17/03/2009

Pai, porque sempre estou errado?

 veinva

A difícil tarefa de ser um juiz no lar.
Os cristãos deveriam sempre ser possuidores de um sentimento preciso do certo e do errado. É verdade que muitos estão perdendo essa perspectiva de vida – afinal de contas, estamos na era da tolerância. No últimos tempos temos sido ensinados que não existem absolutos, que a nossa verdade não é, na realidade, a verdadeverdadeira. Consequentemente, temos que estar sempre procurando pela “verdade dos outros”. Observamos o surgimento de toda uma geração de cristãos diluídos e indiferentes, que não possuem convicções profundas sobre nada a não ser para a afirmação universal de que não deveríamos ter convicções.

Cresci sob um conjunto diferente de valores. Meus pais me ensinaram pela Bíblia, que existiam coisas que eram claramente certas e outras que eram igualmente erradas. Aprendi que isso se aplicava às atitudes também: algumas eram comandadas enquanto outras eram condenadas. Muitas vezes aprendendo por experiências dolorosas, verifiquei, adicionalmente, que a Bíblia também silenciava sobre algumas coisas. Nesses casos, o conceito do “certo” e do “errado” deveria ser discernido pela interpretação da época, do contexto cultural, e pela preocupação do nosso próprio testemunho, em vez de ser extraído de proposições diretas. Esses “certos” e “errados” também eram importantes, mas, considerando que tinham sido apreendidos subjetivamente, possuíam peso menor do que os direcionamentos objetivos da Palavra de Deus. Nesse caso, deveríamos sempre deixar campo para um constante e amoroso exame do ponto de vista das outras pessoas. Também aprendi a diferença existente entre trechos bíblicos históricos, descritivos, e as exortações doutrinárias, prescritivas. Assim pude me resguardar de cair em tantas armadilhas religiosas que presenciei nas vidas de algumas pessoas estranhas que, na providência de Deus, cruzaram o meu caminho.

Este sentimento, do certo e do errado, leva as pessoas a uma percepção aguçada e um amor todo especial pela justiça. Isso deveria fluir naturalmente da vida dos crentes: eles deveriam refletir, na extensão máxima possível do estágio de santificação em que se encontram, a justiça e a santidade de Deus. É impressionante que uma das características das pessoas sem Deus, ou dos apóstatas, é que eles são “infiéis nos contratos” (Rm 1.31 - Atualizada). Assim sendo, os crentes deveriam ser fiéis em seus acordos, prezar a sua palavra, odiar a mentira e amar a verdade. Eles deveriam se recusar a meramente contemplar e aceitar com calma, e com a assepsia da vida moderna, os maus-tratos, os espancamentos, os massacres daqueles que não têm para quem clamar, onde quer que isso esteja ocorrendo: quer nas ruas de São Paulo, quer nas colinas da Índia e do Paquistão, quer nas selvas da África. Os crentes deveriam se esforçar para serem exemplos e promotores da justiça, com suas ações e palavras, sem qualquer traço de orgulho, simplesmente pelo fato de que todos nós somos servos do Deus Todo-Poderoso, que é justiça. Talvez por isso sejamos chamados de “batalhadores da fé” (Judas 3), o que quer dizer que estamos envolvidos em uma constante batalha em qualquer lugar que o mal procurar se estabelecer como o padrão de conduta, contrariando os caminhos de Deus. Nunca deveríamos permitir, nas áreas colocadas por Deus sob nossa responsabilidade que a situação descrita em Isaías 5.20 venha a reocorrer. Antes, deveríamos estar fazendo coro com o profeta denunciando aqueles que “chamam o mal de bem; as trevas de luz e o doce de amargo”.

