. É quando você está perdido. Aquela ovelha da parábola estava perdida, não meramente porque ela estava fazendo alguma coisa errada, mas porque estava no caminho errado. Ela nem mesmo sabia para onde estava indo; ela ficou tão distraída no que estava fazendo, mordiscando a grama verdinha, que entrou pelo caminho errado. A salvação é ter certeza de que você está no caminho certo. É bom - como nós gostamos - que isto esteja em nosso coração.
Algumas semanas atrás, alguém estava me dizendo algo sobre uma pessoa que eu tenho um grande respeito. E tentavam dizer alguma coisa que não soava muito bem a respeito de seu caráter, sobre algo que estava fazendo. E eu disse: número 1: Eu não acredito nisso. Mas número 2: mesmo que esteja, ele é um bom homem porque seu coração é reto. E em uma análise final, Deus não vai julgá-lo por um erro isolado que esteja fazendo, porque a inclinação de "tua" vida é reta.
E a questão quero levantar nesta semana com vocês: Seu coração é reto? Se o seu coração não é reto, conserte-o hoje; peça a Deus para consertá-lo. Encontre alguém que seja capaz de dizer sobre você: "Ele pode não ter alcançado as alturas superiores, ele pode não ter realizado todos os seus sonhos, mas ele tentou." Não seria uma coisa maravilhosa para alguém dizer assim sobre você? "Ele tentou ser um homem justo. Ele tentou ser um homem honesto. Seu coração estava no lugar certo." E eu posso ouvir uma voz dizendo, clamando através da eternidade "Eu me agradei de ti" Tu és uma vaso da minha graça porque isto estava em teu coração" E é tão bom que isto estava em teu coração"
Eu não sei nesta manhã que é você, mas eu posso dar um testemunho. Você não precisa sair por aí dizendo nesta manhã que Martin Luther King é um santo. Oh! não. Eu quero que você saiba nesta manhã que eu sou um pecador como todos os filhos de Deus. Mas eu quero ser um bom homem. E eu quero ouvir uma voz dizendo para mim, um dia: "Eu te escolhi e eu te abençoo, porque você tenta. É bom que isto estava em teu coração."

O que há em seu coração nesta manhã?
Oh! Nesta manhã, se eu puder deixar alguma coisa com você, deixe-me adverti-lo para estar bem certo de ter um forte barco para sua fé. Os ventos vão soprar. As tempestades do desapontamento estão vindo. As agonias e as angústias da vida estão chegando. E tenha certeza de que seu barco é forte, e também esteja muito certo de ter uma âncora. Em tempos iguais a estes, você precisa de uma âncora. E esteja bem certo de que sua âncora segura o barco.
Estará escuro algumas vezes, e triste tentar, e tribulações virão. Mas se você tiver fé no Deus, de quem eu estou falando nesta manhã, não importa. Por que você pode se erguer no meio das tempestades. E eu digo para você da experiência desta manhã, sim, eu vi um flash do relâmpago. Eu já ouvi o estrondo do trovão. Eu senti o mal tentando conquistar minha alma. Mas eu ouvi a voz de Jesus, dizendo ainda para lutar. Ele prometeu nunca me deixar, nunca me deixar sozinho. Não, sozinho, nunca! Ele prometeu nunca me deixar. Nunca me deixar só.
E quando você tiver esta fé, você pode caminhar com seus pés firmes sobre o chão e sua cabeça para cima, e você não temerá o homem. E você não temerá nada que chegar diante de você. Porque você sabe que ainda está em Creta. Se você subir aos céus, Deus está lá. Se você descer ao inferno, Deus também está lá. Se você tomar as asas do vendo nesta manhã e voar para os lugares mais remotos do mar, deus também está lá. Para qualquer lugar que nos virarmos nós O encontraremos. Nós não podemos escapar Dele".
Fonte: Stanford University

Nota: Excepcionalmente, esta tradução não está disponível para cópia.

fonte;   ssociação de Blogueiros Cristãos

17/07/2010

Devoção Puritana a Grandeza de Deus - K. Sarles

 

O Compromisso puritano com a Palavra de Deus originou-se da devoção à pessoa de Deus como seu autor. No século passado, foi A. W. Tozer quem melhor expressou a necessidade de uma alta conceituação de Deus:

"A questão mais séria para a Igreja é sempre o próprio Deus, e o fato mais portentoso acerca de qualquer homem não é o que ele, em um momento determinado, é capaz de dizer ou fazer, mas o que ele, em seu íntimo, concebe que Deus seja. Temos a tendência, por uma lei secreta da alma, de seguirmos nossa imagem mental de Deus. Isto é verdade não apenas no cristão, mas no grupo de cristãos que compõem a Igreja. Sempre, a coisa mais reveladora acerca da Igreja é a idéia que faz de Deus, assim como sua mensagem mais importante é o que ela diz acerca dEle ou deixa de dizer, pois seu silêncio é, via de regra, mais eloqüênte do que seu discurso. Ela não consegue fugir da auto-revelação de seu testemunho relativo a Deus".

