24/06/2010

LIVRO A Cabana - A Perda da Arte de Discernimento Evangélico

 

Albert Mohler

Albert Mohler

 

 

 

 

 

 

 

 

O mundo editorial vê poucos livros atingirem o status de "sucesso". No entanto, o livro A Cabana, escrito por William Paul Yong, superou esse status. O livro, publicado originalmente pelo próprio autor e dois amigos, já vendeu mais de dez milhões de cópias e já foi traduzido para mais de trinta idiomas. É, agora, um dos livros mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados.

De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, ele pode ser descrito como uma teodicéia em forma de narrativa – uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está entristecido por causa do rapto e do assassinato brutal de sua filha de sete anos, quando recebe aquilo que se torna uma intimação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana em que a menina foi morta.

Na cabana, "Mack" se encontra com a Trindade divina, onde Deus, o Pai, é representado como "Papai", uma mulher afro-americana, e Jesus, por um carpinteiro judeu, e "Sarayu", uma mulher asiática, é identificada como o Espírito Santo. O livro é, principalmente, uma série de diálogos entre Mack, Papai, Jesus e Sarayu. As conversas revelam que Deus é bem diferente do Deus da Bíblia. "Papai" é absolutamente alguém que não faz julgamentos e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.

A teologia de A Cabana não é incidental à história. De fato, em muitos pontos a narrativa serve, principalmente, como uma estrutura para os diálogos. E estes revelam uma teologia que, no melhor, é não-convencional e, sem dúvida, herética em certos aspectos.

Embora o artifício literário de uma "trindade" não-convencional de pessoas divinas seja, em si mesmo, antibíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. "Papai" conta a Mack sobre o tempo em que as três pessoas da Trindade manifestaram-se da seguinte forma: "nós falamos com a humanidade através da existência humana como Filho de Deus". Em nenhuma passagem da Bíblia, o Pai ou o Espírito Santos é descrito como assumindo a forma humana. A cristologia do livro é confusa. "Papai" diz a Mack que, embora Jesus seja plenamente Deus, "ele nunca usou a sua natureza como Deus para fazer qualquer coisa". Eles apenas viveu do seu relacionamento comigo, da mesma maneira como eu desejo me relacionar com qualquer ser humano". Quando Jesus curou o cego, "Ele fez isso como um ser humano dependente que confiava em minha vida e poder para agir nele e por meio dele. Jesus, como ser humano, não tinha qualquer poder em si mesmo para curar alguém".

Embora haja muita confusão teológica a ser esclarecida no livro, basta dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para chegar a um entendimento fiel da Trindade, a fim de evitar esse tipo de confusão – reconhecendo que a fé cristã está, ela mesma, em perigo.

Jesus diz a Mack que ele é "o melhor caminho para qualquer ser humano se relacionar com Papai ou com Sarayu". Não é o único caminho, mas o melhor caminho.

Em outro capítulo, "Papai" corrige a teologia de Mack afirmando: "Eu não preciso punir as pessoas pelos seus pecados. O pecado é a sua própria punição, que devora você a partir do interior. Não tenho o propósito de punir o pecado; tenho alegria em curá-lo". Sem dúvida, a alegria de Deus está na expiação realizada pelo Filho. No entanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o Juiz santo e reto, que punirá pecadores. A idéia de que o pecado é a "sua própria punição" se encaixa no conceito do karma, e não no evangelho cristão.

O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma absoluta igualdade de autoridade entre as pessoas da Trindade. "Papai" explica que "não temos qualquer conceito de autoridade final entre nós, somente unidade". Em um dos mais bizarros parágrafos do livro, Jesus diz a Mack: "Papai é tão submisso a mim como o sou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela. Submissão não diz respeito à autoridade e à obediência; é um relacionamento de amor e respeito. De fato, somos submissos a você da mesma maneira".

Essa hipotética submissão da Trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e essa noção da Trindade submissa (em algum sentido) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.