Somos chamados a demonstrar essas convicções e a defender o certo contra o errado em muitas frentes de batalha: em nossas escola, em nosso trabalho e até em nossa igreja ou nossa denominação. Ocorre que, talvez, em nenhum outro local esse dever seja mais difícil de cumprir do que no nosso próprio lar. Não estou falando dos casos onde a promoção ativa da injustiça está presente. Não estou considerando os casos de maridos que espancam as suas mulheres, que maltratam suas crianças, ou que negam a essas, o sustento material do qual necessitam. Não estou pensando sobre o abuso sexual de crianças ou sobre a exposição de material pornográfico no lar. Todas essas questões são violações claras aos padrões de Deus e sobre elas Ele abundantemente se pronunciou, em Sua Palavra. O julgamento sobrevirá sobre os violadores dos Seus mandamentos, tanto de forma temporal como eterna. A questão que estou considerando é quando nós, crentes sinceros e tementes a Deus, somos chamados a atuar como juizes no dia-a-dia do nosso lar, por membros de nossa própria família.

O tema pode parecer trivial, mas não é. A situação ocorre com mais freqüência do que nos apercebemos. Como pais e mães Deus nos colocou em uma posição de autoridade sobre nossos filhos. Nesse sentido, Ele espera que nós venhamos a ser os transmissores do conhecimento, aos nossos descendentes, sobre a Sua pessoa. Igualmente, Ele espera que venhamos a representá-lo, refletindo os Seus padrões de justiça (Deut 6.6-9; Sal 78.1-8). O abrigo e cuidado que fazem parte de nossas obrigações primárias, seguem em linhas paralelas ao sentimento de segurança e proteção que deveria estar presente na vida dos nossos filhos e filhas até que os mesmos venham a atingir a maturidade e passem a tomar suas próprias iniciativas baseadas em suas próprias convicções. Eles deveriam se sentir confortáveis e seguros em vir até nós para receber não apenas o ensino sadio, mas também para obter proteção e para a afirmação dos seus direitos. Os que procedem de um família numerosa, e até alguns de pequenas famílias, sabem muito bem que a harmonia perene é um ideal que está longe de ser alcançado, de forma contínua, no lar cristão. Existem lutas e disputas. O pecado cobra o seu pedágio e confisca a paz. Certamente somos chamados, em inúmeras ocasiões, para servir de mediador em brigas e para reatar relacionamentos feridos. Isso significa uma demanda à identificação do pecado: onde ocorreu, quem está demonstrando comportamento pecaminoso, quem tem a responsabilidade principal pelos acontecimentos, quem deve ser protegido e quem deve ser disciplinado. Raramente pensamos em nós mesmos nessa capacidade: como juízes, mas o chamado para sermos exatamente isso virá com mais freqüência do que gostaríamos que viesse. Se falharmos no tratamento dessas questões estaremos diminuindo a figura do pai ou da mãe aos olhos das crianças e estaremos prejudicando as lições que pretendemos transmitir. Independentemente das boas intenções, se a prática da paternidade não se enquadra nos padrões de Deus, as palavras pronunciadas perderão eficácia. Como alguém já disse: “o que você é soa tão alto que não posso ouvir o que você diz”.

Relacionamos abaixo algumas das razões da dificuldade no cumprimento dessa responsabilidade e porque falhamos tantas vezes como representantes de Deus e justos juízes em nossos lares:

1. O pecado não ocorre de forma isolada. Se fosse possível isolarmos rapidamente o pecado, com a possibilidade plena de identificar pecados específicos, nossa tarefa, como juízes, seria facilitada. Nesse sentido poderíamos lidar com o pecado e com o pecador de forma precisa e decisiva. Essa é uma condição muito rara, na vida real. O pecado tem a característica de se propagar rapidamente, contaminando circunstantes e circunstâncias bem além da ocorrência original. Na realidade, a Bíblia trata o pecado quase como se possuísse vida própria, utilizando termos tais como concepção e nascimento (Tiago 1.14,15). Nas ocorrências em nossos lares, a identificação de comportamento pecaminoso e a particularização deste em um único membro da família, é um exercício frustrante e, muitas vezes, impossível. Todos nós conhecemos muito bem a expressão; “foi ele quem começou!” Mas uma ação pecaminosa muitas vezes provoca uma reação pecaminosa. Nem sempre os valores cristãos e as diretrizes bíblicas têm o controle de nossas respostas antes que desabroche o pecado, especialmente na vida das crianças, com sua pouca maturidade cristã. Com freqüência vemos sobrevir um intenso remorso, logo a seguir, mas, nesse meio tempo, muito mal já pode ter sido feito. Nessas situações, perante uma situação caótica e generalizada de comportamento pecaminoso a saída mais rápida é agregar “quem começou” com “quem reagiu” e “cair matando” duramente a todos, com distribuição eqüitativa de punições. Mesmo reconhecendo que todo pecado é pecado, e todo ele é detestável a Deus, encontramos na Bíblia, uma escala de gravidade atribuída a diferentes pecados, com conseqüente diferenciação das punições aplicadas a esses. O antigo documento da igreja, a Confissão de Fé de Westminster, expressão da crença bíblica dos Presbiterianos, ao mesmo tempo em que reconhece que qualquer pecado se encontra em oposição à santidade divina e, assim, está. Sujeito à ira e julgamento de Deus (Cap. VI, Seção VI), também especifica que existe uma gradação de pecados (Perguntas 150 e 151, do Catecismo Maior). Estamos tentando desenvolver o nosso discernimento, nesse aspecto, ou estamos indiscriminadamente e uniformemente aplicando nossa própria versão distorcida de justiça?

2. Somos tardios no ouvir e rápidos no falar. Muitas vezes falamos cedo demais. Achamos que já sabemos a resposta e passamos a aplicar um “sermão”. Devíamos pensar no ouvir como uma “audiência”, no sentido jurídico do termo, ou seja, aquilo que se processa antes do julgamento. Nela o juiz ouve as questões preliminares dos casos que serão posteriormente julgados. Ela estabelece também o alicerce para que o julgamento seja bem sucedido. Ainda dentro deste item, freqüentemente deixamos de verificar que nossos filhos têm dificuldade em expressar os seus pensamentos de uma forma lógica inteligível. Nem sempre eles possuem o vocabulário exato e necessário a expressar os seus fatos e sentimentos. Alguma vezes, somos tragados pela impaciência. Muitas vezes dizemos: “Não quero ouvir nem mais uma palavra sobre este assunto!” quando o que seria necessário, na ocasião, eram exatamente aquelas palavras finais que pretendiam dizer. Muitas vezes somos a causa da frustração de nossos filhos, em suas tentativas de comunicação. Quando procedemos desta forma, passamos a julgar sem possuirmos os dados pertinentes e confundimos a aplicação de sermões de algibeira com a disciplina e orientação correta. Muitas vezes, nos encontramos falando sobre questões que não eram a origem ou o tema principal da disputa. Julgamentos severos demais, ou inteiramente errados, podem ser provocados por nossa impaciência. Esquecemo-nos de que Deus é “tardio em irar-se” e que a longanimidade (a habilidade de suportar um situação indesejável por um tempo prolongado) é um de seus atributos e fruto do Espírito (Gl 5.22) que deve estar presente em nossas vidas.

