02/08/2009

O coração de um missionário

 

Grande parte dos missionários (como nós também) procura passar para os irmãos e igrejas somente as bençãos, frutos da Fidelidade e Bondade de Deus, bem como das orações dos irmãos. Mas, em poucas vezes, os missionários sentem-se a vontade para abrirem seus corações e compartilharem também outros sentimentos, como tristezas e decepções.
     Existem vários motivos para que isso aconteça, mas quero analisar apenas alguns aspectos que partem de idéias erradas de irmãos e igrejas com relação a pessoa do missionário.
     Primeiro, alguns pensam que o missionário é um super-homem(ou super-mulher) e que caso ainda não seja deve ser, e como tal não tem necessidades emocionais, espirituais ou físicas. Expor os sentimentos do coração, na visão destes, é sinal de fraqueza ou falta de fé.
     Segundo, alguns pensam que o missionário é um pobre coitadinho, e o tratam como o assim fosse. Abrir o coração, na visão destes, é somente a confirmação de que um missionário é um pobre coitadinho da vida.
      Mas o que a Bíblia fala a respeito disso?! A Bíblia mostra de maneira muito clara que o missionário não é um super-homem (ou super-mulher) e nem um pobre coitadinho, mas sim um servo do Deus Vivo e Verdadeiro chamado e vocacionado por Deus para uma missão que Ele mesmo designou. É um embaixador de Deus! Mas, ainda assim um ser humano, com sentimentos e emoções como também foram muitos grandes servos de Deus na Bíblia.
     A Bíblia é um livro maravilhoso, e mostra não somente os grandes feitos de homens e mulheres usados por Deus mas também seus sentimentos e até falhas. Muitas vezes pensamos que eles foram pessoas especiais, super-homens e super-mulheres, mas na verdade não eram. Eram pessoas tão comuns como eu e você, e que fizeram grandes coisas pelo simples fato de obedecerem a Deus. Era Deus a sua fonte de fortaleza e sucesso! Mas, ainda assim tinham também suas fraquezas e falhas, frutos de sua natureza humana. A completa perfeição só alcançaremos nos céus (Ef 4:13).
     Dentre estes homens e mulheres que foram grandemente usados por Deus estão: Abraão, Elias, Paulo e muitos outros. Mas longe de serem super-heróis e eram homens a nossa semelhança, como está escrito a respeito de Elias e se aplica a todos outros. "Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto." (Tg 5:17,18).
     Elias é um exemplo que mesmo depois de grandes vitórias, podem acontecer momentos de decepção. Depois da grande vitória sobre os profetas de Baal, a rainha Jezabel intenta matar Elias e ele foge para o deserto e debaixo de uma árvore mostra-se decepcionado e pede a Deus para morrer.
     Mesmo Abraão, conhecido pela sua fé, demonstrou certa incredulidade quando descendo ao Egito disse que Sara era sua irmã, temendo que alguém o matasse por causa da beleza de sua esposa (Gn 12:11-13).
     Paulo, o grande apóstolo e que escreveu quase que a totalidade dos livros doutrinários do NT, teve os mesmos sentimentos que os atuais missionários e em diversas ocasiões abriu seu coração mostrando seus sentimentos, tão humanos quantos os nossos. São do apóstolo Paulo as seguintes palavras: "Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração." (Rm 9:2); "Porque em muita tribulação e angústia do coração vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho." (2 Co 2:4).
     Com estes exemplos não quero menosprezar a nenhum desses grandes homens de Deus, mas destacar que eles tinham os mesmos sentimentos que qualquer um de nós. Eles não só riam, mas também choraram; não só tiveram fé para realizarem grandes obras para Deus, como também em alguns momentos demonstraram certa incredulidade diante de algumas dificuldades; não só consolavam, mas também em alguns momentos precisavam do consolo. Eram homens como nós, com fraquezas e limitações, mas que ousaram confiar em Deus e obedecê-Lo, e é nisto que está o segredo de suas vidas.
     O próprio Jesus no Getsmane, poucas horas antes da crucificação abre seu coração para seus discípulos nos momentos que antecediam o calvário: "Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo." (Mt 26:38).
