23/06/2009

SAIU NA Revista Época: Deus é pop

 

Revista Época – Deus é pop

Segue trecho da matéria “Deus é pop”, capa da revista Época de 12/06/09.

Nelito Fernandes

Como os jovens brasileiros – que estão entre os mais religiosos do mundo – expressam sua fé em novos ritos, novas igrejas e até na internet

Com mais de 20 tatuagens estampadas no corpo, dois piercings no nariz e um alargador de orelha, a paulistana Fernanda Soares Mariana, de 19 anos, parece estar montada para um show de rock. Apenas a Bíblia que ela carrega nos braços sugere outro destino. E Fernanda, a despeito do visual, está pronta mesmo é para encontrar Jesus. “A igreja não pode julgar. Ela tem de estar lá para transformar sua vida, e não sua aparência”, afirma. A igreja que Fernanda escolheu não a julga pelo figurino. Numa noite de domingo, no templo da Bola de Neve Church do Rio de Janeiro, o que se vê são fiéis vestindo bermudas e camisetas com estampas de surfe. Boa parte exibe tatuagens como as de Fernanda. No altar, uma banda toca música gospel, enquanto a vocalista grita o refrão “Jesus é meu Senhor, sem Ele nada sou”. Na plateia, cerca de 300 pessoas acompanham o show em catarse, balançando fervorosamente ao som da música. A diaconisa Julia Braz, de 18 anos, sobe ao palco de cabelo escovado e roupa fashion. Põe a Bíblia sobre uma prancha de surfe no púlpito e anuncia: “O evangelismo tá bombando!”. Amém.

deusépop

Cultos voltados para os jovens, como a igreja da Bola de Neve, revelam um fenômeno: mostram que o jovem brasileiro busca formas inovadoras de expressar sua religiosidade. Em 1882, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche assinou a certidão de óbito divina com a célebre afirmativa: “Deus está morto”. Para ele, os homens não precisariam mais viver a ilusão do sobrenatural. Nietzsche não foi o único. O anacronismo da fé religiosa era uma premissa do socialismo. “A religião é o ópio do povo” está entre as frases mais conhecidas de Karl Marx. Para Sigmund Freud, a necessidade que o homem tem de religião decorreria de incapacidade de conceber um mundo sem pais – daí a invenção de um Deus. A influência de Marx e de Freud no pensamento do século XX afastou gerações de jovens da fé. Mas a derrocada do socialismo e as críticas à psicanálise freudiana parecem ter deixado espaço para a religiosidade se manifestar, sobretudo entre os jovens. “Aquilo que muitos acreditavam que destruiria a religião – a tecnologia, a ciência, a democracia, a razão e os mercados –, tudo isso está se combinando para fazê-la ficar mais forte”, escreveram John Micklethwait e Adrian Wooldridge, ambos jornalistas da revista britânica The Economist, no livroGod is back. Para os jovens, como diz o título do livro, Deus está de volta. Ou, nas palavras da diaconisa Julia, “está bombando”.

Uma pesquisa feita por um instituto alemão mostra 
que 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem 
religiosos e 65% afirmam ser “profundamente religiosos”

Uma pesquisa inédita do instituto alemão Bertelsmann Stifung, realizada em 21 países, revela que esse renascimento da religião está mais presente no Brasil que na maioria dos países. O estudo mostra que o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, atrás apenas dos nigerianos e dos guatemaltecos. Segundo a pesquisa, 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam que são “profundamente religiosos”. Noventa por cento afirmam acreditar em Deus. Milhões de jovens recorrem à internet para resolver seus problemas espirituais. Na rede de computadores, a diversidade de crenças se propaga como vírus. “Na minha geração só sabia o que era budismo quem viajava para o exterior”, diz a antropóloga Regina Novaes, da Universidade de São Paulo e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude. “Hoje, com a internet, o jovem conversa com todo o mundo e conhece novas religiões. A internet virou um templo.” Mais talvez do que isso, ela se converteu no veículo ideal de uma religião contemporânea e desregulada, que pode ser exercida coletivamente sem sair de casa e sem submeter-se a qualquer disciplina.

