03/05/2010

John Bunyan - Um Peregrino no Mundo (1628-1688)

 


"Caminhando pelo deserto deste mundo, parei num sítio onde havia uma caverna (a prisão de Bedford): ali deitei-me para descansar. Em breve adormeci e tive um sonho. Vi um homem coberto de andrajos, de pé, e com as costas voltadas para a sua habitação, tendo sobre os ombros uma pesada carga e nas mãos um livro".


Faz séculos que João Bunyan assim iniciou o seu li­vro, o Peregrino. Os que conhecem as suas obras literárias podem testificar de que ele é, de fato, "o Sonhador Imor­tal" - "Estando ele morto, ainda fala". Contudo, enquanto miríades de crentes conhecem o Peregrino, poucos conhe­cem a história da vida de oração desse valente pregador.

Bunyan, na sua obra, Graça Abundante ao Principal dos Pecadores, nos informa que seus pais, apesar de vive­rem em extrema pobreza, conseguiram ensiná-lo a ler e es­crever. Ele mesmo se intitulou a si próprio de "o principal dos pecadores"; outros atestam que era "bem-sucedido" até na impiedade. Contudo, casou-se com uma moça de família cujos membros eram crentes fervorosos Bunyan era funileiro e, como acontecia com todos os funileiros, era paupérrimo; ele não possuía um prato nem uma colher - apenas dois livros: O Caminho do Homem Simples para os Céus e A Prática da Piedade, obras que seu pai, ao falecer, lhe deixara. Apesar de Bunyan achar algumas coisas que lhe interessavam nesses dois livros, somente nos cultos é que se sentiu convicto de estar no caminho para o Inferno.

Descobre-se nos seguintes trechos, copiados de Graça Abundante ao Principal dos Pecadores, como ele lutava em oração no tempo da sua conversão:

"Veio-me às mãos uma obra dos 'Ranters', livro esti­mado por alguns doutores. Não sabendo julgar os méritos dessas doutrinas, dediquei-me a orar desta maneira: 'Ó Senhor, não sei julgar entre o erro e a verdade. Senhor, não me abandones por aceitar ou rejeitar essa doutrina cega­mente; se ela for de ti, não me deixes desprezá-la; se for do Diabo, não me deixes abraçá-la!' - e, louvado seja Deus, Ele que me dirigiu a clamar; desconfiando na minha pró­pria sabedoria, Ele mesmo me guarda do erro dos 'Ran­ters'. A Bíblia já era para mim muito preciosa nesse tempo."

"Enquanto eu me sentia condenado às penas eternas, admirei-me de como o próximo se esforçava para ganhar bens terrestres, como se esperasse viver aqui eternamen­te... Se eu pudesse ter a certeza da salvação da minha al­ma, como se sentiria rico, mesmo que não tivesse mais para comer a não ser feijão."

"Busquei o Senhor, orando e chorando e do fundo da alma clamei: 'Ó Senhor, mostra-me, eu te rogo, que me amas com amor eterno!' Logo que clamei, voltaram para mim as palavras, como um eco: 'Eu te amo com amor eter­no!' Deitei-me para dormir em paz e, ao acordar, no dia se­guinte, a mesma paz permanecia na minha alma. O Se­nhor me assegurou: 'Amei-te enquanto vivias no pecado, amei-te antes, amo-te depois e amar-te-ei por todo o sem­pre'."

"Certa manhã, enquanto tremia na oração, porque pensava que não houvesse palavra de Deus para me sosse­gar, Ele me deu esta frase: 'A minha graça te basta'."O meu entendimento foi tão iluminado como se o Se­nhor Jesus olhasse dos céus para mim, pelo telhado da ca­sa, e me dirigisse essas palavras. Voltei para casa choran­do, transbordando de gozo e humilhado até o pó."

"Contudo, certo dia, enquanto andava no campo, a consciência inquieta, de repente estas palavras entraram na minha alma: 'Tua justiça está nos céus.' E parecia que, com os olhos da alma, via Jesus Cristo à destra de Deus, permanecendo ali como minha justiça... Vi, além disso, que não é o meu bom coração que torna a minha justiça melhor, nem que a prejudica; porque a minha justiça é o próprio Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre. As ca­deias então caíram-me das pernas; fiquei livre das angús­tias; as tentações perderam a força; o horror da severidade de Deus não mais me perturbava, e voltei para casa regozijando-me na graça e no amor de Deus. Não achei na Bíblia a frase: 'Tua justiça está nos céus.' Mas achei 'o qual para nós foi feito por Deus sabedoria e justiça, e santificação, e redenção' (1 Coríntios 1.30) e vi que a outra frase era ver­dade.

