23/05/2010

O Leão da Tribo de Judá - M. Lloyd-Jones

 

O pecado. . . proveniente de fora, penetrou a vida humana e atacou até o Filho de Deus. Que estou perdoado é glorioso, e que tenho nova natureza é maravilhoso e melhor ainda. Mas continuo tendo que enfrentar este terrível poder que se ergue contra mim e que peleja para derrotar-me. . . Ele tem derrotado os mais fortes e poderosos. Não hesitou em medir forças com o próprio Deus. Suas sutilezas e sugestões vão ao meu encontro em todo lugar. Quem sou eu para defrontar-me com tal inimigo? Que é o homem, mesmo esforçando-se ao máximo, contra um antagonista desses? . . . O homem não pode, pois todos os homens falharam. . . Não há esperança alguma? Teremos que continuar a lutar, e a lutar em vão? Não! Apareceu um Davi e abateu este Golias; um Jônatas desbaratou de novo os filiesteus. O Homem entrou na luta e desferiu contra o inimigo um golpe mortal do qual ele nunca mais poderá recuperar-se. . .

Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, venceu a Satanás. Provado e testado ao máximo, Ele não só emergiu ileso, mas «expulsou o príncipe deste mundo» . . . Ele venceu a morte, o túmulo e todos os poderes que se opõem ao homem e aos seus mais elevados interesses. O Leão da Tribo de Judá prevaleceu — sim, e não somente para Si mesmo, mas por nós. Ele nos oferece o Seu poder e promete revestir-nos de Suas forças. Além de já não termos por que sofrer derrota, nEle podemos chegar a ser mais que vencedores sobre todo e qualquer poder que se levante contra nós.

Estes são os problemas do mundo. . . O Evangelho os revela e os resolve. Cristo satisfaz toda necessidade, e só Ele o faz. «Tudo Ele tem feito esplendidamente bem». A mensagem do Evangelho fala dEle e do que Ele tem feito. Não é teoria. A mensagem funciona, fato do qual dão testemunho as vidas dos cristãos de todos os tempos. Envergonhado de Jesus? Mil vezes não!

The Plight of Man and the Power of God, p. 89-91

fonte:   artyn Lloyd-Jones: O Leão da Tribo de Judá - M. Lloyd-Jones

22/05/2010

A Incapacidade do Homem Natural - J. C. Ryle

 

Verdades de singular importância sucedem-se, uma após a outra, no capítulo que estamos examinando. Provavelmente, em poucas partes da Bíblia encontram-se reunidas tantas "verdades profundas" como as de João 6. A passagem que lemos é um exemplo disso.

Em João 6.41-51, aprendemos que a condição de humildade assumida por Cristo, durante sua vida na terra, foi uma pedra de tropeço para o homem natural. Lemos: "Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu?" Se o Senhor tivesse vindo como um rei conquistador, com riquezas e honras para conceder aos seus seguidores e com exércitos poderosos ao seu comando, aqueles homens estariam dispostos a recebê-Lo. No entanto, um Messias pobre e humilde era uma ofensa para eles. O orgulho de seus corações os impediu de crer que ali estava o enviado de Deus.

Esse fato em nada nos surpreende. Com isso, vemos a natureza humana mostrando seu verdadeiro caráter. O mesmo também ocorreu nos dias dos apóstolos. Cristo crucificado era "escândalo para os judeus, loucura para os gentios" (1 Co 1.23). A cruz era uma ofensa para muitos, onde quer que o evangelho fosse pregado. Em nossos dias, podemos observar o mesmo acontecendo. Ao nosso redor há muitos que odeiam as evidentes doutrinas do evangelho, por causa do caráter de humildade que elas apresentam. Tais pessoas não podem suportar a verdade da expiação, do sacrifício e da substituição realizada por Cristo. Aprovam os ensinamentos morais e admiram o exemplo de abnegação dado por Ele. Mas, fale sobre o sangue de Jesus, sobre o ter sido feito pecado por nós; diga-lhes que a morte de Cristo é a pedra angular da nossa esperança e que a pobreza do Senhor Jesus se tornou a nossa riqueza; faça isso e verá como abominam essas verdades com ódio mortal. A ofensa da cruz certamente ainda não cessou!