Até o século XIX, o Brasil tinha uma religião oficial: a católica. Quem não era católico não podia trabalhar para o Estado. Os outros cultos eram permitidos, mas desde que não fossem praticados dentro de edificações cuja arquitetura lembrasse uma igreja. Hoje, quase metade dos jovens brasileiros diz professar outras religiões – e essa talvez seja uma das características mais marcantes da nova religiosidade do jovem brasileiro. “É um salto muito grande, em muito pouco tempo”, diz o antropólogo Roberto DaMatta. Parte da explicação para a transformação de uma sociedade baseada numa só fé para a era das múltiplas escolhas está na disposição do jovem para experimentar. Ele pode aderir a seitas exóticas, viver aquele momento e depois voltar para a tradição sem grandes dilemas. “O jovem não decide ser católico só para seguir a religião dos pais. Ele quer distância disso”, diz o teólogo Rubem Alves.

A experiência de Alves com jovens mostra que eles querem seguir os próprios caminhos. Os jovens, diz ele, adotam religiões minoritárias por achar que estão vivendo uma grande missão: querem mostrar ao mundo que, apesar da pouca idade, já encontraram sua “verdade”. Seria quase um ato de afirmação juvenil. Na religião, como na política e nos costumes, há rebeldia. Assim como os pais religiosos já não transmitem sua crença aos filhos, os pais ateus também não influenciam os filhos a adotar o ateísmo. Uma pesquisa feita com famílias do Rio de Janeiro revela que 60% dos filhos de pais ateus acreditam em Deus e adotam alguma religião. Alguns, motivados por questões íntimas, empreendem verdadeiras peregrinações em busca de respostas a suas inquietações.

Fotos: Bruno Magalhães/Nitro/ÉPOCA e Jarbas Oliveira/ÉPOCA

DOIS CREDOS
Casal que vai à Caverna de Adulão, em Belo Horizonte (à esq.), e o grupo de religiosos do jiu-jítsu (à dir.)

O IBGE obteve 35 mil respostas diferentes
para a pergunta “Qual é a sua religião?”

Tome a história do ator Gabriel Anésio, de 19 anos. Ele já foi evangélico, católico e frequentou terreiros de umbanda. Gabriel dava aulas de teatro para crianças numa igreja católica quando disse a um padre que era gay. Foi aconselhado a esconder sua condição. Não concordou e procurou uma igreja evangélica. Lá, foi encaminhado para uma “corrente de libertação”, uma espécie de workshop para “curar” os gays. Também não funcionou. Ele então recorreu ao candomblé. Procurou uma pombajira com um pedido: queria deixar de ser gay. A entidade teria respondido o seguinte: “Pede outra coisa, porque isso aí não vai ter jeito não, meu filho”. Hoje, Gabriel frequenta a Igreja Cristã Contemporânea, na Lapa, reduto de travestis no Rio. Fundada pelo pastor Marcos Gladstone, também saído de uma igreja que não aceitava homossexuais, a Contemporânea virou um refúgio para jovens gays que querem ser evangélicos, mas não são acolhidos noutros lugares. “O amor de Deus é para todos, sem discriminação”, diz o pastor Gladstone. Na Contemporânea, 80% dos fiéis têm menos de 30 anos. O comerciário Estevam Januário, de 20, está entre eles. Ele conta que era obreiro da Igreja Universal, mas teve de sair de lá depois que os amigos passaram a insistir em lhe arrumar um casamento. “Para eles, ser gay é errado. Eu não posso escolher minha opção sexual, mas a religião eu posso”, diz Estevam.

É entre os evangélicos que surgem mais propostas de igrejas flexíveis. Eles têm igrejas para metaleiros, para garotas de programa e até para lutadores de jiu-jítsu. Em Fortaleza, a Igreja Evangélica Congregacional abriga um núcleo chamado “Lutadores de Cristo”. Cerca de 80 jovens rezam, assistem à pregação do pastor e depois sobem no tatame para trocar socos e pontapés. Por fim, dão as mãos e cantam juntos o louvor. “Pregamos o Evangelho para jovens que jamais entrariam numa igreja. Ninguém aqui se envolveu em briga na rua”, diz o coordenador do projeto, lutador e pastor Elder Pinto. “Aqui pregamos a paz.”