O aspecto mais controverso da mensagem de A Cabana gira em torno das questões do universalismo, da redenção universal e da reconciliação final. Jesus diz a Mack: "Aqueles que me amam procedem de todo sistema que existe. São budistas, mórmons, batistas, islamitas, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer igreja ou de instituições religiosas". Jesus acrescenta: "Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero unir-me a eles em sua transformação em filhos e filhas de meu Papai, em meus irmãos e irmãs, meus amados".

Em seguida, Mack faz a pergunta óbvia: Todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde: "Muitos dos caminhos não levam a lugar algum. O que isso significa é que eu irei a qualquer caminho para encontrar vocês".

Devido ao contexto, é impossível extrair conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas quanto ao significado de Yong. "Papai" repreende Mack dizendo que está agora reconciliado com todo o mundo. Mack replica: "Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que crêem em você, não é?" "Papai responde: "Todo o mundo, Mack".

No todo, isso significa algo bem próximo da doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E, embora Wayne Jacobson, o colaborador de Young, tenha lamentado haver pessoas que acusam o livro de ensinar a reconciliação final, ele reconhece que as primeiras edições do manuscrito foram influenciadas indevidamente pela "parcialidade, na época," de Young para com a reconciliação final – a crença de que a cruz e a ressurreição de Cristo realizaram a reconciliação unilateral de todos os pecadores (e de toda a criação) com Deus.

James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, um erudito em Novo Testamento que conheceu Young por vários anos, documenta a aceitação de Young quanto a uma forma de "universalismo cristão". A Cabana, ele conclui, "descansa sobre o fundamento da reconciliação universal".

Apesar de que Wayne Jacobson e outros se queixam daqueles que identificam heresia em A Cabana, o fato é que a igreja cristã tem identificado, explicitamente, esses ensinos como heresia. A pergunta óbvia é esta: por que tantos cristãos evangélicos parecem ser atraídos não somente à história, mas também à teologia apresentada na narrativa – uma teologia que, em vários pontos, está em conflito com as convicções evangélicas?

Os observadores evangélicos não estão sozinhos em fazer essa pergunta. Escrevendo em The Chronicle of High Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal, da Case Western University, argumentou que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos devem estar mudando a sua teologia. Ele cita os "modelos metafóricos não-bíblicos de Deus" no livro, bem como seu modelo "não-hierárquico" da Tridade e, mais notavelmente, "sua teologia de salvação universal".

Beal afirma que nada dessa teologia faz parte das "principais correntes teológicas evangélicas" e explica: "De fato, essas três coisas estão arraigadas no discurso teológico acadêmico radical e liberal dos anos 1970 e 1980 – que influenciou profundamente os feministas contemporâneos e a teologia da libertação, mas que, até agora, teve muito pouco impacto nas imaginações teológicas de não-acadêmicos, especialmente dentro das principais correntes religiosas".

Em seguida, ele pergunta: "O que essas idéias teológicas progressistas estão fazendo no fenômeno da ficção evangélica?" Ele responde: "Desconhecidas para muitos de nós, elas têm estado presente em muitos segmentos liberais do pensamento evangélico durante décadas". Agora, ele diz, A Cabana introduziu e popularizou esses conceitos liberais até entre as principais denominações evangélicas.

Timothy Beal não pode ser rejeitado como um conservador e "caçador de heresias". Ele está admirado com o fato de que essas "idéias teológicas progressistas" estão "se introduzindo aos poucos na cultura popular por meio de A Cabana".

De modo semelhante, escrevendo em Books & Culture (Livros e Cultura), Katharine Jeffrey conclui que A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica". Embora sua principal preocupação seja o lugar do livro "num panorama literário cristão", ela não pôde evitar o lidar com a sua mensagem teológica.

Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.

Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.

A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.

A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico. Uma avaliação como a que Timothy Beal ofereceu é reveladora. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina.