     Como estes grandes servos de Deus do passado, os missionários atuais também tem sentimentos e emoções. O missionário sente alegria quando as almas vem para Cristo, mas também sente tristeza quando apesar de todo esforço e sacrifício ele não vê as almas se convertendo; quando mesmo perseverando na semeadura ele não vê a semente caindo em terra boa; quando ansiando por cartas com palavras de apoio, incentivo e encorajamento dos irmãos e igrejas do seu país, estas não chegam e as poucas cartas quando chegam não trazem encorajamento e sim apenas pedidos de relatórios; quando apesar de terem deixado tudo por Cristo e para servir na obra missionária, algumas vezes, não são tratados com a dignidade que merecem e infelizmente são vistos por alguns como, alguém que tem de ficar a mendigar e a comer das milhas que caem dos grandes banquetes de certas igrejas que relegaram à obra missionária apenas o resto; além de muitas outras coisas que poderiam ser acrescidas aqui.
     Um outro problema na hora do missionário abrir seu coração, e porque talvez poucas pessoas realmente entenderão o que ele está sentido. Não é fácil para uma outra pessoa que não tenha experimentado as mesmas condições (ou próximas) entender muitas vezes os sentimentos e necessidades de um missionário. Seria algo parecido como tentar explicar uma dor de dente para alguém que nunca na vida sentiu dor de dentes. Dentre os muitos diferentes aspectos ou situações estão:
     * Solidão, principalmente em culturas totalmente diferentes (incluindo a língua) o que dá uma sensação para alguns de se estar perdido, como um peixe fora d'água;
* Saudade - num nível mais elevado da palavra e que pode envolver pessoas, lugares, língua e até comidas, dentre outras;
* Diferenças culturais - que vão além da maneira de vestir, mas também inclui a maneira de pensar e ver as coisas (cosmovisão) de uma maneira totalmente diferente ao que estamos acostumados.
* E muitos outras situações, que podem incluir: problemas financeiros, de saúde, burocráticos (Governo do país onde se está), etc.
     Estes são apenas alguns dos fatores que com certeza contribui para que muitos missionários não se sintam com liberdade para abrir seus corações, pois em muitas vezes ao invés do encorajamento o que recebem é incompreensões, desabafos e até repreensões. Infelizmente existem muitos bravos soldados feridos, e outros que estão carregando ressentimentos e amarguras em seus corações por não terem encontrado pessoas com que pudesse abrir seus corações, apenas ouvirem-nas... apenas as entenderem... apenas estar do lado... apenas ser amigo! Que remédio celestial!
     Algumas vezes fico pensando se o apóstolo Paulo teria sido o que foi sem o apoio, incentivo e encorajamento que recebeu de Barnabé (chamado filho da consolação ou encorajamento) no inicio de sua fé cristã. Um estudo mais profundo demonstra como foi importante, mais do que imaginemos a principio, a influência de Barnabé na vida e ministério de Paulo. Que Deus levante mais Barnabés, que tenham o coração disposto a ouvirem, entenderem, que estejam ao lado e que ministrem consolação e encorajamento para os missionários de hoje.
     Graças a Deus pelos Barnabés atuais, irmão e igrejas, que tem verdadeiramente sido usados por Deus para ministrar consolo e encorajamento para os missionários e com os quais os missionários podem abrir sem reserva seus corações.
     Particularmente, quero agradecer ao meu pastor, também amigo e companheiro, a todos amados irmãos em minha Igreja, a todas igrejas e irmãos que nos apóiam com tanto amor e carinho, bem como a todos os Semeadores Missionários com Paixão pelas Almas, por serem verdadeiros Barnabés para nós: para mim, para minha esposa e para meu filho. Nós amamos a todos vocês e queremos dizer que são realmente importantes para nossas vidas e ministério!
     "Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus." (Rm 15:5).