Em Minas, desde 1992 existe a Caverna de Adulão, que não usa o termo “evangélico” e se autodenomina uma “comunidade cristã alternativa”. Assim como a Bola de Neve, ela recebe metaleiros, jovens tatuados e com piercing na língua, além de promover shows de heavy metal. “Enquanto os pastores falam que rock pesado é do diabo, aqui mostramos que ele é de Deus”, diz o pastor Geraldo Luiz da Silva. “As igrejas aceitam esses jovens, mas têm a expectativa de que eles mudem e troquem a jaqueta de couro pela camisa social de manga comprida. Aqui, não é assim.”

Fotos: André Arruda/ÉPOCA (2) e Marcelo Min/Fotogarrafa/ÉPOCA

DIVERSIDADE
Rafael Lins, criador da comunidade “Mais Deus, Menos Religião” (à esq.), Renata Carvalho, que foi da Pastoral católica (ao centro), e Estevam Januário, de 20 anos (à direita, de branco), e Gabriel Anésio, de 19, que mudaram de fé por causa da opção sexual. Eles são os novos desafios da Igreja

A capacidade de se adaptar ao espírito do tempo para responder aos anseios dos jovens parece ser um trunfo dos evangélicos – que, em termos estatísticos, avançam sobre as demais religiões no Brasil. “Sem dúvida, um dos principais fatores que explicam a explosão evangélica no país é essa característica de se ajustar aos valores da sociedade. O neopentecostal aceita coisas que eram impossíveis há três décadas”, diz a antropóloga Cristina Vital, do Instituto de Estudos da Religião, do Rio de Janeiro. Cristina lembra que o catolicismo também passa por uma transformação, muito menos radical. “Temos a renovação carismática, os padres cantores, algo que também não se via.”

Na religião, como na política e nos costumes, há
rebeldia. Os filhos não seguem os pais em suas crenças

Embora exista uma tentativa de fazer frente ao apelo pop dos evangélicos, a imagem da Igreja Católica parece velha para boa parte dos jovens. Quando um bispo tenta impedir que uma menina de apenas 9 anos possa fazer aborto após ter sido estuprada, contrariando uma garantia legal e uma recomendação médica, ele contribui indiretamente para afastar do catolicismo até jovens fervorosos. A assistente social Renata Carvalho da Silva, de 28 anos, foi secretária estadual da Pastoral da Juventude de São Paulo. Renata trabalhava pela formação de jovens. Quando coordenou um serviço de mulheres vítimas de violência em Guaianases, na Zona Leste, deparou com o que lhe pareceu uma contradição do catolicismo: “Os argumentos em defesa da vida são contraditórios. Se você tem relações sexuais sem camisinha corre risco. Que defesa da vida é essa?”. Renata acabou se afastando do dia a dia da igreja. “Continuo católica, minha fé não mudou, mas quase não vou mais às missas. A fé não depende da Igreja para existir”, diz ela.

A socióloga Dulce Xavier, do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, diz que as posições intransigentes da Igreja afastam os jovens. “A Igreja Católica está parada no tempo na questão das liberdades individuais. O jovem é contestador, não aceita isso”, diz Dulce. O teólogo Fernando Altmeyer, professor da PUC de São Paulo, diz que a igreja acredita e quer, sim, que seus fiéis sigam os preceitos. Ele diz que o papa Bento XVI tem seguido uma linha coerente: prefere um cristianismo de qualidade, mesmo que minoritário. “Essa tem sido uma discussão na Igreja ao longo dos séculos. Até agora, tem prevalecido que Igreja não vai barganhar seus valores em busca de popularidade”, diz Altmeyer. “Questões como a defesa da vida e o sexo com amor, para reprodução, são eternas.” Altmeyer acredita que o jovem tem dificuldade de seguir os preceitos religiosos por fatores que vão além da rigidez. Para ele, o grande desafio dos católicos é contextualizar seus valores e explicá-los aos jovens de uma forma que eles entendam. “Embora o tema seja o mesmo, o discurso não pode ser”, afirma.

