04/02/2010

Testemunho - Rodolfo Abrantes

No ano de 2000, eu estava cheio do que o mundo diz que é o auge, que é o tesouro, que é beleza e significa fama, dinheiro, etc... Tudo isso que o mundo pode oferecer para uma pessoa, mas as pessoas se matam por isso. Eu estava cheio de tudo isso, mas por dentro eu estava na maior miséria que já havia enfrentado na vida. Eu viajei com meu irmão pra praia da Pipa para passar um revellion junto com ele e durante o tempo que eu passei com ele eu só sabia falar cinco frases que eram: ‘vamo fuma’, ‘vamo come’, ‘vamo chapá’, ‘vamo surfá’ e ‘vo não’. Porque quando ele me chamava para fazer uma coisa diferente dessas eu dizia ‘vo não’.
Em um mês eu falei apenas cinco frases com meu irmão, de tão drogado que eu era, de tão infeliz, de tão sem assunto e de tão vazio, porque ninguém dá o que não tem.Como é que eu ia falar alguma coisa, eu não tinha nada! Eu era seco, vazio, um nada , um boneco, apenas corpo presente ali. Em qualquer lugar que eu estivesse, minha cabeça estava em marte. Eu não sabia nem onde estava. Tem cidades que eu fui que eu nem sabia que lá já tinha ido. Lesado, completamente drogado. Estragado. Usava drogas desde os treze anos de idade.
Mas Deus viu a minha situação e sabia que dali em diante eu não conseguia carregar nada sozinho. Eu estava morrendo, e com os sintomas de um monte de doenças no meu corpo. Por ser filho de médicos (mãe pediatra e pai ginecologista e obstetra) conheço um pouco de doença, então sabia que o que tinha no meu corpo era algo muito sério. Comecei a emagrecer de uma hora para outra e tinha uma dor no estômago que me corroía todos os dias. Começou a aparecer um monte de caroços debaixo do braço que doíam muito, cheguei a contar nove caroços debaixo do braço, fora os da virilha que eram enormes, doíam demais.
Deus nos colocou juntos de uma forma milagrosa pois havia seis anos que tínhamos nos conhecido e pelo menos uns três que não nos víamos, eu me reencontrei com ela e nós não desgrudamos mais. Trouxe-a para São Paulo, para morar comigo.Ela estava mais drogada do que eu. As drogas que ela consumia eram muito mais fortes dos que as que eu usava. Mas acontece que a Alexandra tinha uma coisa dentro dela que eu não tinha, uma coisa que vale mais do que o mundo inteiro.Ela tinha uma semente que se chama Palavra de Deus dentro do coração dela, porque aos quinze anos, quando ela me conheceu, ela conheceu a Jesus também.
Só que naquela época ela não seguiu nem a mim e nem a Jesus. Mas era o suficiente para saber que Jesus era o auxílio na hora da dificuldade. Toda vez que a coisa ficava preta, ela corria para dentro da igreja.Essa era a mulher que Deus colocou ao meu lado, uma mulher torta. Muita gente podia dizer que essa mulher era pior do que eu. Mas Deus não faz acepção de pessoas e Deus escolhe quem quer. Não interessa se você é o Presidente da República ou se você é gari. Um homem torto, com uma mulher torta. E começamos a brigar e a nos agredir.
A nossa vida virou um reflexo de tudo o que nós fazíamos: um casal drogado, vivendo em pecado, na mentira, porque os pais dela nem sabiam que ela morava comigo. Na casa dos pais dela podiam falar cão, mas não podia falar Rodolfo.Hoje minha sogra é uma bênção e trabalha conosco. O cenário para o diabo operar estava completo. Mas Deus, que é o todo poderoso, começou a mexer as coisas também.E a Alexandra começou a buscar a JESUS e a se encher. E dizer: Se tu me deres o Rodolfo, eu nunca mais te largo.
E o fogo começou a aumentar e os capetas tentando apagar através de mim, que era um saco de demônios, mas Deus estava ali protegendo a brazinha dela, e o foguinho foi pegando e pegou num ponto que consumiu o Rodolfo no coração dela, ao ponto dela dizer: Senhor, com Rodolfo ou sem Rodolfo eu nunca mis te largo! Já não era eu mais em primeiro lugar, era Deus. Deus estava em primeiro lugar, aí Deus começou a transbordar na vida dela.Ela convidou umas irmãs para fazerem uma campanha de oração dentro de casa para ajudar a Alexandra a carregar a cruz dela, não pense que ela conseguiu sozinha.