Dr. Albert Mohler é o presidente do Southern Baptist Theological Seminary, pertencente à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos; é pastor, professor, teólogo, autor e conferencista internacional, reconhecido pela revista Times como um dos principais líderes entre o povo evangélico norte-americano. É casado com Mary e tem dois filhos, Katie e Christopher.

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Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright:
© R. Albert Mohler Jr. www.albertmohler.com
Traduzido do original em inglês: The Shack — The Missing Art of Evangelical Discernment.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel

FONTE:  SOBERANA GRAÇA: A Cabana - A Perda da Arte de Discernimento Evangélico#more#more

23/06/2010

Os judeus e a religião do Antigo Testamento

 

Esse é o equívoco que muitas pessoas fazem – eles assumem que a religião dos judeus e dos fariseus era a religião do Antigo Testamento¹. Não, embora a religião deles fosse baseada no Antigo Testamento, em geral era muito diferente e mesmo antagônica a ele, contradizendo-o em espírito e em letra. Algumas pessoas cometem o equívoco de pensar que os fariseus eram hostis a Jesus porque eles eram muito inflexíveis quanto a seguir a lei de Moisés ou o Antigo Testamento. Mas eles faziam o oposto. Jesus disse que eles anulavam os mandamentos de Deus por meio das suas tradições (Mateus 15.6). Eles tinham inventado regras e costumes que eram supostamente consistentes com os mandamentos de Deus, mas que na verdade redefiniam e substituíam os mandamentos de Deus em suas vidas. Ele disse que a profecia de Isaías se aplicava a eles: “Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens” (Mateus 15.9).

A religião dos judeus e dos fariseus não era a religião do Antigo Testamento. Era um sistema que eles tinham fabricado para se escusarem de aceitar as palavras dos profetas. Jesus disse que eles nem mesmo criam no Antigo Testamento: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo?” (João 5.46-47). A fé em Cristo, e dessa forma a fé no Novo Testamento, segue-se naturalmente da fé no Antigo Testamento, porque Cristo cumpriu o Antigo Testamento. Os judeus e os fariseus não seguiam a revelação de Deus, mas sua própria tradição humana. Devemos corrigir a ideia que eles eram hostis a Cristo porque eram muito obcecados com a precisão em sua doutrina e obediência. Não, eles eram hostis a Cristo porque se preocupavam muito mais sobre como evitar crer e obedecer à palavra de Deus enquanto davam a aparência de devoção religiosa, e Cristo expôs a hipocrisia deles.

Vincent Cheung
Extraído do artigo Paulo e a tradição humana
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fonte:   rthodoxia: Os judeus e a religião do Antigo Testamento

22/06/2010

Graças a Deus pela testosterona? Confusão sobre masculinidade cristã

 Albert Mohler

godmen.jpg (12K) - Stine em uma conferência GodMen

A igreja cristã vive uma crise em relação aos homens. As estatísticas contam a estória. A igreja tem sido feminilizada em seu estilo e as virtudes masculinas tem sido depreciadas. O cristianismo - uma fé baseada em verdades pela qual bravos homens estavam dispostos a morrer - foi transformado em uma espiritualidade de mero sentimentalismo. Os homens estão saindo aos montes.

Em muitas igrejas protestantes liberais, os bancos estão repletos de mulheres, muitas delas de idade avançada. Os sermões são insípidos e maçantes. Ideologias feministas tomaram posse e o contexto é ideologicamente hostil ao cromossomo XY. Os homens ficam à distância e os meninos vêem que a igreja é algo que homens evitam.

Entre os evangélicos, o quadro é muitas vezes apenas ligeiramente mais saudável. Apesar de muitas (mas não todas) as linhagens ideológicas serem atenuadas ou combatidas, o clima de hostilidade às virtudes masculinas freqüentemente permanece. Mesmo entre os evangélicos, ministérios para homens muitas vezes parecem mais convites para brincar do que convites para levar a sério o desafio da masculinidade bíblica.