Também aprendemos, nesses versículos, a falta de capacidade e poder do homem natural para arrepender-se ou crer. Encontramos aqui o Senhor Jesus dizendo: "Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer". Enquanto o coração não for atraído pela graça de Deus, o homem não poderá crer.

A solene verdade contida nessas palavras deve ser considerada com especial atenção. É inútil contestar que sem a graça de Deus alguém pode se tornar um cristão verdadeiro. Estamos espiritualmente mortos e não temos qualquer capacidade para dar vida a nós mesmos. Precisamos que uma nova vida seja implantada em nós, vinda do alto. Os fatos comprovam, e os pregadores o reconhecem. O décimo artigo da Igreja Anglicana declara expressamente: "Após a queda de Adão, a condição do homem é tal que, por sua força natural e boas obras, não pode mudar sua condição e preparar-se para crer ou clamar por Deus". Esse testemunho é verdadeiro.

Mas, afinal de contas, em que consiste essa incapacidade do homem? Em que parte de nossa natureza interior está a deficiência? Esse é um ponto sobre o qual surgem muitos erros. De uma vez por todas, lembremos que a vontade do homem é a parte onde se encontra a incapacidade. Sua falta de capacidade não é física, e sim moral. Não seria verdadeiro afirmar que o homem tem um desejo sincero e uma vontade autêntica de vir a Cristo, mas não possui forças para isso. Seria mais verdadeiro dizer que o homem não tem poder para vir a Cristo porque não tem desejo ou vontade de fazer isso. Não é verdade que ele desejaria vir a Deus, se pudesse. O correto é declarar que ele viria a Deus, se o desejasse. A vontade corrompida, as inclinações secretas e a necessidade do coração são as verdadeiras causas da incredulidade. É nesse aspecto que reside o engano. A capacidade que necessitamos é, na verdade, uma nova vontade. É exatamente nesse ponto que precisamos ser "trazidos".

Sem dúvida, estes assuntos são profundos e misteriosos. Através de verdades como essas, Deus prova a fé e a paciência de seu povo. Podem os seus filhos realmente crer nEle e esperar por uma explanação mais completa no último dia? O que não compreendem agora compreenderão mais tarde. De qualquer maneira, permanece bastante clara a responsabilidade do homem por sua alma. São realidades tanto a sua incapacidade quanto a sua responsabilidade. A incapacidade de vir a Cristo não o isenta de prestar contas. Se ele se perder, ficará provado que foi por sua própria culpa. O seu sangue recairá sobre a sua cabeça. Cristo o teria salvado, mas ele não quis ser salvo; não quis vir a Cristo para obter vida.

Por último, aprendemos que a salvação daquele que crê é algo presente. O Senhor Jesus Cristo assegurou: "Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna". Devemos notar que a vida eterna é uma possessão presente. Jesus não disse que aquele que crê a receberá no último dia, por ocasião do julgamento final. Agora, no tempo presente e nesse mundo, essa vida se torna uma propriedade do crente, que possui a vida eterna desde o momento em que crê.

Este é um assunto que nos inquieta sobremaneira e a respeito do qual são cometidos inúmeros erros. Muitos pensam não ser possível recebermos, nesta vida, o perdão e a aceitação da parte de Deus. Essas coisas, dizem eles, são conseguidas ao longo de uma vida de arrependimento, fé e santidade; poderão ser recebidas apenas diante do tribunal de Deus, no último dia. Afirmam também que nem mesmo devemos ter a pretensão de obtê-las, enquanto vivemos neste mundo! Pensar assim é estar completamente enganado. O pecador é justificado e aceito por Deus no exato momento em que crê em Cristo. Para ele não há mais condenação. Ele desfruta de paz com Deus, imediatamente, sem qualquer demora. Seu nome está escrito no livro da vida, ainda que tenha pouca consciência disso. Pas¬sa a ter direito ao céu, direito este que nem a morte, nem o inferno, nem Satanás podem anular. Felizes os que conhecem essa verdade! Esta é uma parte essencial das boas-novas do evangelho.