Elas começaram uma campanha de sete segundas-feiras lá em casa. Eu fugi das três primeiras. Na quarta, Deus me pegou, não teve jeito. Eu não queria saber de crente e achava que era a pior raça, que crente só servia para tirar dinheiro dos outros. ‘Eu sou doido, mas crente é ainda mais doido, não presta’.Eu aceitei Jesus naquele dia, sabe porquê? Porque Deus dominou o lugar, Deus dominou o lugar completamente, eu não sabia isso na hora, claro. Hoje eu sei. Aquelas irmãs chegaram com simplicidade.Eu que nunca tinha visto um culto evangélico na minha vida. O primeiro era um culto ultra, mega, super pentecostal ao extremo dentro de casa, dentro da sala em que eu fumava maconha.
Era irmã correndo, dentro do banheiro todo enfumaçado em que eu tinha acabado de fumar. Vi lá uma irmã orando na latinha, aliás, uma latona de maconha que eu tinha. Era irmã orando pra tudo quanto é lado. E eu perguntava: Deus que negócio é esse? Sabe o que aconteceu? Deus tomou conta do lugar, Deus tomou conta de tudo.Era a presença de Deus enchendo aquilo ali. Glória a Deus! Aceitei Jesus naquela tarde, meio sem saber o que estava fazendo. Não sei porque eu aceitei Jesus. Acho que foi para elas irem embora. Mas eu aceitei Jesus e Ele entrou e não teve mais como escapar. Ele entrou e ficou.
E quando Ele entrou, começou a trabalhar, e começou a mexer as coisas.Passou uma semana, e o Rodolfão estava lá no segundo culto da vida dele, dentro de casa, porque eu era tão doido que eu nunca ia pisar numa igreja, e aí Deus é tão misericordioso que Ele enfiou uma igreja prontinha dentro de minha casa. Nessa segunda semana, Deus se revelou para mim dessa maneira, a irmã começou a orar sem eu pedir nada.
Ela começou a orar e abaixou a mão até a minha barriga e me disse que Jesus estava me curando de um câncer para você saber que Ele é Deus, que Ele te ama e que Ele tem uma grande obra para fazer na sua vida.Ela falou que era um câncer de estômago. O interessante é que eu não tinha contado isso a ninguém.Meu avô morreu de câncer, dois tios meus morreram de câncer no estômago, duas tias minha tiveram que arrancar os seios porque tiveram câncer; era uma maldição que se alastrava na minha família. Graças a Deus Jesus Cristo cortou essa maldição quando chegou em mim.
Naquela tarde a minha dor de estômago desapareceu, e todos os caroços que eu tinha desapareceram. Passei a engordar, chegando a engordar uns 18 quilos, não de uma hora para outra. Fui ficando saudável e engordando, feliz. Jesus foi entrando em minha vida. Fui curado, passei a viver apaixonadamente por Jesus e aquelas irmãs começaram a me ajudar, com muito amor.
Fomos caminhando. Fui expelido daquela banda como um dente que cariou e que tem que ser arrancado. Deus me tirou de lá. Graças a Deus, no momento certo. Levei muitas pedradas por causa disso, levo até hoje. Deus tem um treinamento intensivo com quem se coloca à sua disposição.
Você quer servir a Cristo? Então te prepara irmão!É um privilégio maravilhoso servir a Deus. Naquele momento os pais da Alexandra que estavam desviados, começaram a ver a obra, a ver que agente não se drogava mais, que estávamos noivos, depois nos casamos rapidinho. Em meu primeiro testemunho, subi no púlpito e comecei a chorar. Eu só sabia dizer: fui curado e não uso mais droga, não conseguia falar nada mais, só chorava. Eu não entendia mais nada e pensava: pra falar palavrão no microfone quando era da Banda eu falava tão bem, porque que pra falar das coisas de Deus eu não consigo?
É porque até você se acostumar com o fogo do altar leva tempo! É o fogo queimando as impurezas ainda. Quer ter vitória, anda no caminho do Senhor, obedeça, leia a Bíblia e siga seus conselhos.Hoje eu não bebo, não é porque eu não possa, é porque eu não quero. Eu quero ter comunhão com o Pai.Isso vai atrapalhar minha comunhão, então fora com a bebida! Atitude inteligente é você andar por um caminho que te leva pra vida e não em um caminho que te leva pro buraco!Vai pra vida e você vai ver que você será feliz sem uma gota de álcool! Sem cigarro, sem droga. Você vai ver o que é ser verdadeiramente feliz e sem nada dessas porcarias!
O caminho da felicidade nada mais é que a Presença de Deus em nós!
Isso satisfaz o ser humano.”