"A igreja tem sido feminilizada em seu estilo e as virtudes masculinas tem sido depreciadas."

Agora surge a reportagem no Los Angeles Times sobre os "GodMen" (Homens de Deus), um ministério que pretende apresentar os homens ao cristianismo rústico. No entanto, o movimento parece mais rústico do que cristão quando se trata de uma visão da masculinidade.

"Obrigado, Senhor, pela nossa testosterona!" Assim exclama Brad Stine, um tipo de "animador de auditório" que lidera o movimento GodMen. Como o times explica, "ele está aqui hoje como um evangelista, numa missão para construir um novo homem cristão - uma grosseria de cada vez."

Pois bem, eu não sei de algum homem que não seja grato pela testosterona, mas o que os homens cristãos precisam é de uma robusta e desafiadora teologia da masculinidade, não um festival profano de imaturidade adolescente. Se agradecer a Deus pela testosterona significa comportar-se como adolescentes exibicionistas, alguns homens adultos precisam dar as caras urgentemente.

O movimento está amplamente correto na sua identificação do cristianismo contemporâneo como feminilizado e feminino. O problema está na sua aparente adoção de uma distorção caricata da masculinidade como sendo a resposta.

"Que tal realmente fazer aquilo que os homens são chamados a fazer na Bíblia?"

O uso de grosserias pelo movimento GodMen pretensamente é usado para atrair os homens - mas para o quê? Os homens cantam canções sobre querer "minha testosterona elevada." Que tal realmente fazer aquilo que os homens são chamados a fazer na Bíblia?

Veja esta seção da reportagem do jornal:

Na verdade, os homens assumirem o controle é um grande tema do reavivamento GodMen. Naquela que ele espera seja a primeira de muitas dessas conferências, num armazém transformado em clube noturno no centro de Nashville, Stine pergunta aos homens: "Você está pronto para brandir sua espada e dizer, ‘OK, família, eu vou liderar vocês?' ". Ele também distribui uma lista de regras do homem de verdade destinada a sua mulher. N. º 1: "Aprenda a usar o assento da privada. Você já é uma garota crescida. Se está erguido, abaixe."

A esposa de Stine, Desiree, afirma que apóia a liderança masculina; para ela parece ser a ordem natural das coisas, ordenada por Deus. É como ela diz: "Quando a coisa aperta, eu gosto de saber que meu marido vai me defender." Mas alguns homens da conferência se metem em apuros ao estrear suas novas atitudes em casa.

Eric Miller, um operário da construção civil, admite que sua mulher não fica muito satisfeita quando ele saiu sozinho numa viagem para um acampamento alguns fins de semana depois da conferência GodMen, no último outono."Ela estava um pouco apreensiva, pois temos um bebê," ele relata. "Ela disse, 'Eu preciso da sua ajuda por aqui.' "Miller, 26 anos, recusou-se a ceder: "Eu devo ser o líder da família."

Ele tem certeza que sua mulher vai mudar de idéia assim que reconhecer que ele está moldando sua vida de acordo com a vida de Jesus, como um bom cristão deveria fazer. Só será necessária uma breve explicação, porque o Jesus que ele tem em mente é o tipo apresentado no cartaz de “procurado”: "confrontador e sarcástico quando necessário," Miller diz, e decidido a utilizar "quaisquer meios necessários para atingir seu objetivo."

"Verdadeira masculinidade está em fazer o que homens fazem, não em conversas sem fim sobre como é maravilhoso ser homem."

Esses caras são sérios? Um homem de verdade honra as mulheres - especialmente sua esposa. A verdadeira masculinidade é marcada pelo cavalheirismo e por princípios de respeito, não por grosseiras "regras para verdadeiros homens" que deveriam ser embaraçosas para todos os envolvidos.

E que dizer do homem que quer ser "o líder da família" deixando sua família de lado para tomar parte em um acampamento com “a rapazeada” quando a família precisa dele? Por acaso ele é um marido e pai ou um escoteiro?