Finalmente, o assunto fundamental que devemos considerar é se cremos realmente. Que ganharemos com o fato de ter Cristo morrido em favor dos pecadores, se não cremos nEle? "Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36).

fonte: A Incapacidade do Homem Natural - J. C. Ryle | O PRINCIPAL DOS PECADORES

FORÇA PARA VIVER

 

Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.
Viver é muito perigoso, dizia Guimarães Rosa pela boca do memorável Riobaldo. A vida tem mesmo seus altos e baixos e, além da dificuldade de saber a direção, falta a cada um a força e a competência de seguir em frente. Os obstáculos se multiplicam. A vida é contingente: cheia de imprevistos e surpresas, boas e ruins. Uma proposta para morar longe, um diagnóstico inesperado, a chegada de um bebê, um assalto, um desmoronamento, o cancelamento do voo, a festa de aniversário, os amigos ao redor da mesa e a demissão inesperada. Além disso, a doença da mãe, o imposto de renda, as aventuras dos filhos e o sobrepeso, obesidade mesmo, denunciada pelo espelho e pela calça que já não se usa mais. E tem também a teimosia dos vícios, as dores da alma, a insegurança emocional, os conflitos relacionais, a culpa, o medo, a ansiedade e a síndrome do pânico – ai que medo. Tem que arrumar o quarto, buscar a roupa na lavanderia, votar para presidente e superar o divórcio. O show não pode parar. E porque viver é muito perigoso, aprender a viver é imperativo.
Como enfrentar a travessia? Já que navegar é preciso e viver não é preciso, como dizia o poeta português. Viver é necessário. É preciso viver, não há que desistir da vida. Mas viver é perigoso, justamente porque não é preciso – não é exato. Não é possível singrar a vida como quem corta os mares. A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá, disse o Chico brasileiro.
Acho que foi por isso que o sábio Salomão começou a escrever seu Eclesiastes. Queria aprender a viver. Dedicou o coração para saber, inquirir e buscar a sabedoria e a razão das coisas. E concluiu que a verdade está no distante e profundo. A vida é mistério. Viver continuará sendo sempre perigoso.
Então apareceu Jesus. Não negou a contingência da vida, nem iludiu os seus com promessas falsas e fantasiosas. Mas apontou um caminho. Apresentou seu Pai aos homens e os homens ao seu Pai. Autorizou todo mundo a buscar, usar e abusar de seu Pai.
Jesus disse a todos: Chamem pelo Abba. Ele os ouvirá. Falem com ele em meu nome. Batam na porta. Busquem. Peçam. Gritem. Importunem meu Pai, de dia e de noite. A porta se abrirá. Vocês acharão o meu Pai. Vocês receberão respostas. Serão recompensados pela sua busca, jamais ficarão sem galardão. Meu Pai é atento e cuidadoso. Meu Pai é bom. Meu Pai é amor. Não tenham medo dele. Não se escondam dele. Não fujam dele. Corram para os braços dele. Ele cuida de flores e passarinhos. Vai cuidar de vocês. Sigam os meus passos. Foi o que fiz. Fechem a porta do quarto e façam suas orações. Eu atravessei a vida de joelhos. E venci. Eu venci o mundo, eu venci o mal, eu venci a morte. E vocês também poderão vencer. Não desistam. Não tenham medo. Viver é perigoso. Mas a graça do meu Pai é maior que vida.
Ed René Kivitz

FONTE:   PavaBlog

21/05/2010

Tentação -Tome Cuidado!!! - John Owen

 


"Cair em tentação" é experimentar a tentação na sua forma mais poderosa e perigosa. Na parte principal deste capítulo concentraremos nossa atenção sobre o perigo da tentação considerando o significado de duas frases encontradas no Novo Testamento:

1) "Entreis em tentação" (Mt 26.41).

2) "Hora da provação" (Ap 3.10)

1. Entrar em tentação"

O que é que Jesus quis dizer com estas palavras: "entrar me tentação"? Começaremos a responder, considerando duas respostas muito comuns, no entanto erradas.

a)"Entrar em tentação" - simplesmente significa "sermos tentados"

Esta resposta está errada porque Deus nunca nos prometeu que estaríamos completamente livres da tentação. Jesus não iria nos ensinar a orar por alguma coisa que Deus não nos daria. Algumas tentações podem ser evitadas, mas nesta vida é impossível escaparmos totalmente da tentação. "Entrar em tentação" é uma experiência mais perigosa do que meramente sermos tentados.

b) "Entrar em tentação" significa sermos vencidos pela tentação.