"Enquanto eu assim meditava, o seguinte trecho das Escrituras penetrou no meu espírito com poder: 'Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou.' Assim fui levantado para as al­turas e me achava nos braços da graça e misericórdia. An­tes temia a morte, mas depois clamei: 'Quero morrer.' A morte tornou-se para mim uma coisa desejável. Não se vive verdadeiramente antes de passar para a outra vida. 'Oh!' - pensava eu - 'esta vida é apenas um sonho em com­paração à outra!' Foi nessa ocasião que as palavras 'her­deiros de Deus' se tornaram tão cheias de sentido, que eu não posso explicar aqui neste mundo. 'Herdeiros de Deus!' O próprio Deus é a porção dos santos. Isso vi e disso me ad­mirei, contudo, não posso contar o que vi... Cristo era um Cristo precioso na minha alma, era o meu gozo; a paz e o triunfo por Cristo eram tão grandes que tive dificuldade em conter-me e ficar deitado."

Bunyan, na sua luta para sair da escravidão do vício e do pecado, não fechava a alma dos perdidos que ignora­vam os horrores do inferno. Acerca disto ele escreveu:

"Percebi pelas Escrituras que o Espírito Santo não quer que os homens enterrem os seus talentos e dons, mas antes que despertem esses dons... Dou graças a Deus, por me haver concedido uma medida de entranhas e compai­xão, pela alma do próximo, e me enviou a esforçar-me grandemente para falar uma palavra que Deus pudesse usar para apoderar-se da consciência e despertá-la. Nisso o bom Senhor respondeu ao apelo de seu servo, e o povo co­meçou a mostrar-se comovido e angustiado de espírito ao perceber o horror do seu pecado e a necessidade de aceitar a Jesus Cristo."

"De coração, clamei a Deus com grande insistência que Ele tornasse a Palavra eficaz para a salvação da alma... De fato, disse repetidamente ao Senhor que, se o meu enforca­mento perante os olhos dos ouvintes servisse para desper­tá-los e confirmá-los na verdade, eu o aceitaria alegremen­te."

"O maior anelo em cumprir meu ministério era o de en­trar nos lugares mais escuros do país... Na pregação, real­mente, sentia dores de parto para que nascessem filhos para Deus. Sem fruto, não ligava importância a qualquer louvor aos meus esforços; com fruto, não me importava com qualquer oposição."

Os obstáculos que Bunyan tinha de encarar eram mui­tos e variados. Satanás, vendo-se grandemente prejudica­do pela obra desse servo de Deus, começou a levantar bar­reiras de todas as formas. Bunyan resistia fielmente a to­das as tentações de vangloriar-se sobre o fruto de seu mi­nistério e cair na condenação do Diabo. Quando, certa vez, um dos ouvintes lhe disse que pregara um bom sermão, ele respondeu: "Não precisa dizer-me isso, o Diabo já cochi­chou a mesma coisa no meu ouvido antes de sair da tribuna."

Então o inimigo das almas suscitou os ímpios para ca­luniá-lo e espalhar boatos em todo o país, a fim de induzi-lo a abandonar seu ministério. Chamavam-no de feiticeiro, jesuíta, cangaceiro e afirmavam que vivia amancebado, que tinha duas esposas e que os seus filhos eram ilegítimos.

Quando o Maligno falhou em todos esses planos de des­viar Bunyan do seu ministério glorioso, os inimigos denunciaram-no por não observar os regulamentos dos cultos da igreja oficial. As autoridades civis o sentenciaram à prisão perpétua, recusando terminantemente a revogação da sen­tença, apesar de todos os esforços de seus amigos e dos ro­gos da sua esposa - tinha de ficar preso até se comprometer a não mais pregar.

Acerca da sua prisão, ele diz: "Nunca tinha sentido a presença de Deus ao meu lado em todas as ocasiões como depois de ser encerrado... fortalecendo-me tão ternamente com esta ou aquela Escritura até me fazer desejar, se fosse lícito, maiores provações para receber maiores consola­ções".