Um sinal da dificuldade da Igreja Católica – e não só dela – em atrair os fiéis jovens é dado por uma característica intrigante dessa nova religiosidade. “Comparado a outras sociedades, o Brasil tem um grande número de jovens que se dizem religiosos, mas a intensidade com que eles vivem a religião é menor que a dos mais velhos”, diz Matthias Jäger, diretor do instituto alemão Bertelsmann Stifung. Quando a pesquisa feita pelo instituto perguntou sobre a prática da fé, somente 35% dos jovens brasileiros disseram viver de acordo com os preceitos religiosos. Esse porcentual foi de 84% na Nigéria, de 53% em Israel e de 52% na Itália. O índice brasileiro de coerência religiosa é, portanto, dos mais baixos.

Paola Máximo

FÉ E SHOW
Jovens assistem a um espetáculo na igreja Bola de Neve, em São Paulo. Eles procuram aceitação e flexibilidade

Há uma explicação para isso? “O jovem tem fé, mas não aceita o pacote pronto institucional”, diz a antropóloga Regina Novaes. Para seu estudo Os jovens sem religião, Regina levantou com o IBGE um dado revelador. Segundo ela, no Censo de 2000 houve 35 mil respostas diferentes para a pergunta “Qual é a sua religião?”. Em 2010, o número poderá ser ainda maior. “A religião, para o jovem brasileiro, é mais declarada do que vivida”, diz Regina. Seria essa uma forma de dizer que os jovens são religiosos apenas da boca para fora? Ou seria o caso de afirmar que as práticas religiosas, tal como se apresentam, não correspondem às necessidades deles? Um bom exemplo dessa ambiguidade é Rafael Lins, de 19 anos, o criador da comunidade “Mais Deus, menos religião”, que reúne 6.200 participantes na rede de relacionamentos Orkut. “Não vou a igreja nenhuma, porque não concordo com muitas coisas que são ditas lá”, afirma. Filho de pais evangélicos, Rafael não seguiu a crença deles. “Não preciso estar em algum lugar para ficar junto de Deus.” Uma coisa, porém, seu caso deixa clara: os jovens brasileiros parecem ter deixado de lado as fés mais populares no século passado – na revolução socialista, na libertação dos desejos ou na certeza científica – para acreditar naquilo que julgam ser seu verdadeiro Deus.

Fonte: Revista Época

Via Clipping MP

Divulgação: www.comoviveremos.com

FONTE: Revista Época – Deus é pop « E Agora, Como Viveremos?

BAIXE APRESENTAÇÕES MISSIONÁRIAS

 

Disponibilizamos aqui para download algumas excelentes apresentações em PowerPoint, voltadas para Missões e temas correlatos. Vale a pena fazer o download e divulgar!

►A Grande Comissão - Para Baixar Clique Aqui.
►Dados sobre o a presença do Evangelho na região Nordeste (SEPAL) – Para Baixar Clique Aqui.
►Dados sobre o Evangelho na região Sudeste (SEPAL) – Para Baixar Clique Aqui.
____________
Fontes: Escola de Missões Mundiais e SEPAL.

FONTE: Veredas Missionárias

22/06/2009

IMBASTÁVEL

 Cruz

Não basta ser filho de Deus?
Tem que se sacrificar?
Não basta amar a Deus,
tem que se esfolar.
Não basta amar o irmão,
tem que julgar.
Não basta abraçar,
tem que orar, ungir, abençoar...
Não basta consolar,
tem que converter.
Não basta ler um verso,
tem que catequizar.
Não basta fazer amigo,
tem que fazer prosélito.
Não basta pregar,
tem que apelar.
Não basta cantar,
tem que adorar.
Não basta ser filho de Deus,
tem que provar.
Não basta ver,
tem que ter revelação.
Não basta sonhar,
tem que ter visão.
Não basta ser,
tem que poder.
Não basta crer,
tem que ser evãgélico.
Não basta servir,
tem que ser grande obra.
Não basta Graça,
tem que ter dom.
Não basta ser filho de Deus,
tem que ser bom.
Não basta pensar,
tem que concluir.
Não basta chorar,
tem que se abrir.
Não basta conversar,
tem que edificar.
Não basta a arte,
tem que ter propósito.
Não basta ajudar,
tem que ter depósito.
Não basta uma função,
tem que ter unção.
Não basta dar pão,
tem que dar sermão.
Não basta ser um homem,
tem que ser de Deus...
Não basta ser filho de Deus?
Tem que dizer amém?

