21/05/2008

LOUVOR E INVOCAÇÃO


 

És grande, Senhor e infinitamente digno de ser louvado [1]; grande é teu poder, e incomensurável tua sabedoria [2]. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do pecado e a prova de que resistes aos soberbos [3]. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te. Tu mesmo o incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso. [3a]

Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. [3b] Mas alguém te invocará antes de te conhecer? Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Ou, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em quem não crêem? Ou como haverão de crer sem que alguém lhos pregue? [4]

Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam [5], porque os que o buscam o encontram, e os que o encontram hão de louvá-lo.

Que eu, Senhor, te procure invocando-te, e te invoque crendo em ti, pois me pregaram teu nome. Invoca-te, Senhor, a fé que tu me deste, a fé que me inspiraste pela humanidade de teu Filho e pelo ministério de teu pregador. [5a]

NOTAS:

[1] — Salmos 114:3.

[2] — Salmos 146:5.

[3] — 1 Pedro 5:5

[3a] — Tais expressões sintetizam o livro todo. A nostalgia de Deus mora no coração do homem.

[3a] — Os cinco primeiros capítulos são uma vibrante louvação a Deus, lírica e genial. O homem, partícula da criação, busca louvar a Deus, repouso da sua alma inquieta.

[4] — Romanos 10:14.

[5] — Salmos 114:3.

[5a] — Refere-se a St. Ambrósio, que contribui para a conversão de Agostinho.

Fonte: O presente artigo é o capítulo 1 de Confissões de Agostinho, um dos maiores clássicos cristãos de todos os tempos, admirado até mesmo por aqueles que se professam ateus ou não-religiosos.

20/05/2008

O PECADO DA INCREDULIDADE


 

Entre os que se professam "cristãos", há três pontos de vista em relação à morte de Cristo. Crê-se que Cristo morreu por uma das seguintes razões:

1. Pelos pecados de todos os homens;
2. Por todos pecados de alguns homens;
3. Por alguns pecados de todos os homens.

A terceira razão deve ser incompatível a todo cristão, pois, se a propiciação cobriu somente alguns pecados, então todos teríamos pecado não cobertos e terminaríamos condenados irremediavelmente.

A segunda razão é chamada às vezes de o ponto de vista "calvinista" e ensina que há uma salvação eficaz para somente algumas pessoas eleitas.

A primeira razão é a idéia de uma propiciação universal. Esta tem certos problemas lógicos, porém pelo fato de a maioria dos cristãos não se sentirem cômodos com a idéia de uma salvação pela metade (a terceira razão), e não quererem admitir que Deus é o que decide quem deles serão salvos e quem não, então se contentam em crer que Cristo morreu por todos os pecados de todos os homens.

O problema está em explicar como é que muitas pessoas, cujos pecados foram propiciados finalmente terminam no inferno. Se Cristo morreu por todos os pecados de todos os homens, então todos os homens, sejam budistas, muçulmanos, hindus, católicos, protestantes, etc., deveriam ir ao céu.

Alguém pode contestar que a resposta ao problema é a falta de fé ou, em outras palavras, a incredulidade. Porém o problema aqui é que a incredulidade é também um pecado, e é o mais horrível de todos os pecados.

Se Cristo morreu por todos os pecados, então morreu pelo pecado da incredulidade também. Porém, se morreu para propiciar todos os pecados menos o da incredulidade, então estamos dizendo que Ele morreu somente por alguns pecados de todo o mundo. Porém se Cristo morreu por todos pecados, e se morreu por todos os homens, então morreu por todos os pecados de todos os homens, incluindo a incredulidade deles.

No fundo, o problema que temos, que não nos deixa resolver o dilema com a doutrina da propiciação, está ligado com nossa filosofia moderna relacionada com o homem e seus "direitos". O lema político moderno nos tem pregado liberdade, comida e educação para todos. Por causa disso, a idéia de um Deus que é o fator determinante de tudo não é bem aceita pelo homem moderno. Tem sido ensinado nas escolas que se devem tolerar distinções de pessoas nesta vida, e por isso supomos que não deve haver distinções de posições na vida espiritual. Se cremos na liberdade para todos no mundo, porque não crer na propiciação para todos para ir ao céu ?

Porém Deus não governa o universo como uma democracia. A salvação, ao contrário da liberdade política, não é um direito que podemos reclamar. O grito "dêem-nos uma oportunidade a todos por igual" é um lema bonito para ser apresentado em um motim político. Porém não deve se dizer isso diante de Deus. Não nos acercamos ao Soberano do universo como cidadãos que demandam direitos. Nos acercamos como rebeldes violentos, réus dignos de morte e insolentes; que temos pisoteado Sua vinha, atacado Seus obreiros, e assassinado a Seu Filho. Não há sequer um de nós, que mereça ser perdoado; e se Deus fosse perdoar a alguns dos culpados, poderiam os outros culpados queixar-se?