"Antes de ser preso, eu previa o que aconteceria, e duas coisas ardiam no coração, acerca de como podia encarar a morte, se chegasse a tal ponto. Fui dirigido a orar pedindo a Deus me fortalecesse com toda a força, segundo o poder da sua glória, em toda a fortaleza e longanimidade, dando com alegria graças ao Pai. Quase nunca orei, durante o ano antes de ser preso, sem que essa Escritura me entrasse na mente e eu compreendesse que para sofrer com toda a pa­ciência devia ter toda a fortaleza, especialmente para so­frer com alegria."

"A segunda consideração foi na passagem que diz: 'Mas nós temos tido dentro de nós mesmos a sentença de morte para que não confiássemos em nós mesmos, porém em Deus que ressuscita os mortos'. Cheguei a ver, por essa Escritura que, se eu chegasse a ponto de sofrer como devia, primeiramente tinha de sentenciar à morte todas as coisas que pertencem à nossa vida, considerando-me a mim mes­mo, minha esposa, meus filhos, a saúde, os prazeres, tudo, enfim, como mortos para comigo e eu morto para com eles.

"Resolvi, como Paulo disse, não olhar para as coisas que se vêem, mas sim, para as que se não vêem, porque as coisas que se vêem, são temporais, mas as coisas que se não vêem, são eternas. E compreendi que se eu fosse prevenido apenas de ser preso, poderia, de improviso, ser chamado, também, para ser açoitado, ou amarrado ao pelourinho. Ainda que esperasse apenas esses castigos, não suportaria o castigo de desterro. Mas a melhor maneira para passar os sofrimentos seria confiar em Deus, quanto ao mundo vindouro; quanto a este mundo, devia considerar o sepulcro como minha morada, estender o meu leito nas trevas, dizer à corrupção: Tu és meu pai', e aos vermes: 'Vós sois minha mãe e minha irmã' (Jó 17.13,14).

"Contudo, apesar desse auxílio, senti-me um homem cercado de fraquezas. A separação da minha esposa e de nossos filhos, aqui na prisão torna-se, às vezes, como se fosse a separação da carne dos ossos. E isto não somente porque me lembro das tribulações e misérias que meus queridos têm de sofrer; especialmente a filhinha cega. Mi­nha pobre filha, quão triste é a tua porção neste mundo! Serás maltratada, pedirás esmolas; passarás fome, frio, nudez e outras calamidades! Oh! os sofrimentos da minha ceguinha quebrar-me-iam o coração aos pedaços!"

"Eu meditava muito, também, sobre o horror ao Infer­no para os que temiam a Cruz a ponto de se recusarem a glorificar a Cristo, suas palavras e leis perante os filhos dos homens. Além do mais, pensava sobre a glória que Ele pre­parara para os que, em amor, fé e paciência, testificavam dele. A lembrança destas coisas serviam para diminuir a mágoa que sentia ao lembrar-me de que eu e meus queri­dos sofriam pelo testemunho de Cristo".

Nem todos os horrores da prisão abalaram o espírito de João Bunyan. Quando lhes ofereciam a sua liberdade sob a condição de ele não pregar mais, respondia: "Se eu sair hoje da prisão, pregarei amanhã, com o auxílio de Deus".

Mas se alguém pensar que, afinal de contas, João Bu­nyan era apenas um fanático, deve ler e meditar sobre as obras que nos deixou: Graça Abundante ao Principal dos Pecadores; Chamado ao Ministério; O Peregrino; A Pere­grina; A Conduta do Crente; A Glória do Templo; O Peca­dor de Jerusalém é Salvo; As Guerras da Famosa Cidade de Alma-humana; A vida e a Morte de Homem Mau; O Sermão do Monte; A Figueira Infrutífera; Discursos Sobre Oração; O Viajante Celestial; Gemidos de Uma Alma no Inferno; A Justificação é Imputada, etc.