"Não vos enganeis: de Deus ninguém zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará." - Gálatas 6:7

Se quiser assistir o depoimento do Rodolfo vá no youtube:

fonte:     regações e Debates - Porque a Tua Palavra, Não Passará...: Testemunho - Rodolfo Abrantes

03/02/2010

ILUSTRAÇÃO: O CORAÇÃO DO PAI

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Conta-se de um rico fazendeiro que tinha um único filho. Ao contrário do pai, o moço não gostava de trabalho nem de compromissos. À semelhança do filho pródigo da parábola de Jesus, esse rapaz gostava de festas e de estar com os amigos, usufruindo os lucros da família.
Seu pai sempre o advertia que seus amigos só estariam ao seu lado enquanto ele tivesse o que lhes oferecer, depois, iriam abandoná-lo. Os insistentes conselhos do pai retiniam em seus ouvidos, mas logo o rapaz se ausentava, sem dar a mínima atenção.
Um dia, o velho pai, já avançado em idade, disse aos seus empregados para construírem um pequeno celeiro e, dentro do celeiro, o próprio pai fez uma forca, e nela uma placa com os seguintes dizeres: “Para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai”.
Mais tarde, chamou o filho, o levou até o celeiro e disse:
– Meu filho, já estou velho e, quando eu morrer, quero deixá-lo responsável pela fazenda. Mas, como já sei que você vai acabar falido e solitário, ergui esta forca para você. Quero que me prometa que quando acontecer o que eu disse você se enforcará nela.
O jovem riu, achando que esta era mais uma forma de seu sábio pai chamar a sua atenção. De qualquer forma, para não contrariar seu velho, prometeu atender ao pedido absurdo.
Passaram-se os meses. O velho morreu. O rapaz assumiu tudo. E, como o pai havia previsto, o jovem viveu na gastança. Pobre, perdeu os amigos, a família e a própria dignidade. Desesperado, começou a refletir sobre sua vida. Lembrou-se do seu pai e, chorando, lamentou:
– Ah, meu pai, se eu tivesse ouvido teus conselhos... mas agora é tarde, tarde demais!
Ao longe, avistou o pequeno celeiro e lembrou-se da forca. Era a única coisa que lhe restava.
A passos lentos, dirigiu-se até lá e, querendo fazer a vontade de seu pai, pelo menos uma única vez, subiu nos degraus e pensou: “Ah!, se eu tivesse uma nova chance...”. Colocou a corda no pescoço e pulou. A corda apertou sua garganta, mas logo se ouviu um grande barulho. Era o braço da forca que, por ser oco, quebrou-se facilmente.
O rapaz foi ao chão e sobre ele caíram jóias, esmeraldas, pérolas, diamantes, etc. A madeira estava cheia de pedras preciosas e, entre elas, um bilhete: “Essa é a sua nova chance. Te amo muito!”. Emocionado, ergueu os olhos e leu novamente a placa: “Para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai”.
Não é assim sábio e misericordioso conosco o nosso Pai que está no céu? Leia Mateus 7.9-11FONTE: Instituto Cristão de Pesquisas

02/02/2010

A ÁFRICA DOS MEUS SONHOS – Caio Fábio

 Missão na Nigéria

Não trouxe a África nem nas minhas bagagens! Nenhuma lembrancinha de aeroporto.

Pra que lembranças se não vou esquecer? Esculturas artesanais que desenham lindas mulheres negras vivendo o cotidiano de carregar lenhas eu já as tenho em casa faz tempo por iniciativa da minha esposa. Temos negras, japonesas, espanholitas, nordestinas, holandesas, indígenas... Souvenires de amor transcultural.