3. Em Nossa Busca Por Justiça Perdemos a Visão dos Direitos de Quem Está Certo. Esta poderia ser a posição do outro extremo. Se possuímos uma visão bíblica de nossos deveres, tememos promover injustiças. Muitas vezes, no afã de julgar corretamente, procuramos pesquisar com precisão todos os aspectos e todos os detalhes de uma questão, mas levamos essa tarefa com tanta intensidade que o lado inocente se torna culpado por pressão. “Está certo”, dizemos, “alguém fez algo contra você. Mas, possivelmente, você também fez algo de errado contra a outra pessoa que a fez reagir dessa forma”. Somos tão conscientes da universalidade do pecado que não queremos dar qualquer tipo de desculpa às nossas crianças. Semelhantemente, não queremos ser superprotetores. Essas atitudes procedem de uma compreensão correta da sociedade, em que vivemos, que desculpa os erros e pronuncia julgamentos impensados; que vê alguns como santos e outros como pecadores em função dos laços familiares e não sob os padrões de Deus. Ocorre que não temos nenhum tipo de aprovação da parte de Deus para fazer injustiça a quem está certo e para ser suave com o ofensor. Sempre me lembro do rei David – como ele corria para Deus e expunha o seu caso, suplicando a Deus que vindicasse o seu problema e que tomasse o seu lado contra os seus inimigos (Salmos 86.14-17; 140; 142.5,6; 143.1-9). Nossos filhos deveriam, igualmente, se achegarem a Deus com semelhante clamor e deveriam também esperar, de nossa parte, sabedoria suficiente para julgar corretamente, em amor. Temos que nos aperceber, sem encorajar o sentimento destrutivo de auto-justiça, que eles podem estar certos, que eles podem ter sido empurrados forçosamente a uma situação de litígio, que eles podem ter sido falsamente acusados, intimidados e oprimidos. Se não tivermos cuidado, podemos promover insegurança e transmitir às nossas crianças um sentimento permanente de incapacidade e falha – se quando surge um problema e elas se voltam a nós, sempre retrucamos que nunca estão certas, até quando elas estiverem. Algum filho seu já lhe perguntou; “Pai, por quê eu nunca estou certo?” Seus filhos têm a segurança, liberdade e conforto de se aproximarem de você e fazer uma pergunta dessas?

4. Descansamos Indevidamente no Tempo. “O tempo é o melhor remédio – ele se encarrega de resolver problemas”. Com freqüência falamos dessa forma e com isso empurramos para o lado a necessidade de uma urgente intervenção. Não existe nada que ajude melhor a injustiça do que a lenta justiça. No campo secular, a questão da lentidão dos processos judiciais, tem sido amplamente debatida, como sendo algo que causa intensa preocupação. A maioria dos criminosos, em função dessa lentidão, não são punidos rapidamente e outros, acusados falsamente, sofrem injustiça. Não existe qualquer justificativa em esperarmos que o tempo venha a consertar os problemas do nosso lar. A Bíblia não nos fornece qualquer base para a expectativa de que a inatividade, de nossa parte, venha a ser a solução de situações pecaminosas. Ela nos comanda, na realidade, até quando a atitude pecaminosa estiver presente no lado oposto, a tomar a iniciativa do contato para que o processo de correção e restauração possa ter o seu início e chegue a um término de sucesso ( Mateus 18.15-16). A disciplina tardia é tão deficiente quanto a ausência desta. Será que você está passando as suas responsabilidades ao “tempo”? Será que você está procurando o caminho mais fácil da ausência de confronto com o pecador e com o pecado, quando os preceitos de Deus demandam ação de sua parte?

Não existem passos rápidos à aquisição da sabedoria. Devemos estar sempre relembrando essas dificuldades e constantemente suplicando a Deus que Ele nos auxilie nessas horas de provação. Ao mesmo tempo, devemos ter a compreensão do mal imperceptível que podemos estar fazendo aos nossos filhos e às nossas famílias, quando deixamos de assumir o papel do juiz-no-lar, ou quando cumprimos de forma inadequada com essas responsabilidades. Com freqüência seremos nós, juízes imperfeitos, que teremos de nos achegar aos nossos queridos que prejudicamos com nossas falhas, clamando por misericórdia, dizendo “Sinto muito, me perdoe”, bem como ao nosso Perfeito Juiz, nosso Senhor Jesus Cristo, com idêntica súplica de perdão e de auxílio.