Virilidade cristã não tem nada a ver com bater no peito e celebrar a testosterona - tem a ver com apresentar-se e fazer o que homens cristãos de verdade fazem. Verdadeira masculinidade é demonstrada no cumprimento dos papéis determinados a um homem como o de marido, pai, líder, servo, mestre, protetor e provedor. Verdadeira masculinidade está em fazer o que homens fazem, não em conversas sem fim sobre como é maravilhoso ser homem. Verdadeira masculinidade cristã é evidenciada em assumir liderança no lar e na igreja, e não em conversas fáceis e rudes sobre o uso que Jesus fazia de grosserias como quando chamou Herodes de "aquela raposa."

Em outras palavras, verdadeiros homens cristãos são aqueles que cresceram até serem homens, não aqueles que envergonham a igreja e confundem o Evangelho com exibições de mau comportamento adolescente. Esperemos que esse movimento amadureça antes que exploda.

fonte:  Graças a Deus pela testosterona? Confusão sobre masculinidade cristã

21/06/2010

Hebreus 6:4-6 diz que o verdadeiro cristão pode perder a salvação?

 

Há várias passagens bíblicas que ordenam os cristãos a buscarem a justiça e evitarem a impiedade. Algumas dessas passagens são tão fortes em expressão e contém advertências tão ameaçadoras, que algumas pessoas interpretam incorretamente essas passagens como dizendo que é possível para um verdadeiro crente perder sua salvação. Por exemplo, Hebreus 6:4-6 diz o seguinte:


Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública.

Primeiro, o que quer que essa passagem signifique, ela não diz que os eleitos renunciam de fato a sua fé. Vamos assumir que a passagem está de fato dizendo que se alguém cair da fé depois de alcançar certo estágio de desenvolvimento espiritual, ela de fato perderia sua salvação. Isso não desafia a doutrina da preservação – de fato, podemos concordar de todo coração com tal declaração. Contudo, nós já lemos vários versículos dizendo que isso nunca acontece, que o verdadeiro crente nunca renunciará sincera e permanentemente a Cristo, e a passagem acima não diz nada que contradiga isso. João diz que aqueles que se apartam da fé nunca estiveram verdadeiramente na fé.
Segundo, vários versículos adiante, o escritor declara explicitamente que o que essa passagem descreve não acontecerá aos seus leitores: “Amados, mesmo falando dessa forma, estamos convictos de coisas melhores em relação a vocês, coisas que acompanham a salvação” (Hebreus 6:9). Para parafrasear, ele está dizendo: “Embora estejamos falando dessa forma, estou certo de que quando diz respeito à salvação, isso não acontecerá com vocês”.
Terceiro, devemos lembrar que Deus usa vários meios pelos quais ele realiza os seus fins. Por exemplo, embora ele tenha determinado imutavelmente as identidades daqueles a quem ele salvaria, ele não salva essas pessoas sem meios. Antes, ele salva os eleitos por meio da pregação do evangelho, e por meio da fé em Cristo que ele coloca dentro deles. Deus usa vários meios para realizar os seus fins, e ele escolhe e controla tanto os meios como os fins.
Conseqüentemente, apenas porque dizemos que os eleitos perseverarão na fé, não significa que Deus não os advirta contra a apostasia. De fato, essas advertências escriturísticas sobre as conseqüências de renunciar a fé cristã são um dos meios pelos quais Deus previne seus eleitos de apostasia. Os réprobos ignorarão essas advertências, mas os eleitos prestarão atenção a elas (João 10:27), e assim, eles continuarão a operar a santificação deles “com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Concernente às palavras de Deus, Salmo 19:11 diz: “Por elas o teu servo é advertido; há grande recompensa em obedecer-lhes”.
Vincent Cheung

FONTE: Orthodoxia: Hebreus 6:4-6 diz que o verdadeiro cristão pode perder a salvação?