Passou mais de doze anos encarcerado. É fácil dizer que foram doze longos anos, mas é difícil conceber o que isso significa - passou mais da quinta parte da sua vida na prisão, na idade de maior energia. Foi um quacre, chamado Whitehead, que conseguiu a sua libertação. Depois de liberto, pregou em Bedford, Londres, e muitas outras cida­des. Era tão popular, que foi alcunhado de "Bispo Bu­nyan". Continuou o seu ministério fielmente até a idade de sessenta anos, quando foi atacado de febre e faleceu. O seu túmulo é visitado por dezenas de milhares de pessoas.

- Como se explica o êxito de João Bunyan? O orador, o escritor, o pregador, o professor da Escola Dominical e o pai de família, cada um conforme o seu ofício, pode lucrar grandemente com um estudo do estilo e méritos de seus es­critos, apesar de ele ter sido apenas um humilde funileiro, sem instrução.

- Mas como se pode explicar o maravilhoso sucesso de Bunyan? Como pode um iletrado pregar como ele pregava e escrever num estilo capaz de interessar à criança e ao adulto; ao pobre e ao rico; ao douto e ao indouto? A única explicação do seu êxito é que "ele era um homem em cons­tante comunhão com Deus". Apesar de seu corpo estar preso no cárcere, a sua alma estava liberta. Porque foi ali, numa cela, que João Bunyan teve as visões descritas nos seus livros - visões muito mais reais do que os seus perse­guidores e as paredes que o cercavam. Depois de desapare­cerem os perseguidores da terra e as paredes caírem em pó, o que Bunyan escreveu continua a iluminar e alegrar a to­das as terras e a todas as gerações.

O que vamos citar mostra como Bunyan lutava com Deus em oração:

"Há, na oração, o ato de desvelar a própria pessoa, de abrir o coração perante Deus, de derramar afetuosamente a alma em pedidos, suspiros e gemidos. 'Senhor', disse Da­vi, 'diante de ti está todo o meu desejo e o meu gemido não te é oculto' (Salmo 38.9). E outra vez: 'A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresen­tarei ante a face de Deus? Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma!' (Salmo 42.2-4). Note: 'Derramo a minha alma!' é um termo demonstrativo de que em oração sai a própria vida e toda a força para Deus".

Em outra ocasião escreveu: "As melhores orações con­sistem, às vezes, mais de gemidos do que de palavras e estas palavras não são mais que a mera representação do co­ração, vida e espírito de tais orações".

Como ele insistia e importunava em oração a Deus, é claro no trecho seguinte: "Eu te digo: Continua a bater, chorar, gemer e prantear; se Ele se não levantar para te dar, porque és seu amigo, ao menos por causa da tua im­portunação, levantar-se-á para dar-te tudo o que precisares".

Sem contestação, o grande fenômeno da vida de João Bunyan consistia no seu conhecimento íntimo das Escritu­ras, as quais amava; e na perseverança em oração ao Deus que adorava. Se alguém duvidar de que Bunyan seguia a vontade de Deus nos doze longos anos que passou na prisão de Bedford, deve lembrar-se de que esse servo de Cristo, ao escrever O Peregrino, na prisão de Bedford, pregou um ser­mão que já dura quase três séculos e que hoje é lido em cento e quarenta línguas. É o livro de maior circulação de­pois da Bíblia. Sem tal dedicação a Deus, não seria possí­vel conseguir o incalculável fruto eterno desse sermão pre­gado por um funileiro cheio da graça de Deus!

fonte:   Mayflower: John Bunyan - Um Peregrino no Mundo (1628-1688)

02/05/2010

OS S7TE PECADOS CAPITAIS: AVAREZA

 

001

1ª Timóteo, 6.6-10

Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

1ª Timóteo, 6.17-19

Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna.

Avareza: ávido por dinheiro. Amor desregrado pelo dinheiro e pelas possessões materiais. Apego desmedido as coisas. Cobiça desordenada por quaisquer bens. Santo Agostinho dizia que a avareza tem um sentido geral de desejar coisas desse mundo, mas num sentido mais especifico a avareza esta relacionada ao amor a dinheiro.

Dinheiro. Sobre isso temos de falar quando falamos sobre avareza.

Costuma-se dizer que o dinheiro é neutro e o problema é o amor ao dinheiro. Não creio assim pra mim o dinheiro não é algo neutro. O dinheiro tem por trás de si um poder agindo. Há um poder que atua por trás do dinheiro e faz com ele ganhe vida. E funcione como se fosse um ser vivo. Aquilo que não tem vida funciona como se tivesse vida, podemos chamar biblicamente de potestade. Potestade é ser inanimado que se posiciona diante de nós como se fosse uma pessoa.