Examinando e Expondo a Palavra de Deus aos Nossos Dias:
Isaías 1:18-20 "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse."
Atos 17:2-3 "Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio."
Permissão é livremente concedida a todos que quiserem fazer uso dos estudos, artigos, palestras e sermões colocados neste site. Pedimos, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Apreciaríamos, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).

Por Solano Portela

 

15/03/2009

POBRES ATEUS!

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Disseram-me que o ateísmo está crescendo.
Fiquei a pensar... Quem quer o mundo oco e solitário dos ateus?
Não eu!
Eu quero o mundo povoado dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos animistas...
Quero um mundo onde a gente não esteja só.
Um mundo com anjos de pé e caídos.
De entidades, de elfos, de mística, de mágica, de mistérios...
Quero o mundo onde os tambores invoquem.
Onde a multidão de línguas estranhas dos pentecostais façam os seres da escuridão retroceder.
Quero o mundo que produziu Beethoven que, surdo, dizia ouvir a música que Deus queria escutar, a quem aplaudiu na nona.
Que desafiou Mozart a zombar de Deus enquanto, qual o profeta Balaão, só conseguia emitir os sons que boca de Deus entoa!
Quero o encanto catártico de Haendell gritando ALELUIA! de forma arrebatadora!
A beleza de Bach nos fazendo ver a paz da Família Eterna.
Quero mundo das lindas e majestosas catedrais e dos pregadores das praças, das esquinas, dos caminhos...
Da riqueza sonora profunda dos cantos gregorianos e dos vociferantes pregadores: convocando os homens a mudar e o Espírito Santo a se levantar contra o mal.
Quero o mundo que faça um ser humano, diante a pior das borrascas, ver o seu salvador andando sobre o mar, anunciando a possibilidade.
Aquele em que o guerreiro, diante da incerteza, se ajoelha perante o Eterno e se levanta com um brilho nos olhos, certo de que tem uma missão, um motivo para brandir a espada, porque se há de correr o sangue humano, tem de haver uma razão, que dando significado a vida o faça não temer a morte.
Um mundo de poetas e romancistas, que fazem a morte gerar vida, que contam histórias porque, em meio ao mais insano, há algo para contar, e se há o que contar, então significa; e se há como contar, então há um significante anterior, de modo que, por mais que cada leitor possa, de alguma maneira, reinventar, ninguém consegue negar que leu e, se leu, podia ser lido.
Quero a fé que faz uma menina entrar numa das melhores faculdades do pais, sonhando que, um dia, tudo o que sabe ajudará um ser desprovido de tudo, num dos miseráveis cantões do planeta, a sorrir com esperança!
Quero a loucura dos missionários que abandonam tudo no presente, certos de que levarão milhares a viver o futuro.
Quem quer o socialismo frio do ateus?
Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!
Da ciência não quero as equações, quero o grito de "Eureka!", onde o cálculo se mistura com a revelação.
Da matemática quero a música, a certeza de que há sons no universo, que não só os podemos cantar, mas que há quem nos ouve.
Que ouviremos a grande e última trombeta, que reunirá toda a criação para o canto da redenção.
Eu não quero capitalismo nenhum, mas prefiro o dos seres humanos que acreditavam que o trabalho é um culto ao Criador e que o seu produto tinha de gerar um mercado a serviço do bem.
Quem quer o capitalismo consumista dos ateus, que reduz a vida ao aqui e agora, e transforma todos em desesperados que, pensando que não sobrará para eles, correm para acumular para o nada?
Os ateus dizem que evoluímos, mas que não vamos para lugar nenhum; que a ciência pode tudo; que verdade é a palavra dos vencedores; que os mais fortes sobreviverão, e que é o direito natural deles.
Não! Mil vezes não!
Quero o mundo onde os fracos tenham direito ao Reino; onde os mansos herdarão a terra; onde os que choram serão consolados; onde os que têm fome e sede de justiça serão fartos; onde os que crêem na justiça estejam prontos a morrer por ela; onde os mortos ressuscitarão.
Quem quer um mundo explicado, onde tudo é virtude ou falha de um neuro-transmissor qualquer?
Quero um mundo onde a fé , o amor e a paixão curem, mudem histórias e construam caminhos! Onde os artistas tenham o que registrar!
Um mundo onde o sol nasça e se ponha, onde as estrelas, polvilhando o infinito, apontem um caminho, falem da esperança de uma grande e decisiva família, e que qualquer ser humano ao ver isso, não se envergonhe de falar: maravilha! Um Deus fez isto!
Mas não quero a teologia técnica...
Quero o Deus apaixonado dos cristãos, que abandona sua Glória e se faz gente, trazendo a divindade para a humanidade e, ressuscitado, ao voltar, leva a humanidade para a divindade!
Quero o Deus inquieto de Israel, o pai dos judeus, com quem é possível lutar.
Quero do Deus que se permite ser detido por um Jacó.
Quero o Deus chorão de Jesus de Nazaré, que mesmo a gente tendo brigado com Ele, nunca conseguiu brigar conosco.
O Deus Pai, Mãe e Filho que repartiu conosco o privilégio de ser!
Quero o mundo do medo do desconhecido, e do maravilhar-se com o desconhecido: o mundo do encanto.
Como disse o pai da filosofia moderna, o que se descobre ser ao pensar, precisa de um mundo para aterrissar, precisa que haja alguém que faça pensar valer a pena, alguém que, ao fim, é da onde se pensa, e se ele não existe, então nada existe, porque o que pensa não tem como pensar a partir de si.
Quero o mundo que ri da finitude; que desdenha das limitações; que resiste ao sofrimento; que olha para o infinito sabendo que nossa existência não é determinada pela morte ou por nossas impossibilidades; que não somos frutos de um acidente.
Quero mundo que se sustenta na fé de que ressuscitaremos, de que brilharemos como o sol ao meio dia; de que vale a pena lutar pelo bem; de que vale a pena existir!
Ariovaldo Ramos