Wilson Tonioli

FONTE: Verticontes

21/06/2009

MISSIONÁRIOS: COOPERADORES DE DEUS





Roger Greenway


Missão significa envio e procede do plano e propósito de Deus. O missiólogo Francis M. Dubose diz, em seu livro God Who Sends (O Deus que Envia), que a figura bíblica do verdadeiro Deus é comparada à de um grande e contínuo “Enviador”. Deus, em sua providência, envia à terra chuva e sol, tempestades e juízo. Ele envia sua Palavra, seu Filho, seu Espírito e seus servos em todos os tempos e lugares, com a sua salvação.

A linguagem do envio descreve toda a extensão do interesse de Deus e de sua atividade no mundo. Ele enviou Samuel para libertar seu povo (1 Samuel 12:11) e ungir Saul e Davi como reis (16:1). Ele enviou o profeta Natã para repreender o rei Davi pelo seu pecado (2 Samuel 12:1). Ele enviou os profetas: Isaías (Isaías 6:8); Jeremias (Jeremias 1:7); Elias (2 Reis 2); Ageu (Ageu 1:12); Zacarias (Zacarias 2:8). Ele, repetidamente, enviou seus profetas em missões para seu povo (Jeremias 7:25; 25:4; 26:5; 29:19; 35:15). Ele enviou João Batista como precursor de Jesus (João 1:6-8). Ele enviou seus anjos (mensageiros) para testificarem às igrejas (Apocalipse 22:16). Ele enviou seu Santo Espírito ao mundo (João 14:26; 1 Pedro 1:12) (God Who Sends, 60).


JESUS, O “ENVIADO” E O “ENVIADOR”

Jesus conciliou sua própria missão recebida do Pai com a missão que ele deu aos seus discípulos, quando disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João 20:21). É importante observarmos a ordem dos “envios” nesta passagem. Primeiro, o Filho de Deus foi enviado pelo Pai, o que torna Jesus o primeiro e divino missionário. Ele, por sua vez, enviou seus discípulos, tornando-os missionários do evangelho. Nós aprendemos em outras partes do evangelho de João que o Espírito Santo foi enviado por Deus para suscitar testemunhas de Cristo e convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 14:25 e 26; 15:26 e 27; 16:7 e 8).

Isto é muito importante para o nosso entendimento de missões. Cristo chama seus discípulos, TODOS eles, para serem co-missionários e cooperadores com ele. Deus nos chama para participarmos com ele no trabalho de evangelizar o mundo. Ao ouvir isso, cada seguidor de Cristo deveria responder do fundo do coração, como a virgem Maria o fez quando ouviu a anunciação do anjo: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lucas 1:38).

Esta é a glória do chamado missionário. Somos discípulos de Cristo e co-missionários com ele. Assim como ele foi enviado a suscitar testemunhas da verdade, nós somos igualmente enviados e comissionados. No poder do Espírito Santo, nos tornamos co-participantes no plano e propósito de Deus de reconciliar consigo mesmo o mundo. Servir em missões não significa apenas trabalhar para Deus, mas também com Deus. E isso deve ser feito de modo semelhante ao trabalho obediente e sacrificial de Jesus Cristo.