P.H.

FONTE: Ore pela India - Especial - O coração de um missionário

CARTA AO JOVEM VOCACIONADO

 

“Se é pra Te seguir e então matar aquela velha sede/ Se é pra Te servir e nunca mais cair na mesma rede/ Eu vou” – 5:50 AM, Resgate.

Amigo (a)
Escrevo esta carta após perceber que muitos vocacionados para o trabalho cristão escapam da corrente por inúmeros buracos no encanamento e não chegam, afinal, a desempenhar com integralidade sua vocação ministerial.
Talvez você seja um jovem vocacionado. Talvez você sinta o seu coração arder ao falar em missões, talvez você esteja numa Universidade e queira dedicar a sua vida e seus estudos para a causa do Reino. Você também pode ser um profissional e sinta que Deus o quer em outra direção, ou mesmo, talvez você seja um músico que queira dedicar seu talento para levar a igreja à adoração através de novos cânticos autorais. Se você ouve em seu coração o “segue-me” de Jesus, mas se encontra perdido, sem saber para onde ir, estas palavras são para você.
Estes não são conselhos práticos, pois a praticidade é ordinária e Deus costuma trabalhar com aqueles a quem chama de modo extraordinário. São 3 conselhos que, antes de ajudar você a seguir adiante, devem auxiliar a ser mais objetivo na oração.
Assim, para seguir o chamado de Cristo devemos:
Desprender: quando Cristo chamou os seus discípulos para que o seguissem, Ele estava indo para longe: longe de sonhos individuais, longe da realização das expectativas que a família e os outros colocaram sobre os discípulos, do conforto da terra e do lar, longe das riquezas e das alegrias fugazes. Ele estava chamando seus discípulos para perto de Si com exclusividade e isso exigia que os discípulos de desprendessem de tudo o que estivesse preso aos seus corações.
Seguir a Cristo significa deixar a sua terra, desprender-se de tudo para receber tudo de Deus. Quais os seus medos, quais as suas barreiras, o que o impede de fazer qualquer coisa, ir a qualquer lugar, sofrer qualquer tormento em nome dAquele que nos tirou das trevas e nos trouxe para a sua maravilhosa luz? Força e confiança em Deus nos amoldam a qualquer destes buracos.
Seguir a Deus é render-se e dizer: “tá legal Deus, topo qualquer parada!”.
Aprender: quando Cristo chamou os seus discípulos para que o seguissem, Ele os estava chamando para o discipulado. Ele os estava chamando para ficarem com os rostos sujos da poeira de seus pés, para Ele trabalhar o caráter deles. Ele está chamando você para o batismo com fogo: etapa doída, demorada, que custa caro e leva tempo, pois antes de nos convocar para o campo, Deus nos coloca no banco.
Reconhecer que devemos aprender só é possível pela humildade e paciência. A etapa do aprendizado é o tempo em que nossos rostos ficam tanto tempo expostos à Palavra de Deus que saímos de casa com o rosto iluminado. É o tempo de aprender a articular a Palavra de Deus. Para isso, há muitos cursos teológicos, institutos bíblicos, seminários, cursos por correspondência. É também um tempo para você conhecer mais sobre sua vocação, seja fazendo um curso universitário, um técnico; conhecer outros como você, seja missionários, músicos, advogados cristãos; conhecer as organizações que trabalham com o que você é chamado para fazer, ler revistas, livros etc. É o tempo para a formação de um servo de Deus.
Empreender: Depois que Jesus disse “siga-me”, Ele disse “ide por todo o mundo”, sem especificar local, generalizando com algo como “aonde precisarem de Mim”. A vocação nos faz ir para a terra que ainda Deus mostrará. O ir começa na disposição do seu coração e termina no avanço do Reino. O ir não é direção, mas movimento: pode ser voltar, pode ser ficar, mas deve-se fazer, empreender para a causa celestial, motivado em Cristo, capacitado pelo Espírito, para a Glória de Deus e avanço do Reino. A etapa do empreendimento já não é feita por garotos e garotas, mas por homens e mulheres de verdade, amadurecidos na Palavra, e o que eles ouvem já não é somente o “segue-me”, mas o revigorante e inspirador: vai nesta tua força, porventura não te enviei eu? Sê forte e corajoso. Porque quando Deus nos convida para segui-lo, Ele quer mudar o rumo da história.
Finalizo encorajando você a permanecer firme em sua vocação, certo de que é a melhor direção da vida, e convidando-o a orar por força e confiança para desprender-se de tudo o que não é Cristo; humildade e paciência para o tempo de aprendizado; e coragem para empreender na vocação.

Atenciosamente,
André Filipe, Aefe!

FONTE: OBS.TETRAs: Carta ao jovem vocacionado

Ron Kenoly

01/08/2009

NADA MAIS SERÁ COMO ANTIGAMENTE…

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Conta-se que Tomás de Aquino, o "doutor angélico" da Igreja Romana (1330 d.C.), ao visitar o Papa Inocêncio IV, este, depois de lhe haver mostrado toda a fabulosa riqueza do Vaticano, disse, fazendo alusão às palavras de Pedro ao coxo da porta Formosa (Atos 3:6):
- Vês, Tomás? A Igreja não pode mais dizer como nos primeiros dias: "Não tenho prata nem ouro..."
- É verdade - confirmou Tomás - Mas também não pode mais dizer ao coxo: "Levanta-te e anda".

Postado por CHICCO SAL

FONTE: PavaBlog