FONTE: PavaBlog

14/03/2009

SENDO CRISTÃOS…

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A descrição do clima em nosso coração é, na melhor das hipóteses, muito semelhante ao coração de filhos de pais muito severos. Mais provavelmente, é como os escravos se sentiam diante de seus senhores: com muito medo de desagradá-los, porque corriam risco de vida.
Na verdade, nosso medo é de pecar. Às vezes ele é aumentado por frases do tipo “e se o Senhor Jesus voltar bem nessa hora?”. Mesmo quando não há esse componente “de castigo eterno”, temos medo de estar fora da vontade de Deus: a mão dele vai pesar, vamos perder a bênção, etc. Nosso Deus nos inspira medo. Temor. A imagem que temos de Deus é muito séria, atemorizante. Portanto, nosso medo – que causa nossas neuroses – é de Deus.
Quando eu tinha cerca de 14 anos, numa reunião da união de adolescentes atendi a um apelo para dedicar minha vida ao serviço do Senhor (isso queria dizer ser pastor ou missionário, os únicos ideais imagináveis de dedicação de “tempo integral” a Deus naquela época). Três anos depois, com a conclusão do ensino médio, chegou a hora de decidir que curso fazer. Eu, por conta desse “chamado”, já pensava em cursar o seminário. Mas outras pessoas, especialmente professores do colégio, me encorajavam a tentar uma profissão “secular”.
Fui me aconselhar com um pastor amigo, que sabiamente falou que, se fosse de Deus, esse chamado iria permanecer. Mas na igreja ouvi várias vozes não tão sábias, inclusive de outro pastor, que diziam algo como: “se Deus te chamou para o ministério, você não será feliz em nenhum outro lugar; nada mais vai dar certo até que você esteja no ministério”. Que Deus exigente, não?
Você provavelmente conhece esse medo de tomar decisões erradas. Essa busca por saber a vontade de Deus, “o que eu devo fazer”, é um processo de muita oração, talvez pedindo sinais, talvez pedindo conselhos de pastores ou buscando palavra com profetas, tudo movido pelo medo de errar, que é nosso medo da ira de Deus.
Veja o paradoxo: nessa situação, quanto mais Bíblia e oração e pregações buscarmos, provavelmente ficaremos piores, mais neurotizados do que antes; o medo só crescerá, pois não estamos em paz. Na prática, não conseguimos assumir nós mesmos a responsabilidade de tomar decisões - queremos “empurrar para Deus” essa responsabilidade (mas desconfio que, como qualquer pai interessado no crescimento de seus filhos, Ele gostaria que aprendêssemos a tomar decisões por nós mesmos, utilizando a formação que Dele já recebemos até esse momento).
Muitas vezes, na Sua misericórdia e percebendo que nós “empacamos” horrorizados, Ele até manda um sinal, uma resposta mais objetiva, e assume o que seria a nossa parte. Mas outras vezes nossa ansiedade nos impede de ouvir Sua voz suave, e seguimos ao primeiro
“servo” que falar mais autoritariamente (e via de regra nos damos mal...).
Karl Kepler, psicólogo, pastor e teólogo.