Entretanto, nessa primeira madrugada uma torrente de sonhos transpassou toda a noite em muitas memórias e ecos.

Sonhos. Sonhos muitos. Sons estranhos. Misturados. Faces várias de crianças tantas.

Trouxe a África comigo. Trouxe as ocultas personagens desse intercâmbio. Trouxe os rostinhos dos que ficaram no meio do caminho enquanto prosseguíamos. Sinceramente não sirvo para salvar ninguém por estatística. Ou dou um jeito logo em tudo, ou é melhor nem ter começado!

Nos meus sonhos, voltei a um vilarejo miserável em Oron, miserável cidade de Akwa Ibom State.

Missão na Nigéria

Devolvemos a essa vila um jovenzinho-bruxo todo quebrado pelo “vodu cristão”! Ele foi levado ao campo pelo irmão mais velho e quando ia ser imolado com um facão, foi arrancado da morte pelos homens do Chief Mr. Medekon, um dos maiores e mais respeitados anciãos da cidade. Conduzido ao orfanato, coube-nos investigar a causa de sua bruxificação e conversar com seus pais a respeito.

Missão na Nigéria

Mr. Medekon e sua equipe nos levaram ao vilarejo de origem. Lugar escuro, casebres de argila, aspecto tribal, sem ruas, mantido resfriado pelas palmeiras que se levantam ao redor. Parecia que todos já nos esperavam, inclusive a “vítima”, Emilia, a criança a quem o garoto, supostamente, impôs feitiços: uma menininha com cara de dor, com uns 5 aninhos, que carrega uma corcunda no meio das costas, entre as clavículas. É um edema que desvia sua coluna e aperta de dor seu pequeno peito. O chief, casado com uma enfermeira inglesa aposentada, suspeita de uma má-formação vertebral. Tomei em meu colo a criança. Ela não anda. Dói. As crianças a carregam. Sua mãe olhava esperançosa para mim. Mal sabia que eu mal sei. Toquei, apalpei, circunscrevi, pensei, consultei o arsenal mínimo de informações que a semiologia me deu durante esses anos que trabalho com neurologistas e minha sugestão diz respeito a uma tumoração que está esmagando o que tem ao redor de si. Sua origem só exames de ressonância poderão mostrar. Sua extensão aparecerá em tomografias com cortes precisos das imagens. Sua malignidade, só via-biópsia. Sua possibilidade de cura, só um neurocirurgião pode determinar; pois caso seja maligno, precisa saber se é invasivo – metido entre vértebras ou peritônio. E só será operável em função da nobreza da região no qual se está implantado. Se for ortopédico, há um longo caminho entre intervenções cirúrgicas e fisioterapias.

Missão na Nigéria

O chief, apoiado sobre sua bengala-cedro, nos chamou de canto e falou baixinho para que as dezenas de moradores que nos cercavam não ouvissem: “Amigos, se vocês conseguirem curar essa moça por vias médicas que não temos aqui, daí com um único exemplo, nós derrubaremos a crença mitológica de meu povo ignorante! Façam isso por nós, por favor!”

Ele usou de uma lógica ingênua e ao mesmo tempo racional: Ora, se a causa de muitas crianças serem expulsas dessa vila (bastando para tanto confessarem que são bruxos) está relacionada ao incurável desvio ortopédico da menininha, a cura dela cessaria o fluxo de acusações e suspeitas que viviam recaindo sobre as demais crianças moradoras do local.

Missão na Nigéria

Ali mesmo, sem mesas de escritório e mapas estratégicos, acreditamos que nada nos seria impossível, mesmo sendo tão desafiador! Lembrei-me que Jesus mandou curar os enfermos e expulsar os demônios dos vilarejos e cidades que entrássemos, anunciando-lhes que o Reino é chegado! – É foi o que decidimos fazer!