ELEMENTOS CHAVES NA CO-MISSÃO COM DEUS

Em 1891, Arthur T. Pierson fez uma série de palestras sobre missões no seminário reformado de New Brunswick, em Nova Jersey. O século XIX, geralmente chamado de “O Grande Século de Missões”, estava por terminar. O interesse sobre este assunto era grande na Inglaterra, Europa e América do Norte. Noite após noite, o auditório se enchia de estudantes e cristãos de uma vasta comunidade. Pierson falou o seguinte sobre missões:

No Novo Testamento... trabalhar pelas almas é relatado como uma cooperação com o trino Deus em três diferentes aspectos, como co-participantes no trabalho, no sofrimento e no testemunho. Mas, o que é mais impressionante e marcante... é que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são individual, sucessiva e separadamente apresentados, como se compartilhassem pessoalmente com o crente a dignidade deste exaltado serviço (The Divine Enterprise of Missions, 104)

Os missionários são aqueles homens e mulheres que recebem a honra de se tornarem co-missionários com o trino Deus na proclamação do evangelho aos perdidos. Sua tarefa possui três elementos: Co-participação no trabalho, no sofrimento e no testemunho com Deus e os demais fiéis. Observem estes versos da Palavra de Deus:

Co-participantes no trabalho

“Porque de Deus somos cooperadores;... edifício de Deus sois vós” (1 Coríntios 3:9).

“E nós, na qualidade de cooperadores com ele (Deus), também vos exortamos a que não recebais em vão a Graça de Deus” (2 Coríntios 6:1).

Co-participantes no sofrimento

“Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus” (Colossenses 1:24 e 25).

Co-participantes no testemunho

“Quando vier, porém, o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio” (João 15:26 e 27).

O trabalho de missões é um empreendimento divino e envolve o plano de Deus para cada um de seus filhos. Todos os crentes têm seu papel a desempenhar em missões. Deus apontou um tempo e um lugar para cada um. Nosso maior dever na vida é descobrir a vontade de Deus para nós em seu plano e obedecê-la.

Fomos chamados para edificar templos vivos para Deus Pai, o qual é o único que deve ser adorado. Nós convidamos os pecadores a se reconciliarem com Deus através do Filho que sofreu pelos nossos pecados. Nós testificamos, juntamente com o Espírito, da verdade sobre Deus e a redenção através de Jesus Cristo, como revelado nas Escrituras.

Que lindo quadro! Os esforços imperfeitos dos crentes são incorporados dentro do perfeito trabalho de Deus em encontrar os perdidos e construir sua igreja. Deus desenvolveu seu plano de salvação do mundo de tal modo que ele não pode ser completo sem a participação dos crentes, através do engajamento missionário.


CO-PARTICIPAÇÃO NO TRABALHO DE DEUS

O Evangelho precisa de uma voz; Deus assim planejou. As boas novas sobre Jesus não podem se auto-proclamar. Devem ter um anunciador humano. João Batista disse: “Eu sou a voz” (João 1:23). Não apenas um som ou um barulho, mas uma clara e inteligente voz humana é necessária para apontar Jesus às pessoas. Isto tem sido verdade em todas as gerações. Deus usa mensageiros. Como Paulo disse: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” ( 2 Coríntios 5:20).

A palavra “embaixadores” transmite um grande número de verdades. Embaixadores são delegados oficiais enviados de um governo ao outro. Em virtude da sua nomeação, têm autoridade de representar aquele que os comissionou. Não falam por si mesmos, mas pelo governo a que representam. O poder e a autoridade do seu governo são sua garantia.

O mesmo é verdade para os embaixadores de Cristo, os quais falam a verdade de Deus e cumprem suas instruções. Deus fala neles e através deles, quando pregam fielmente a sua Palavra. O poder e a autoridade de Deus lhes são por garantia. As pessoas que o recebem e crêem em sua mensagem recebem a Cristo e ao Pai, juntamente com todas as suas promessas. Mas, aqueles que se recusam a crer em sua mensagem, rejeitam a Cristo e sua Palavra. Como Jesus disse: “Quem recebe aquele a quem eu enviar, a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (João 13:20).