FONTE: PavaBlog

13/03/2009

PARA QUEM SAI ANDANDO E CHORANDO…

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Por Ronaldo Lidório

Uma palavra para os semeadores de hoje

Lendo a parábola do semeador e o Salmo 126 lembrei-me de muitos amigos e vários missionários. Veio forte a cena dos semeadores de hoje. Aqueles que falam de Jesus, visitam de casa em casa, servem o caído, cuidam do enfermo e enfrentam seus medos. Alguns andam a vida toda, aprendem línguas diferentes, estudam culturas distantes, escrevem projetos, sempre mais um lugar a chegar.

O Salmo 126 nos fala sobre a relação entre a caminhada e o choro. Quem sai andando e chorando enquanto semeia voltará para casa com alegria trazendo seus feixes, o fruto do trabalho. Para cumprirmos o ministério que Jesus nos confiou é necessário andar e chorar. E é certo que muitos fazem ambas as coisas. Tantas idas e vindas, caminhos incertos, a impressão de que há sempre mais um passo a dar, uma pessoa a evangelizar. E as lágrimas, que descem abundantes com a saudade que bate, a enfermidade que chega, o abraço que não chega, o fruto que não é visível, o coração que já amanhece apertado, o caminho que é longo demais.

Creio que temos andado e chorado. Mas voltaremos um dia, trazendo os frutos, apresentando ao Cordeiro e dando glória a Deus! Poderá ser amanhã, ou em algum momento ainda distante.  Mas ainda não é hora de voltar. É hora de seguir, andando e chorando, com alegria no coração e sabendo que não trocaríamos esta viagem por nenhuma outra na vida. O grande consolo e motivação é que não andamos sós. Ele está conosco. E maior é Aquele que está em nós. Portanto não desistimos, olhando sempre para o horizonte a frente e trazendo à memória o que pode nos dar esperança.

Guarde seu coração enquanto anda e chora. Não perca a alegria de viver e caminhar, nem a mansidão, nem a oração, ou o humor, ou o amor.

Não deixe de semear mesmo quando está difícil. Lance a semente em todas as terras. Uma há de germinar e talvez a mais improvável. A que menos promete. Não dê ouvidos aquele que diz que não vai acontecer porque a terra é árida, o sol é forte e o vento está chegando. Lance a semente.

Abrace o que também anda e chora que está ao seu lado. Ele talvez se sinta só e pense que é o único que chora enquanto caminha.

Andar e chorar é cumprir a missão. Se você tem feito isto, louve a Deus por esta oportunidade. É um grande privilégio. Um dia você voltará...

FONTE:  MISSIONEWS - Revista de Missiologia Online