Pedi à Diana – nigeriana da Stepping Stones Nigeria que estava secretariando nossa visita a essa cidade – que anotasse os caminhos:

<!--[if !supportLists]-->1) Procurar um médico clínico que providencie um hospital para exames de imagens e diagnóstico, e encontrar tal médico e tais exames nem que fosse seja lá aonde! <!--[endif]-->

<!--[if !supportLists]-->2) Com o diagnóstico médico, ter detalhes do tratamento a ser instituído e sua morbidade;<!--[endif]-->

<!--[if !supportLists]-->3) Se for tratável, levar a menina Emilia para a Europa através de um grande levante de fundos junto aos amigos do “Caminho” pelo mundo, não deixando de crer na possibilidade de que uma equipe de anjos a opere gratuitamente, considerando fatores de extrema pobreza e gravidade do caso; <!--[endif]-->

A tempo, ainda estávamos lá dias depois, quando a Diana encontrou um hospital-escola no centro do país que disse que faria exames imaginológicos a um valor que só saberíamos na hora da consulta (Na Nigéria, não tem SUS!). Deixamos com ela o dinheiro para o transporte da família até o hospital e vamos aguardar os resultados.

Após o “exame clínico” da criança, Mr. Medekon nos pediu mais um favor: Falar com aquele que ele considera o maior culpado pela persistência dessa relação “doença de uma criança – caça de outra”.

Pedi para chamar o pastor, então.

O homem apareceu quase imediatamente entre nós, de motinha. Suava muito debaixo de um terno que não tinha nada a ver com aquele monte de crianças peladas e adultos maltrapilhos.

Sua igrejinha não era ali perto. Não. Era exatamente onde estávamos! O chão no qual nos sentamos era o cimentado da igreja e nós nem sabíamos. E a igreja era mais um casebre dentre tantos ali, uma Assembléia de Deus abandonada pela Assembléia de Deus como a maioria das Assembléias de Deus que assembleiam-se por lá.

O Leonardo foi direto ao assunto: “Pastor Moises, qual sua culpa nisso tudo? O que você ensina a essa comunidade? Por que, apesar de sua influência cristã aqui, eles ainda crêem na bruxificação de crianças?”

O pastor estava ali, exposto a todos, cercado de dezenas de famílias, e negando sobre o olhar raivoso do chief, que tenha participação em tudo. Para nós não havia surpresa na negativa pastoral... Foi assim a Missão inteira. Diante de nós, todo mundo nega tudo ao mesmo tempo em que pede clemência!

Aproveitamos seu estado de culpa, pedimos o auditório da sua igreja p´ra levar para uma reunião comunitária todos os que nos cercavam. Ele com toda prontidão abriu suas portas e num único assobio, convocou a vila.

Missão na Nigéria

As crianças e os adolescentes foram os primeiros a tomar assento. Estavam ansiosos e esforçando-se por captar o que se passa na cabeça dos adultos. Os pequeninos participaram da assembléia como quem buscar entender seus direitos à vida. Dava pena de vê-los tentando interpretar nossas brigas, discussões, apelos, réplicas, desafios, argumentações...

Missão na Nigéria

O Leo pregava em inglês contra a estigmatização infantil ensinando como Jesus tratava as crianças. O pastor Moises o traduzia para o dialeto local, especialmente preocupado em que os menores entendessem. Tal gesto foi me conquistando...

Ao final da preleção (aos berros, como tudo tem que ser ali), o Leonardo perguntou quem era contrário ao retorno do menininho quase imolado ao seio de sua casa. Pai e mãe aguardavam com expectativa a manifestação ou não de alguém.

Daí um adolescente de uns 16 anos se levanta, pede a palavra e discursa em inglês com incrível habilidade oratória: “Que garantia vocês nos dão de que o menino-bruxo não fará mais mal a minha vila?”

- “E de onde você tirou tamanha convicção de que ele é bruxo?” – disse o Leonardo.

- “Ele confessou que é bruxo! E quando um possesso confessa que o é, está confirmado seu estado!”

- “E eu sou o Barack Obama! Você acredita na minha confissão?”

- “Não! Eu não conheço você, mas sei que você não é o Barack Obama!”

- “E você conhece a criança ou o diabo dela para crer no que ela diz a seu próprio respeito após ter sido tão pressionada? Sobre pressão uma criança confessa o que dela pedirem!”

Começou então o de sempre: Eles brigam em Ibibio, o dialeto local. E uma gritaria ibibiana tomou o lugar, uns agredindo os outros, todos ao mesmo tempo, feito reunião de condomínio!