Esta resposta também está errada porque uma pessoa pode "entrar em tentação" e, contudo, não ser derrotada pela tentação. José experimentou um período no qual "entrou em tentação (Gn 39.6-12), porém saiu dele triunfante.

Em 1Tm 6.9 Paulo assemelha "entrar em tentação" com cair em cilada. A idéia principal de cairmos em cilada é de que nós não podemos facilmente escapar dela. Em 1 Coríntios 10.13 - Paulo usa a expressão "não vos sobreveio tentação". Esta expressão tem por finalidade ilustrar o poder da tentação e a dificuldade em se escapar dele. Em 2 Pe 2.9 - Pedro destaca para nós o poder de certas tentações. Só podemos escapar de tais tentações com a ajuda do poder superior de Deus.

Desta referência concluímos que "entrar em tentação" significa experimentar em grau incomum o poder sedutor da tentação. Às vezes, a tentação é como um vendedor batendo a porta. Ele pode ser ignorado ou mandado ir embora, e ele vai. Noutras ocasiões não é tão fácil lidar com a tentação. Em tais ocasiões a tentação é como um vendedor que já tenha colocado um pé no lado de dentro da porta. Ele não está apenas determinado a efetuar uma venda dos seus produtos, mas ele os apresenta de forma muito atraente. Enquanto a tentação simplesmente "bate à porta" temos condições de ignorá-la. Quando a tentação consegue colocar um pé do lado de dentro "entramos em tentação".

Quando uma pessoa "entra em tentação" ela experimenta o poder da tentação oriundo de duas fontes

c) O poder de Satanás age de uma maneira especial vindo de fora da pessoa.

Satanás vem com mais determinação e pode do que o faz comumente ao tentar a pessoa a pecar. Às vezes ele tenta pela intimidação: isto é: "ou você peca ou... Negue a Cristo ou perderá a sua vida"! - Outras vezes ele tenta oferecendo alguma coisa desejável para a pessoa, como por exemplo: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares" (Mt 4.9).

d) O poder do pecado que habita em nós age de um modo especial a partir do nosso interior.

A pecado que habita em nós poder ser comparado a um traidor que vive no coração da pessoa. Este traidor colabora com o tentador e procura nos encorajar a ceder a tentação. Nessa tentação o cristão pode clamar a Deus pedindo livramento muitas vezes e ainda assim não ser liberto. A tentação continua fazendo suas exigências. Essas tentações geralmente ocorrem em uma ou outra das seguintes circunstâncias:

i) Quando satanás recebe permissão especial de Deus, por razões que somente Deus conhece, para levar o cristão a "entrar em tentação" (2Sm 24.1; 1Cron 21.1; Jó 1.12; 2.6; Lc 22.31).

ii) Quando os desejos maus de uma pessoa acolhem uma oportunidade favorável e meios altamente desejosos para se concretizarem. Essa foi o caso de Davi como nos é relatado em 2 Samue11.

2)"A Hora da Provação"

Quando uma ou outra destas circunstâncias ocorrem uma pessoa entra em tentação ou, como é denominado em Ap 3.10 - na "hora da provação". Nessa ocasião o poder cativador da tentação alcança o ápice da sua força. É nesse momento que a tentação é mais perigosa e tem maior probabilidade de vencer qualquer resistência que se lhe oponha. Muitas tentação nunca alcançam esse ponto e são conquistadas sem dificuldade. Quando a mesma tentação ocorre na "hora da provação" ela tem uma nova força. A não ser que graça especial seja concedida ela conquistará a alma e a levará ao pecado. Provavelmente Davi foi tentado a adulterar e a matar nos dias da sua mocidade (por exemplo - no caso de Nabal, segundo 1 Sm 25), mas não foi senão na sua "hora da provação" que estas tentações em particular com tal força e urgência que o sobrepujaram (2Sm 11)