De acordo com Tozer, um conceito correto a respeito de Deus é tão básico para o viver diário quanto o é para a teologia, "corresponde a adorar o que a fundação é do Templo: onde quer que ela seja inadequada ou esteja fora de esquadro, todo estrutura, mais cedo ao mais tarde, ruirá" - Em termos práticos, todos os erros doutrinários e morais podem ser, em última análise, uma baixa concepção de Deus. Falando a respeito de seus próprios dias, Tozer declarou: "Penso que o conceito cristão de Deus em vigência nesta metade do século 20 é tão decadente que está completamente abaixo da dignidade do Deus Altíssimo, constituindo-se, na realidade, para os crentes professos, algo que beira a calamidade moral" (imagine hoje - início do século 21). Esse comentário hoje é mais precioso do que nunca.

Em contraste, os puritanos eram conhecidos por serem pessoas intoxicadas com Deus. Até mesmo a própria teologia foi definida por um teólogo peritano como a doutrina do Deus vivo. Ele elaboraou com requinte o que queria dizer:

"Toda arte possui suas regras para as quais correspondem a a obra da pessoa que a pratica. Já que o viver é a obra mais nobre de todas, não pode haver estudo mais adequado do que a arte do viver.

já que o tipo de vida mais elevado para um ser humano é o que mais se aproxima do Deus vivo e provedor de vida, a natureza da vida teológica é viver para Deus.

O ser humano vive para Deus quando vive de acorda com a vontede de Deus, para a glória de Deus, e com o operar de Deus nele" ( Ames).

Isso expressa uma cosmovisão teocêntrica - relacionando tudo na vida de alguém, incluindo todos os problemas pessoais, à natureza, ao caráter e ao propósito de Deus. Da mesma forma, a psicologia, como conhecimento do homem, estava arraigada a teologia, que se constituía no conhecimento de Deus. Para os Puritanos, a teologia não era uma ciência esotérica e inigmática a ser estudada por uma elite acadêmica; ao contrário, foi um assunto eminentemente relevante para todos os crentes.

"Agora, já que esta vida tão desejada é verdadeira e propriamente nossa prática mais importante, fica evidente que a teologia não é um disciplina especulativa, mas prática - não somente no respeito comum, que todas as disciplinas possuem... a boa prática como seu fim, mas de uma maneira peculiar e especial, quando comparada a todas as demais... A teologia, portanto, é para nós a última e mais nobre de toas as artes exatas que se pode ensinar. Ela é um guia, um plano-mestre para nosso propósito mais alto, enviada de forma especial por Deus, que trata das coisas divinas, voltada para Deus, e que conduz o homem a Deus" (Ames)

Esse foco dos puritanos centrado em Deus brotava de uma devoção profunda e adequada ao Criador. Thomas Watson, teólogo inglês do século XVII, é que melhor capta a ênfase puritana acerca do amor por Deus em sua explicação da natureza, grau e fruto do amor. Por natureza, o amor a Deus deve ser completo, sincero, fervoroso, ativo, exclusivo e permanente. De acordo com Watson; "O verdadeiro amor ferve, mas não derrama. O amor a Deus, assim como é sincero e sem hipocrisia, é constante e sem apostasia". O grau de amor a Deus deve ser imensurável, já que ele é a quintessência de tudo o que é bom. Já que Deus é central à nossa percepção, Ele deve ser detentor daquilo que é central em nossas disposições e inclinações - Watson.

O que Watson concluiu a partir disso é o que diferencia a visão de Deus do puritanismo inglês da atitude evangélica contemporânea em relação a Ele. "Você talvez ame demais a criatura. Você pode amar demais o vinho e a prata; mas não há como você amar Deus em excesso. Se isso fosse possível, esse excesso seria uma virtude; mas é por causa do nosso pecado que somos oincapazes de amar a Deus o suficiente" (Watson) - Já que Deus é infinito, Ele sempre transcende nosso amor por Ele e excede nosso conhecimento dEle. Portanto, jamais devemos cessar de buscar maior compreensão de Seus próprios propósitos e maior devoção à Sua pessoa. Um anseio consumidor por Cristo deixa pouco espaço para distrações como a busca da auto-satisfação. Por conseguinte, os puritanos que tanto amavam a Deus não viviam ocupados com suas próprias necessidades quanto nós que vivemos na "Geração do Eu". Eles captavam a verdade de que um conhecimento preciso do eu vem somente por meio de um conhecimento prévio de Deus. Desse modo, seu ponto teocêntrico favorável conferiu-lhes uma perspectiva diferente acerca da natureza do homem, particularmente no que diz respeito ao funcinamento das faculdades humanas.

K. L. Sarles.

fonte:   Devoção Puritana a Grandeza de Deus - K. Sarles