Jesus diz que você não pode servir a Deus e ao dinheiro. Dinheiro reivindica lealdade. Quer ser servido por nós. Isso é prerrogativ a de coisa viva. Por traz do dinheiro há um poder agindo. Ao ganhar vida é potestade. Vai tentar controlar, abusar de nós, ser senhor de nossa consciência e vontade.

Dinheiro não é neutro. Papel de bala é neutro. Sacolinha de supermercado é neutro. Dinheiro não. Você passa pelo papel de bala jogado no chão e as vezes não joga no lixo. Diferente de você passar por uma nota de cem reais. Papel de bala é neutro. Nota de cem não. Nota de cem é papel com valor. Papel com valor é papel com poder e papel com poder não é neutro.

Quando uma coisa tem poder faz apelo ao nosso coração.  Exige fidelidade…

O AMOR AO DINHEIRO É A RAIZ DE TODOS OS MALES

Avareza é o pecado que nos empurra a buscar obter o que não temos a qualquer custo e nos faz tentar preservar o que temos a qualquer custo isso é avareza. Quando temos necessidade de posse MEU, MINHA, essas falas possessivas são próprias da avareza.

CONSEQUENCIAS DA AVAREZA:

  1. Confusão de valores. Piedade com contentamento… Troca-se a piedade pelas coisas, pelo dinheiro, pelas posses. Troca-se a vida integra, pelo prazer e possibilidade possuir e ter.
  2. Perda do senso de eternidade… Nada trouxemos desse mundo… Conta-se.que Alexandre o grande , exigiu ser sepultado tendo suas mãos arrancadas e penduradas do lado de fora… Porque mesmo tendo conquistado tudo o que conquistou, ele morto desse mundo nada levaria… A avareza nos faz fixar os olhos no aqui e no agora e nos esquecermos da eternidade.
  3. Altíssimo grau de exigência para o contentamento. Por isso tendo o que comer… Mas quem de nós se satisfaz só com isso? Somos seres desejantes. Nossa fome não é só de pão. Não é só pedaço de pão, não qualquer abrigo que nos da o sensos de satisfação.
  4. Ficamos vulneráveis ao ilícito quem quer ficar rico cai em tentação. Cai em armadilhas e se tornam cativos de desejos descontroláveis e nocivos. O amor ao dinheiro nos   vulnerabiliza ao ilícito. Salmo 73… lúcido…
  5. Sofrimento e destruição; o amor ao dinheiro leva os homens a mergulhar na ruína e destruição;
  6. Perda da fé. Porque cobiçaram o dinheiro, desviaram-se da fé.

Sabe como isso acontece? Diferença de negar a fé e desviar-se da fé? Negar é não creio mais, não confio mais, não quero mais. Estou descartando Jesus e seu projeto de vida, estou negando. Desviar-se da fé, é diferente. É encontrar atalhos. Descaminhos. Desvios. É sair do caminho reto. É tentar andara na mesma direção, mas por rotas alternativas e convenientes. É a racionalização. Tentar justificar que o ilícito é licito. Tentamos encaixar os nossos desejos descontrolados, nossas conveniências mesquinhas, nossos interesses melindrosos, numa pauta de fidelidade a Deus. Situações de distorções mínimas pequenas, construindo lógicas. Achando justificativa… Passamos a medir pela media da sociedade, do todo mundo faz. Não é escandaloso. Então vamos nos desviando. Mas o que é pequeno hoje, amanhã se torna um grande desvio. E num determinado momento desdenho da fé. O que era modelo, vira conservadores, legalistas, moralistas…

Caímos nessa sociedade competitiva e egocêntrica. Cadeia chamada mercado. Mundo caótico do consumo.  Por que? Porque temos dentro de nós uma falta que acreditamos será suprida na próxima aquisição. Daí vivemos na cirando do desejo, e no esforço de multiplicar ou substituir uma falta não preenchida, daí compro um sapato novo, compro outro. E não preenche sane por que?

Sapato é novo por quanto tempo? Durante quanto tempo o cabelo é novo depois que você sai do cabeleireiro?