A não ser que uma pessoa esteja especialmente preparada para uma hora como essa, ela certamente cairá sob a tentação. Há mais duas questões sobre a "hora da provação" que precisam ser consideradas.

a) Quais são os meios comumente utilizados para levar a tentação a esta sua hora?

i) Quando a intenção de satanás é levar a pessoa a entrar em tentação, ele freqüente e persistentemente traz a tentação específica à lembrança da mente. Ele procura entorpecer nossas mentes para a pecaminosidade da tentação, tentando mais e mais. No momento da primeira tentação a nossa mente podeter ficado horrorizada, contido na medida em que a tentação persiste, o sentimento de horror se enfraquece e a tentação já não parece ser tão má como a princípio.

ii) Se um cristão vê seu irmão cair em pecado, ele deveria de pronto odiar o pecado, sentindo compaixão pela que da do irmão e orando por sua libertação. Se ele não proceder dessa maneira, satanás irá se valer desta fraqueza para levá-lo a mesma tentação. Quando Himineu e Fileto se afastaram da verdade, outros também caíram do mesmo modo (2Tm 2.17,18).

iii) O mal de uma tentação pode ficar escondido pela introdução de outras considerações (considerações que muitas vezes são por si mesmas boas). Por exemplo, a tentação par que os gálatas caíssem da pureza do evangelho se fazia acompanhar da promessa de ficarem livres da perseguição. O desejo de escaparem da perseguição acrescentou poder à tentação de se afastarem da pureza do evangelho.

b) Como podemos saber que chegamos à hora da provação?

i) Quando satanás conduz uma pessoa à hora da provação, isso pode ser detectado por sua pressão insistente. É como se satanás soubesse que é "agora ou nunca" - e ele não dará descanso à alma. Numa guerra, se o inimigo conquistar alguma vantagem, ele redobrará os seus esforços. Da mesma maneira, quando satanás tem enfraquecido a determinação de um cristão de resisti-lo, ele se vale de todos os seus poderes e de todos os seus ardis para conquistá-lo e persuadi-lo a pecar. Sempre que a tentação pressionar de todos os lados (interior e exteriormente) para conseguir o consentimento da vontade para pecar, poder ter a certeza de que a "hora da provação" chegou.

ii) Quando a tentação combina o poder do medo com o poder da atração, chegou a "hora da provação". Toda a força da tentação consiste na combinação destes dois poderes. Cada um desses poderes, por si só, geralmente basta para levar a pessoa a pecar. Agindo juntos eles raramente falham. Encontramos esses dois poderes em ação no caso do assassinato de Urias por Davi. Davi tinha medo que Urias se vingasse na própria esposa (para não mencionar a possibilidade de Urias procurar vingar-se no próprio Davi), e de que seu pecado se tornasse público. Tudo isso foi associado a atração do prazer que ele usufruiria pecando com Bete-seba. Quando uma pessoa está ciente de estar sentindo a força destes dois poderes procurando persuadi-la a pecar, então chegou a hora da provação.

Estamos agora prontos a darmos atenção resumidamente ao assunto que ocupará o nosso interesse até o fim deste livro.

Para evitar ser ferido por uma experiência de tentação como essa, o cristão precisa aprender a "vigiar e orar"

Vigiar significa estar alerta, precaver-se, considerar todas as possibilidades e todos os meios de que o inimigo de nossas almas possa utilizar par nos derrotar pela tentação. Isso significará uma vigilância consistente e diligente das nossa almas, valendo-nos, para tanto, de todos os meios que Deus tem colocado a nosso dispor para essa finalidade. De modo particular, há de incluir um estudo durante toda nossa vida das estratégias do inimigo e de nossas forças e fraquezas que satanás poderia explorar para nos enredar no pecado.

Além de vigiarmos, precisamente orar. Este é o meio pelo qual podemos receber a ajuda de Deus para vigiarmos como devemos e desse modo resistir aos ataques de satanás. Todo o labor da fé para guardar nossas almas da tentação se resume nestes dois deveres - "vigiar e orar".

fonte:   ayflower: Tentação -Tome Cuidado!!! - John Owen