CO-PARTICIPAÇÃO NO SOFRIMENTO DE CRISTO

Que sofrimentos os mensageiros do evangelho devem esperar? Jesus disse aos seus discípulos que esperassem sofrimento e oposição. Alguns deles perderiam sua própria vida pelo seu nome e pelo evangelho (Mateus 10:38 e 39). Segui-lo não seria fácil.

A proclamação do evangelho freqüentemente vem acompanhada de perseguição, porque esta é a maneira das pessoas resistirem a ele. O propósito da perseguição é danificar a igreja e impedir que o evangelho se propague. Com isso, geralmente os líderes são arrancados da igreja.

O apóstolo Paulo escreveu que ele se regozijava nos seus sofrimentos, aos quais chamava de “aflições de Cristo, a favor do seu corpo, que é a igreja” (Colossenses 1:24). Ele também falou acerca dos benefícios espirituais do sofrimento (Romanos 5:3 a 5). Ele considerava uma vida livre de sofrimento como uma rara exceção (2 Timóteo 3:12).

Alguns cristãos vivem em países “excepcionais” e gozam de liberdade religiosa. Conhecem muito pouco sobre perseguição e sofrimento por Cristo. Outros cristãos conhecem mais sobre isso porque vivem em lugares onde pagam um alto preço pela sua fé e por seu testemunho.

A perseguição aos cristãos está aumentando em muitas partes do mundo. Pastores, evangelistas e outros líderes são, geralmente, o primeiro alvo dos ataques. Alguns chegam a ser punidos, até mesmo mortos, simplesmente por adorarem a Deus. Podem ser falsamente acusados de crimes que nunca cometeram. Algumas ofensas insignificantes podem ser tratadas como crimes capitais. Os jovens cristãos podem ser rejeitados em universidades e ter as portas dos melhores empregos fechadas para eles. Nos casos mais extremos, as crianças cristãs são tiradas de seus pais e as meninas são forçadas a se casarem com homens de outras religiões.

Os missionários e evangelistas levam o evangelho a lugares nos quais Satanás e a idolatria têm controlado os corações de muitas pessoas, por muitos séculos. Portanto, eles devem esperar perseguição. Cristo os chamou para testemunharem, mesmo em face do sofrimento e da morte. No entanto, isso não significa que eles devem provocar a perseguição através de ofensas desnecessárias a outros ou por incitarem à desordem social. Mas se a perseguição vier, eles devem aceitá-la com fé, pois, pela graça de Deus, ela pode se tornar uma bênção.


CO-PARTICIPAÇÃO NO TESTEMUNHO DO ESPÍRITO

Em João 14 a 16, Jesus prometeu que o Espírito Santo viria e seria sua testemunha. Ele daria poder aos discípulos para conhecerem e entenderem a verdade, a fim de que pudessem declará-la ao mundo. A principal tarefa do Espírito é suscitar testemunhas de Cristo através das vidas e dos lábios dos crentes.

Os primeiros discípulos expressaram a co-participação no testemunho do Espírito quando resistiram à perseguição diante dos líderes dos judeus. Eles testificaram: “Nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem” (Atos 5:32).

Esta co-participação do testemunho humano e do Espírito Santo é de suma importância. Os crentes proclamam, através de palavras e ações, os fatos e o significado do evangelho. O Espírito dá poder a esse testemunho e realiza aquilo que eles não podem fazer. O Espírito testifica internamente enquanto que as pessoas o fazem externamente . O testemunho delas é importante, mas não pode ir além dos olhos e ouvidos físicos. Somente o testemunho do Espírito pode falar com a voz que alcança a alma e muda o coração.

O mesmo padrão é seguido através da história das missões cristãs, desde os tempos dos primeiros apóstolos. O Espírito usa, dá poder e trabalha através do testemunho dos servos de Cristo para comunicar o evangelho aos perdidos. Até onde sabemos, este é o único modo com que o Espírito de Deus trabalha, empregando o testemunho humano na divina atividade de aplicar a salvação de Cristo aos corações dos homens e das mulheres.



--------------------------------------------------------------------------------

Fonte: Roger Greenway. Ide e Fazei Discípulos. Cultura Cristã.



Este artigo é parte integrante do portal http://www.monergismo.com/