Porque consumimos tanto?

Porque consumir nos faz sentir, objeto novo traz para nos um sentimento novo. Quando eu coloco um sapato novo. Fico olhando. Converso co m você e de ou uma olhada. Me preocupo se seu filho vai pisar…. mas dali a pouco ele não é mais novo… o que eu preciso? Outro sapato novo. Pra sentir novamente a emoção de estar usando outro sapato novo.

Quem não tem coisa nova não tem emoção nova – essa é a visão do mercado…

Penso que é essa a raiz do que esta por trás do amor ao dinheiro. Através do dinheiro vou chegar a algum lugar que vai saciar minha falta. Daí já se explica porque o amor ao dinheiro é pecado.

  1. É pecado porque em primeiro lugar implica IDOLATRIA. Canalizo meu amor , a minha devoção,ao que não é Deus. E entro nessa ciranda, ter mais do mesmo ou um monte de coisa diferente vai me satisfazer caio na idolatria. Deus saiu de foco. Você não pode servir Deus e ao dinheiro, disse Jesus.Qual será sua fonte de satisfação?
  2. É pecado, por que nessa sociedade isso conspira contra a generosidade e a solidariedade. Porque eu tenho falta. Quem tem falta não reparte. Como posso repartir se o que eu tenho não é suficiente? Pior que uma sociedade que conspira contra generosidade e uma sociedade que conspira contra a justiça. Porque o meu acumulo pode significar a sua falta. “O famoso uns com tanto outros com tão pouco”. espírito da Bíblia não é esse. Quem colheu de mais não teve sobrando, quem colheu de menos não teve faltando.

PECADOS FILHOS DA AVAREZA.

DUREZA DE CORAÇÃO – Por causa do desejo excessivo de conservar o dinheiro, deixa de preocupar-se com os outros.

INQUIETAÇÃO E ANSIEDADE – Como eu consigo mais? Como eu faço pra conservar?

VIOLENCIA – Para tomar posse de um objeto de desejo pela força.

ENGANO, EMBUSTE – para tomar posse de modo disfarçado

PERJÚRIO –

FRAUDE -

TRAIÇÃO -

ARROGÂNCIA/PREPOTÊNCIA – É próprio do rico achar que tudo pode. (17). O dinheiro traz essa falsa ilusão. Falsa noção que somos melhores que os outros.  Difícil achar um rico simples. Mas tem pobre mais arrogante e prepotente que o rico! A diferença é que um tem dinheiro e outro não tem. Mas os dois confiam no poder do dinheiro.  O pobre”no dia que eu tiver, então…”  5000,00 resolvem minha vida pra sempre… pula fora! Porque isso não existe. Dinheiro não resolve a vida de ninguém!!

IDOLATRIA: Quando uma criatura é tornada Deus ela se torna um diabo. Aquilo que é ultimo na sua vida é o que te confere dignidade. É o sentido da sua vida… Isso só pode ser Deus.

Poucas coisas fazem nossa cabeça virar como o dinheiro.

Qual a resposta cristã para esse pecado capital?

Generosidade. Dar, doar, repartir. Avareza, traz um sentimento de falta, um sentimento de escasez.uma cultura de não repartir. Lei do menor esforço. De fazer o mínimo necessário.

Na matemática de  Deus os recursos se multiplicam quando compartilhados e doados. Na matemática de Deus quem tem mais é quem mais dá. Deus é favor da partilha. Preencher vazio e falta? Dê! Quanto mais abraço, mas condições de abraçar. Fazer mais, fazer alem do esperado.

É 10% do liquido ou do bruto?

Quando você começa a fazer conta numa relação, é porque o amor está fora da relação.

Relação de amor não faz conta. Exemplo: A Márcia me diz: Se você e ama de verdade você vai me dar três beijos por dia! No dia que eu estiver sentado vendo os gols, pensando: será que já dei três beijos hoje? Foi só dois? Foi um de manhã? Em todo caso vou lá da mais um… Não sei quantos dei, mas vai mais um pra você não reclamar! Isso é beijo?

É a mesma coisa: Deus eu não sei se é 10% do bruto ou do líquido ,mas em todo caso vai do bruto pro Senhor não ficar chateado!