Aos homens não se tem dado uma "oportunidade" de salvar-se. Em vez de dar-lhes oportunidades, é-lhes dada a graça. Recebem de Deus "graça", não "direitos". Nós devemos permanecer maravilhados ante tão grande misericórdia. Porém alguns soberbamente demandam que Deus dê a graça a todos por igual. Porém Deus não está sujeito à constituição de nenhum país.

A Bíblia nos diz, antes da morte de Cristo, que Ele viria para "salvar Seu povo de seus pecados". Durante Seu ministério na terra, Ele proclamou constantemente que havia vindo para um grupo especial de pessoas, que Ele chamou, Suas "ovelhas" que são distintas de outras que não são ovelhas:

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta do curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Jo 10. 1.

E, quando tira para fora as suas ovelhas , vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jo 10.4-5.

Por Thomas Goodwin

MINHAS ILUSTRAÇÕES


DIÁRIO DE UMA BÍBLIA
22 de janeiro - Passei uma semana calma. Nas primeiras noites do Ano Novo, meu proprietário me leu diariamente, mas agora parece que já me esqueceu.
18 de fevereiro - Hoje foi faxina geral de final de verão. Tiraram poeira de minha capa, e até passaram um pano úmido, mas logo me recolocaram no lugar.
4 de março - Fui utilizada depois do café pelo meu proprietário. Ele analisou alguns trechos, cerca de cinco minutos, e me levou ao culto.
20 de maio - Hoje foi um dia duro de trabalho. Meu proprietário dirigiu um estudo Bíblico e teve que procurar vários versículos. Raras vezes os encontrava, mesmo estando todos no velho lugar.
10 de junho - Hoje alguém colocou um trevo de quatro folhas entre minhas páginas.
29 de junho - Fui colocada, juntamente com roupas e outros objetos, dentro de uma mala. Parece que estamos em viagem de férias.
11 de julho - Ainda estou na mala, embora quase todos os outros objetos já tenham sido retirados.
25 de julho - Estou novamente em casa, no meu velho lugar. Foi uma viagem cansativa. Não entendo porque tive que participar dessa viagem, pois só fiquei no fundo da mala .
19 de agosto - Hoje fui utilizada por Dona Santina. Ela escreveu para sua amiga e procurou um versículo para ela, pois seu pai faleceu.
21 de agosto –Estamos em pleno inverno. Novamente fui desempoeirada.
Será que esta seria a história da sua Bíblia?
"Creio que unicamente a Bíblia tem as respostas para nossas perguntas e que nós apenas devemos ter tempo para parar e, humildemente perguntar, para dela receber a resposta certa".

19/05/2008

MINHAS ILUSTRAÇÕES


Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? Mt. 18.12

Louis Pasteur, o famoso microbiologista francês que descobriu que a maioria das doenças é causada por germes, dedicou-se à busca do conhecimento. Cria, entretanto, na existência de valores espirituais que transcendem a ciência.
Em 1849, Pasteur casou-se com Marie Laurent, uma de suas assistentes de laboratório. Tiveram cinco filhos. Três morreram na infância. Dezenove anos mais tarde, ele sofreu uma lesão vascular cerebral por excesso de trabalho e ficou parcialmente paralisado.
Quando estourou a guerra franco-prussiana em 1870, o único filho de Pasteur, Jean Baptiste, foi convocado para servir ao seu país e envolveu-se na catastrófica derrota do exército francês em Metz. Depois de semanas sem receber notícias do rapaz, Pasteur deixou seu agora famoso laboratório em Paris e foi procurá-lo. A despeito de sua paralisia parcial, Pasteur seguiu mancando na direção norte à procura do filho. As estradas estavam congestionadas com soldados derrotados e errantes. A jornada foi árdua, mas depois de perguntar muito Pasteur localizou a unidade de seu filho. Um oficial contou-lhe então a desanimadora notícia: de um grupamento original de 1.200 homens, menos de 300 haviam sobrevivido.
Mas Pasteur não desistiu. Continuou avançando por estradas cheias de cavalos mortos e homens sofrendo de frio enregelante e gangrena. Chegou finalmente ao local onde um soldado estava enrolado até os olhos num sobretudo pesado; mal podia ser reconhecido em seu estado de definhamento. Era Jean Baptiste! Pai e filho, comovidos demais para falar, abraçaram-se em silêncio.
Na guerra entre as forças do bem e do mal, muito filho, muita filha já sofreu derrotas catastróficas nas mãos do inimigo das almas. E muitos, como o filho de Pasteur, mal podem ser reconhecidos por causa dos estragos do pecado. Alguns cristãos professos, até mesmo pais, talvez creiam que esses filhos errantes se encontrem além da esperança. Mas mesmo que eles se esqueçam ( Is. 49.15), o Bom Pastor e os pais fiéis nunca se esquecerão, mesmo que por vezes possam parecer duros.