Eu só assistia enquanto fitava o belo jovem que a nós se opunha! Senti nele uma mistura de sinceridade com a presunção típica de quem pensa que nasceu sabendo coisas com as quais peitava o Leonardo e o Chief. Daí, pedi para falar. E o fiz, gritando e andando pelo pequeno recinto cinza:

“Meu amigo, quando os “white men” escreveram sobre o assunto, o teu pai nem tinha nascido. O idiota do homem branco que determinou que endemoninhados confessam que o são em nome de Jesus nem podia imaginar que vocês aplicariam isso à crianças! Agora, seus pastores pioram as besteiras que os meus escreveram e você acredita nisso como se fosse uma grande revelação??? Defenda suas crianças, rapaz! O próximo acusado pode ser seu irmão, pode ser VOCÊ! Pare de assistir filmes ridículos! Pare de acreditar em Helen Ukpabio! Creia em Jesus! E se você é o futuro mentor dessa vila, está na hora de aprender o Evangelho de Verdade, que deixaremos em suas mãos, para ensinar a todos!

Ele sabe que falávamos com autoridade, mas com amor e respeito por ele! Ao final, ele acatou com muita sinceridade nossas palavras e creu nelas de todo o coração! O Espírito me revelou que ele presidirá os “do Caminho” naquele lugar, como sábio guardião da fé.

Também sei que Deus vai curar Emilia, a pequena corcundinha. Orei debruçado sobre a cabeça dela como por um filho meu... Pedindo que o Pai a livre do Mal; e sobre o mal em suas costas passei minha própria saliva, misturada ao seu suor, untando-a assim com um bálsamo estranho até a mim mesmo... Preparando-a para a cura, seja pela medicina do Milagre ou pelo milagre da Medicina!

No dia seguinte, nossa equipe voltou até lá com material de ensino, com Evangelhos e literatura infantil. Encontraram resistência de outros homens, ausentes no dia anterior e motivados somente pelo espírito de inveja e pela embriaguez que os tomava. Eles recolheram alguns da reunião “no tapa”, mas a própria comunidade tratou de desprezá-los! Mães, pais e filhos queriam a Boa Nova do Evangelho e não os temeram. Os pais do menino pediram que assim que a “poeira abaixe” e as oposições se silenciem possamos tirar seu filho do orfanato e levá-lo de volta para casa. Por ora, estamos cuidando de seu bracinho quebrado.

No pequeno vilarejo em Oron, a Paz deu o ar de Sua Graça!

Missão na Nigéria

Ao nos despedir o chief me disse profundo: “Sei que nada faz sentido algum para vocês aqui, mas, por favor, não desistam do meu povo! Por favor!”

É esse clamor que me ecoou pela primeira madrugada pós-africana.

Essa não é África do meu Sonho, mas é a África dos meus sonhos.

Por favor, não desistam desse povo!

Por favor!

Marcelo

Santos/SP

A POEIRA NUNCA ABAIXAfonte:   Caio Fábio

01/02/2010

A direção errada

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Fábula chinesa

Um homem que habitava na bacia do rio Amarelo decidiu ir um dia à bacia do rio Yangzi, situada no reino de Chu.
Todos sabem que o reino de Chu se encontra ao sul; no entanto o homem, ao subir na sua carruagem mandou que esta fosse em direção ao norte.
--Olhe que está na direção errada!--disse-lhe alguém a meio do caminho.--Para ir ao reino de Chu deve tomar a estrada sul e não esta. Está a ir em direção oposta!
Mas o viajante respondeu:
--Não tem importância. Os meus cavalos são possantes e velozes.
--Você pode ter bons cavalos--disse-lhe o outro,--mas olhe que se persiste em continuar nesta direção nunca há de chegar ao reino de Chu!
Retorquiu o viajante:
--Não tem importância. Levo bastante dinheiro comigo.
--Você pode ter muito dinheiro--reconsiderou o outro,--mas entenda que se teima em seguir nessa direção não haverá maneira de chegar ao reino de Chu!
Tornou a replicar o viajante:
--Não tem importância. Eu tenho um excelente cocheiro.
--Bem, faça como quiser,--voltou a aconselhar o outro--mas desde já o previno que quanto melhores forem os seus cavalos, mais repleta for sua bolsa de moedas e mais exímio o seu cocheiro, se você se obstinar em seguir nessa direção vai afastar-se ainda mais depressa do reino de Chu!

fonte:     direção errada - eJesus - Cristianismo On Line - O site que Proclama os Ensino de Jesus