Imagino que Deus responderia: “Fica com a porcaria do seu dinheiro! Não quero isso! Eu quero seu amor, quero seu coração!”.

Quando isso acontecer – o coração ser de fato entregue – todo o resto acompanha (talento, tempo, recursos, bens…). Nessa hora, você não faz conta. Você se dá porque no amor a gente se dá. Quando a gente começa a fazer conta a gente não ama. Dou mais do que me pedem. Não acho que vai faltar. Mentalidade de abundância.

Minha oração é possamos nos aproximar de Deus com coração grato de ter e ter pra dar. Livre para ser generoso.

milton paulo

FONTE || vineyard café || blog

O Irmão Asno - M. Lloyd-Jones


(Uma das causas de depressão espiritual) — condições físicas. Alguém está surpreso? Há quem defenda a idéia de que uma vez que, você se tornou cristão, não importa quais sejam as condições do seu corpo? Bem, se você crê nisso, ficará logo desiludido. As condições físicas desempenham sua parte nisso tudo. . . há certas indisposições físicas que tendem a promover depressão. Thomas Carlyle, suponho, é uma notável ilustração disso. Ou, por exemplo, o grande pregador que pregou em Londres durante quase quarenta anos no século passado — Charles Haddon Spurgeon — um dos verdadeiramente grandes pregadores de todos os tempos.

Aquele grande homem era sujeito a depressão espiritual, e a principal explicação, no caso dele, era sem dúvida que ele padecia de artrite, enfermidade que, finalmente, o matou. . . E existem muitos, acho eu, que vêm falar comigo sobre estes assuntos, em cujo caso parece-me bem ciara que a causa do distúrbio é principalmente física. . . fadiga, esforço demasiado, doença. Não se pode isolar o espiritual do físico, porquanto somos corpo, mente e espírito. Os maiores e melhores cristãos, quando fisicamente fracos, estão mais propensos a um ataque de depressão espiritual do que em qualquer outra ocasião, havendo nas Escrituras grandes ilustrações desta verdade.

Digamos uma palavra de advertência neste ponto. É preciso não esquecer a existência do diabo, nem permitir-Ihe que nos faça cair na armadilha e considerar espiritual aquilo que é fundamentalmente físico. Mas precisamos ser cuidadosos em todos os lados, ao traçarmos essa distinção; porque se você ceder um passo ao seu estado físico, tornar-se-á culpado em sentido espiritual. Se, contudo, você reconhecer que o físico pode ser parcialmente responsável por sua condição espiritual e fizer concessões a esse respeito, estará bem mais habilitado a tratar do espiritual.

fonte:   Martyn Lloyd-Jones: O Irmão Asno - M. Lloyd-Jones

01/05/2010

O Sofrimento Faz seu Cálice Transbordar - Piper

 

John Piper

  • O alicerce do prazer cristão é o fato de que Deus é supremo em suas próprias afeições
  • O principal propósito de Deus é glorificar a Deus e ter prazer em Si mesmo para sempre.
  • Somos propensos a descrever as intenções de Deus conosco no centro das Suas Afeições.
  • Deus nos criou para a sua glória. Portanto é nossa obrigação viver para a sua glória.
  • Mandamento bíblico mais direto - Tenha prazer no Senhor!!

 

O Sofrimento Faz seu Cálice Transbordar - Piper

Postado por Marcos Stockstill às 15:56

Por suportar o sofrimento com paciência a recompensa por nossa experiência da glória de Deus no céu aumenta. Isso é parte do que Paulo quer dizer em 2 Corintios 4.17-18.

A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.


A aflição de Paulo é "preparar", "efetuar" ou "realizar" um peso de glória acima de toda comparação. Devemos tomar seriamente as palavras de Paulo aqui. Ele não está meramente dizendo que tem uma grande esperança no céu que o capacita a suportar o sofrimento. Isso é verdade. Mas aqui ele diz que o sofrimento tem um efeito sobre o peso de glória. Aí parece haver uma conexão entre o sofrimento suportado e o grau de glória desfrutado. Certamente a glória ultrapassa infinitamente o sofrimento, como Paulo afirma em Romanos 8.18: "Para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós." Entretanto, o peso dessa glória ou a experiência dessa glória parecem ser mais ou menos, dependendo em parte da aflição que suportamos aqui com fé paciente.

Jesus apontou para a mesma direção quando disse: "Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, men¬tindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus"(Mt 5.11-12). Isso proporciona o maior dos incentivos para alegrar-nos, uma vez que Jesus afirma que, quanto mais suportarmos o sofrimento em decorrência da fé, maior será nossa recompensa. Se um cristão que sofreu muito por Jesus e outro que não sofreu muito experimentarem a glória final de Deus exatamente do mesmo modo e grau, pareceria estranho dizer ao cristão sofredor para regozijar-se e alegrar-se (naquele mesmo dia, cf. Lc 6.23), porque ele receberia a recompensa mesmo se não tivesse sofrido. A recompensa prometida parece ser em res¬posta ao sofrimento e um prêmio específico por ele. Se isso não é explícito e certo aqui, parece ser subentendido em outras passagens do Novo Testa¬mento. Permitirei que Jonathan Edwards as apresente, enquanto lemos uma das mais profundas reflexões que já li sobre esse problema. Aqui Edwards trata, de forma surpreendente, sobre a questão de como pode haver graus de felicidade em um mundo de perfeita alegria.

Há diferentes graus de felicidade e glória no céu.... A glória dos santos citada será de algum modo proporcional à sua eminência em santidade e boas obras aqui [e paciência por meio do sofrimento é, antes de tudo, uma das boas obras, cf. Rm 2.7]. Cristo compensará a todos de acordo com as suas obras. Aquele que ganhou dez moedas teve autoridade sobre dez cidades e o que ganhou cinco moedas, sobre cinco cidades (Lc 19.17-19). "Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará" (2 Co 9.6). E o apóstolo Paulo diz-nos que, assim como uma estrela difere de outra em glória, assim também será na ressurreição dos mortos (1 Co 15.41). Cristo ensina-nos que aquele que dá um copo de água fresca a um discípulo, em nome de um discípulo, de modo algum perderá seu galardão. Mas isso pode não ser assim, se uma pessoa não receber um galardão maior por fazer muitas boas obras do que se fizesse apenas poucas.

Não haverá nenhum desalento à felicidade daqueles que têm menores graus de felicidade e glória, por haver outros avançados em glória acima deles: pois todos serão perfeitamente felizes e satisfeitos. Toda embarcação que é lançada nesse oceano de felicidade está cheia, embora haja algumas bem maiores que outras; e não haverá no céu coisas como inveja, mas o perfeito amor reinará sobre toda a sociedade. Aqueles que não forem tão elevados em glória como outros não invejarão os que estão mais acima, antes sentirão amor tão grande, forte e puro por eles que se regozijarão com sua felicidade superior; seu amor por eles será tamanho que ficarão mais alegres pela maior felicidade dos outros; assim, em vez de ficarem desalentados com sua própria felicidade, mais felicidade será adicionada a ela....

Então, por outro lado, aqueles que são mais altos em glória, como serão também os mais amáveis, exceder-se-ão proporcionalmente em divina benevolência e amor para com os outros e terão mais amor a Deus e aos santos do que aqueles que estão abaixo em santidade e felicidade. E, além disso, aqueles que se elevam em glória também se elevarão em humildade. Aqui, neste mundo, aqueles que estão acima dos demais são objeto de inveja, porque... outros os imaginam como superiores; mas no céu não será assim, os santos que se distinguirem em felicidade serão [distintos] em santidade e, conseqüentemente, humildade....

A exaltação de alguns no céu acima dos demais estará tão longe de diminuir a perfeita felicidade e alegria dos restantes que estão abaixo, que eles serão mais felizes por isso; de tal modo será a união em sua sociedade que serão partilhadores da felicidade um do outro. Então será cumprido em suas perfeições o que está declarado em 1 Coríntios 12.22: "Os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários."

Assim, um dos objetivos de Deus no sofrimento dos santos é ampliar sua capacidade de desfrutar da glória dele, tanto aqui como no que está por vir. Quando seu cálice for apanhado, como se fosse do "lixo do mundo" (1 Co 4.13), e lançado ao oceano da felicidade celestial, ele possuirá mais felicidade por ter se afastado do mundo e vivido somente em Deus.

FONTE:  O Cristão Hedonista: O Sofrimento Faz seu Cálice Transbordar – Piper